Texto retirado da obra de António Alçada Baptista

, Peregrinação Interior, Volume 1
1- Quanto à sociedade capitalista:
– Na minoria privilegiada há elementos extraordinariamente “trabalhadores” que, com essa “qualidade” asseguram normalmente o processo de exploração da maioria.
– Na maioria explorada há elementos extraordinariamente “ociosos” que, com esse “vício” conseguem, alguns, atenuar a exploração que os oprime.
– Os casos raros de passagem da classe explorada à classe privilegiada vêm exactamente daqueles elementos cuja vida foi “um exemplo constante de acrisolado amor ao trabalho” e que, pela sua ascensão, comprovam a sua crença e a sua devoção ao sistema, razão pela qual, na sua velhice, recebem dos altos poderes altas comendas, do Comércio, da Industria ou da Agricultura.
2- Quanto à sociedade socialista:
– Na minoria privilegiada há elementos extraordinariamente “trabalhadores” que, com essa “qualidade” asseguram normalmente o processo de opressão da maioria.
– Na maioria há elementos extraordinariamente “ociosos” que, com esse “vicio”, conseguem atenuar a opressão que os explora.
– Os casos raros de passagem da classe oprimida à classe privilegiada vêm exactamente daqueles elementos que, ademais da sua crença devota ao sistema, tiveram uma vida que foi “um exemplo de trabalho e dedicação”, razão pela qual, na sua velhice, lhes são dadas comendas cujo nome me não lembra.

Citando o mesmo autor e o mesmo livro:

“De todos os tempos, foram homens novos, sem grande bagagem inicial de saber, como Confúcio, Buda, Jesus e Marx, que criaram as grandes correntes de pensamento”

E, ainda, do mesmo autor e do mesmo livro:
Proclamar que “todos os homens são iguais” é coisa que felizmente hoje só dizem os mentecaptos e as mulheres umas às outras quando falam dos maridos

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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3 respostas a Texto retirado da obra de António Alçada Baptista

  1. Amigo José Solá,

    Há dois dias com febre, tenho dificuldade em escrever qualquer coisa excepto o básico “gostei” … e pouco mais. Nunca sei dizer ao certo quanto tempo levarei a ficar melhor porque estas coisas são sempre mais demoradas em quem, como eu, tem doença crónica. Gostaria de lhe deixar palavras mais consistentes mas não consigo… espero poder voltar.Será sinal de que continuo “viva e desperta”, coisa que me não sinto nada, neste momento. Mas gostei de o ler!
    Um abraço!

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  2. Amiga: As suas rápidas melhoras. Eu também tenho doença crónica (mais do que uma), e sei bem o inferno que isso é. Enquanto não vem por aí uma censura mais acentuada, (se alguma censura é pior da que nos chega pela via dos donos do dinheiro), digo isto porque aos antigos coroneis lá se dava alguma volta, enquanto que a estes é dificil. Só publica quem for rico ou quem lhes agrade, eu vou teimando em escrevinhar algumas coisas modestas que julgo terem algum interesse, e que sejam úteis para os outros. Até à próxima e as suas melhoras!

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  3. Outra coisa que aprendi que não sou mais uma pessoa que pode fazer comentários despreocupadamente em blogs, felizmente e infelizmente.

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