Extraído do romance GANÂNCIA (à venda no Sitio do Livro, ou na Liv. Barata)

OS PEQUENOS ESCRITORES, NESTAS ÉPOCAS, PUBLICITAM OS SEUS LIVROS. COMO UM MICRO ESCRITOR, AQUI ESTOU EU A FAZER O MESMO. ESCOLHI ABRINDO O LIVRO AO ACASO. NÃO CALHOU QUANDO OS CHINESES COMPRAM A NOSSA ASSEMBLEIA PARA NELA ABRIREM UM SUPER MERCADO, NEM QUANDO A RESIDENCIA OFICIAL DO SENHOR PRIMEIRO MINISTRO É ADQUIRIDA POR UMA EMPREZA CINEMATOGRÁFICA QUE SE DEDICA AOS FILMES PARA OS MUITO MAIORES DE DEZOITO ANOS…

(…)
compreensível, o contrário não. Os governantes discursam pedindo sacrifícios ao povo, quando o correcto era o povo perguntar aos governantes: “Então, se depois de pedirmos tanto dinheiro emprestado, ainda assim empobrecemos desta tão dolorosa maneira, temos o direito de lhes perguntar onde está o dinheiro que devemos, como foi aplicado, e como nos violentam de forma tão selvagem em nome de uma dívida que nenhum de nós fez, e de cuja real dimensão e gravidade nada sabíamos? E a isso os governantes do momento responderiam:“não fomos nós, foram os outros, os do governo anterior!”, e os governantes anteriores, provenientes do partido político A ou B, C ou D, diriam, em defesa da causa própria: “Nós herdámos a situação que os senhores nos deixaram quando estiveram no poder na legislatura anterior à nossa!” E o povo, no seu legítimo direito de ser esclarecido, no sagrado direito de indignação que cabe às pessoas colectivas de bem (ou mesmo às pessoas singulares), em defesa da honra de povo a que o mundo, no seu eterno escárnio e de indiferenças, chama de caloteiro, de improdutivo e de irresponsável, iletrado e sem inteligência colectiva, insistiria na questão simples de saber o motivo porque deixaram passar tantos anos sem que o informassem das monstruosas dívidas a que tem de acudir se quer continuar a ter uma Pátria, uma casa, um lar; e quanto aos supremos juízes da Pátria, esses que nunca comentam o que quer que seja de importante ou não, ou porque não é o lugar devido, ou porque esperam que outro poder fale primeiro ,afinal para que servem?
Ainda outra questão martelava nos cérebros cansados dos pacatos e simplórios cidadãos daquele país, e que era tirar a limpo se determinadas agências estavam ou não a ser correctas nas suas avaliações; muitos diziam que não, que se tratava de perseguição, de influências movidas por países rivais, e aqui surgia a premente necessidade de tirar a limpo, de forma cabal e definitiva, se a dívida existia mesmo, se não existia, se se tratava de uma perseguição movida por alguém que não tinha ido com a cara do negociador enviado (essas coisas acontecem), se o valor era assim tão astronómico, e, se confirmasse o montante, ainda faltava averiguar as razões porque o emprestador tinha facultado a uma modesta fabriqueta de tijolos uma quantia digna da grandeza de uma poderosa e moderníssima central atómica. As dúvidas eram muitas e os esclarecimentos nenhuns. A poderosa máquina de propaganda que o povo simples permitira que os políticos ardilosamente montassem ultrapassava a fábrica de mentiras edificada pelo Nacional-socialismo alemão na segunda grande guerra mundial, e com larguíssimos proveitos; cada ministro, secretário de estado, ou subsecretário, cada agente político funcionava como um brilhante e talentoso propagandista, e ao povo cabia apenas o papel de pagar, pagar, pagar, ou revoltar-se e pugnar por todos os meios possíveis pelos seus direitos à vida e ao seu bom nome. (…)

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As histórias da Tia carochinha

