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“JUNTOS PARA SEMPRE” – Romance (13)
Passaram onze meses de internamento. Maria terá alta nos próximos dias. O tratamento resultou, já não há risco de vida, mas terá de continuar a tomar os medicamentos oferecidos pelo Hospital e a cumprir com rigor a posologia prescrita pelo médico. Sentada numa cadeira da enfermaria, reflecte sobre o seu futuro imediato:
– Vou ficar à espera que as freiras me venham buscar, saio antes sem ninguém saber ou espero a ajuda de Celeste? À espera das freiras, nem pensar! Vou mas é perguntar à enfermeira se já pensou na promessa que me fez. Acho melhor assim. Ela tem sido muito boa para mim.
Inesperadamente vê Celeste entrar e dirigir-se-lhe. Sentou-se ao seu lado e disse-lhe:
– Maria, dentro de três dias vais sair do Hospital. Felizmente estás quase boa, mas ainda não completamente bem, mete isto na tua cabeça. Tens de manter assistência médica durante mais uns meses, até superares a fragilidade causada pelos problemas graves de saúde que sofreste. Foste uma doente exemplar. Sei que não queres voltar para o Orfanato. E eu compreendo as tuas razões melhor do que ninguém. Mas o Director do Hospital é obrigado a informar a tua alta ao Orfanato para que te venham buscar. Estás aqui sob a nossa responsabilidade e não podemos transgredir as normas. Eu não me esqueci do que te prometi, podes crer, mas temos de cumprir as leis.
Os soluços de comoção, não permitem que Maria fale.
Celeste tenta acalmá-la. Incentiva-a a chorar para descarregar as emoções. Está nervosa e sente-se mal disposta, com náuseas. A enfermeira acompanha-a até à cama. Depois de lhe dar um calmante para dormir, deita-a, carinhosamente.
Na manhã seguinte Maria recusa-se a tomar o pequeno-almoço.
– Nada vale a pena na minha vida. Para quê comer para prolongar o meu sofrimento, a minha tristeza? Não tenho ninguém em quem possa confiar. Não quero comer. Não me obriguem a comer. Não, não e não, já disse, não quero comer!
Chamam a enfermeira Celeste que, ao ser informada da atitude de Maria, fica zangada e pergunta-lhe a razão deste comportamento. Maria, com voz trémula, acusa a enfermeira de a enganar, permitindo que novamente regresse ao Orfanato. Celeste, com ar severo, responde:
– Eu não mereço ouvir palavras injustas. E nem admito que me acusem de falta de lealdade. Se não precisas da minha ajuda diz-me imediatamente e eu cumprirei à risca as ordens que tenho. Não estou disposta a perder tempo com pessoas ingratas.
Estas palavras provocam em Maria um sentimento de culpa. De facto foi mal-educada. Pede desculpas, que Celeste não aceita. Com ar ríspido retira-se com uma advertência:
– Logo falamos!
– Que quererá ela dizer com logo falamos?
(Continua)
José Eduardo Taveira
A cultura do caleidoscópio, ou:
A CIDADE EUROPEIA DA CULTURA?
Para nós, portugueses, as nossas cidades representam-nos; demonstram, (pela sua arquitectura, pela cordialidade e pela simplicidade das pessoas, como nos mostramos ao mundo), como, no correr dos séculos, fomos capazes de fazer obra. Somos um País com novecentos anos, que soube pôr sensibilidade em tudo em que tocou. Em particular nas coisas simples que nos temperam a vida. Terra com um folclore fabuloso, é com as nossas cidades que nos “vestimos”para que os outros nos admirem. Guimarães é nestes dias a montra de que todos devemos ter orgulho! Seja bem-vindo quem vier por bem! Mas…
Cuidado, que também temos maus hábitos, como esse de jogar fora, atirando-os pelas janelas, (quanto mais altas forem melhor e mais vistoso será o trambolhão), os nossos Andeiros. Nesses momentos perdemos a compostura, estala-nos o verniz. Passamos à raiva. O ódio cega e embrutece as gentes simples do nosso Povo. É que também sabemos reclamar por vingança, destilar ódios e gritar impropérios, vociferar, rugir, morder. É que somos gente de paixões, e, (como sou pacífico), daqui apelo ao bom senso dos que querem transformar Guimarães num caleidoscópio onde se escondam por entre os pedacinhos de papel colorido, em contra luz, do nojo que nos estão, a cada dia que passa, a incutir na alma. Por muito que façam rufar os tambores para encobrir os justos apupos da nossa gente, as vaias, os assobios, por muito que se escapem pela porta dos fundos, ainda que se encafuem nas lojas de música, disfarçados de violinos, ou nos antros mais recônditos das Igrejas a pedir perdão a Deus, ou no fundo dos túmulos, onde sempre o brilho dos seus dentes caninos os assinalam; a nós, os humanos, chega o cheiro das ratazanas pestilentas que na verdade são. E que cheiro. Fedem, ainda que se encharquem em perfume, e nem a distância e os ventos lhes encobre o rasto.
