Reestruturação da União Nacional – Utopia ou realidade?

Em miúdo (por volta dos oito anos), lembro-me de passeatas que dava por Alcântara, em dias em que o “povo” acorria ao cais da Rocha, para receber em festa, no regresso ao continente, um qualquer senhor ministro da marinha que chegava de visitas às Províncias do Ultramar Português.
A coisa passava-se mais ou menos assim: as nossas companhias de navegação, a CCN e a CNN, na véspera do acontecimento, informavam os operários e as respectivas chefias das suas oficinas de reparação naval, da tolerância de ponto permitida a quem, de “livre e espontânea vontade,” e com o sacrifício de um dia de “falta ao trabalho” fosse a receber em festa de “bandeirinhas nacionais” e sonoros “Vivas!” O tão esforçado e incansável ministro. É facto que muitos, (como o meu familiar), entravam pelo portão da frente e passado pouco tempo, depois de se mostrarem, saíam por uma pequena porta dos fundos do edifício do Porto de Lisboa…
Ora bem; no outro dia fiquei pasmado quando, por motivos de mais uma tomada de posse, como presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira, Sua Excelência o senhor doutor Alberto João, decidiu, (de certo que por bem), nesse dia, dar tolerância de ponto aos funcionários públicos. Há tanto tempo que não apreciava um gesto tão magnânimo. Não fora a penúria do País e a História recente da nossa ditadura, fosse eu um simplório ingénuo, e teria de imediato, ainda que só, saído à rua para ovacionar tal gesto! É que é preciso coragem para duas coisas: uma, trazer à memória colectiva dos Portugueses tais práticas, outra, cuspir-lhes na cara com tal atitude; e ainda mais uma, se me permitem, pôr em “cheque” com desrespeito total quem lhe estende a mão, quem lhe paga as dívidas, (não me parece que o corte nos subsídios nada tenha a ver com as contas da Madeira), ou seja, o seu partido, o Partido Social Democrata. Estranho é que, possivelmente com fleuma, o senhor ministro das finanças, quando questionado, se tenha limitado a dizer que o referido senhor vai depois ter de prestar contas…
Não fosse a minha “memória de elefante” e, possivelmente, ninguém associava as práticas de ontem com as de hoje.
Fico-me por aqui; não sem antes perguntar: Como é possível que uma Democracia tenha tanto receio de recorrer aos referendos para saber como interpreta o Povo determinadas atitudes, e quais os caminhos que o mesmo aponta para as resolver de uma vez por todas?

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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