Em miúdo era capaz de passar tempos infindos a escutar histórias da Carochinha e do João Ratão, assim alguém se dispusesse a falar pelo dia fora. Hoje, já razoavelmente crescidinho, espanta-me que adultos pais de filhos se percam durante horas, na frente de um televisor, a ver e escutar, por exemplo, três senhores muito bem arriados, (em termos de vestuário, como é evidente), a falarem sobre coisas da política. Vem esta conversa a propósito de um trio de cavalheiros que, com frequência, nos mimam com um espectáculo num certo programa que passa num dos nossos canais televisivos. Não é que me escuse a aprender coisas novas, e muito menos despreze um discurso que me faça utilizar a massa cinzenta. Nada disso. Mas, meus senhores, por amor de Deus, falem de coisas concretas, não de teorias sobre o abstracto comportamental dos políticos e das suas práticas. Não tem interesse. Falem de coisas que a política fez, quer de bom, quer de mau. Um tema que dava uma boa conversa: Os desempregados, quem são e quantos são? São todos os cidadãos inscritos nos centros de emprego, incluindo os que perderam o direito ao subsídio, mas continuam sem trabalho? Devemos ou não incluir nesse número os que estão a frequentar cursos profissionais? E os outros, estou a lembrar-me daqueles muitos que trabalham a troco de quatrocentos e poucos euros mensais, os que são autênticos heróis? Esses senhores já experimentaram viver um mês com quatrocentos e setenta e cinco euros para manter a casa e a família? E se este montante de vencimento é insuficiente para um ser humano viver, (notem que eu digo se, não afirmo; é que os políticos com responsabilidades são esses senhores). Então, em que valor se tem de parar de considerar as pessoas como desempregados? Nos mil euros? Mas, mil euros, por esse mundo civilizado fora, são considerados um ordenado de pobre! Vamos a subir a parada? É que, se os cidadãos pagam na conta da luz uma taxa para rádio e audiovisual, e muitas outras coisas, se suportam uma quantidade absurda de publicidade entre os programas, pelo menos que tenham, (não digo sempre), programas de qualidade, com interesse, e que, claro, podem muito bem ter natureza política. Porque não? Desde que contribuam para o nosso esclarecimento.
Ainda ligado a estas questões do dinheiro. Andam por aí uns zunzuns, um diz que diz, e que não diz, que fala que cada um dos intervenientes destes debates recebe um valor de onze mil euros por programa. Meus senhores, nesta santa terra onde se passa fome e todos somos diariamente aviltados nos nossos direitos, isto, a ser verdade, é uma dinheirama preta. Assim vale a pena aos que não o são fazerem-se passar por políticos, impedindo os que o são de o serem! Pessoalmente, a ser franco, não acredito. Tenho uma óptima opinião sobre qualquer dos três protagonistas, e os considero gente com rigor e honestidade irrepreensível. Será que estou com a razão? É sempre bom esclarecer as pessoas.