Injustificável, esta raiva que me vem de dentro, que me acompanha desde a infância, quando convivi de perto, paredes meias, com a fome, a morte e a santa ignorância de um povo, que vive da misericórdia sustentada pela mão dos ricos? Não, legitima e mesmo saudável, esta raiva, este sustento que me mantém e agarra à vida.
Águas passadas não moem moinhos. Diz o povo com a sua sabedoria. Então, e se as águas ainda correrem a mover as mós? É esta a questão. Não faz muito tempo que uma senhora que teve responsabilidades como ministra, disse, na arrogância da sua soberba, que, depois dos setenta anos, os doentes de hemodiálise deviam de custear as despesas dos tratamentos. Pergunto: passaram o prazo de validade? Nos países nórdicos, (como resultado dos descontos elevados), os cidadãos beneficiam de uma protecção total para as suas necessidades. Na doença, na educação, na cultura. E em Portugal, se (e quando) surgem as necessidades, mesmo que na sua globalidade, os descontos atinjam níveis da ordem dos sessenta por cento, (entre o empregador e o empregado), qual a protecção, se o Estado Social de opereta instalado pelo sistema, se tem limitado a desviar valores das reformas mais elevadas para atribuir aos que nunca contribuíram para o sistema, uma mísera pensão de sobrevivência. Não é humano deixar de atribuir estas pensões de sobrevivência; nunca por razões de consciência dos políticos, mas sim porque nos inserimos num espaço, o europeu, que se diz civilizado. O que diriam os de fora, a dimensão do ridículo e o escárnio a que nos expúnhamos. Assim como fazia o Salazar, se continua a tirar de onde faz falta, para pôr onde faz vista! Voltando à hemodiálise, se depois de uma vida de luta e de valorização, um cidadão que só contribuiu para a sociedade, e nunca dela tirou proveito, aos setenta anos, necessitar de tratamentos de hemodiálise, e não dispuser de meios económicos, como proceder? Considera-se que deve falecer porque atingiu o prazo de validade, ou o sistema suporta as despesas? Minha senhora, não ignore a pergunta e, por favor, responda! E o que fazer a um País onde a Justiça tem como trave mestra a não existência de qualquer Justiça, onde uma juíza consciente e responsável, num estado deplorável de saúde, se arrasta até ao tribunal para impedir que um processo prescreva, em consequência de uma lei com setenta anos, num País onde os deputados da assembleia desta Republica de Faz de Conta se pavoneiam no seu bem-estar, e se digladiam em discussões estéreis, teorizam sobre ideologias que nunca passam à prática, e se divertem no gozo de férias enquanto o povo passa, como sempre, uma pequena e constante fominha, essa fome de séculos que nos inferioriza face ao mundo.
Somos apenas um pequeno povo crédulo e indefeso, um povo que nunca aprendeu a pensar. De um lado a barreira geográfica dos Pirenéus, e uma nação maior e concorrente, que sempre nos fez minguar e encolher, do outro um mar grande, um oceano imenso, que sempre nos fascinou; cá dentro, estes donos obesos, gordurosos, emporcalhados de luxúria, os nossos Condes Andeiros. Em madrugadas de raiva perdidas na bruma dos tempos os jogámos pelas janelas. Tivemos dignidade, nesse dia. Fomos gente, fomos um Povo com maiúscula. E hoje, vamos espantar-nos com as cores deste caleidoscópio onde os abutres se escondem, ou voltamos a atirar os nossos Andeiros pelas janelas?
