“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

                HISTÓRIA Nº 25  (Continuação)

                  AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

                  Meu Amigo Desconhecido

           Hoje escrevo-lhe com a mão a tremer de raiva e de horror.

          Como é possível que no século XXI exista tanta guerra estúpida fomentada pelos interesses do dinheiro, do petróleo? Como se sentirão os pais dos militares que morrem às centenas naquelas terras desconhecidas do Iraque? Aquelas famílias devem estar de corações despedaçados. Como existem presidentes de grandes países, líderes mundiais da guerra, da morte, do sofrimento, capazes de ordenar o avanço de milhares de jovens para serem dizimados por explosões de bombas, tiros de gente criminosa? Fico tão triste que me pergunto se vale a pena viver num mundo minado de maldade e violência contra gente inocente.

          Certamente não vou conseguir dormir esta noite. Aquelas imagens da guerra não me saem da cabeça.

           Desculpe desabafar consigo, mas sinto-me triste e amargurada pelo sofrimento que estes actos causam no equilíbrio emocional das crianças, dos jovens e dos velhos como eu, que já não têm coração para ver e ouvir estas notícias. Vê porque desisti de ver telejornais? Mas hoje foi um caso excepcional.

          Um beijo para o meu Amigo Desconhecido.

                                             ****

                   Amélia,

          Gosto de saber que continua com as suas leituras e a ouvir as músicas que a acompanham nos momentos mais solitários. Não tarda e vamos festejar o quinto ano da nossa correspondência. Nesse dia, já resolvi, vou escrever-lhe uma carta com cinco folhas. Uma por cada ano. Se ralhar comigo, eu mudo de ideias, acredite.

          A Primavera está a chegar e que bonito ver os jardins floridos. Aproveite, Amélia, e passeie por entre as flores, nenhuma delas mais bonita que a Amélia.

          Até amanhã.

( continua )

José Eduardo Taveira

 

 

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Fadas ( de Danilo Pereira )

Na mitologia nórdica, as fadas são entidades mágicas que orientam e ensinam a arte da magia. Estes seres pequeninos, vivem em florestas na terra média e nunca estão sozinhas, há sempre uma porção delas, que se deslocam etre as folhagens com suas delicadas asas.

Uma fada é sempre dócil, prestativa, sorridente e na maioria das vezes, acompanha um guerreiro em sua batalha, servindo como uma espécie de guia que pode curar suas enfermidades. Os nórdicos, acreditam firmemente, que esse milagre vem de Eir ( a Deusa da cura ) na qual ensinou às fadas a arte de dar e socorrer uma vida.

Como eu disse num post anterior, as fadas gostam de viver entre os Ents ( árvores sagradas ) tocando a harpa, que traz o equilibrio necessário para que a floresta viva sempre em harmonia.

 

 

 

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Viver acima das possibilidades.

Que malvadez de raciocínio este! Como pode um povo (talvez o mais pobre da Europa), viver acima das possibilidades? Dizer que induzimos as pessoas a contraírem dívidas de uma forma insana para fugirem ao limiar da pobreza, isso, ainda posso admitir.
As pessoas têm necessidades básicas comuns, necessidade de alimentação, instrução, assistência médica e habitação. Estas as mais (para mim), importantes e indispensáveis, mas, como, por via da sociedade que temos, não são iguais, partem para a vida dispersas por diversos patamares. Assim a corrida para a conquista de um lugar cómodo ao Sol processa-se de maneiras diferentes de indivíduo para indivíduo. Digo que temos pobres e ricos, e que seria bom que, numa primeira fase, cada individuo tivesse ao seu alcance o necessário para satisfazer as suas necessidades.
O que me é dado observar é uma sociedade conduzida por meros esclavagistas que, a exemplo das plantas parasitas, precisam de submeter os outros a uma condição de inferioridade para eles viverem bem. Assim temos uma divisão do mundo que me recuso linearmente a aceitar. De um lado os Ricos Ladrões Chico-espertos, do outro, os Pobres Mendigos – estúpidos. Nem os Ricos devem ser Ladrões e Chico – espertos, nem os Pobres são Mendigos – estúpidos. O que necessitamos é de ricos medianamente ricos e de pobres medianamente pobres, e para este meio – termo o Estado deve ser musculado quanto baste para fazer justiça social e fiscalizar as práticas de uns e dos outros. É esse Estado que falta. Falta-nos uma Democracia efectiva e não esta mascarada feita à medida das conveniências só do lado dos poderosos. Faltam-nos Homens de Bem. Ávila, Manuel de Arriaga, só para focar duas pessoas de bem que existiram no passado, e como no presente veio da região Autónoma dos Açores a diferença, na pessoa do seu presidente, Carlos César, temos de saber escolher melhor aqueles a quem entregamos de mão – beijada o nosso destino enquanto País.
As pessoas deste País adiado perderam à muito a confiança em quem governa. Na verdade, pensamos que são bafos salazarentos que poluem o ar da nossa Assembleia da Republica. Talvez saudosistas. Gente que se reforma com uma dúzia de anos e aceitam mordomias atrás umas das outras. Novos-ricos com passaporte carimbado para acesso aos Ricos Ladrões Chico – espertos. Como nos velhos tempos da PIDE vamos voltar a desconfiar uns dos outros e a espreitar por cima do ombro. Estes conselhos de estado onde, de há tantos anos a esta parte só se vêm os mesmos, estes presidentes vitalícios despesistas, este bafio com cheiro a mofo, o fedor do dinheiro a empestar o ambiente, a chegar à rua, a entranhar as casas e a incomodar as pessoas de bem, quem trabalha e reza por dias melhores. O País cheira já a cemitério, a mortos – vivos, a gente que já nem resiste ao mal. A gente que sofre em silêncio…

