Falando das poeiras morais que fizeram o nosso mundo…

Falando das poeiras morais que fizeram o nosso mundo…

… E de outras questões.

O que muda a moral de uma determinada época é, sem a menor dúvida, a evolução da consciência dos homens; assim, recuando dois mil anos na História do mundo, por altura das Civilizações Grega ou Romana, era aceitável que um Mestre de Filosofia, Matemática, Geometria, ou outras disciplinas do nascente mundo académico, pratica-se homoxesualidade com um dos seus discípulos, mormente aquele que mais se distinguia entre os seus iguais. Na altura não vinha mal algum ao mundo, antes pelo contrário, um acto espontâneo de ternura pelo bom aluno seria cousa saudável por essa época, talvez mesmo uma manifestação de respeito e carinho. Tudo estava conforme a Moral e os Bons Costumes desses tempos…

Quando, (séculos passados), se enaltece um amor de morrer entre um homem trintão ou quarentão, e uma menina com catorze anos, ainda que a prosa seja maravilhosa, (para mim, mesmo das mais belas do mundo ocidental), de acordo com as práticas aceites por esses tempos, estamos a tornar evidente a moral de então, desconforme com os padrões morais do nosso; hoje, repudiamos a pedofilia.

O Escritor, sempre que entra em confronto com as falsas virtudes do seu tempo, está a criar a janela através da qual se espreita o Futuro; novas realidades, nova Moral, um refrescar de Ideias e de conceitos que nos obrigam a pensar e a evoluir. Foi o que fez Eça de Queiroz, com o seu Crime do Padre Amaro, Virgílio Ferreira, com o romance Manhã Submersa, José Saramago, com O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Estudar as obras destes autores e aconselhar a ler as obras dos outros. Parece-me certo. O contrário, nunca. Mas, quem sou eu para botar faladora sobre assunto tão importante para a formação da nossa juventude? Ninguém, ou muita gente, depende. Então, sobre tão importante matéria, julgo que a saída possível passa por um referendo; isso, não tomar atitudes e decisões prepotentes, e escutar a voz dos interessados nesta matéria, pais e professores, educadores e outros. Se o mundo civilizado recorre ao referendo, porque não fazê-lo no nosso país? Ou não somos gente de bem, que queremos o melhor para o futuro das nossas crianças?

Nos tempos que correm não julgo de interesse público que o Ministro da Educação se debruce sobre esta questão; não digo que se deva abstrair de tão importante matéria, muito pelo contrário. O que, (a meu ver), acontece, é que se devem definir prioridades, e julgo que a fome que grassa nas nossas escolas, a doença, a miséria física e moral, a tristeza de pais cada vez mais pobres, por obra e graça de um governo pequeno de vontades e minúsculo nos seus valores morais, agarrado à nova disciplina que consiste em esmifrar de forma imparável e inconcebível um povo que hoje não dispõe de qualquer protecção Constitucional, indefeso, destruído, é assunto prioritário para um Ministro da Educação que se quer pessoa de bem. Mas, quem sou eu para mudar o mundo, ou dar palpites a tão sábia gente? Mudemos de assunto…

E de outras questões é feito este nosso pequeno rectângulo, debruçado, a sonhar aventuras num infinito oceano, por sobre as falésias, com lágrimas de saudade pelos que sempre partem na conquista do direito de comer, viver, ter felicidade de gente digna.

Recordo uma conversa ocasional que, tempos atrás, tive com uma compatriota em plena via pública. Falávamos sobre a mediocridade de quem nos governa, (a conversa do século), e eu disse: “Então e se não votássemos?” E a senhora, atónita, respondeu-me:” Não votar?! Nunca! Então não voto nos meus para os outros irem votar nos deles?” Pois, minha senhora, ilustre desconhecida, é pena que não leia estas despretensiosas linhas; eu, tendo ideais bem definidos, enquanto cidadão eleitor, ponho em primeiríssimo lugar os interesses do meu País, voto em consciência, na pessoa que entendo, (depois de analisar com minúcia o seu perfil e o seu historial cívico), e nunca, repito, NUNCA VOTO apenas porque o partido que comunga os meus ideais me aponta um nome como directriz. Recuso-me a não saber pensar; votar um simplório palerma e medíocre, de nome Sócrates, Seguro, Passos Coelho e etc. Saído duma juventude partidária fanática que alimenta oportunistas sem escrúpulos, ou num doutor advogado que, no período da manhã ganha fortunas numa empresa privada, e de tarde vai para uma assembleia da Republica fazer as leis que são favoráveis aos interesses dos privados para quem, na verdade, é fiel? Não! Para mim os interesses do todo que se chama Portugal, com toda a sua carga histórica, velhinha de novecentos anos, com a seiva que lhe alimenta a vida, que lhe corre nas veias, e que são as pessoas, é inegociável, e sobrepõe-se a todo e qualquer interesse pessoal. Primeiro o todo, e depois a parte.