José Solá
“PARABÉNS! AFONSO LOPES VIEIRA
O poeta Afonso Lopes Vieira nasceu em Leiria, no dia 26 de Janeiro de 1878 e viveu até 1946.
Bacharelou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra, em 1900. Mudou-se para Lisboa, onde exerceu a função de redactor na Câmara dos Deputados, durante 16 anos. A partir de então empenhou-se totalmente na escrita literária.
Publicou o seu primeiro livro de poemas em 1897, intitulado “Para Quê”.
Sucedem-se outras publicações, entre as quais “Ar Livre”, “O Pão e as Rosas”, “Canções do Vento e do Sol”, etc. Termina, em 1940, a sua obra poética com o livro “Onde a terra se acaba e o mar começa”.
Participou em diversas conferências, cujos temas eram a defesa e divulgação da cultura nacional, e que se se encontram recolhidos em dois volumes “Em demanda do Graal” em 1922 e “Nova demanda do Graal” em 1942.
As crianças beneficiaram também do talento de Afonso Lopes Vieira. Para elas escreveu “Animais Nossos Amigos”, em 1911 e realizou o filme infantil “O Afilhado de Santo António” em 1928, entre outros trabalhos.
Para cinema escreveu os diálogos de Camões e Inês de Castro, de Leitão de Barros e também para “Amor de Perdição”, de António Lopes Ribeiro.
Afonso Lopes Vieira doou a sua vivenda à Câmara Municipal da Marinha Grande, transformada em Casa Museu aberta ao público. No seu interior pode-se admirar os diversos objectos pessoais do poeta, que escreveu grande parte da sua obra em São Pedro de Muel. Conforme desejo do poeta também ali funciona a Colónia Balnear desde 1949.
Nesta pequena homenagem no dia do seu nascimento, recordamos o poema intitulado:
“Linda Inês”
Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As lágrimas choradas não secaram
Nos saudosos campos da ternura.
Santa entre as Santas pela má ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram,
Amada, os teus amores não passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.
Ô linda, sonha aí, posta em sossego
No teu muymento de alva pedra tina,
Como outrora na Fonte do Mondego.
Dorme, sombra de graças e de saudade,
Colo de Graças, amor, moço menina,
Bem-amada
por toda a eternidade.
José Eduardo Taveira
José Eduardo Taveira
Comentário televisivo (já em tempo publicado no meu site)
Como subtítulo, talvez, PORTUGAL E A CULTURA NO SÉCULO XXI
É raro me dispor a um serão de televisão. Só quando, por informação antecipada, a programação me agrada. Mas, às vezes lá calha. Há uns tempos atrás calhou. Liguei o aparelho e fui correndo os canais, na vã tentativa da descoberta de um programa que desperta-se essa gula de saber cada vez mais, e é quando dou por mim a ver o canal MOV, e fico preso ao televisor pelo inédito que os meus olhos transmitiam para os neurónios do meu cérebro. Sobre uma cama majestosa, dois homens. Bom, até aqui nada de especial, dirá quem estiver a ler estas modestas linhas, só que os ditos homens, (um de idade madura, o outro um jovenzito ainda com modestos pelos no rosto), estavam em pelota, nus, sem roupa, nem umas cuequitas que fosse, dessas a que os modernos dão o nome de fio dental. Nada. Um nu apropriado a modelo de pintor, desses que estão desesperados para pintar um simples e modesto nu, seja senhora ou cavalheiro. Mas, ficando mais atento, (estas cenas aguçam sempre a necessidade de ver mais, por um lado, um sentimento de repudio, por outro, um de morbidez), tomei consciência que os homens tinham uns enormes dentes caninos. Vampiros! Pensei. E nisto, o homem com mais idade, que estava deitado ao lado do jovem, de barriga para baixo, enquanto o seu companheiro estava de barriga para cima, (nestas cenas as posições tem importância relevante), deu uma ordem peremptória ao jovem. Disse: Vira-te! Alto. Paremos o filme, (como se tal fosse possível), só para