O Vício do Artesão Orlando Nesperal

Continuação;

                                                                  Os Materiais

 

               Arrumadas que estão as ferramentas, á que ir em busca dos materiais adequados à realização do que pensava fazer, digamos em boa da verdade, foi este trabalho que encontrei o caminho certo, dado as ideias iam nascendo conforme ia encontrando os respectivos materiais, que neste momento eram apenas uns simples paus toscos. Mas eu ao olhar para eles já encontrava alguma forma, é aqui que o verdadeiro Artesão se situa, ver o que os outros não vêm ao olharem a mesma coisa. Então desperta um sentimento muito grande; “O Vicio do Artesão”, que é, para onde quer que vá, tem sempre presente ao olhar para qualquer ramo ou tábua, primeiro identificar a que árvore pertenceu e de imediato para que serve. Esta a sua essência,” claro na minha opinião”.

Quem muitas vezes olha para este tipo de cidadão, que revolta os caixotes dos desperdícios das carpintarias, em busca de pequenos fragmentos para lhe dar alguma utilidade. E casos há, que no lixo em geral também encontra alguma coisa que para muitos não tem utilidade. Para tudo isto, é necessário alguma coragem e possuir uma personalidade muito forte, porque sabe que está a ser julgado duma forma injusta para quem o olha e há casos quem se lamentam, dizendo: “Ao que isto chegou”. È esta caminhada que se propõe o Artesão, porque se recorrer aos originais de materiais que estão à venda nas casas da especialidade, duas coisas acontecem, ou são caros ou as quantidades mínimas são muito para um simples trabalho.

Fora dos centros urbanos as coisas passam-se não com tanta visibilidade, mas o Artesão está sempre com a ideia desperta, acabando onde quer que vá, lá traz um ramo duma árvore ou qualquer tronco, que viu nele uma utilidade. Muita das vezes o carro já está muito composto. A tudo isto vai colocando, neste caso na garagem arrumados à espera que venha o dia de por em prática, ou preencher uma necessidade que entretanto houve necessidade.

Deixar aqui alguns episódios seja uma boa forma de poder esclarecer muitas das atitudes que se tem. Andando a fazer uma simples caminhada, é confrontado com uma árvore que durante a noite caiu com vendaval. Quando dou por mim, que a mesma estava a ser traçada pelos funcionários da Camara para a levarem para um destino, fiquei sem saber qual. Nada disto tinha importância, só que parei a caminhada e fui ver como era cortada a árvore que neste caso uma amoreira já de algum porte, ali especado como uma estátua assistia aquela azáfama, e comecei a ver que aqueles troncos, tinham algo interessante, a sua cor era, dum amarelo em círculos de crescimento muito bem definidos com um núcleo central muito amarelinho, naquele instante estava a tarefa quase no fim, eu permanecia impávido e sereno a ver que tudo ia partir numa camioneta e não mais voltava a ver ramos iguais.

A voz quase preza nem uma só palavra, uma lágrima corre pela cara, o trabalhador apercebeu-se e exclama: então que se passa? Bem, vão levar todos os troncos e eu gostava de ter um, como pode ver o cerne desta madeira é lindo, será que me podiam dar aquele tronco, apontado com o dedo para um ramo, mais ou menos com doze centímetros de diâmetro. Vá, leve lá isso. Os meus agradecimentos! O meu contentamento foi enorme, dali até ao carro, parecia que ia pelo ar. Como estava verde tinha que esperar para fazer alguma coisa. Com este acontecimento comecei a verificar que muitas vezes temos que ter a necessária paciência, até que uma determinada madeira esteja pronta a ser utilizada.

Outro episódio, já começou a ser um hábito, é o da apanha da azeitona, nos últimos anos, passou a ser costume serem cortados ramos das oliveiras, alguns de grande porte, tudo porque o pessoal para andar por cima das árvores entrou em escassez. Ao fim do dia é meu habito ir arranjar alguns ramos, tirando a rama e fazendo um molho, para por no carro. Durante esta tarefa, estou sempre a ser contestado pela família que parece que ainda não aceitou esta minha ideia. Só dizem que o meu destino é mais para a escrita, e lidar com o papel. Mas eu não dou ouvidos e continuo a minha tarefa, ignorando por completo as vozes que se fazem ouvir.

Portanto a questão dos materiais e a necessária adequação dos mesmos ao que se pretende realizar, é considerado por mim de vital importância, o que me leva muito tempo a escolha da matéria-prima, porque não basta dizer que vou fazer isto ou aquilo, mas sim ponderar qual a madeira que se pode empregar nessa construção. São as minhas maiores dificuldades é sempre se a madeira escolhida dá um lindo produto final.

A procura de restos de madeiras, e de troncos abandonados, fazem parte do trabalho, para o artesão, é consciente que não deve derrubar arvores para as suas obras, mas sim tirar partido, em tudo aquilo que não é aproveitado. È a sua maior filosofia de vida que pretende levar a cabo, e é muito normal quando apresenta um trabalho tem o cuidado onde foi buscar a madeira para a execução do mesmo. A mais-valia para inverter o custo da sua peça e realçar o gosto que tem em que não deve ser visto como um rato destruidor de floresta.

Com a minha insistência as coisas muito lentamente vão mudando, senão vejamos agora um episódio inverso do que estava a acontecer. Um compadre, resolveu cortar um carvalho com algum porte, na altura que ia retalhar para a lareira, teve o cuidado de me por à disposição, se estaria interessado em algumas cavacas ou trocos, que podia passar por lá e fazer a escolha. Claro que fiquei muito encantado com a ideia, e lá consegui, dois grandes troncos e algumas cavacas e uns ramos de menor porte. Aqui, esta madeira de boa qualidade de carvalho nacional, vai ter muita utilidade, apenas terei a paciência de saber esperar que ela seque, neste caso à sombra, para poder resultar lindos trabalhos.

É de bom ver que logo imaginei qual o destino que podia dar, mas sem pressa, porque estou certo que dois a três anos será o tempo possível para secar. Mais uma vez saliento que um Artesão viciado, não vê dificuldades nem obstáculos às situações, pois ele está motivado pela simplicidade com que veste a sua camisola de Homem simples e humilde, não se poupando a esforços na sua caminhada.

Concluindo, nunca bastará ter muitas ideias, se depois não temos matéria-prima para as concluir. A recolha deve ser um ato constante e persistente, razão porque estou sempre motivado.

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Sobre orlandonesperal

Autodidacta, futurólogo, tendo como o principio, que a mente é o local donde nasce o mundo novo. Ao controlar os pensamentos está a controlar o seu destino.
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Uma resposta a O Vício do Artesão Orlando Nesperal

  1. Mais um capitulo, para ficar na história deste v/amigo artesão.

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