Obscenidades que podem ferir os nossos conceitos de Pátria

“Quem não se sente não é filho de boa gente!” Este um dos tantos ditados tão populares entre nós. E é bem uma verdade incontestada; somos o resultado de alguma coisa que outros antes de nós fizeram. Na verdade, somos o resultado do que todos antes de nós fizeram. Por isso temos um espaço nosso, uma língua através da qual não somente nos exprimimos como pensamos. Temos um pensamento que originou uma cultura: A nossa Cultura. O nosso saber. Os nossos sentimentos; por eles nos veio a Poesia, a Literatura, a Música, e essa arte de ver as “almas por dentro” que é o nosso Teatro. E a nossa Ciência, a nossa Lógica. Talvez que até o nosso eu a que chamamos Alma no sentido de Eterno nos venha também daqueles que antes de nós, mesmo sem o saberem, nos pensaram.
E como agradecermos o que nos deram? Pensando a Pátria. Pensando a História. Pensando um pouco em tudo isto em dias de reflexão que se instituíram e a que chamamos Feriados Nacionais, que recordam factos, feitos, acções de bravura e as datas em que se deram. É assim. São dias de festa. São dias em que somos um todo, uma Voz Única, um Povo que se compõe de todas as suas partes: Os cheiros e as paisagens, as romarias, acima de tudo o Querer Continuar. Somos nós enquanto Nação que vertemos sangue para chegar ao transcendente desse conceito que se chama Pátria.
No dia Primeiro de Dezembro lembramos a nossa Nacionalidade. Hoje os entendidos riscam a data de dentro de nós. Um dia como qualquer outro, um vulgar dia do calendário. Por razões económicas arquivou-se a História. É como se nunca nos libertássemos do jugo e da ocupação estrangeira. E o cinco de Outubro, a Républica? A Nacionalidade e a Républica! É como se despíssemos o fato da dignidade. Ficamos nus envergonhados frente à nossa História. O que somos, afinal? Como diz Sua Excelência o Senhor Presidente da Républica, somos o povo de pastores que, de dia e de noite, sem feriados, dias santos e marcos históricos, incansáveis, nos preocupamos com os rebanhos, (que são a riqueza dos outros), digo eu. E se deslocássemos estes feriados para junto dos fins-de-semana mais próximos, mesmo para os dias de descanso, se necessário, e apenas os actos oficiais ocorressem nas datas, até que se possa restituir à nossa terra o direito de comemorar em plenitude e nas datas os nossos feitos que nos orgulham? É que, sabem, um Povo sem História não é povo, não é nada. É apenas uma massa Utópica para fazer rir o mundo!
Aos nossos ilustres governantes eu digo: “Não é imperioso que viajem mais por imposição do chamado Dever. Os estrangeiros já estão à vontade para nos tirarem o pouco que ainda nos resta!”

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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3 respostas a Obscenidades que podem ferir os nossos conceitos de Pátria

  1. Este é o tema dum verdadeiro patriota, que despe a camisa e defende a sua Pátria. Toda a história está posta em causa. até mesmo a nacionalidade. O 1º de Dezembro já os espanhóis em tempos diziam que depois do acordo Ibérico que não fazia sentido mantê-lo. Quanto ao 5 de Outubro, será uma visão monárquica, que está a florescer, num jardim ao lado dumas canabis, para quando estiverem em idade adulta se colocarem no mercado, já com direitos de sobrevivência garantidos.
    A estas desilusões, é o que nos vão acostumando estes governantes, que por infelicidade, não deles, mas quem lá os colocou, certamente à espera dum tacho maior do que tem. Mas voltando às datas em causa, só acrescento, estamos a ficar um Povo sem memória logo sem história, e daí, …a pouco sem Pátria. Nem honrar os antepassados já somos capaz. Resta- me a esperança que quem vier se revoltará e reponha a verdade duma História de 8 séculos, mais perto do coração dos portugueses.
    Orlando Nesperal

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  2. jsola02 diz:

    Amigo: habituaram-me desde menino a entender e respeitar este pedaço de chão e esta gente, (apesar dos dissabores que alguns me têm dado), e não será agora, depois de velho, perto de me tornar múmia, que vou ceder este chão à bestialidade de uma canalhada que não conheço, não aceito e não respeito! Sou Português com costela algarvia, costela beirã e sou do coração desta Lisboa que quero eterna e nossa! Viva o direito a continuar Português! Um abraço do Solá.

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  3. Amigo: Não está só, mas poucas forças me restam, já não são para lutar com armas, mas sobretudo continuar a gostar o meu País. Acrescento que não reconheço a estes senhores governantes, qualquer sentimento pátrio, mas sim, servidores do seu bem estar, e abanado com a cabeça para que os outros se mantenham nessa postura de roubarem Portugal, até o seu bom nome! A experiência diz-me: que a melhor maneira de abater o inimigo, é ignorá-lo! Quando estamos a dar muita importância, eles alegram-se, porque falam sobre eles. Há aqueles que gritam “eu sou um cidadão do Mundo “. Eu reclamo sou português, nasci, sob esta bandeira, servi a Pátria, gratuitamente e jurei perante a multidão que por ela darei a vida se o momento fosse esse para a salvar. Certamente é algo que lhes falta, de não passarem por esse crio de aferição, onde se comia a sopa e dormia na mesma condição. E o que posso fazer neste instante é servir-me das faculdades que Deus me deu, para mostrar ao Mundo a minha indignação pelo que estão a fazer ao meu Portugal. … escrevo reclamando!
    Orlando Nesperal

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