“JUNTOS PARA SEMPRE” – 5º Excerto do Romance

                              ( 5º Excerto )

          Durante um mês, Maria viveu tormentos que nunca esquecerá. O quarto dos castigos é horroroso. Apenas um olho-de-boi gradeado na parte superior de umas das paredes permite que uma ténue réstia de luz solar penetre na cela. Uma tarimba e um colchão esburacado servem de cama. Duas mantas velhas e bafientas protegem com insuficiência do frio húmido do Inverno. A um canto, dois baldes, um com água e outro para usar como latrina. Ambos são substituídos de três em três dias. Pendurada num prego ferrugento, uma toalha que nunca foi trocada. As refeições, constituídas de pão seco e macarrão cozido, são transportadas em marmitas amolgadas, negras, gordurosas e repelentes. Passou fome e sede, até não sentir vontade de se alimentar. A escuridão da cela, a humidade e o frio provocaram no seu consciente a visão de um corpo inexistente, insensível e exânime. Deitada na tarimba, de mãos coladas ao peito, olhos cerrados, sugere a imagem de um ataúde esquecido e desprezado à espera que o tempo o devore concedendo a Maria a felicidade eterna.

                                                                                       *****

          Terminado o castigo, Maria regressa à camarata. O seu aspecto é deplorável. Está magra e doente. Dominada pelo poder absoluto e arbitrário das freiras, sente-se humilhada e ofendida na sua dignidade. Nestas circunstâncias tudo é indiferente, aconteça o que acontecer.

          – Para quê viver? Que sentido faz ser uma mulher, quando na realidade sou um monte de carne a quem roubaram a inteligência, os sentimentos, o amor?

          Dirige-se à cama para se deitar e parece reconhecer Laurinda numa visão fosca, franzindo os olhos para tentar definir com mais rigor a figura. Sente um impulso fremente de a espancar, mas não tem forças e agravaria a sua situação.

          – Nunca te perdoarei, traidora miserável que destruíste a minha vida. Nunca te perdoarei. Nunca!

         Laurinda não calculara que a sua denúncia causasse castigo tão horrível para Maria. Reconhece o seu erro e desejava pedir-lhe perdão, mas desiste com medo da reacção da colega. Nunca mais se falaram.

          Durante a noite, Maria sente-se mal, com febre, dores no peito e tosse. Como não se levantou ao toque de despertar, uma freira aparece chamando-lhe calaceira. Ao ouvir os sintomas que Maria lhe transmite, vocifera:

          – Tu estás infectada e vais ser transferida imediatamente para o Hospital. Desgraçada, que só nos dás problemas. Que Deus seja louvado. Ámen.

         Chegada ao Hospital e após exames médicos foi diagnosticada uma pneumonia. Maria vai ficar internada durante alguns meses.

          – Apesar de tudo, sempre será melhor estar aqui que no Orfanato. – pensou.

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, Av. de Roma, 11 em Lisboa ou através do site:                                                                                                                           www.sitiodolivro.pt

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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