um comentário de estrita natureza cultural. Até aquela cena eu já tinha acumulado vários conhecimentos novos, de alguma relevância, a saber, primeiro, os vampiros também andam por aí durante o dia, o que é razão para cautelas redobradas da parte de todos nós, por outro, e porque aquele Vira-te! Me aguçou a perspicácia, subentendi, e bem, como adiante se verá, que entre os Vampiros a homossexualidade é uma realidade. Coisa nova para mim. É que nos filmes da especialidade, o Vampiro é sempre um machão que, por portas e travessas, consegue sempre endrominar a pobre menina prendada e indefesa, para além de pura e ingénua. Voltemos ao filme, Que recomece a rodagem da fita. O rosto do jovem enche todo o ecrã. Um rosto onde se lê a antevisão de prazeres infinitos. Volta-se. O mais velho cobre-o com o seu corpo. É certo que não se vê os sexos de qualquer deles. Mas subentendesse. E então, num rompante de malvadez, o vampiro de cima morde desalmadamente, no pescoço, como é hábito antigo dos vampiros, (nisso, pelo menos, temos de os considerar conservadores), o vampiro de baixo, e este morre, desfazendo-se em muitas e belas estrelinhas doiradas que sobem ao céu.
Fiquei atónito. Inteirei-me mais tarde e fiquei a saber que as cenas pertencem a uma série de episódios que se chama “Sangue Fresco”.
Estranho este silêncio da moralidade Lusa, que se insurgiu contra a telenovela “Chuva na Areia”, da autoria do saudoso Stau Monteiro, que nos tentava retratar, a nós, portugueses, tal como na verdade somos, com as nossas fraquezas e as nossas virtudes, e permite que, nos tempos que correm, em horário nobre, os dignos decisores que seleccionam os programas das várias grelhas televisivas, de maneira impune, prepotente, a pensar em audiências obtidas a qualquer preço, nos atirem com estes bafos de não cultura para os olhos, a chafurdar os cérebros dos adultos e dos pequenos, com uma impunidade só possível em sistemas onde o deus dinheiro prevalece sobre todos os princípios. Que frágil que é esta nossa democracia em que os deputados não são capazes de parar cinco escassos minutos, para, olhando em seu redor, se inteirarem do mundo que se está a construir?
José Solá
“NÃO DÁ PARA ACREDITAR” – ABAIXO-ASSINADO
“NÃO DÁ PARA ACREDITAR”
O abaixo-assinado contra o fecho da Livraria Camões, no Rio de Janeiro, já ultrapassa um milhar de assinaturas. O objectivo é evitar o seu encerramento.
A seguir, o texto do abaixo-assinado:
“É mais uma presença portuguesa a ser rasurada à nossa volta, corroborando o que pensamos ser uma acentuada miopia de Portugal face ao Brasil no que tange às questões culturais.
A Livraria Camões é uma casa de cultura em nosso país e seu trabalho ao longo de décadas contribuiu concretamente para a divulgação da cultura portuguesa e o acesso à sua literatura. Nela, todos que se dedicam aos estudos portugueses e de cultura de língua portuguesa sempre encontraram um espaço maior de acolhimento e de diálogo. Estamos contra esse gesto que a todos soa como precipitado e indefensável, por rasurar um consolidado marco português no Brasil, exatamento quando se anunciam as celebrações do Ano de Portugal no Brasil.
Move-nos a esperança de que, tomando em conta o não pequeno coro de signatários – onde figuram ex-ministros do Brasil e de Portugal, membros da Academia Brasileira de Letras, escritores e ensaístas premiados, professores e estudantes universitários de norte a sul do Brasil, docentes e investigadores de universidades portuguesas, francesas e americanas, jornalistas, advogados, editores, dirigentes associativos, além de leitores em geral que apreciam a cultura portuguesa — uma solução menos drástica possa ser encontrada, preservando um capital simbólico e cultural construído ao longo de 40 anos”.
