Lançamento de “Amor Proibido”

Conto com a vossa presença!

Um abraço literário!

José Guerra

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O Vício do Artesão Orlando Nesperal

Continuação;

                                                 As experiências

 

 

                A aprendizagem tinha que começar, e começou duma forma muito natural e espontânea, depois de escolher o que pretendia fazer, criando sempre um desenho, mesmo tosco, mas era importante ter as medidas idealizadas para o acabamento final, assim era aposto no desenho as indicações necessárias ajeitando o desenho às necessidades ou alterava consoante algo que não se conjuga-se.

Tendo por princípio, que o Artesão não se torna artesão, apenas pelas ideias ou gostava de ser, mas sim no seu íntimo, algo de diferente ou extraordinário existe, e quantas vezes é empurrado para esse destino, como meio de sobrevivência, descobrindo que existe uma falta que ele bem pode completar. Mas estou crente que existe uma aptidão nata, como princípio destas coisas.

Um autodidacta de excelência, provoca a admiração de muitos pelas suas obras isentas de conhecimento das leis geométricas ou da física, existindo apenas o seu gosto, muitas vezes mais pelos materiais que usa do que da peça em si. È por aqui que me caracterizo, a madeira os ramos das árvores e muito em especial os efeitos que produzem as mesmas ao serem trabalhadas. Neste âmbito após ter terminado é como que nada tivesse feito. O pensamento corre em busca de outra ideia, mesmo que seja a exploração de outras ideias na mesma madeira.

Foi-me colocado o desafio de fazer um tabuleiro de Xadrez, imaginei que não seria fácil mas não seria de todo o impossível, e pouco a pouco fui reunido, numa primeira fase as ideias e colocando tudo num papel, desde o tamanho do mesmo e como iam nascer as peças, para logo a seguir em que materiais isso ia acontecer. Mais ou menos um ano, até o produto final pudesse ser visto. Mas foi tal o gosto que ia sempre adicionando ideias, aquilo que era um simples tabuleiro de xadrez com as peças, nasceu a caixa para as guardar, mais um conjunto de pedras, para o jogo das damas, chegando mesmo a construir um manual básico das regas destes jogos. Mas como em tudo é sempre fazer uma manutenção, nasce um pano para limpeza, com um monograma, bordado a ponto cruz, com o desenho do peão.

Com esta experiência, cresce o interesse em desenvolver a grande descoberta: O que podemos fazer, com as madeiras e quais são as suas potencialidades, nascendo muitas ideias, sendo uma a mãe de todas as coisas, antes de chegar ao artesanato, era meu desejo de recuperar objectos que na minha infância existiam, e tendo como sentido prático recriar todos em especial os que já entravam em vias de extinção. Assim nasceu o chicote, e a bengala rudimentar, suportes coisas muito banais e comuns.

Nesta onda nasceu a ideia de recuperar algumas tradições, comos os chafarizes e outra coisa que ainda não está em prática, mas que lá irei que é escrever poemas e grava-los na madeira em especial dedicados a Cernache do Bonjardim. Tudo porque em determinada altura verifiquei que não existe nada do género, na Vila e quem a visita não tem nada para levar que simboliza-se a sua presença e a leva-se para alguém, como lembrança que naquele local se lembrou dela. Ainda não está em prática somente porque os materiais e as gravações ainda não se encontraram no ponto certo. Mas creio que o problema está apenas por falta de tempo, para poder fazer mais uns ensaios e alterar o tamanho da letra, para que este assunto encontre o seu espaço conforme já foi idealizado. Uma primeira serie de poemas já estão escritos e alguns até bem conseguidos.

Esta lacuna que existe, talvez seja uma motivação em me fazer compreender, ou ser compreendido com as gentes, de Cernache do Bonjardim. No meu entender falta uma verdadeira marca, isto é, um conjunto de amostras e expostas com forte simbolismo local e de marcadamente regional.

As experiências com as madeiras começou a ser uma aventura, tanto pelas suas texturas como pelos veios de crescimento, umas muito rijas outras, mais moles ao ponto que se chega a verificar uma grande dificuldade em escolher madeiras para construir objetos. Neste sentido, uma necessária familiarização com as madeiras é a base para um maior conhecimento, para quem queira fazer parte deste mundo dos artesões que trabalham directamente com madeiras, ou pelo menos fazem questão em querer aprender. Reside neste conhecimento uma verdadeira atração, que é a busca destes materiais. Já referi que para levar acabo alguns trabalhos ir às estâncias de madeiras, muitas vezes não é a solução.

Como se pode apreciar, qualquer que seja o produto final a escolha das madeiras são o resultado mais evidente, como se a montra do produto tenha um impacto de maior visibilidade. Não será demais insistir em se aprender muito sobre madeiras tanto as suas qualidades, como o seu comportamento enquanto são trabalhadas.