CONCEITOS SOBRE CERTAS CARACTERISTICAS DOS POVOS LATINOS
Uma questão de que pouca gente fala é esta, as particularidades que diferenciam os povos uns dos outros. Se falamos da Itália logo nos vem à memória a velhinha Máfia, com os seus séculos de vida, e se falamos de Portugal (quanto aos seus defeitos), também, e de imediato, nos lembramos do Compadrio; mas, se nos disserem para falar sobre o que distingue a Máfia do Compadrio, ou vice-versa, muitos de nós hesitam. É que, à primeira vista, parece não existir grande diferença. O Compadrio (pensamos), é uma forma de Máfia dos portugueses. Errado. A diferença é profunda e substantiva; enquanto a Máfia significa ilegal, prática de actividades ilícitas, como exploração de jogos clandestinos, prostituição, tráfico de estupefacientes, actividades bancárias fraudulentas, e todo o tipo de actividades condenáveis, o Compadrio é mais uma forma de vida legal, corrente no País, e na verdade, uma prática aceite pelos Cidadãos como coisa perfeitamente aceitável. O Compadrio está presente na Politica, na Justiça, nas Leis, no Comércio e na Industria, (nos tempos em que existia Industria), foi um pilar de sustentação da Ditadura, e não sei se não esteve presente, (ainda que ao de “leve”) na revolução. O Compadrio é indissociável da vida nacional. Se um compadre com influência se interessar por um seu protegido, consegue-lhe emprego. Se não existe compadre influente, bem que se pode passar a vida sem trabalhar…
Hoje, ao que penso, somos governados por “um Compadrio” acordado entre os partidos da área da governação, que, (como um polvo), se estende a tudo o resto. Se nos debruçarmos sobre o processo judicial da Casa Pia, que apaixonou a opinião pública portuguesa e que, (para nossa vergonha) correu mundo, concluímos, apesar de alguma “mão pesada” nas sentenças aplicadas pelo Tribunal depois de tantos e tantos anos, com muitas prescrições de permeio que terão deixado de fora muitos dos culpados, os condenados continuam intocáveis e em liberdade; se nos debruçamos sobre os acontecimentos que ocorreram na manifestação dos Indignados, no passado dia 24 de Novembro, a maioria dos detidos já foram a julgamento e sentenciados. Isto o que significa? Significa que, é muito mais grave para a justiça portuguesa o acto de manifestação praticado pelos jovens que não têm emprego, e em consequência, nem futuro, do que pedófilos criminosos abusarem de crianças filhas de famílias pobres, ou órfãs, e que foram entregues à guarda do Estado.
Com esta minha proverbial teimosia lusitana, eu continuo a falar e escrever que gostaria imenso de ver no pequeno ecrã os nossos doutos e importantes comentadores políticos falarem destas coisas mais do que das outras, aquelas que são mais monólogos travados entre surdos, e que, para mal dos nossos pecados, não esclarecem seja o que for a ninguém. Um pouco de honestidade, meus caros, a dignidade não faz cair os dentes nem envelhece os homens, bem antes pelo contrário…

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A torre de Ferro – contos nórdicos ( nova ilustração ) de Danilo Pereira

Na época em que o gigante dourado se aventurou pelas perigosas terras de Kordava, ele encontrou uma coisa de forma estranha que surgiu no meio de um imenso vale. O curioso, é que subitamente algo pairou sobre seu topo.

Wolfgang, de longe. percebeu que podia ser um dragão, um daqueles enormes de cor avermelhada que por algum motivo pretegia aquela coisa.

Como um aventureiro nórdico, ele desceu da montanha e encontrou lá em baixo, um homem magro segurando um escudo e uma lança que parecia ser infinita.

A principio, não disse nada, se aproximou e percebeu que o rapaz estava tenso, um covarde, assim entendeu, pois o camarada pingava debaixo daquela armadura que sofria com os raios de sol daquele entardecer.

O aesir resolveu quebrar o silêncio, estava curioso e então, foi logo perguntando ao homem.

– Es soldado da ordem real.

De soslaio, ele respondeu:

– Pareço um.

Wolfgang o fitou, o fitou novamente e retrucou:

– Não tenho certeza, mas vejo que está com medo.

O rapaz engoliu a seco, o guerreiro havia dito a verdade e cabia a ele tentar contornar a situação.

– Sou Baldur, filho de Bior e sou um cavaleiro da corte real – disse de cabeça erguida – Preciso livrar a cidade desse maltido dragão – entusiasmou-se ele. Para trás amigo, ou irá se machucar.

Baldur de alguma maneira criou coragem, queria mostrar ao aesir que era capaz de enfrentar a fera, então ele recuou, deixou-o partir em direção ao dragão que ao notar sua presença, o cobriu com uma poderosa chama que ardeu até os olhos do guerreiro nórdico.

Meio sem jeito, o cavaleiro ergueu o escudo com as duas mãos e se protegeu daquele fogaréu. Por sorte não fora queimado, Wolfgang, não conseguiu conter sua decepção e foi logo ajudando-o a se levantar.

