O futuro risonho…

O futuro risonho…

… que os artistas da bola que hoje nos governam, nos servem numa bandeja de prata; são esses artistas do folclore político português: O PRIMEIRO – MINISTRO, O MINISTRO DAS FINANÇAS (PESSOA DE MÉRITOS INTERNACIONAIS BEM RECONHECIDOS POR TERRAS DESSA EUROPA QUE TANTO NOS AMA).

 

Texto extraído do romance Ganância, publicado em Setembro de 2011, e escrito na segunda metade do ano de 2010

 

(…)O talhão onde se situa a capital do país extinto ficou na posse de um credor com menos escrúpulos, desses que se divertem a comprar grandes empresas falidas, e as fragmentam para as revenderem por melhor preço.

O imponente edifício onde funcionou pelos anos fora a Assembleia da República foi comprado por uma empresa chinesa de supermercados, a Tau Ji Tau, e agora, na entrada do enorme edifício, vê-se dois budas gigantescos pintados de tinta dourada, e uma perfusão de balões coloridos. Até que a decoração exterior não está má. No interior, no hemiciclo, os novos proprietários estabeleceram as hortaliças e as frutas, e nas galerias destinadas ao público colocaram os sectores do peixe e das carnes. Nos amplos corredores estabeleceram o pronto-a-vestir, as lojas de brique à braque, as revistas e os cafés. No seu conjunto a antiga assembleia passou a ser um lugar aprazível para quem tem pouco dinheiro passar um domingo, a ver os preços e as montras.

Menos sorte teve a habitação oficial do senhor primeiro-ministro. Foi adquirida por uma empresa ibérica dedicada ao cinema, à produção em série de filmes pornográficos, e desde, a bem dizer, a primeira hora, que caiu em desgraça na opinião do pouco povo que ficou na capital, por uns por razões religiosas, por outros, os seguidores das ultimas politicas, porque rejeitaram dar emprego aos poucos deputados e deputadas que não saíram do país, alegando razões inestéticas, resultantes de idades já avançadas…

Mas foi assim tão calma e pacifica a entrega do território nacional, às mãos criminosas e maculadas dos credores? Não, que ideia! Nos montes Hermínio um punhado de homens e mulheres capitaneados por um Viriato, descendente de uma das famílias mais antigos do mundo destas bandas, ocuparam as tocas e as cavernas, vestiram peles de lobo, e pegaram nas armas tradicionais dos bravos lusitanos, as fundas e os cacetes, e também por terras de Tomar toda a classe média que o antigo regímen não conseguiu exterminar, juntaram-se aos últimos descendentes dos templários, numa luta feroz e sem tréguas pela sobrevivência da Pátria. Os fantasmas dos velhos Marinheiros de ossos mostrados pelas feridas dos combates vieram também, juntamente com os guerreiros que fundaram a Nacionalidade, e foram o garante de que esta terra, uma vez liberta, vai continuar a ser nossa… (…)

 

 

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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