Mas, minha senhora, agora que “os seus” e os “dos outros” lhe empobreceram a família, lhe arrancaram o direito de viver feliz, lhe esvaziaram a carteira, não será a hora, (de acordo com a sua lógica de vida), de, em conversa amena, lhes dizer: “Eu sempre lhes fui fiel nas urnas, e agora, enfim, para os amigos fiéis, os amigos de sempre, como eu, não se arranja aí uma sopinha?”

Mudemos de assunto, falemos de outras coisas, outras questões, outros ventos, outras lufadas de ar que nos afugente da cabeça as tristezas e as poeiras, que gente medonha nos atira para os olhos; em tempos idos, andei de namoro com uma brasileira. (Mas que coisa corriqueira e banal, qual o interesse nosso na sua antiga namorada), pensam vocês, e com razão. Calma. A referida senhora, desempoeirada de ideias, tinha um hábito, no mínimo sugeris; sempre que na via publica encontrava um sacerdote, pedia-lhe a bênção depois de lhe beijar respeitosamente a mão. Depois contribuía com vinte e cinco tostões para as suas obras de caridade; normalmente as criancinhas desvalidas ou as alminhas dos defuntos. Nunca percebi bem para que as alminhas lá do outro lado necessitavam do dinheiro, mas as coisas da fé, os dogmas, não se discutem. Depois a senhora dizia ao padre: “Reze por mim ao Senhor. Eu, que sou ateia, não sei como o fazer, mas sinto que tenho o direito de ser salva.”

Esta recordação ocorreu-me quando escutei o nosso Cardeal Patriarca admoestar o povo, que se manifesta por aí, pela rua, de forma ruidosa, a desfiar o seu eterno rosário de lamentos nunca escutados. Tem razão Eminência! O Seu rebanho tresmalhado sofre porque não sabe rezar. Não são ateus, não senhor, pois pagam os impostos, dão o presunto, o garrafão de azeite, as esmolas para as alminhas dos vivos e dos mortos, são de excelente boca porque comem de tudo, mas, rezar com afinco e Fé, aí, Eminência, deixam muito a desejar; e são brejeiros, os coitados, nas romarias escutam aquelas cantigas daquele talentoso jovem que canta: “O bacalhau quer alho” ou aquela do senhor instruído que canta: “Eu quero mamar nos peitos da cabritinha.” Pois, Eminência, rezar, propriamente, com intensa fé, arrancada do fundo da alma, lá isso não. Não sendo ateus são homens de pouca fé. Felizmente que Vossa Eminência sabe rezar. Reze por todos nós, Eminência; por nós e pelo Santo Padre lá no Vaticano, para que encerre os tais bordéis que se fala para aí que por lá existem, e para que o Banco do Vaticano não ceda à tentação de voltar a fazer negócios com a Máfia Siciliana, ou outra qualquer. Reze Eminência, para que o Senhor dos Exércitos, com a ponta da Sua Espada de Fogo nos mande uma Nova Inquisição para nos purificar a Alma, reze também por si e por mim, que tanto arredio estou dos Valores do Espírito…

A última e derradeira questão. Falar do nosso valente Exército. Irrita-me solenemente sempre que gritam aos quatro ventos que juraram dar a vida pela Pátria. É que revela ignorância quanto à realidade histórica do nosso País. Sempre tivemos incorporações obrigatórias em forças onde os militares não eram pagos, e sempre esses militares juraram dar a vida pela Pátria. Eu pelo menos jurei. E estou pronto a cumprir se a isso as apoquentações desta terra nos obrigarem. Eu estou aqui presente, ainda que velho, sempre servirei para alguma coisa. O que nos separa, meus senhores, são as realidades do ontem e do de hoje. Ontem morríamos na terra estranha de África, longe dos nossos, dos cheiros dos nossos campos, da nossa comida, dos familiares e amigos, dormíamos trinta ou quarenta homens em camaratas infestados de percevejos. Hoje vocês estão melhor; são pagos, têm melhor alojamento. Ainda bem. Mas lembrem-se que somos nós, (o povo), quem lhes paga os vencimentos, por pequenos que sejam. E nós, amigos, temos os bolsos secos de tanto e tão imundo roubo. NÃO TEMOS DINHEIRO e, em abono da verdade, nua e crua, também já não sentimos necessidade de ter um Exército clássico. É imperioso um novo paradigma, umas forças armadas com novas estratégias. Uns escassos milhares de homens de superior qualidade técnica, apoiados por reservas preparadas para a acção a qualquer momento, periodicamente treinadas. Na verdade, não lhes prevejo grande futuro, em particular se não compreendem com a rapidez que se impõe, os problemas que nesta hora de amargura amedrontam o povo português; senhores, para bom entendedor meia palavra basta!

José Solá

 

 

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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