– Desse jeito não conseguirá nada homem, acho que o bicho protege algo que está lá dentro! – afirmou.

– Então não sabe – perguntou Baldur, ja recompondo-se do ataque.

O guerreiro coçou a cabeça, olhou para aquela forma estranha e respondeu:

– Que o raio de Thor caia sobre minha cabeça se algum dia vi algo parecido com aquilo!

– É a torre de ferro que surge de tempos em tempos guardando segredos dos anões – falou Baldur – Ah, aqueles malditos pequenos! Criaram a torre e dentro dela guardam o Draupnir.

Sem entender nada, Wolfgang queria saber mais sobre o assunto.

– Draupnir, o que é isso.

– É o anel da fortuna! – Entusiasmou-se ele – Quem conseguir usá-lo, se tornará muito rico e poderoso!

O aesir pouco se entusiasmou com aquilo, a riqueza e a fortuna não importavam para ele, estava atrás de aventuras, de prazeres e aquela torre o havia fascinado, queria explorá-la, conhecer seu interior e depois contar aos nórdicos sobre suas descobertas.

Baldur queria o anel, ele sabia disso e então, tentou convencer o cavaleiro a se aventurar.

– Sei que queres aquele anel, não quer.

Desconfiado, o cavaleiro respondeu:

– E você nórdico, não o quer.

– Não quero o anel homem, quero entrar na torre e ver o que há la dentro.

O cavaleiro não acreditou no que ouvira, como alguém poderia recusar o poder do anel ( interrogação ) Apesar da desconfiança, ele acreditou no aesir que lhe pareceu muito sincero.

– E então, o que está planejando.

Sem delongas, ele prontamente respondeu:

– Vamos fazer o seguinte, pegue o escudo e vamos andar com ele sobre nossas cabeças até a entrada da torre, quando aquele maldito lançar o fogo, defenda-se durante algum tempo até eu adentrar naquela coisa.

O cavaleiro tremeu dos pés a cabeça e achou ousada demais aquela estratégia, o gigante, notou o medo estampado em seu rosto e então, tentou encorajá-lo.

– E então, você vem ou não. Poderá por suas mãos no tal anel.

Os olhos de Baldur brilharam naquele momento e o medroso cavaleiro, talvez por impulso e sede do anel, acabou aderindo à vontade do guerreiro.

O dragão rapidamente notou aquela ação, viu os dois aventureiros se aproximarem da torre e baforou sua poderosa chama, fazendo os dois agacharem devido ao impacto.

– Aguente firme homem! Vou entrar – vociferou Wolfgang, que partiu como uma bala em direção à entrada.

Baldur fazia o possível para segurar o fogo enquanto o aesir havia sumido de vista, por entre o escudo, o guerreiro nem sequer viu rastro do guerreiro que já havia adentrado naquela coisa.

Do lado de fora ele ficou, enquanto o outro, esse ficara perplexo com tanta engenhosidade que o interior daquela torre de ferro porporcionava. Eram inúmeras inscriçoes e desenhos em uma lingua estranha que Wolfgang não podia compreender, haviam pedras, muitas delas, todas pontiagudas que formavam formas muito parecidas com as de um anão, não eram esculturas e muito menos estátuas, não se sabia ao certo do que se tratava, ao lado delas, havia um pequeno altar que abrigava um luxuoso baú ornamentado por ouro que logo chamou sua atenção.

Com um pouco de receio ele se aproximou, o tocou e apenas observou aquela peça reluzir como a luz do sol por aquela torre. O que poderia haver ali dentro ( ponto de interrogação ) A curiosidade tomou conta do gigante dourado que não resistindo à tentação, tentou abrí-lo.

A peça se encontrava fortemente selada e foi preciso se esforçar muito para tentar retirar as correntes que se entrelaçavam como serpentes por uma misteriosa tranca que parecia ser feita de um material desconhecido. Nem mesmo o aço foi capaz de quebrá-lo, pois após ser desembainhado, se partiu ao meio devido à violenta ação do golpe.

