“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

                 HISTÓRIA Nº 25 (Continuação)

                     AMÉLIA DA CONCEIÇÃO

                 Amélia,

          Fiquei contente por ter comprado um vestido novo. É sinal que vai continuar a sair para espairecer. Passar os dias fechada em casa, não dá saúde a ninguém. Bem sei que o tempo não está para grandes passeios, mas nos intervalos da chuva, toca a andar. Também gostei que me contasse que fez um bolo de chocolate delicioso. Como eu adoro bolo de chocolate! Estou cheio de inveja não poder compartilhar um momento tão requintado de um chá na sua excelente companhia.

           Um beijo, tão saboroso como o bolo de chocolate que vai ser devorado por si.

                  Amigo Desconhecido

                               ****

                   Olá, Amigo Desconhecido

          Escrevo-lhe quase sempre com a “Sonata ao Luar” de Beethoven, em fundo, que me transmite uma paz de espírito, um bem-estar interior, que me obriga a soltar meia dúzia de lágrimas, nem de tristeza nem de alegria. Não sei, talvez lágrimas de saudade. Talvez lágrimas de solidão. Ou lágrimas de paz.

          Adoro ouvir música clássica, baixinho, para não incomodar os vizinhos. Os vizinhos incomodam-se sempre com a música clássica, não sei porquê. Talvez merecesse um estudo sociológico.

          Como sabe, esta Sonata foi escrita por Beethoven numa fase horrível da sua vida, prestes a suicidar-se. Vivia com graves problemas familiares e sobretudo com uma surdez de evolução rápida que o impedia de conviver e lhe provocava um isolamento que o levou a uma depressão. Na modesta pensão onde vivia, encontrou-se com uma pobre rapariga cega, que lhe disse: “eu daria tudo para ver uma noite de luar”. Beethoven ficou tão emocionado, que considerou a sua tristeza uma coisa insignificante perante a cegueira daquela menina. Ele podia ver e escrever. Ela vivia isolada na escuridão de uma noite sem fim. Então renasceu nele a vontade de viver e trabalhar. Sentou-se ao piano e compôs uma das mais lindas músicas, dedicada à menina cega, a “Sonata ao Luar”. É lindo, não é, meu Amigo Desconhecido?

          Nós temos por mania egoísta considerar que os nossos problemas são terríveis e sem solução. Pura mentira e estupidez. Quando me sinto a ficar deprimida penso no Beethoven e na sua maravilhosa “Sonata ao Luar”, pulo da cama e aí vai ela á procura da luz do sol que tenho a felicidade de poder contemplá-la. E transformo-me noutra mulher a pensar positivamente.

          Obrigado Beethoven.

             Beijos da Amélia

         (…)  continua

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

 

Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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