Há outra referencia, que se tem que fazer que é necessário mencionar, que é as ferramentas que se deve utilizar para cada trabalho como para cada tipo de acabamento, tendo sempre presente o comportamento das madeiras durante as operações de corte ou desbaste, sendo de importância relevante ser sempre adequado ao tamanho do corte ou à dimensão da peça. Daí uma grande variedade de ferramentas muito iguais mas de dimensões diferentes está muito do segredo desta aprendizagem. O seu manuseamento tem sempre a ver com o seu jeito nato, o qual este não se ensina, porque cada pessoa adquire a sua forma própria de execução. Também conhecido pelo seu talento.

Como sabemos, especialmente quem já tarimbou muito, verifica que muitos cidadãos, por mais que se ensine, nunca são capazes de ir mais além, nunca toma uma iniciativa nem tão pouco são capazes de fazer mais ao que lhe talham. Isto foi por mim constatado, muitas vezes nos diferentes trabalhos que realizei.

Como profissional de uma arte estou certo que o ensino conta duma forma possível de progresso. Mas para um artesão tem haver uma mistura de sentimentos profundos que muitas vezes não existe uma explicação plausível, porque determinada pessoa vagueou pela vida fora e muitas vezes acaba por encontrar o seu destino, quase como oposição ao que toda a via executou. Não querendo ser um exemplo, mas a família mais próxima já foi interrogada se eu sempre estive ligado às madeiras. É com este sentimento de querer fazer, que emergi duma forma apaixonada abraçar estes trabalhos, e de certo modo encantam-me depois de os ver acabados. Mas não fico ligado a eles, uma grande maioria os tenho oferecido.

As novas tecnologias, deram a possibilidade de conhecer um leque alargado de pessoas que procuraram na madeira a sua forma de expressão. Graças à internet tive contacto por este meio com outras realidades. Neste aspeto os brasileiros, são um povo o qual admiro pela diversidade e sobretudo a sua capacidade de explicar pela forma escrita como pela oral através de vídeos. Foi por estes meios que me familiarizei, com os entalhes nas madeiras e me levaram a dar conhecimento como devemos utilizar a madeira com as ferramentas.

Felizmente que tudo se aproxima, neste lema creio que aprendi muito sobre as ferramentas e em especial à sua qualidade, e bem assim o conhecimento que para apreciar um trabalho, para além da madeira, a ferramenta com que é executada tem muito valor, também é por aqui que se pode avaliar o artesão. No meu entender muito dos trabalhos em especial os mais minucioso a sua qualidade e apresentação, tem a ver com a qualidade da ferramenta e a madeira escolhida. Sobre ferramentas para além do comum que se pode encontrar, nos mais variados sítios, posso dizer que não sendo um fã das casas do chinês, primeiro pela qualidade, mas a sua diversidade, pouco a pouco me foram conquistando, a pontos que hoje vou frequentando para saber o que mais existe, sobretudo nas nini, que desconhecia a sua existência em tão profunda gama. Sabemos da sua qualidade e resistência, mas veio a demonstrar que também existem fábricas que fabricam muito destes utensílios de alta qualidade e precisão, de marcas de grande relevo, mas confesso para um artesão o seu preço é incomportável. Mas claro que eram essas de que eu gostava, não tendo vergonha em o afirmar.

Com estas experiências, é a forma de aprender mais rapidamente, porque estou utilizando as madeiras e ao mesmo tempo as ferramentas, as quais vou adaptando á textura das mesmas. Começando com trabalhos mais simples, podemos sempre evoluir para outros de maior complexidade. Sempre que queiramos iniciar uma obra devemos testar, tanto a ferramenta como a madeira numa sobra, para apreciarmos estes dois comportamentos, que é de vital importância, para que logo na “primeira cavadela não sai minhoca”.

Tenho que confessar que qualquer ser humano deve estar sempre num regime de aprendizagem, nunca será um produto acabado, a não ser aquele que chegou ali e pronto, sente-se realizado. Um artista artesão é sempre alguém que está em constante busca da perfeição, a dado momento cheguei a declarar na minha “Declaração de Princípios”, o meu grande objectivo é a perfeição, contudo hoje reparo que existe muita gente que não faz nada porque não sabe, e outros não fazem porque sai mal. …Mas já aprendi que vale mais fazer alguma coisa do que não fazer nada, só com a prática nos vamos aproximando do objectivo.

Mas como é possível haver tanta gente que não faz nada, a minha pergunta será que não se sentem incomodadas? Ou estão bem com elas! Certamente que a sua passividade será tanta que nem se deram ao cuidado de pensar nisto. Graças que nem todos os humanos são iguais, senão, não havia evolução, e tudo iria entrar a determinada altura num mundo estático.