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“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

             HISTÓRIA Nº 25  (Continuação)

                AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

                 Amélia

          Cada dia que passa mais vontade tenho de lhe escrever longas cartas, contando tudo do nada que sou.

           Desta vez não me esqueci que amanhã festeja mais um anito, não é verdade? Mas como é que eu sei isto? Não lhe dou já os parabéns, porque nunca se deve festejar antes da data. Será um dia especial para si. Merecia que alguém lhe fizesse uma surpresa com uma prenda linda com a qual ficasse deslumbrada. Amélia, você merece tudo o que de bom a vida tem para dar.

          Um beijo do Amigo Desconhecido.

                                    ****

                Meu Amigo Desconhecido

          Passei a noite a ver filmes na televisão. Há muito tempo que não me lembro de ter uma insónia tão incomodativa. Penso que foi por ter bebido um carioca de café. Penso eu.

          Antigamente era uma desgraçada com insónias e só vim a descobrir que elas eram provocadas pelos telejornais das televisões, que só transmitem desgraças, dramas, crimes, ódio e não respeitam o bom-nome das pessoas. São autênticos fornos crematórios da dignidade dos alvos que querem abater. Deixei de ver esse lixo e Amigo Desconhecido, passei a ter noites mais calmas. Penso que é por isto que há tanta gente a tomar calmantes. Quando alguém me fala sobre noites mal dormidas, a minha receita é: “deixe de ver o caixote do lixo das notícias”.

          O tempo está horroroso. Chove dia e noite. Felizmente tenho em casa tudo o que preciso e não necessito ir à rua, pelo menos durante esta quinzena.

          Se tiver outra insónia vou para a cozinha fazer bolos. Adoro guloseimas. Recordo com prazer os momentos deliciosos que proporcionei ao meu querido marido Alberto, que era muito mais guloso que eu. Ele adorava as tartes de maçã cobertas com chantilly, os meus queques de vários sabores que tinham uma receita inventada por mim, sei lá. Ele era tão guloso que me pedia para fazer bolos de aniversário recheados de chocolate com nozes e cobertos com cremes. Depois, na brincadeira, cantávamos os parabéns a você. E eu dizia-lhe que os parabéns são para mim, porque fui eu quem teve o trabalho de os confeccionar. Assim nos divertíamos. Chegámos a festejar mais de seis aniversários por ano! Que saudades! Parecíamos que não tínhamos idade. Foi tão bonito!

          Bem, agora vou ler um pouco, deitada na cama, bem quentinha e a beber chá com bolachinhas de manteiga. É servido?

           Ah! E como você é muito curioso, informo-o que estou a reler a lírica de Camões, que eu acho um espanto de modernidade e alguns poemas de Florbela Espanca. Pronto, ficou a saber mais umas coisas da minha vida.

                  Beijos da Amélia.