O baú permaneceu intacto e o aesir, como era de costume, blasmefou contra aquela maldita torre que de algum lugar, emitiu uma voz que parecia não ser daquele planeta.

– Como ousa entrar aqui e roubar o que é meu.

O nórdico sentiu sua espinha gelar naquele momento, seus cabelos se eriçaram e por um breve momento não conseguiu sequer dar um passo, estava perplexo, atônico e não encontrou outra solução a não ser a de responder.

– Sou Wolfgang, um aventureiro e não sou um ladrão.

O silêncio pairou no ar, nada foi dito durante algum tempo até o estranho se manifestar uma outra vez.

– Ó guerreiro do norte, sei muito bem de suas vontades, venho de um lugar distante e queria poder tocá-lo. No espaço onde vivo, não há corpo, não há vida e nem esperança. Admiro sua coragem, sua bravura, sua fé nos teus Deuses que o acompanham.

Queria eu, ter o seu corpo forte para lutar, viver e morrer por algo, por um ideal, enfim, sou apenas uma alma disforme que vaga no cosmo á procura de vida, do ser perfeito para quem sabe um dia transmitir meus conhecimentos.

Sei que lhe pareço estranho, não precisa responder, eu sei, eu sinto, conheço os de sua raça e os estudei durante um longo tempo.

Os anões são gananciosos, ah, como são! São diferentes dos homens do norte, que lutam por suas vidas no alto de suas montanhas, já os pequenos, querem a fortuna, o poder e por isso criaram essa torre de ferro que guarda o anel de Brokk e Eitri.

Você tem muita coragem de entrar aqui guerreiro, ó se tem! Jamais um mortal saiu vivo daqui mas você é diferente, tem o espirito forte e ama sua vida. Queria eu, poder lhe mostrar seu futuro, suas conquistas e suas travessias por esse mundo fantástico em que vive, mas deixarei que descubra sozinho e talvez um dia, nos encontremos de novo.

Wolfgang não sabia o que dizer, estava paralisado, estarrecido com tanta sabedoria daquele ser esquisito, seria ele um Deus superior aos seus ( ponto de interrogação ) Não se podia saber, podia-se apenas, perguntar-lhe sobre suas intenções.

– Diga-me então estranho, o que quer comigo.

– Não lhe farei mal algum, aproxime-se! – ordenou ele, que subitamente se mostrou naquele espaço. Era uma simples e densa névoa que tinha a forma de um corpo, uma espécie de campo magnético, algo mutante, surreal, uma alma perdida em algum lugar – abra o baú, pegue o anel e use-o – finalizou.

Wolfgang então abriu o tal baú, pegou a peça e disse seriamente:

– Ouvi muita coisa sobre esse anel, dizem que é poderoso e que dá riqueza a quem o usa. Sou um guerreiro ó estranho, venho do norte e lá, não cobiçamos o ouro. Sou um homem simples de muita fé, vivo e morro pelos meu Deuses que lá de cima, me dão sabedoria e força para lutar.

Quero viver como meus ancentrais, no campo de batalha, reverenciando o aço, na qual poderei sempre confiar.

O estranho o havia entendido, os nórdicos eram assim, viviam e morriam por aquele pedaço de metal que para eles, significava vida e honra.

O ser disforme queria reconpensá-lo de alguma maneira, em suas faculdades, ele havia encontrado um homem de fé, de coragem, de fervor, que dava valor a seus principios e não abria mão deles. Então, ele falou pela última vez:

– Você é surpreendente entre os de sua raça, ah, como é! Essa torre já foi palco de muita ganancia e pervensidade, muitos morreram por causa deste anel e agora, ó homem do norte, você poderá livrá-la da maldição que os anões puseram sobre ela.

Há um guardião lá em cima como você bem sabe. Vá até ele, use o anel uma única vez e espere por um sinal que virá do céu, não tenha medo.

Wolfgang pouco compreendeu, queria se aventurar no desconhecido e agora estava lá, dentro daquele lugar estranho vigiado por um enorme dragão que havia feito Baldur se molhar por inteiro.