“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.”
(Luís Vaz de Camões)
A arte das fadas ( de Danilo Pereira )
Nas florestas de Alfheim, é muito comum um guerreiro nórdico se deparar com uma fada. Sempre belas e graciosas, estes delicados seres são dotados de inúmeros poderes, como por exemplo, o de encantar frascos contendo o elixir da vida. Se um guerreiro for dotado de muita fé, certamente o encontrará e poderá se beneficiar de tal encanto.
O elixir cura todo tipo de anomalia, devolvendo a força a um nórdico.
Nesta ilustração, um exemplo de um frasco abençoado pelas doces mãos de uma fada, que o encantou e o deixou em algum lugar da floresta.
Obra, Wolfgang, o guerreiro nórdico.
“JUNTOS PARA SEMPRE” (12 )
“JUNTOS PARA SEMPRE” ( 12 )
Para Maria, a sua reentrada no Orfanato foi uma surpresa. As freiras receberam-na com fleumática cordialidade, talvez reconhecendo que foram responsáveis pela doença originada pelas condições sub-humanas em que tinha vivido durante um mês. Permitiram que as raparigas rodeassem Maria, fazendo-lhe perguntas sobre o que lhe tinha acontecido para estar tanto tempo fora. Nem queria acreditar no que estava acontecer. Foi respondendo à curiosidade das colegas. Este inesperado acolhimento fê-la sentir ressarcida pelos momentos dramáticos que tinha vivido naquela Casa. Trinta minutos depois uma freira avisou-as que acabou o recreio.
Ao fundo da camarata uma rapariga sentada na cama chora, tapando a cara com as mãos trémulas do frio ácido vertido das suas entranhas, provocado pelos remorsos do seu traiçoeiro comportamento. Laurinda tem a certeza que Maria nunca a perdoará.***************************************************
Passadas algumas semanas Maria volta a sentir-se doente.
Não tem vontade de comer, acorda frequentemente com calafrios, dores no peito, tosse e expectoração, além de ter a sensação de estar com febre. É transferida para o Hospital e fica novamente internada. O diagnóstico médico é grave. Maria tinha contraído tuberculose pulmonar e iria ficar isolada num quarto destinado a doentes infecto-contagiosos. Não tem a noção das consequências de alto risco que esta doença provoca. Talvez por isso se mostre satisfeita por mais uma vez se libertar do Orfanato.
O Doutor Alberto Carlos considera que ela poderá ter sorte se reagir bem à estreptomicina, que é o primeiro antibiótico eficaz para o tratamento da tuberculose. Fora recentemente descoberto, em 1944, pelo ucraniano Selman Walksman, especialista em microbiologia. Está confiante, pois são já conhecidos os bons resultados obtidos em vários doentes. No entanto Maria tem resquícios provocados pelos antecedentes da sua história clínica, que poderão atrasar a sua cura, que é em princípio, exequível.
*************************************************************************
A enfermeira Celeste pára a observar o rosto adormecido de Maria. Está impressionada com as suas adversidades. Ela conhece bem o regime austero do Orfanato e compreende a sua aversão àquele ambiente iníquo.
Celeste, tem quase quarenta anos de idade e também esteve internada naquela prisão. Saiu porque Amélia decidiu responsabilizar-se pela sua educação. Intimamente sente um apelo para ajudar Maria. Não sabe ainda de que maneira, mas como profissional irá apoiá-la no tratamento e recuperação a que terá de se submeter durante tempo indeterminado.
Maria, ao acordar, vê a cara sorridente da enfermeira Celeste. Surpreendida pergunta se lhe vai acontecer alguma coisa de mal.
– Vou ser tua amiga. Acredita em mim. Vou ajudar-te a curar esta maldita doença, mas tens de colaborar com o teu esforço. Ninguém consegue nada sozinho, percebes?
– Eu sei, enfermeira Celeste. Mas a minha vida tem sido uma desgraça e eu não consigo ver uma luzinha de felicidade, por muito que queira. Tenho sofrido tanto que não sei se vou conseguir aguentar. Sinto-me desanimada, triste, sem forças.