(…) (continua)

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

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Que se chove irada…

O cheiro da terra molhada
De água desabada
Que se chove irada
Triste e chorada
Por não ser abraçada

José Guerra (2011)

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“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

                 HISTÓRIA Nº 25 (Continuação)

                     AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

                 Amélia,

          Fiquei contente por ter comprado um vestido novo. É sinal que vai continuar a sair para espairecer. Passar os dias fechada em casa, não dá saúde a ninguém. Bem sei que o tempo não está para grandes passeios, mas nos intervalos da chuva, toca a andar. Também gostei que me contasse que fez um bolo de chocolate delicioso. Como eu adoro bolo de chocolate! Estou cheio de inveja não poder compartilhar um momento tão requintado de um chá na sua excelente companhia.

           Um beijo, tão saboroso como o bolo de chocolate que vai ser devorado por si.

                  Amigo Desconhecido

                               ****

                   Olá, Amigo Desconhecido

          Escrevo-lhe quase sempre com a “Sonata ao Luar” de Beethoven, em fundo, que me transmite uma paz de espírito, um bem-estar interior, que me obriga a soltar meia dúzia de lágrimas, nem de tristeza nem de alegria. Não sei, talvez lágrimas de saudade. Talvez lágrimas de solidão. Ou lágrimas de paz.

          Adoro ouvir música clássica, baixinho, para não incomodar os vizinhos. Os vizinhos incomodam-se sempre com a música clássica, não sei porquê. Talvez merecesse um estudo sociológico.

          Como sabe, esta Sonata foi escrita por Beethoven numa fase horrível da sua vida, prestes a suicidar-se. Vivia com graves problemas familiares e sobretudo com uma surdez de evolução rápida que o impedia de conviver e lhe provocava um isolamento que o levou a uma depressão. Na modesta pensão onde vivia, encontrou-se com uma pobre rapariga cega, que lhe disse: “eu daria tudo para ver uma noite de luar”. Beethoven ficou tão emocionado, que considerou a sua tristeza uma coisa insignificante perante a cegueira daquela menina. Ele podia ver e escrever. Ela vivia isolada na escuridão de uma noite sem fim. Então renasceu nele a vontade de viver e trabalhar. Sentou-se ao piano e compôs uma das mais lindas músicas, dedicada à menina cega, a “Sonata ao Luar”. É lindo, não é, meu Amigo Desconhecido?

          Nós temos por mania egoísta considerar que os nossos problemas são terríveis e sem solução. Pura mentira e estupidez. Quando me sinto a ficar deprimida penso no Beethoven e na sua maravilhosa “Sonata ao Luar”, pulo da cama e aí vai ela á procura da luz do sol que tenho a felicidade de poder contemplá-la. E transformo-me noutra mulher a pensar positivamente.

          Obrigado Beethoven.

             Beijos da Amélia

         (…)  continua

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

 

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As Virtudes da Mente Orlando Nesperal

Com o passar dos dias, … fico muito inquieto,  … aliás, sou um desassossegado no tempo e um convicto que a sociedade vai melhorar. Certamente quem tem que melhorar sou eu,  o resto pensa como pensa, dizem o que dizem, e a eles pertence a sua forma de pensar e agir. Ao criar a minha realidade, e permitir-me que os outros sejam o que são cresce em mim  a paciência de voltar a escrever.

Não irei transcrever o livro ou partes do livro As Virtudes da Mente, para tanto ele está aí, já um pouco por toda a parte. Mas o escrever passou a ser o meu Ser superior que fala mais alto do que a minha voz consciente. As vibrações que pouco a pouco, vou transformado em escrita, diz a verdade do que me transcende ao mesmo tempo me vai realizando. A compreensão da minha realidade não sai de nenhuma fonte obscura nem é recriada pelo slogan, dum mundo exterior, mas apenas da voz inconsciente, que abunda na minha alma e é a fonte viva do meu espírito.

Ao tornar público onde está a minha fonte de inspiração,  a qual bem digo sobre a mesma, e não pretendo ser um alarmante, duma existência Divina em cada Humano. Mas desenvolver este conhecimento, que nos leva a fazer o que quer, e muitos casos, o que não quer, porque tem que ser feito, e eu não passo dum simples executante que conhece a fonte, mas desconhece, a inspiração que lhe ordena o que acabou de escrever.  É neste sentido que ao longo de alguns anos, vou ler o que escrevi, e muitos são os casos, que no final da leitura, fico sem saber quem escreveu, interrogando-me o a mim mesmo:  -Li  como fosse meu, mas não me reconheço neste texto, se não fosse a assinatura no final, não acreditava.