Então guardou o anel, viu o ser disforme se dissipar no ar, seguiu até uma espécie de escadaria num canto da sala e subiu, encontrando um longo caminho pela frente.

Os degraus pareciam não ter fim, eram numerosos e o aesir se cansou de serpenteá-los como um gato atrás de um rato, estava apreensivo, com um certo medo e seu coração, ora ou outra disparava pois o demônio que o aguardava lá em cima, fazia aquela bendita torre tremer com o balançar de sua calda que não cessou nem por um instante sequer.

Aquele tremor ainda durou um certo tempo a passar, até que por fim, as cores do entardecer se estampou claramente no rosto do gigante, que sentiu sua espinha gelar mais uma vez ao ver o guardião daquela torre.

O dragão rapidamente sentiu a presença do guerreiro que teve de se esquivar para não ser queimado vivo por aquela terrível fera. Não havia como enfrentá-lo, estava desarmado e a única opção que tinha, era a de usar o anel como assim aquele estranho ordenara.

Assim ele o fez, colocou-o sobre o dedo indicador e olhou para o céu que pavorosamente começou a se transformar.

A ação havia surtido algum efeito, pois o demônio vermelho bateu asas e voou em circulos em volta da torre que metamorficamente começou a se modificar atravéz de estruturas estranhas que saiam do chão elevando-a a um patamar fantasmagórico.

O poder do anel era mesmo verdadeiro, assim pode concluir, o guerreiro que queria apenas se aventurar por aquelas terras havia encontrado algo mistico que nem mesmo o mais sábio dos homens poderia calcular tamanha força e veracidade.

O topo da torre havia se transformado e do céu, um intenso clarão pairou sobre aquele círculo petrificado, revelando assim, algo que fez os olhos do aesir cintilarem como os de um lobo.

Era uma espada que havia surgido ali, entre as pedras, fincada sobre o chão que estremeceu com uma estranha aura que saiu daquele aço transformando-se num espírito de luz.

Wolfgang, pensou que fosse um Deus que havia aparecido para ele, se curvou diante daquela alma e sentiu uma tremenda força que pareceu lhe confortar.

– Pegue a espada e mate o dragão, quebre a maldição! Liberte-me desta ilusão! – exclamou a enigmatica aparição, que trajava um elegante elmo e uma volumosa capa esvoaçante.

– Que Freya me acorde se eu estiver sonhando, você é um Deus – perguntou o guerreiro, ainda curvado.

– Não importa quem sou, liberte-me aesir e será recompensado no futuro – respondeu ele.

O mistério pairou no ar e como um homem de muita fé, absorveu aquelas palavras com muita sabedoria ao lembrar-se do estranho de outrora que havia lhe dito para não ter medo.Então, de olhos fixados no dragão, ele correu até o aço que não ofereceu resistencia alguma ao ser retirado.

A espada estava em suas mãos, leve, encantadora e portadora de algum tipo de encanto, pois pareceu querer encontrar aquele dragão que subitamente começou a se locomover em demasia.

Havia algo de diferente naquele monstro, estava inquieto, agressivo, urrando e lançando fogo para tudo quanto é lado enquanto Wolfgang, esse parecia um felino, cauteloso, engenhoso, esperando para dar o bote na hora certa em sua presa.

A oportunidade não demorou a chegar, o dragão, que voava sem límites por aquela torre mutante pairou sobre o grande círculo e investiu contra o guerreiro que esquivando-se de sua mandibula assassina, saltou sobre seu pescoço ficando a poucos centimetros de seu coração.

O dragão se agitou, tentou se livrar mas o nórdico era um verdadeiro animal, um vencedor, um caçador nato que em fração de segundos, se transportou para o peito do monstro perfurando-lhe o coração até o talo, sem dó e nem compaixão.

