Viver acima das possibilidades.

Que malvadez de raciocínio este! Como pode um povo (talvez o mais pobre da Europa), viver acima das possibilidades? Dizer que induzimos as pessoas a contraírem dívidas de uma forma insana para fugirem ao limiar da pobreza, isso, ainda posso admitir.
As pessoas têm necessidades básicas comuns, necessidade de alimentação, instrução, assistência médica e habitação. Estas as mais (para mim), importantes e indispensáveis, mas, como, por via da sociedade que temos, não são iguais, partem para a vida dispersas por diversos patamares. Assim a corrida para a conquista de um lugar cómodo ao Sol processa-se de maneiras diferentes de indivíduo para indivíduo. Digo que temos pobres e ricos, e que seria bom que, numa primeira fase, cada individuo tivesse ao seu alcance o necessário para satisfazer as suas necessidades.
O que me é dado observar é uma sociedade conduzida por meros esclavagistas que, a exemplo das plantas parasitas, precisam de submeter os outros a uma condição de inferioridade para eles viverem bem. Assim temos uma divisão do mundo que me recuso linearmente a aceitar. De um lado os Ricos Ladrões Chico-espertos, do outro, os Pobres Mendigos – estúpidos. Nem os Ricos devem ser Ladrões e Chico – espertos, nem os Pobres são Mendigos – estúpidos. O que necessitamos é de ricos medianamente ricos e de pobres medianamente pobres, e para este meio – termo o Estado deve ser musculado quanto baste para fazer justiça social e fiscalizar as práticas de uns e dos outros. É esse Estado que falta. Falta-nos uma Democracia efectiva e não esta mascarada feita à medida das conveniências só do lado dos poderosos. Faltam-nos Homens de Bem. Ávila, Manuel de Arriaga, só para focar duas pessoas de bem que existiram no passado, e como no presente veio da região Autónoma dos Açores a diferença, na pessoa do seu presidente, Carlos César, temos de saber escolher melhor aqueles a quem entregamos de mão – beijada o nosso destino enquanto País.
As pessoas deste País adiado perderam à muito a confiança em quem governa. Na verdade, pensamos que são bafos salazarentos que poluem o ar da nossa Assembleia da Republica. Talvez saudosistas. Gente que se reforma com uma dúzia de anos e aceitam mordomias atrás umas das outras. Novos-ricos com passaporte carimbado para acesso aos Ricos Ladrões Chico – espertos. Como nos velhos tempos da PIDE vamos voltar a desconfiar uns dos outros e a espreitar por cima do ombro. Estes conselhos de estado onde, de há tantos anos a esta parte só se vêm os mesmos, estes presidentes vitalícios despesistas, este bafio com cheiro a mofo, o fedor do dinheiro a empestar o ambiente, a chegar à rua, a entranhar as casas e a incomodar as pessoas de bem, quem trabalha e reza por dias melhores. O País cheira já a cemitério, a mortos – vivos, a gente que já nem resiste ao mal. A gente que sofre em silêncio…

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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