Certamente que não estou a desenvolver nem criar uma teoria, apenas a constatar factos, os quais me vão acompanhando.  Faço deles a minha companhia amiga de todos os dias, ao  escrever,  ora no livro que estou fazendo “O Livro das Orações”, ora no meu Workshop Criativo, onde vou explanando as ideias que penso, que sejam as do dia do amanhã.  Nesta ideia vou construindo hoje, o que quero que seja o dia seguinte ou mesmo as semanas seguintes.

Vou ficar por aqui, …não pelo tema mas pelo tempo. Os que me irão ler serão poucos, os que me criticarem são o dobro dos que leram, mas valerá  sempre a pena, uns escrevem sem saber porque o fazem, outros vão lendo aquilo que não escreveram. Foi assim que apareceram os livros.  …assim é!

Orlando Nesperal

 

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A obra do guerreio nórdico ( de Danilo Pereira )

Hoje eu gostaria de agradecer a todos aqueles que vem visitando meus posts no sítio do livro e no facebook. Gostaria também, de dizer que estou muito feliz por minha obra ter sido valorizada pelo sitio do livro, que me deu a oportunidade de apresentar a todos vocês o guerreiro nórdico , obra na qual me orgulho muito de tê-la criado.

Para quem ainda não conhece, fica aqui o meu convite a se aventurar pelo mundo deste notável guerreiro, que ainda tem muito para oferecer.

Obrigado a todos, do ilustrador e escritor, Danilo Pereira.

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“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

              HISTÓRIA Nº 25 (Continuação)

                 AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

         Amélia,

         Gostei muito que tivesse ido ao cinema. Faz muito bem em sair. Fico muito contente quando me conta que se distrai com um filme ou uma peça de teatro. Vá, vá sempre que puder. Com a nossa idade não devemos adiar aquilo que gostamos e nos dá prazer. Olhe, o que me contou do filme corrobora as minhas palavras.

          Existe infelizmente na sociedade actual o sentimento idiota que as pessoas com mais idade não têm o direito de se divertirem, de amarem, de frequentar os lugares que estão abertos a toda a gente. Mas, Amélia, siga em frente. É uma mulher moderna, inteligente e a abarrotar de glamour.

          Um beijo do Amigo Desconhecido.

                                 ****

          Meu Amigo Desconhecido

          Ando um pouco constipada. Já fui ao médico, que me receitou umas bugigangas, que espero me arrebitem. Então, e você, como está? Continua com a sua habitual boa disposição?

          Prometi-lhe noutro dia que contaria uma ou outra história vivida por mim, quando trabalhava como Assistente Social. Como sabe, a função é de entrega quase total e obriga a que tenhamos a capacidade de analisar as situações com rigor e isenção. Mas acredita, meu bom amigo, que há gente capaz de cometer actos hediondos sem o mínimo de escrúpulos? Tinha sido encontrada abandonada uma criança num estado lastimável de saúde. Fiquei encarregada de tratar do bebé e diligenciar descobrir quem o abandonou. Tinha instruções para ajudar a mãe com tudo o que fosse necessário para a criança viver com o direito que se lhe assiste. Andei com ela ao colo, batendo de porta em porta, no bairro onde fora abandonado. Ninguém sabia de nada. Uma mulher que estava a estender a roupa à janela e que já percebera ao que eu andava, disse-me que me podia ajudar, mas nunca dissesse quem lhe deu a informação. “Ali, no 23, rés-do-chão, vive a mãe desta criança. Mas tenha cuidado que o homem com quem vive é um malandro da pior espécie”. – cochichou-me com receio. Agradeci e lá fui até ao 23, sem me preocupar com mais nada. Bati à porta. Surge uma rapariga, desgrenhada, com ar assustado e quase esquelética. Olhou-me, pressentindo qual o objectivo da minha visita, agarra na criança e beijou-a com sofreguidão. Do fundo da casa surgiu um homem com um aspecto horrível. Acredite, que naquele momento fiquei aterrorizada. Obriga a rapariga a devolver-me a criança, fecha a porta com violência e no minuto seguinte ouvi dois tiros. Corri a chamar a Polícia. Ele tinha assassinado a mãe do bebé.

          Amigo Desconhecido, hoje fico por aqui, porque estou emocionada. Está a ver como o meu marido tinha razão?

          Até amanhã, Amigo Desconhecido.

