As histórias da Tia carochinha

Em miúdo era capaz de passar tempos infindos a escutar histórias da Carochinha e do João Ratão, assim alguém se dispusesse a falar pelo dia fora. Hoje, já razoavelmente crescidinho, espanta-me que adultos pais de filhos se percam durante horas, na frente de um televisor, a ver e escutar, por exemplo, três senhores muito bem arriados, (em termos de vestuário, como é evidente), a falarem sobre coisas da política. Vem esta conversa a propósito de um trio de cavalheiros que, com frequência, nos mimam com um espectáculo num certo programa que passa num dos nossos canais televisivos. Não é que me escuse a aprender coisas novas, e muito menos despreze um discurso que me faça utilizar a massa cinzenta. Nada disso. Mas, meus senhores, por amor de Deus, falem de coisas concretas, não de teorias sobre o abstracto comportamental dos políticos e das suas práticas. Não tem interesse. Falem de coisas que a política fez, quer de bom, quer de mau. Um tema que dava uma boa conversa: Os desempregados, quem são e quantos são? São todos os cidadãos inscritos nos centros de emprego, incluindo os que perderam o direito ao subsídio, mas continuam sem trabalho? Devemos ou não incluir nesse número os que estão a frequentar cursos profissionais? E os outros, estou a lembrar-me daqueles muitos que trabalham a troco de quatrocentos e poucos euros mensais, os que são autênticos heróis? Esses senhores já experimentaram viver um mês com quatrocentos e setenta e cinco euros para manter a casa e a família? E se este montante de vencimento é insuficiente para um ser humano viver, (notem que eu digo se, não afirmo; é que os políticos com responsabilidades são esses senhores). Então, em que valor se tem de parar de considerar as pessoas como desempregados? Nos mil euros? Mas, mil euros, por esse mundo civilizado fora, são considerados um ordenado de pobre! Vamos a subir a parada? É que, se os cidadãos pagam na conta da luz uma taxa para rádio e audiovisual, e muitas outras coisas, se suportam uma quantidade absurda de publicidade entre os programas, pelo menos que tenham, (não digo sempre), programas de qualidade, com interesse, e que, claro, podem muito bem ter natureza política. Porque não? Desde que contribuam para o nosso esclarecimento.
Ainda ligado a estas questões do dinheiro. Andam por aí uns zunzuns, um diz que diz, e que não diz, que fala que cada um dos intervenientes destes debates recebe um valor de onze mil euros por programa. Meus senhores, nesta santa terra onde se passa fome e todos somos diariamente aviltados nos nossos direitos, isto, a ser verdade, é uma dinheirama preta. Assim vale a pena aos que não o são fazerem-se passar por políticos, impedindo os que o são de o serem! Pessoalmente, a ser franco, não acredito. Tenho uma óptima opinião sobre qualquer dos três protagonistas, e os considero gente com rigor e honestidade irrepreensível. Será que estou com a razão? É sempre bom esclarecer as pessoas.

CONCEITOS SOBRE CERTAS CARACTERISTICAS DOS POVOS LATINOS
Uma questão de que pouca gente fala é esta, as particularidades que diferenciam os povos uns dos outros. Se falamos da Itália logo nos vem à memória a velhinha Máfia, com os seus séculos de vida, e se falamos de Portugal (quanto aos seus defeitos), também, e de imediato, nos lembramos do Compadrio; mas, se nos disserem para falar sobre o que distingue a Máfia do Compadrio, ou vice-versa, muitos de nós hesitam. É que, à primeira vista, parece não existir grande diferença. O Compadrio (pensamos), é uma forma de Máfia dos portugueses. Errado. A diferença é profunda e substantiva; enquanto a Máfia significa ilegal, prática de actividades ilícitas, como exploração de jogos clandestinos, prostituição, tráfico de estupefacientes, actividades bancárias fraudulentas, e todo o tipo de actividades condenáveis, o Compadrio é mais uma forma de vida legal, corrente no País, e na verdade, uma prática aceite pelos Cidadãos como coisa perfeitamente aceitável. O Compadrio está presente na Politica, na Justiça, nas Leis, no Comércio e na Industria, (nos tempos em que existia Industria), foi um pilar de sustentação da Ditadura, e não sei se não esteve presente, (ainda que ao de “leve”) na revolução. O Compadrio é indissociável da vida nacional. Se um compadre com influência se interessar por um seu protegido, consegue-lhe emprego. Se não existe compadre influente, bem que se pode passar a vida sem trabalhar…
Hoje, ao que penso, somos governados por “um Compadrio” acordado entre os partidos da área da governação, que, (como um polvo), se estende a tudo o resto. Se nos debruçarmos sobre o processo judicial da Casa Pia, que apaixonou a opinião pública portuguesa e que, (para nossa vergonha) correu mundo, concluímos, apesar de alguma “mão pesada” nas sentenças aplicadas pelo Tribunal depois de tantos e tantos anos, com muitas prescrições de permeio que terão deixado de fora muitos dos culpados, os condenados continuam intocáveis e em liberdade; se nos debruçamos sobre os acontecimentos que ocorreram na manifestação dos Indignados, no passado dia 24 de Novembro, a maioria dos detidos já foram a julgamento e sentenciados. Isto o que significa? Significa que, é muito mais grave para a justiça portuguesa o acto de manifestação praticado pelos jovens que não têm emprego, e em consequência, nem futuro, do que pedófilos criminosos abusarem de crianças filhas de famílias pobres, ou órfãs, e que foram entregues à guarda do Estado.
Com esta minha proverbial teimosia lusitana, eu continuo a falar e escrever que gostaria imenso de ver no pequeno ecrã os nossos doutos e importantes comentadores políticos falarem destas coisas mais do que das outras, aquelas que são mais monólogos travados entre surdos, e que, para mal dos nossos pecados, não esclarecem seja o que for a ninguém. Um pouco de honestidade, meus caros, a dignidade não faz cair os dentes nem envelhece os homens, bem antes pelo contrário…

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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