O monstro havia tombado, Wolfgang triunfado e atravéz de sua cabeleira esvoaçante que se espalhava por seu rosto rude, viu o espirito de luz se aproximar e dizer:

– Que Odin lhe abra os portões de Asgard meu amigo! Nunca perca sua fé e um dia, lhe recompensarei por isto. Livre-se do anel e volte para seu mundo guerreiro.

Wolfgang viu a alma partir, retirou o anel e percebeu que havia adentrado em outra dimensão, num lugar surreal de cores mórbidas que não passou de um encanto causado por aquela pequena peça.

O mal havia ido embora, o entardecer daquela surpeendente tarde voltou a tingir o céu com suas cores fortes e vibrantes e o nórdico, como se tivesse a agilidade de um lobo, deixou aquela torre de ferro que estranhamente desmoronou sobre aquele imenso vale.

Baldur ainda estava lá, trêmulo, envolto à aquele escudo que parecia mais uma espécie de concha do que qualquer outra coisa. Estava paralisado, com medo, sem saber como agir diante daquele guerreiro que parecia não se importar com aquela destruição.

Ele seguiu em frente, passou pelo cavaleiro que apesar de sua aparencia catastrófica, perguntou-lhe quase sem voz:

– E então, encontrou o… anel

Com uma expressão cômica e divertida, o aesir respondeu:

– Pegue-o homem! – arremessou ele – talvez com ele, se torne um cavaleiro de verdade.

 

Personagens da obra, Wolfgang, o guerreiro nórdico.

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“JUNTOS PARA SEMPRE”- Romance

                    DIA 24 DE DEZEMBRO

                       NOITE DE NATAL

 

      Dia 24, no princípio da tarde, Alberto bate à porta. Maria abre-a com um sorriso de boa disposição e simpatia. Foi a primeira noite que dormiu na sua casa.

   – Que surpresa Doutor Alberto! Que alegria em vê-lo. Que bom! Posso convidá-lo a tomar um chazinho e a provar uns bolinhos de chocolate que hoje de manhã me trouxeram a Lucília e a Filomena, que vieram visitar-me e dar os parabéns por tudo de bom que me tem acontecido nos últimos dias. Sabe, elas vêm passar a noite da consoada comigo, para estrearmos a casa com festa. Daqui a pouco lá vêm elas com o bacalhau, as batatas e sei lá o que mais. Estou tão contente, que até tenho medo que me aconteça alguma coisa má. Só gostava de ter o Luizinho connosco, mas ainda não pode ser, não pode ser. Pronto. Mas não deve faltar muito, pois não, Doutor Alberto? Quando ele sair do Hospital faço uma festa. Já fica convidado, está bem?

       O seu aspecto ainda doentio contrasta com o brilho dos seus olhos. Parece querer aproveitar estes momentos como se de repente se esgotassem.

     – Com a sua ajuda tenho tudo o que ambicionava, Dr. Alberto. Eu e o Luizinho nunca o esqueceremos. Fico feliz por ainda existirem pessoas como o Doutor Alberto. Uma pessoa em quem se pode confiar, simples, que percebe as injustiças que os mais fracos, como eu, que são vítimas do orgulho e desprezo por aqueles que se julgam os reis do mundo. É tão bom estar aqui consigo, tão bom! Olari! (…)

NOTA: Esta história acaba amanhã dia 25 de Dezembro, dia de Natal.

               Terá Maria conquistado, definitivamente, o direito a ser feliz?

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, Av. de Roma, 11 em Lisboa ou através do site:  www.sitiodolivro.pt

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Para te ver…

Numa cidade perdida
de vagas soltas
sonhos imersos
verde sal
mergulho em ti
irrompo no teu ser, amor
apenas para te ver

José Guerra (2011)

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“JUNTOS PARA SEMPRE”- Romance

                                       CITAÇÕES

Reflictam todos atentamente: essas crianças são o fulcro do futuro e, portanto, é absolutamente necessário que elas cresçam sadias de mente e de corpo, para que não se tenha um dia uma geração que carregue em si os germens das doenças e a marca do vício.”