(…) continua

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

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Falando de comentários televisivos…

Ontem, domingo, apanhei (já a mais de meio), os comentários domingueiros feitos por um ilustre comentador cá desta nossa praça. O senhor falava da crise. Dos cortes dos subsídios, da actuação do Presidente da república, enfim, dos vastos e importantes assuntos do nosso dia – a – dia. Mas não falou muito dos reformados, como se nós fossemos uma questão menor para a Instituição Nacional. Erro dele. Nós somos ainda parte activa desta Nação, continuamos a contribuir para a sua riqueza e para o seu progresso, e, (pasme senhor), muitos de nós, os da privada, pagámos adiantado o valor das pensões que hoje recebemos. E como utilizamos esse dinheiro, incluindo os mencionados subsídios? A colmatar as falhas da governação. A pagar os alimentos (e não só) dos netos, ou porque os filhos estão desempregados, ou porque não ganham o suficiente, a manter activa a indústria farmacêutica, etc. Etc. Lixo não, isso ainda não. Lá virá o tempo, quando formos para debaixo da terra. Diz o referido senhor que a questão é simples, não temos dinheiro. Mas tínhamos. Por anda esse dinheiro? Essa é, na verdade, a verdadeira questão.
Nos Estados de Direito existem mecanismos suficientes para corrigir as situações anómalas, para além do recurso às urnas. A Democracia Participativa exige referendos para resolver os problemas de fundo, as grandes questões nacionais. Ora, uma dessas questões é, sem dúvida, a divida monstruosa do arquipélago da Madeira, (penso que está na origem dos cortes dos décimo terceiro e décimo quarto mês); sendo que, na sua maioria, as pessoas do Continente nunca foram ao arquipélago, e se lhes perguntarem mais ou menos para que lado fica, não sabem dizer, é justo que lhes cortem uma parte substancial dos rendimentos para sempre? Porque os cidadãos da Madeira não assumem as responsabilidades da má governação que têm faz mais de trinta anos, e sempre eleita por sufrágio directo? A Madeira é parte integrante e indissociável do todo nacional. Sem dúvida. Mas se elegeu como seu presidente vitalício um tipo que só sabe fazer dividas, então que as assumam na totalidade!
Diz ainda o senhor comentarista que não vivemos um estado de pré-guerra civil. Pois se isto não é esse estado de pré-guerra civil, diga-nos o senhor o que, afinal, é isto, porque sinceramente, ninguém que seja lúcido sabe o que isto é!
No meu pensamento o mal desta eterna pobreza franciscana reside na alternância no governo de dois Partidos que, ideologicamente, não são aquilo que dizem ser. Nem o partido Socialista é socialista, nem o Partido Social Democrata é social-democrata, e, (a meu ver), nem um nem o outro fazem qualquer ideia do que seja uma coisa, ou a outra. Resultado dos tais quarenta e oito anos de obscurantismo? É possível. Mas não é certo. Julgo antes que a causa esteja em vagas de aventureiros sem escrúpulos que os invadiram em busca de dinheiro fácil.
De vez em quando, uns domingos por outros, gostava de o escutar sobre estes assuntos.
Veja, senhor, a que estado chegou a República. Como estão os nossos direitos à liberdade de expressão e ao livre pensamento. Um pensamento criativo e liberto de barreiras censórias. Sou o autor de um pequeno e modesto livro, a Ganância, que, antes de ter revisto a minha margem de direitos de autor, tinha um preço de venda ao público excessivamente alto. Fiz oferta do livro a uma biblioteca pública; recebi passado tempo uma carta a agradecer-me um livro de poesia que não escrevi. Falei sobre o caso. Recebi outra carta a desfazer o erro. Mas o livro não foi ainda levado para a consulta do público. Ora, em Democracia, é o público o meu único censor. É ele o soberano que tem o direito de me avaliar enquanto autor, e não alguém que toma decisões sobre o que pode ou não ser exposto numa biblioteca pública. E eu não ofereci o livro para uma biblioteca particular!
Se Vossa Excelência de quando em vez diversificasse um pouco os seus excelentes comentários era a cereja em cima do bolo. De tudo quanto disse, e por último, ou perto do fim dos seus comentários, deu um excelente exemplo de como a iniciativa das pessoas, (mesmo as de idade), pode ajudar este País a sair da crise. O caso da senhora que abriu uma pastelaria na aldeia, e que, ao que penso, faz uns pastéis de nata de truz. Hoje, a propósito da tempestade que paralisou o aeroporto de Faro, lembrei-me desse caso. Veja, que excelente oportunidade para os algarvios com iniciativa venderem, por exemplo, croquetes, pacotes de batatas fritas pala-pala e sumos enlatados…
Meus amigos, grato pela vossa atenção, até à próxima dica.
Eu não estou esquecido das “Fugas ao fisco,” calma…

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