“JUNTOS PARA SEMPRE” – ( 11 )

 

O Hospital, instalado num Convento do Século XVII, de estilo Barroco, possui quase intactas as pinturas ilusionistas que se podem admirar nos tectos de alguns salões, revestidos com azulejos que apresentam cenas do quotidiano, com destaque para as figuras humanas. O edifício é ornado de colunas retorcidas e frontões. Está no centro de um jardim, lindíssimo, enriquecido com várias esculturas. Uma imponente escadaria liga o piso térreo ao superior. Actualmente os salões estão adaptados a enfermarias. Noutras áreas existem os diversos serviços hospitalares. O prazer de visitar este Convento/Hospital contrasta com o desgosto dos pacientes que lá estão internados. O ambiente tranquilo e uma higiene impecável, aliados à excelente qualidade dos serviços de saúde, classificam este Hospital como um dos melhores do País.

A direcção é exercida pelo Doutor Alberto Carlos que coordena uma equipa de quatro médicos e oito enfermeiras, além do pessoal administrativo. A enfermeira mais antiga, a Celeste, é responsável pela equipa de enfermagem.

Alberto Carlos tem pouco mais de quarenta anos de idade. Vive só, numa casa herdada da sua avó materna. Gosta de viajar, ler, ouvir música. Diverte-se a jogar canastra e bridge com três amigos, ex-colegas da Faculdade que não acabaram o curso.

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Seis meses após o internamento de Maria, a enfermeira Celeste comunica-lhe:

– Vou dar-te uma boa notícia. O Doutor Alberto Carlos disse-me: “diga lá à miúda que lhe vou dar alta durante a próxima semana.”

Maria começa a preparar novo plano para sair do Hospital sem dar conhecimento a ninguém. Considera ser uma ingrata por não agradecer tudo o que fizeram por ela, mas espera mais tarde ter oportunidade para se justificar. Durante a noite que antecede a saída do Hospital, Maria não consegue dormir. Olha para o relógio da enfermaria minuto a minuto. São sete horas. Levanta-se e veste-se silenciosamente. Sai da enfermaria, percorre o corredor até à escadaria pela qual desce até à porta. Olha em redor. Não vê ninguém. Nervosa, roda a maçaneta, mas não abre. Está trancada. É cedo de mais. Volta para trás e recosta-se na cama que ocupara durante meio ano. Espera ansiosa que a porta seja aberta. Com o cansaço de uma noite em claro, adormece. É acordada por uma freira que entretanto entrara para a levar para o Orfanato. Por momentos pensa viver um pesadelo. Um fogo intenso percorre-lhe o corpo, como se fosse uma bomba pronta a explodir. Senta-se, chorando com as mãos a tapar-lhe a cara. A freira farta-se de esperar e ordena-lhe que se levante e a siga, porque não tem tempo a perder. As companheiras da enfermaria acenam-lhe, desejando-lhe felicidades. Maria está furiosa consigo mesma. Cometeu o erro fatal de não ter dormido durante a noite.

– Desta vez a culpada sou eu. E agora vou continuar para aqui nesta vida estúpida que nunca mais sai da cepa torta. Que raio de sorte a minha! Estou farta disto! Até já perdi a confiança em mim.

(Continua)

José Eduardo Taveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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