                            PAPA PIO XII

 “Que mal fizeram estas crianças para merecerem tanto sofrimento?

(Referindo-se às vítimas de violência).

                                                                             PAPA JOÃO XXIII

           “Como é possível permanecer indiferente perante o sofrimento de tantas crianças, especialmente quando, de qualquer modo, é causado pelos adultos?”

                                                                                                                   PAPA JOÃO PAULO II

           “Afirmo que a Igreja, desde sempre, defendeu os direitos e tratou com respeito e amor as crianças e condenou os casos de abusos perpetrados por alguns dos seus membros”.

          Peçamos a Deus que nos ajude a fazer nossa parte para que a dignidade das crianças seja respeitada.”

                                                                             PAPA BENTO XVI

 

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, Av de Roma, em Lisboa ou através do site : www.sitiodolivro.pt

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Frases ditas por gente conhecida no mundo

Quem? O infinito!?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
Estar entre gente.

Alexandre O’Nill

Dize tu- já começou, porém, a racionalização do trabalho.
Direi eu – Todavia o manguito será por muito tempo o mais económico dos gestos.
Alexandre O’Nill

Há sempre, na nossa infância, um momento em que a porta se abre e deixa entrar o futuro.
Graham Greene

A procura da verdade recomeça em cada novo caso porque cada verdade viva é individual e não poderá nunca deduzir-se de uma pressuposta fórmula geral. Cada indivíduo representa uma nova experiência de vida, sempre modificável, um ensaio de nova solução e de nova adaptação.
Jung

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Aniversário da Poetisa Florbela Espanca

Tributo a Florbela Espanca, dia do seu aniversário, com um poema da minha autoria. Que a sua alma se durma em prosa beijada de amor e flor…

Vou por ai semear palavras ocas

como da noite de que sou feito

cheio de nada e desalento

queria ser ave como o vento

para gritar mais alto que o tempo

José Guerra (2011)

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Texto retirado da obra de António Alçada Baptista

, Peregrinação Interior, Volume 1
1- Quanto à sociedade capitalista:
– Na minoria privilegiada há elementos extraordinariamente “trabalhadores” que, com essa “qualidade” asseguram normalmente o processo de exploração da maioria.
– Na maioria explorada há elementos extraordinariamente “ociosos” que, com esse “vício” conseguem, alguns, atenuar a exploração que os oprime.
– Os casos raros de passagem da classe explorada à classe privilegiada vêm exactamente daqueles elementos cuja vida foi “um exemplo constante de acrisolado amor ao trabalho” e que, pela sua ascensão, comprovam a sua crença e a sua devoção ao sistema, razão pela qual, na sua velhice, recebem dos altos poderes altas comendas, do Comércio, da Industria ou da Agricultura.
2- Quanto à sociedade socialista:
– Na minoria privilegiada há elementos extraordinariamente “trabalhadores” que, com essa “qualidade” asseguram normalmente o processo de opressão da maioria.
– Na maioria há elementos extraordinariamente “ociosos” que, com esse “vicio”, conseguem atenuar a opressão que os explora.
– Os casos raros de passagem da classe oprimida à classe privilegiada vêm exactamente daqueles elementos que, ademais da sua crença devota ao sistema, tiveram uma vida que foi “um exemplo de trabalho e dedicação”, razão pela qual, na sua velhice, lhes são dadas comendas cujo nome me não lembra.

Citando o mesmo autor e o mesmo livro:

“De todos os tempos, foram homens novos, sem grande bagagem inicial de saber, como Confúcio, Buda, Jesus e Marx, que criaram as grandes correntes de pensamento”

E, ainda, do mesmo autor e do mesmo livro:
Proclamar que “todos os homens são iguais” é coisa que felizmente hoje só dizem os mentecaptos e as mulheres umas às outras quando falam dos maridos

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No teu corpo leve beijo….

Voar é apenas versar
No teu corpo leve beijo
Te escrevi sonetos de amor
Em prosa te fiz segredos

José Guerra (2011)

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