“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

             HISTÓRIA Nº 25  (Continuação)

                AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

                 Amélia

          Cada dia que passa mais vontade tenho de lhe escrever longas cartas, contando tudo do nada que sou.

           Desta vez não me esqueci que amanhã festeja mais um anito, não é verdade? Mas como é que eu sei isto? Não lhe dou já os parabéns, porque nunca se deve festejar antes da data. Será um dia especial para si. Merecia que alguém lhe fizesse uma surpresa com uma prenda linda com a qual ficasse deslumbrada. Amélia, você merece tudo o que de bom a vida tem para dar.

          Um beijo do Amigo Desconhecido.

                                    ****

                Meu Amigo Desconhecido

          Passei a noite a ver filmes na televisão. Há muito tempo que não me lembro de ter uma insónia tão incomodativa. Penso que foi por ter bebido um carioca de café. Penso eu.

          Antigamente era uma desgraçada com insónias e só vim a descobrir que elas eram provocadas pelos telejornais das televisões, que só transmitem desgraças, dramas, crimes, ódio e não respeitam o bom-nome das pessoas. São autênticos fornos crematórios da dignidade dos alvos que querem abater. Deixei de ver esse lixo e Amigo Desconhecido, passei a ter noites mais calmas. Penso que é por isto que há tanta gente a tomar calmantes. Quando alguém me fala sobre noites mal dormidas, a minha receita é: “deixe de ver o caixote do lixo das notícias”.

          O tempo está horroroso. Chove dia e noite. Felizmente tenho em casa tudo o que preciso e não necessito ir à rua, pelo menos durante esta quinzena.

          Se tiver outra insónia vou para a cozinha fazer bolos. Adoro guloseimas. Recordo com prazer os momentos deliciosos que proporcionei ao meu querido marido Alberto, que era muito mais guloso que eu. Ele adorava as tartes de maçã cobertas com chantilly, os meus queques de vários sabores que tinham uma receita inventada por mim, sei lá. Ele era tão guloso que me pedia para fazer bolos de aniversário recheados de chocolate com nozes e cobertos com cremes. Depois, na brincadeira, cantávamos os parabéns a você. E eu dizia-lhe que os parabéns são para mim, porque fui eu quem teve o trabalho de os confeccionar. Assim nos divertíamos. Chegámos a festejar mais de seis aniversários por ano! Que saudades! Parecíamos que não tínhamos idade. Foi tão bonito!

          Bem, agora vou ler um pouco, deitada na cama, bem quentinha e a beber chá com bolachinhas de manteiga. É servido?

           Ah! E como você é muito curioso, informo-o que estou a reler a lírica de Camões, que eu acho um espanto de modernidade e alguns poemas de Florbela Espanca. Pronto, ficou a saber mais umas coisas da minha vida.

                  Beijos da Amélia.

(…) (continua)

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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