– Pois claro que te sentes fraca, mas vais melhorar, devagarinho, vais, vais. Acredita no que te digo.
– Enfermeira Celeste, o que eu mais queria era não voltar para o Orfanato. Não aguento mais, acredite. Gostava tanto que me ajudasse.
– Eu não te posso prometer nada, mas vou falar com o Doutor Alberto Carlos sobre o teu desejo, que eu compreendo-te como ninguém, podes crer. Bem, agora descansa, pois não deves estar tanto tempo a falar.
Quando chegou a casa, Celeste contou a Amélia a triste história de Maria.
– Toda a gente tem pena daquela rapariga, coitada. Até o médico a trata por Miúda, em tom carinhoso.
Ambas concordaram em ajudá-la.
(Continua)
José Eduardo Taveira
“JUNTOS PARA SEMPRE” – ( 11 )
O Hospital, instalado num Convento do Século XVII, de estilo Barroco, possui quase intactas as pinturas ilusionistas que se podem admirar nos tectos de alguns salões, revestidos com azulejos que apresentam cenas do quotidiano, com destaque para as figuras humanas. O edifício é ornado de colunas retorcidas e frontões. Está no centro de um jardim, lindíssimo, enriquecido com várias esculturas. Uma imponente escadaria liga o piso térreo ao superior. Actualmente os salões estão adaptados a enfermarias. Noutras áreas existem os diversos serviços hospitalares. O prazer de visitar este Convento/Hospital contrasta com o desgosto dos pacientes que lá estão internados. O ambiente tranquilo e uma higiene impecável, aliados à excelente qualidade dos serviços de saúde, classificam este Hospital como um dos melhores do País.
A direcção é exercida pelo Doutor Alberto Carlos que coordena uma equipa de quatro médicos e oito enfermeiras, além do pessoal administrativo. A enfermeira mais antiga, a Celeste, é responsável pela equipa de enfermagem.
Alberto Carlos tem pouco mais de quarenta anos de idade. Vive só, numa casa herdada da sua avó materna. Gosta de viajar, ler, ouvir música. Diverte-se a jogar canastra e bridge com três amigos, ex-colegas da Faculdade que não acabaram o curso.
**************************************************************************************
Seis meses após o internamento de Maria, a enfermeira Celeste comunica-lhe:
– Vou dar-te uma boa notícia. O Doutor Alberto Carlos disse-me: “diga lá à miúda que lhe vou dar alta durante a próxima semana.”
Maria começa a preparar novo plano para sair do Hospital sem dar conhecimento a ninguém. Considera ser uma ingrata por não agradecer tudo o que fizeram por ela, mas espera mais tarde ter oportunidade para se justificar. Durante a noite que antecede a saída do Hospital, Maria não consegue dormir. Olha para o relógio da enfermaria minuto a minuto. São sete horas. Levanta-se e veste-se silenciosamente. Sai da enfermaria, percorre o corredor até à escadaria pela qual desce até à porta. Olha em redor. Não vê ninguém. Nervosa, roda a maçaneta, mas não abre. Está trancada. É cedo de mais. Volta para trás e recosta-se na cama que ocupara durante meio ano. Espera ansiosa que a porta seja aberta. Com o cansaço de uma noite em claro, adormece. É acordada por uma freira que entretanto entrara para a levar para o Orfanato. Por momentos pensa viver um pesadelo. Um fogo intenso percorre-lhe o corpo, como se fosse uma bomba pronta a explodir. Senta-se, chorando com as mãos a tapar-lhe a cara. A freira farta-se de esperar e ordena-lhe que se levante e a siga, porque não tem tempo a perder. As companheiras da enfermaria acenam-lhe, desejando-lhe felicidades. Maria está furiosa consigo mesma. Cometeu o erro fatal de não ter dormido durante a noite.
– Desta vez a culpada sou eu. E agora vou continuar para aqui nesta vida estúpida que nunca mais sai da cepa torta. Que raio de sorte a minha! Estou farta disto! Até já perdi a confiança em mim.
(Continua)
José Eduardo Taveira