Para findar, parecendo que me afastei do tema de experiências, também deixo uma achega do muito da massa do ser humano, para se enquadra num estilo de arte ou numa personalidade que o possa definir. Não terei nenhum problema em responder ao chamamento de Artesão, tendo já si conhecido pelo, Senhor Gaspar, o Orlando e durante o serviço militar, o “Cartinhas”, ao ponto que em determinado momento de minha vida me baptizei com o pseudónimo Orlando Nesperal, e por último os meus trabalhos começam a ser conhecidos como produtos da “House Nesperal”. A tudo isto não passa dum acumular de experiências esquecedoras, e fazem parte das maravilhas do meu interior, que não passam dumas simples experiências.

Continua!

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O Vício do Artesão Orlando Nesperal

Continuação;

                                                                  Os Materiais

 

               Arrumadas que estão as ferramentas, á que ir em busca dos materiais adequados à realização do que pensava fazer, digamos em boa da verdade, foi este trabalho que encontrei o caminho certo, dado as ideias iam nascendo conforme ia encontrando os respectivos materiais, que neste momento eram apenas uns simples paus toscos. Mas eu ao olhar para eles já encontrava alguma forma, é aqui que o verdadeiro Artesão se situa, ver o que os outros não vêm ao olharem a mesma coisa. Então desperta um sentimento muito grande; “O Vicio do Artesão”, que é, para onde quer que vá, tem sempre presente ao olhar para qualquer ramo ou tábua, primeiro identificar a que árvore pertenceu e de imediato para que serve. Esta a sua essência,” claro na minha opinião”.

Quem muitas vezes olha para este tipo de cidadão, que revolta os caixotes dos desperdícios das carpintarias, em busca de pequenos fragmentos para lhe dar alguma utilidade. E casos há, que no lixo em geral também encontra alguma coisa que para muitos não tem utilidade. Para tudo isto, é necessário alguma coragem e possuir uma personalidade muito forte, porque sabe que está a ser julgado duma forma injusta para quem o olha e há casos quem se lamentam, dizendo: “Ao que isto chegou”. È esta caminhada que se propõe o Artesão, porque se recorrer aos originais de materiais que estão à venda nas casas da especialidade, duas coisas acontecem, ou são caros ou as quantidades mínimas são muito para um simples trabalho.

Fora dos centros urbanos as coisas passam-se não com tanta visibilidade, mas o Artesão está sempre com a ideia desperta, acabando onde quer que vá, lá traz um ramo duma árvore ou qualquer tronco, que viu nele uma utilidade. Muita das vezes o carro já está muito composto. A tudo isto vai colocando, neste caso na garagem arrumados à espera que venha o dia de por em prática, ou preencher uma necessidade que entretanto houve necessidade.

Deixar aqui alguns episódios seja uma boa forma de poder esclarecer muitas das atitudes que se tem. Andando a fazer uma simples caminhada, é confrontado com uma árvore que durante a noite caiu com vendaval. Quando dou por mim, que a mesma estava a ser traçada pelos funcionários da Camara para a levarem para um destino, fiquei sem saber qual. Nada disto tinha importância, só que parei a caminhada e fui ver como era cortada a árvore que neste caso uma amoreira já de algum porte, ali especado como uma estátua assistia aquela azáfama, e comecei a ver que aqueles troncos, tinham algo interessante, a sua cor era, dum amarelo em círculos de crescimento muito bem definidos com um núcleo central muito amarelinho, naquele instante estava a tarefa quase no fim, eu permanecia impávido e sereno a ver que tudo ia partir numa camioneta e não mais voltava a ver ramos iguais.

A voz quase preza nem uma só palavra, uma lágrima corre pela cara, o trabalhador apercebeu-se e exclama: então que se passa? Bem, vão levar todos os troncos e eu gostava de ter um, como pode ver o cerne desta madeira é lindo, será que me podiam dar aquele tronco, apontado com o dedo para um ramo, mais ou menos com doze centímetros de diâmetro. Vá, leve lá isso. Os meus agradecimentos! O meu contentamento foi enorme, dali até ao carro, parecia que ia pelo ar. Como estava verde tinha que esperar para fazer alguma coisa. Com este acontecimento comecei a verificar que muitas vezes temos que ter a necessária paciência, até que uma determinada madeira esteja pronta a ser utilizada.

Outro episódio, já começou a ser um hábito, é o da apanha da azeitona, nos últimos anos, passou a ser costume serem cortados ramos das oliveiras, alguns de grande porte, tudo porque o pessoal para andar por cima das árvores entrou em escassez. Ao fim do dia é meu habito ir arranjar alguns ramos, tirando a rama e fazendo um molho, para por no carro. Durante esta tarefa, estou sempre a ser contestado pela família que parece que ainda não aceitou esta minha ideia. Só dizem que o meu destino é mais para a escrita, e lidar com o papel. Mas eu não dou ouvidos e continuo a minha tarefa, ignorando por completo as vozes que se fazem ouvir.

