Ontem, domingo, apanhei (já a mais de meio), os comentários domingueiros feitos por um ilustre comentador cá desta nossa praça. O senhor falava da crise. Dos cortes dos subsídios, da actuação do Presidente da república, enfim, dos vastos e importantes assuntos do nosso dia – a – dia. Mas não falou muito dos reformados, como se nós fossemos uma questão menor para a Instituição Nacional. Erro dele. Nós somos ainda parte activa desta Nação, continuamos a contribuir para a sua riqueza e para o seu progresso, e, (pasme senhor), muitos de nós, os da privada, pagámos adiantado o valor das pensões que hoje recebemos. E como utilizamos esse dinheiro, incluindo os mencionados subsídios? A colmatar as falhas da governação. A pagar os alimentos (e não só) dos netos, ou porque os filhos estão desempregados, ou porque não ganham o suficiente, a manter activa a indústria farmacêutica, etc. Etc. Lixo não, isso ainda não. Lá virá o tempo, quando formos para debaixo da terra. Diz o referido senhor que a questão é simples, não temos dinheiro. Mas tínhamos. Por anda esse dinheiro? Essa é, na verdade, a verdadeira questão.
Nos Estados de Direito existem mecanismos suficientes para corrigir as situações anómalas, para além do recurso às urnas. A Democracia Participativa exige referendos para resolver os problemas de fundo, as grandes questões nacionais. Ora, uma dessas questões é, sem dúvida, a divida monstruosa do arquipélago da Madeira, (penso que está na origem dos cortes dos décimo terceiro e décimo quarto mês); sendo que, na sua maioria, as pessoas do Continente nunca foram ao arquipélago, e se lhes perguntarem mais ou menos para que lado fica, não sabem dizer, é justo que lhes cortem uma parte substancial dos rendimentos para sempre? Porque os cidadãos da Madeira não assumem as responsabilidades da má governação que têm faz mais de trinta anos, e sempre eleita por sufrágio directo? A Madeira é parte integrante e indissociável do todo nacional. Sem dúvida. Mas se elegeu como seu presidente vitalício um tipo que só sabe fazer dividas, então que as assumam na totalidade!
Diz ainda o senhor comentarista que não vivemos um estado de pré-guerra civil. Pois se isto não é esse estado de pré-guerra civil, diga-nos o senhor o que, afinal, é isto, porque sinceramente, ninguém que seja lúcido sabe o que isto é!
No meu pensamento o mal desta eterna pobreza franciscana reside na alternância no governo de dois Partidos que, ideologicamente, não são aquilo que dizem ser. Nem o partido Socialista é socialista, nem o Partido Social Democrata é social-democrata, e, (a meu ver), nem um nem o outro fazem qualquer ideia do que seja uma coisa, ou a outra. Resultado dos tais quarenta e oito anos de obscurantismo? É possível. Mas não é certo. Julgo antes que a causa esteja em vagas de aventureiros sem escrúpulos que os invadiram em busca de dinheiro fácil.
De vez em quando, uns domingos por outros, gostava de o escutar sobre estes assuntos.
Veja, senhor, a que estado chegou a República. Como estão os nossos direitos à liberdade de expressão e ao livre pensamento. Um pensamento criativo e liberto de barreiras censórias. Sou o autor de um pequeno e modesto livro, a Ganância, que, antes de ter revisto a minha margem de direitos de autor, tinha um preço de venda ao público excessivamente alto. Fiz oferta do livro a uma biblioteca pública; recebi passado tempo uma carta a agradecer-me um livro de poesia que não escrevi. Falei sobre o caso. Recebi outra carta a desfazer o erro. Mas o livro não foi ainda levado para a consulta do público. Ora, em Democracia, é o público o meu único censor. É ele o soberano que tem o direito de me avaliar enquanto autor, e não alguém que toma decisões sobre o que pode ou não ser exposto numa biblioteca pública. E eu não ofereci o livro para uma biblioteca particular!
Se Vossa Excelência de quando em vez diversificasse um pouco os seus excelentes comentários era a cereja em cima do bolo. De tudo quanto disse, e por último, ou perto do fim dos seus comentários, deu um excelente exemplo de como a iniciativa das pessoas, (mesmo as de idade), pode ajudar este País a sair da crise. O caso da senhora que abriu uma pastelaria na aldeia, e que, ao que penso, faz uns pastéis de nata de truz. Hoje, a propósito da tempestade que paralisou o aeroporto de Faro, lembrei-me desse caso. Veja, que excelente oportunidade para os algarvios com iniciativa venderem, por exemplo, croquetes, pacotes de batatas fritas pala-pala e sumos enlatados…
Meus amigos, grato pela vossa atenção, até à próxima dica.
Eu não estou esquecido das “Fugas ao fisco,” calma…
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