O vício do Artesão Orlando Nesperal

CONTINUAÇÃO                                   

                                                                As ferramentas

 

As ferramentas são os objectos, só pela sua forma e graciosidade dos mesmos, esquecendo a sua utilidade, podemos considera-los como simples bibelôs. Não nos podemos esquecer, que antes do aparecimento da electricidade, não havia necessidade de fazer destrinça entre manuais mecânicos e manuais eléctricos. Para uma melhor compreensão irei escrever sobre ferramentas manuais e mecânicas de uso pessoal e com a aplicação mais direta para madeira, deixando para mais á frente falar sobre as eléctricas.

Como é normal quase todos os seres humanos, ao constituírem família, ao deixarem a casa dos pais, é quase comum fazer parte de muitas coisas para a nova casa, também fazer inserir um kit de ferramenta, onde o martelo, alicate, chave de fendas e serrote seja uma obrigatoriedade. Mas talvez seja mais interessante aplicar o meu caso, embora eu não seja um bom exemplo, porque no dizer dum ex-patrão, o qual dizia: – que eu era a excepção.

Aplicando o meu caso, o meu conjunto era formado: martelo comum, um alicate universal, um serrote com vários tipos de folha, uma polina de topos, um nível de bolha de ar e uma chave tipo inglesa para apertar e desapertar porcas, como sabia que tinha que ir pintar a casa, uma trincha. Durante muitos anos aqueles simples objetos serviram plenamente as minhas necessidade, tanto por não ter espaço para os mesmos, como não tinha interesse nos mesmos. Quando havia uma necessidade mais premente ou especial, recorria a um vizinho, que já possuía um bom arsenal, mas parecia-me que tudo aquilo me passava ao lado.

Até chegar ao que tenho hoje, não fazia muito sentido, os trabalhos era inexistentes, apenas se confinavam à pintura da casa de tempos a tempos, daí adquirir, um conjunto para pinturas, com um tabuleiro, rolo e mais uma ou duas trinchas, tudo quanto basta para os trabalhos em mãos. Parecendo que não fazia sentido, e com pouco espaço, iniciei a marcha de comprar mais algumas ferramentas manuais, tais como: chaves de fendas, chave de estrelas, também conhecida por Philips, um pequeno serrote para ferro, um maço de borracha, que teve muita utilidade, quando coloquei os azulejos no chão da sala, uma caixa para ordenar parafusos, uma torniquete de aplicações de caixa, para apertar e desapertar parafusos. Com este material, senti a necessidade de comprar uma caixa que passei a chamar a caixa da ferramenta.

Com a compra da casa de Cernache do Bonjardim, em especial a garagem, é o despoletar, de novas ideias, cuja uma das grandes cruzadas foi dar inicio da compra de ferramentas sobretudo manuais, com o destino não sabia bem para que. Mas sentia-me um pouco realizado, na procura de ferramentas começando-me a direccionar para a madeira, neste sentido, os conjuntos de formões, das goivas, da brocas, martelos e mais martelos, uma caixa de ferramentas multiusos, serras e serrotes, chaves de fendas e de estrelas, tudo a avulso, um molde de cortes de ½ esquadria e cortes rectos. As lixas, os raspadores, a machada, catana, polaina antiga, uma enchó, torno e engenho de furar para adaptar o berbequim as descrições podiam continuar até fazer um inventário mais completo, mas muito destas ferramentas vai ao gosto pessoal de cada um. Bem sabemos que muitos dos artesões, começam por fazer eles próprios as suas ferramentas.

Nestas buscas que muitas vezes quase doentias, vem a descoberta das ferramentas miniaturas, já não chegando as normais nasce a paixão pelas ferramenta-miniaturas, neste mundo os intermutáveis, são uma descoberta, os fins a que cada uma se destina, a aprendizagem de cada uma, muito se assemelha a um curso profissional. Ligando o tempo que se passou na Internet, a ver o que existia no mercado e onde se podia comprar e quais os preços.

A grosso modo é o que se passou, na onda das ferramentas manuais mecânicas, tudo se ia completando, e ia engrossando o leque, porque a tudo isto ia aumentando o que devia fazer com este arsenal de ferramentas que comecei a organizar em caixinhas e ordenado em prateleiras. Mas trabalhos nada.

Não contente com este mundo, outro aparece, as ferramentas manuais eléctricas, são estas que vão completar o já denominado Atliê: Marcenaria, Gravações e Restauro, o que já começa a existir uma ideia coordenada e um pensamento de orientação. Claro que as eléctricas, pelo seu valor a decisão era sempre mais ponderada, o simples berbequim já comum na maioria das habitações, juntar uma lixadeira, uma serra tico-tico, uma parafusadora normal e uma nini, uma polaina eléctrica, ferro de soldar, um para cada potência, e aquela Dremel, de gravações e a excelência da nini multi-funções apetrechada com imensas peças de intermutáveis, muito mais ainda se podia ter, mas nem sempre se pode ter tudo, quando o rumo está apenas como ideia.

Finalmente a ideia, começou a ter um rumo claro e definido, …tenho que por estas ferramentas a serem utilizadas, como é o que falta fazer, pegando na imagem já existente no pensamento, de transformar a parte da garagem num Atelier, para tanto era fazer uma arrumação mais própria e com algumas prateleiras onde a disposição, fosse uma imagem desse local. Feito este trabalho, persiste a ideia qual as coisas que me podiam dar motivação, para que tudo isto não fosse uma miragem. Mas confesso que só por si, as ferramentas tanto manuais mecânicas e as manuais eléctricas são uma gracinha, e as minis parecem os filhotes à volta dos pais.

A Continuar. no próximo POST

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Sobre orlandonesperal

Autodidacta, futurólogo, tendo como o principio, que a mente é o local donde nasce o mundo novo. Ao controlar os pensamentos está a controlar o seu destino.
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Uma resposta a O vício do Artesão Orlando Nesperal

  1. Mais um capitulo do livro que marcha, duma forma simples mas prática.
    Orlando Nesperal

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