Portanto a questão dos materiais e a necessária adequação dos mesmos ao que se pretende realizar, é considerado por mim de vital importância, o que me leva muito tempo a escolha da matéria-prima, porque não basta dizer que vou fazer isto ou aquilo, mas sim ponderar qual a madeira que se pode empregar nessa construção. São as minhas maiores dificuldades é sempre se a madeira escolhida dá um lindo produto final.

A procura de restos de madeiras, e de troncos abandonados, fazem parte do trabalho, para o artesão, é consciente que não deve derrubar arvores para as suas obras, mas sim tirar partido, em tudo aquilo que não é aproveitado. È a sua maior filosofia de vida que pretende levar a cabo, e é muito normal quando apresenta um trabalho tem o cuidado onde foi buscar a madeira para a execução do mesmo. A mais-valia para inverter o custo da sua peça e realçar o gosto que tem em que não deve ser visto como um rato destruidor de floresta.

Com a minha insistência as coisas muito lentamente vão mudando, senão vejamos agora um episódio inverso do que estava a acontecer. Um compadre, resolveu cortar um carvalho com algum porte, na altura que ia retalhar para a lareira, teve o cuidado de me por à disposição, se estaria interessado em algumas cavacas ou trocos, que podia passar por lá e fazer a escolha. Claro que fiquei muito encantado com a ideia, e lá consegui, dois grandes troncos e algumas cavacas e uns ramos de menor porte. Aqui, esta madeira de boa qualidade de carvalho nacional, vai ter muita utilidade, apenas terei a paciência de saber esperar que ela seque, neste caso à sombra, para poder resultar lindos trabalhos.

É de bom ver que logo imaginei qual o destino que podia dar, mas sem pressa, porque estou certo que dois a três anos será o tempo possível para secar. Mais uma vez saliento que um Artesão viciado, não vê dificuldades nem obstáculos às situações, pois ele está motivado pela simplicidade com que veste a sua camisola de Homem simples e humilde, não se poupando a esforços na sua caminhada.

Concluindo, nunca bastará ter muitas ideias, se depois não temos matéria-prima para as concluir. A recolha deve ser um ato constante e persistente, razão porque estou sempre motivado.

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Falando das poeiras morais que fizeram o nosso mundo…

Falando das poeiras morais que fizeram o nosso mundo…

… E de outras questões.

O que muda a moral de uma determinada época é, sem a menor dúvida, a evolução da consciência dos homens; assim, recuando dois mil anos na História do mundo, por altura das Civilizações Grega ou Romana, era aceitável que um Mestre de Filosofia, Matemática, Geometria, ou outras disciplinas do nascente mundo académico, pratica-se homoxesualidade com um dos seus discípulos, mormente aquele que mais se distinguia entre os seus iguais. Na altura não vinha mal algum ao mundo, antes pelo contrário, um acto espontâneo de ternura pelo bom aluno seria cousa saudável por essa época, talvez mesmo uma manifestação de respeito e carinho. Tudo estava conforme a Moral e os Bons Costumes desses tempos…

Quando, (séculos passados), se enaltece um amor de morrer entre um homem trintão ou quarentão, e uma menina com catorze anos, ainda que a prosa seja maravilhosa, (para mim, mesmo das mais belas do mundo ocidental), de acordo com as práticas aceites por esses tempos, estamos a tornar evidente a moral de então, desconforme com os padrões morais do nosso; hoje, repudiamos a pedofilia.

O Escritor, sempre que entra em confronto com as falsas virtudes do seu tempo, está a criar a janela através da qual se espreita o Futuro; novas realidades, nova Moral, um refrescar de Ideias e de conceitos que nos obrigam a pensar e a evoluir. Foi o que fez Eça de Queiroz, com o seu Crime do Padre Amaro, Virgílio Ferreira, com o romance Manhã Submersa, José Saramago, com O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Estudar as obras destes autores e aconselhar a ler as obras dos outros. Parece-me certo. O contrário, nunca. Mas, quem sou eu para botar faladora sobre assunto tão importante para a formação da nossa juventude? Ninguém, ou muita gente, depende. Então, sobre tão importante matéria, julgo que a saída possível passa por um referendo; isso, não tomar atitudes e decisões prepotentes, e escutar a voz dos interessados nesta matéria, pais e professores, educadores e outros. Se o mundo civilizado recorre ao referendo, porque não fazê-lo no nosso país? Ou não somos gente de bem, que queremos o melhor para o futuro das nossas crianças?

