Vislumbro horizontes de sal
Esbatidos pelo mar
Silenciados de prata
Beijados pelo ar
Pintados de céu
Da cor do teu olhar
Bebo-te assim no meu corpo
Sabes a mar
No gosto que me fica
Depois de te amar
José Guerra (2011)
Vislumbro horizontes de sal
Esbatidos pelo mar
Silenciados de prata
Beijados pelo ar
Pintados de céu
Da cor do teu olhar
Bebo-te assim no meu corpo
Sabes a mar
No gosto que me fica
Depois de te amar
José Guerra (2011)
De um tempo que não sei,
A minha mão ainda encaixa no teu rosto
Como se os deuses nos tocassem.
A alma a nu
Na ponta dos dedos,
As palavras guardadas inteiras
Num recanto qualquer, esquecido.
Nunca foi preciso dizer-te
O que fosse de mim,
Como se soubesses de onde venho,
Como se nunca tivesse perdido
O rumo dos teus passos.
Ontem e hoje confundem-se,
Ouvindo essa voz arcaica
Que não se questiona,
Que é Verdade.
Fazemos parte de algo maior,
Sem censura, sem tempo ou lugar,
Sem porquês.
Ainda me lembro dos teus olhos,
Das tuas lágrimas,
E tudo isso me queima e apazigua.
Hoje estou aqui. E não questiono.
Ana Brilha
As Valquírias são entidades divinas que trabalham para Odin, o Deus supremo do panteão nórdico e tem como missão, levar os guerreiros que morrem com honra nos campos de batalha até o Valhala.
Elas são comparadas aos anjos e usam suas asas para se deslocarem entre os mundos. Na obra, toda vez que Wolfgang derrota um demônio, uma Valquíria surge em meio a um clarão e o leva até o altar das almas, onde Freya o orienta em sua jornada.
Asmodeus é um demônio perverso que fora enviado à terra por Loki, o senhor do inferno. No passado, quando a terra média era dominada por reis ganânciosos e mercenários impetuosos, surgiu uma rainha chamada Elowen, que se importava apenas com a luxúria e sensualidade, na qual resultou num pacto sinistro que a levou à beira do abismo.
Elowen, querendo se tornar mais poderosa e perversa, vendeu sua alma a Loki, que em troca, lhe deu inúmeros haréns onde guerreiros e nômades eram escravizados diariamente para satisfazerem seus mais promiscuos desejos.
A rainha reinou durante algum tempo e como tudo tem um preço, sua alma logo fora sugada pelo Executor ( responsável pela passagem das almas pecadoras ao Niflhein ) e entregue a Loki, que a transformou no demônio Asmodeus, na qual Wolfgang terá de enfrentar.
Tento varrer as folhas do quintal. Reúno-as num monte: o vento espalha-as e lança, contra mim, outras folhas mais; recomeço o meu trabalho, mas o vento recomeça o seu…
Retomando o mito de Sísifo, esta é a imagem certeira do que vale a obra humana: um homem frustrado, varrendo folhas no chão de um quintal ventoso…

Há alturas em que apetece desligar todos os aparelhinhos que nos consomem a atenção e nos fazem ver a vida a duas dimensões.
Apetece-nos cor, sentimentos à flor da pele, viver ou reviver histórias de agora, histórias de outros tempos, universais ou só nossas. E porque não ir ao teatro?
Houve tempos em que a vida não se fechava dentro de uma caixa mono ou policromática, em que o espectáculo funcionava como um encontro entre o público e deste com os actores.
Do lado de lá da cortina, meses de trabalho e dedicação (ou mesmo algum sofrimento e angústia) para proporcionar ao espectador algumas horas de espectáculo.
Nenhum detalhe passa despercebido e o seu veículo último o corpo e a mente do actor que pisa o palco com toda a sua vida interior.
A mão que move a luz em sintonia com os passos sobre o palco de madeira, novo ou imemorialmente pisado, em instantes breves mas imortais em que se faz arte ao passo que se transmite uma mensagem.
Quem se senta não esquece nunca mais a intensa realidade de quem nos fala do lado de lá, um ser humano, tangível, que nos transporta com a sua voz e o seu gesto para o imaginário do autor.
Na verdade, o teatro empresta-nos sonhos intemporais, seja ele amador ou profissional.
Há nomes que nos ficam de tantos quantos pisaram os nobres palcos nacionais e que sentimos mais nossos do que se nos espiassem por de lá da caixa multicolorida que temos nas nossas salas. Viveram do encontro, dedicaram-se às palavras.
Não encontramos nunca esta partilha imediata, este falar de coração a coração na multiplicidade de caixas e outros dispositivos afins com que preenchemos as nossas vidas.
Experimentemos desligá-los por momentos e ir verdadeiramente ao encontro dos outros, afinal, até se faz bom teatro em Portugal.
Ana Brilha
http://intermitenciasdaescrita.wordpress.com/
Fonte: http://www.armazemdeideiasilimitada.blogspot.com
Pinto-te de uma aguarela sem nome, de uma cor sem sabor, mas que a saudade me sabe, nos teus beijos aveludados os meus lábios se descansam, amar-te é pouco quando te percorro nos dedos tímidos como os salpicos de mar que me beijam o olhar, és tu amor na tela, pena seres aguarela….
José Guerra (2011)
Era de manhã quando o mar se revoltou contra o navio viking. O agitar das águas fez com que Eric, o capitão do Vormoc, entrasse em pânico. Os seus homens,guerreiros e nómadas cansados de navegar, remavam com toda a virilidade como se o chicote do seu mestre os açoitasse. O Vormoc era assim, um navio de guerra que já tinha resistido a três gerações e que agora tinha um novo comandante.
O navio era grandioso. Tinha inúmeras velas que agarravam o vento com mestria. Era um veleiro. E naquele dia infernal a chuva intensa e o agitado mar pareciam querer acabar com os últimos dias da embarcação.
Eric gritava a todo o momento com os seus homens,que faziam o possível para manter o navio no seu curso.Todos eles eram marinheiros de primeira linha e estavam acostumados a navegar. Eles numerosos. Contavam-se pelo menos vinte homens e entre eles estava um que não pertencia à tripulação. O tal homem era Wolfgang, que surgiu nas encostas de uma praia e fora salvo por Eric, que o manteve entre os seus homens.
O capitão daquela cansada e assustada tripulação perguntou ao gigante dourado como é que ele tinha surgido no meio daquele lugar esquecido pelos Deuses.Ele respondeu-lhe que fora enviado por Odin e que…
ante a possibilidade de uma tal revelação,
uivarão, assustados, esses cães, fugirão os ratos,
as beatas, na igreja, santos nomes maldirão,
formar-se-ão bichas de carros em desertos e matos.
ante a possibilidade de uma revelação tal,
que eu não quero fazer [mas quem sabe se me não descaia],
nuvens pretas concentrar-se-ão sobre mim, sobre o mal
de uma simples palavra nos meus lábios que tudo traia.
por isso não posso dizer, não direi o quanto te amo,
não vão as órbitas de astros pôr-se a desvairar sem fim,
não vão as vagas do mar voar até ao infinito.
e é por isso que nem à noite, a dormir, teu nome chamo:
é um segredo pesado de mais, não só para mim,
mas para o mundo, que não suportaria um tal grito.