Nos tempos que correm não julgo de interesse público que o Ministro da Educação se debruce sobre esta questão; não digo que se deva abstrair de tão importante matéria, muito pelo contrário. O que, (a meu ver), acontece, é que se devem definir prioridades, e julgo que a fome que grassa nas nossas escolas, a doença, a miséria física e moral, a tristeza de pais cada vez mais pobres, por obra e graça de um governo pequeno de vontades e minúsculo nos seus valores morais, agarrado à nova disciplina que consiste em esmifrar de forma imparável e inconcebível um povo que hoje não dispõe de qualquer protecção Constitucional, indefeso, destruído, é assunto prioritário para um Ministro da Educação que se quer pessoa de bem. Mas, quem sou eu para mudar o mundo, ou dar palpites a tão sábia gente? Mudemos de assunto…

E de outras questões é feito este nosso pequeno rectângulo, debruçado, a sonhar aventuras num infinito oceano, por sobre as falésias, com lágrimas de saudade pelos que sempre partem na conquista do direito de comer, viver, ter felicidade de gente digna.

Recordo uma conversa ocasional que, tempos atrás, tive com uma compatriota em plena via pública. Falávamos sobre a mediocridade de quem nos governa, (a conversa do século), e eu disse: “Então e se não votássemos?” E a senhora, atónita, respondeu-me:” Não votar?! Nunca! Então não voto nos meus para os outros irem votar nos deles?” Pois, minha senhora, ilustre desconhecida, é pena que não leia estas despretensiosas linhas; eu, tendo ideais bem definidos, enquanto cidadão eleitor, ponho em primeiríssimo lugar os interesses do meu País, voto em consciência, na pessoa que entendo, (depois de analisar com minúcia o seu perfil e o seu historial cívico), e nunca, repito, NUNCA VOTO apenas porque o partido que comunga os meus ideais me aponta um nome como directriz. Recuso-me a não saber pensar; votar um simplório palerma e medíocre, de nome Sócrates, Seguro, Passos Coelho e etc. Saído duma juventude partidária fanática que alimenta oportunistas sem escrúpulos, ou num doutor advogado que, no período da manhã ganha fortunas numa empresa privada, e de tarde vai para uma assembleia da Republica fazer as leis que são favoráveis aos interesses dos privados para quem, na verdade, é fiel? Não! Para mim os interesses do todo que se chama Portugal, com toda a sua carga histórica, velhinha de novecentos anos, com a seiva que lhe alimenta a vida, que lhe corre nas veias, e que são as pessoas, é inegociável, e sobrepõe-se a todo e qualquer interesse pessoal. Primeiro o todo, e depois a parte.

Mas, minha senhora, agora que “os seus” e os “dos outros” lhe empobreceram a família, lhe arrancaram o direito de viver feliz, lhe esvaziaram a carteira, não será a hora, (de acordo com a sua lógica de vida), de, em conversa amena, lhes dizer: “Eu sempre lhes fui fiel nas urnas, e agora, enfim, para os amigos fiéis, os amigos de sempre, como eu, não se arranja aí uma sopinha?”

Mudemos de assunto, falemos de outras coisas, outras questões, outros ventos, outras lufadas de ar que nos afugente da cabeça as tristezas e as poeiras, que gente medonha nos atira para os olhos; em tempos idos, andei de namoro com uma brasileira. (Mas que coisa corriqueira e banal, qual o interesse nosso na sua antiga namorada), pensam vocês, e com razão. Calma. A referida senhora, desempoeirada de ideias, tinha um hábito, no mínimo sugeris; sempre que na via publica encontrava um sacerdote, pedia-lhe a bênção depois de lhe beijar respeitosamente a mão. Depois contribuía com vinte e cinco tostões para as suas obras de caridade; normalmente as criancinhas desvalidas ou as alminhas dos defuntos. Nunca percebi bem para que as alminhas lá do outro lado necessitavam do dinheiro, mas as coisas da fé, os dogmas, não se discutem. Depois a senhora dizia ao padre: “Reze por mim ao Senhor. Eu, que sou ateia, não sei como o fazer, mas sinto que tenho o direito de ser salva.”

Esta recordação ocorreu-me quando escutei o nosso Cardeal Patriarca admoestar o povo, que se manifesta por aí, pela rua, de forma ruidosa, a desfiar o seu eterno rosário de lamentos nunca escutados. Tem razão Eminência! O Seu rebanho tresmalhado sofre porque não sabe rezar. Não são ateus, não senhor, pois pagam os impostos, dão o presunto, o garrafão de azeite, as esmolas para as alminhas dos vivos e dos mortos, são de excelente boca porque comem de tudo, mas, rezar com afinco e Fé, aí, Eminência, deixam muito a desejar; e são brejeiros, os coitados, nas romarias escutam aquelas cantigas daquele talentoso jovem que canta: “O bacalhau quer alho” ou aquela do senhor instruído que canta: “Eu quero mamar nos peitos da cabritinha.” Pois, Eminência, rezar, propriamente, com intensa fé, arrancada do fundo da alma, lá isso não. Não sendo ateus são homens de pouca fé. Felizmente que Vossa Eminência sabe rezar. Reze por todos nós, Eminência; por nós e pelo Santo Padre lá no Vaticano, para que encerre os tais bordéis que se fala para aí que por lá existem, e para que o Banco do Vaticano não ceda à tentação de voltar a fazer negócios com a Máfia Siciliana, ou outra qualquer. Reze Eminência, para que o Senhor dos Exércitos, com a ponta da Sua Espada de Fogo nos mande uma Nova Inquisição para nos purificar a Alma, reze também por si e por mim, que tanto arredio estou dos Valores do Espírito…

A última e derradeira questão. Falar do nosso valente Exército. Irrita-me solenemente sempre que gritam aos quatro ventos que juraram dar a vida pela Pátria. É que revela ignorância quanto à realidade histórica do nosso País. Sempre tivemos incorporações obrigatórias em forças onde os militares não eram pagos, e sempre esses militares juraram dar a vida pela Pátria. Eu pelo menos jurei. E estou pronto a cumprir se a isso as apoquentações desta terra nos obrigarem. Eu estou aqui presente, ainda que velho, sempre servirei para alguma coisa. O que nos separa, meus senhores, são as realidades do ontem e do de hoje. Ontem morríamos na terra estranha de África, longe dos nossos, dos cheiros dos nossos campos, da nossa comida, dos familiares e amigos, dormíamos trinta ou quarenta homens em camaratas infestados de percevejos. Hoje vocês estão melhor; são pagos, têm melhor alojamento. Ainda bem. Mas lembrem-se que somos nós, (o povo), quem lhes paga os vencimentos, por pequenos que sejam. E nós, amigos, temos os bolsos secos de tanto e tão imundo roubo. NÃO TEMOS DINHEIRO e, em abono da verdade, nua e crua, também já não sentimos necessidade de ter um Exército clássico. É imperioso um novo paradigma, umas forças armadas com novas estratégias. Uns escassos milhares de homens de superior qualidade técnica, apoiados por reservas preparadas para a acção a qualquer momento, periodicamente treinadas. Na verdade, não lhes prevejo grande futuro, em particular se não compreendem com a rapidez que se impõe, os problemas que nesta hora de amargura amedrontam o povo português; senhores, para bom entendedor meia palavra basta!

José Solá

 

 

 

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PARABÉNS, RAMALHO ORTIGÃO !

 

Ramalho Ortigão nasceu no Porto, no dia 24 de Outubrode 1836 e viveu até 27 de Setembro de 1915.

Foi escritor, jornalista, professor, bibliotecário, crítico literário e cronista.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, excertos do livro “As Farpas”.

(…) Na política a nossa história actual é a abdicação por inépcia de todos os foros e de todas as franquias de liberdade conquistadas pela geração que nos precedeu. Vede a representação nacional. 0 nosso parlamento tem muitos defeitos, mas todos eles procedem de um vício capital, irremediável, sem cura – a incapacidade intelectual para compreender o maquinismo do mundo moderno, perceber a lei das novas evoluções sociais, e debater com perfeito conhecimento do sistema da universalidade moral que nos governa os altos interesses do tempo a que pertencemos. Com menos eloquência, com menos ardor, com menos fé que em 1836 os actuais deputados da nação vivem ainda a equilibrar as velhas dúvidas pulverulentas e desengonçadas do estabelecimento do sistema parlamentar. No entanto no resto do mundo os acontecimentos científicos, sociais e políticos precipitam-se vertiginosamente, criando transformações que os antigos tempos não viam senão de uma gestação de séculos. (…)

(…) Em Portugal sana-se a questão apagando as luzes e fechando à chave a sala das conferências democráticas. Têm os políticos portugueses alguma leve notícia do que se está passando no mundo? Ignoramo-lo. Os partidos avançados o que querem? Novas liberdades em uma Carta reformada e a máxima descentralização nos diferentes ramos da administração pública. Ora enquanto à liberdade está-se provando em cada dia que nem da que possuímos temos aprendido a usar. Enquanto à descentralização a civilização portuguesa pararia no dia em que a votassem. Quereis uma prova? Há distritos em que o número das escolas tem duplicado nos últimos anos; pois bem: o número dos alunos é igual ao do tempo em que as escolas eram de metade!”

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Éramos chuva e vento…

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Apresentação de Pagwagaya – Vila Velha de Ródão, 20 de Outubro, 17h

Cartaz da Apresentação em Vila Velha de Ródão

“… uma obra bem concebida, com uma história plausível, escrita num estilo muito acessível e com um ritmo narrativo que convida a uma leitura compulsiva e uma enorme vontade de saber o fim desta aventura.”

Sebastião Barata in Segredo dos Livros

No sábado 20 de Outubro, pelas 17 horas, vou apresentar e autografar o meu livro Pagwagaya em Vila Velha de Ródão, na Biblioteca Municipal José Baptista Martins.

Este é um local onde tenho especial prazer de apresentar o livro Pagwagaya já que é na zona onde a maior parte da aventura decorre. A apresentação está integrada numa actividade programada pela Bilbioteca mas para a apresentação em si não é necessária qualquer inscrição, basta aparecer.

Se achar que o livro e o seu tema lhe dizem alguma coisa venha conversar um pouco comigo no dia 20 de Outubro e aproveite para ver a projecção de imagens da Vila e das Portas de Ródão que está programada para depois da apresentação.

Veja o Website oficial do Livro Pagwagaya para mais informações, ou consulte o evento no facebook

Vemo-nos em Vila Velha de Ródão.

www.armandofrazao.com
http://pagwagaya.armandofrazao.com
http://facebook.com/pagwagaya
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Caminhar este silêncio…

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O vício do Artesão Orlando Nesperal

CONTINUAÇÃO                                   

                                                                As ferramentas

 

As ferramentas são os objectos, só pela sua forma e graciosidade dos mesmos, esquecendo a sua utilidade, podemos considera-los como simples bibelôs. Não nos podemos esquecer, que antes do aparecimento da electricidade, não havia necessidade de fazer destrinça entre manuais mecânicos e manuais eléctricos. Para uma melhor compreensão irei escrever sobre ferramentas manuais e mecânicas de uso pessoal e com a aplicação mais direta para madeira, deixando para mais á frente falar sobre as eléctricas.

Como é normal quase todos os seres humanos, ao constituírem família, ao deixarem a casa dos pais, é quase comum fazer parte de muitas coisas para a nova casa, também fazer inserir um kit de ferramenta, onde o martelo, alicate, chave de fendas e serrote seja uma obrigatoriedade. Mas talvez seja mais interessante aplicar o meu caso, embora eu não seja um bom exemplo, porque no dizer dum ex-patrão, o qual dizia: – que eu era a excepção.

Aplicando o meu caso, o meu conjunto era formado: martelo comum, um alicate universal, um serrote com vários tipos de folha, uma polina de topos, um nível de bolha de ar e uma chave tipo inglesa para apertar e desapertar porcas, como sabia que tinha que ir pintar a casa, uma trincha. Durante muitos anos aqueles simples objetos serviram plenamente as minhas necessidade, tanto por não ter espaço para os mesmos, como não tinha interesse nos mesmos. Quando havia uma necessidade mais premente ou especial, recorria a um vizinho, que já possuía um bom arsenal, mas parecia-me que tudo aquilo me passava ao lado.

Até chegar ao que tenho hoje, não fazia muito sentido, os trabalhos era inexistentes, apenas se confinavam à pintura da casa de tempos a tempos, daí adquirir, um conjunto para pinturas, com um tabuleiro, rolo e mais uma ou duas trinchas, tudo quanto basta para os trabalhos em mãos. Parecendo que não fazia sentido, e com pouco espaço, iniciei a marcha de comprar mais algumas ferramentas manuais, tais como: chaves de fendas, chave de estrelas, também conhecida por Philips, um pequeno serrote para ferro, um maço de borracha, que teve muita utilidade, quando coloquei os azulejos no chão da sala, uma caixa para ordenar parafusos, uma torniquete de aplicações de caixa, para apertar e desapertar parafusos. Com este material, senti a necessidade de comprar uma caixa que passei a chamar a caixa da ferramenta.

Com a compra da casa de Cernache do Bonjardim, em especial a garagem, é o despoletar, de novas ideias, cuja uma das grandes cruzadas foi dar inicio da compra de ferramentas sobretudo manuais, com o destino não sabia bem para que. Mas sentia-me um pouco realizado, na procura de ferramentas começando-me a direccionar para a madeira, neste sentido, os conjuntos de formões, das goivas, da brocas, martelos e mais martelos, uma caixa de ferramentas multiusos, serras e serrotes, chaves de fendas e de estrelas, tudo a avulso, um molde de cortes de ½ esquadria e cortes rectos. As lixas, os raspadores, a machada, catana, polaina antiga, uma enchó, torno e engenho de furar para adaptar o berbequim as descrições podiam continuar até fazer um inventário mais completo, mas muito destas ferramentas vai ao gosto pessoal de cada um. Bem sabemos que muitos dos artesões, começam por fazer eles próprios as suas ferramentas.

Nestas buscas que muitas vezes quase doentias, vem a descoberta das ferramentas miniaturas, já não chegando as normais nasce a paixão pelas ferramenta-miniaturas, neste mundo os intermutáveis, são uma descoberta, os fins a que cada uma se destina, a aprendizagem de cada uma, muito se assemelha a um curso profissional. Ligando o tempo que se passou na Internet, a ver o que existia no mercado e onde se podia comprar e quais os preços.

A grosso modo é o que se passou, na onda das ferramentas manuais mecânicas, tudo se ia completando, e ia engrossando o leque, porque a tudo isto ia aumentando o que devia fazer com este arsenal de ferramentas que comecei a organizar em caixinhas e ordenado em prateleiras. Mas trabalhos nada.

Não contente com este mundo, outro aparece, as ferramentas manuais eléctricas, são estas que vão completar o já denominado Atliê: Marcenaria, Gravações e Restauro, o que já começa a existir uma ideia coordenada e um pensamento de orientação. Claro que as eléctricas, pelo seu valor a decisão era sempre mais ponderada, o simples berbequim já comum na maioria das habitações, juntar uma lixadeira, uma serra tico-tico, uma parafusadora normal e uma nini, uma polaina eléctrica, ferro de soldar, um para cada potência, e aquela Dremel, de gravações e a excelência da nini multi-funções apetrechada com imensas peças de intermutáveis, muito mais ainda se podia ter, mas nem sempre se pode ter tudo, quando o rumo está apenas como ideia.

Finalmente a ideia, começou a ter um rumo claro e definido, …tenho que por estas ferramentas a serem utilizadas, como é o que falta fazer, pegando na imagem já existente no pensamento, de transformar a parte da garagem num Atelier, para tanto era fazer uma arrumação mais própria e com algumas prateleiras onde a disposição, fosse uma imagem desse local. Feito este trabalho, persiste a ideia qual as coisas que me podiam dar motivação, para que tudo isto não fosse uma miragem. Mas confesso que só por si, as ferramentas tanto manuais mecânicas e as manuais eléctricas são uma gracinha, e as minis parecem os filhotes à volta dos pais.

A Continuar. no próximo POST

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O futuro risonho…

O futuro risonho…

… que os artistas da bola que hoje nos governam, nos servem numa bandeja de prata; são esses artistas do folclore político português: O PRIMEIRO – MINISTRO, O MINISTRO DAS FINANÇAS (PESSOA DE MÉRITOS INTERNACIONAIS BEM RECONHECIDOS POR TERRAS DESSA EUROPA QUE TANTO NOS AMA).

 

Texto extraído do romance Ganância, publicado em Setembro de 2011, e escrito na segunda metade do ano de 2010

 

(…)O talhão onde se situa a capital do país extinto ficou na posse de um credor com menos escrúpulos, desses que se divertem a comprar grandes empresas falidas, e as fragmentam para as revenderem por melhor preço.

O imponente edifício onde funcionou pelos anos fora a Assembleia da República foi comprado por uma empresa chinesa de supermercados, a Tau Ji Tau, e agora, na entrada do enorme edifício, vê-se dois budas gigantescos pintados de tinta dourada, e uma perfusão de balões coloridos. Até que a decoração exterior não está má. No interior, no hemiciclo, os novos proprietários estabeleceram as hortaliças e as frutas, e nas galerias destinadas ao público colocaram os sectores do peixe e das carnes. Nos amplos corredores estabeleceram o pronto-a-vestir, as lojas de brique à braque, as revistas e os cafés. No seu conjunto a antiga assembleia passou a ser um lugar aprazível para quem tem pouco dinheiro passar um domingo, a ver os preços e as montras.

Menos sorte teve a habitação oficial do senhor primeiro-ministro. Foi adquirida por uma empresa ibérica dedicada ao cinema, à produção em série de filmes pornográficos, e desde, a bem dizer, a primeira hora, que caiu em desgraça na opinião do pouco povo que ficou na capital, por uns por razões religiosas, por outros, os seguidores das ultimas politicas, porque rejeitaram dar emprego aos poucos deputados e deputadas que não saíram do país, alegando razões inestéticas, resultantes de idades já avançadas…

Mas foi assim tão calma e pacifica a entrega do território nacional, às mãos criminosas e maculadas dos credores? Não, que ideia! Nos montes Hermínio um punhado de homens e mulheres capitaneados por um Viriato, descendente de uma das famílias mais antigos do mundo destas bandas, ocuparam as tocas e as cavernas, vestiram peles de lobo, e pegaram nas armas tradicionais dos bravos lusitanos, as fundas e os cacetes, e também por terras de Tomar toda a classe média que o antigo regímen não conseguiu exterminar, juntaram-se aos últimos descendentes dos templários, numa luta feroz e sem tréguas pela sobrevivência da Pátria. Os fantasmas dos velhos Marinheiros de ossos mostrados pelas feridas dos combates vieram também, juntamente com os guerreiros que fundaram a Nacionalidade, e foram o garante de que esta terra, uma vez liberta, vai continuar a ser nossa… (…)

 

 

 

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