“JUNTOS PARA SEMPRE” – Romance

                 

 

                     PREFÁCIO

          Esta obra é extraordinariamente complexa na sua simplicidade. Ao lê-la, recorto pedaços da sensibilidade do autor que, por conhecê-lo tão bem, não me perplexa. Com ela, surge um culminar de talento que finalmente será exposto ao mundo. Sempre achei que tais palavras não poderiam ficar guardadas numa gaveta para a eternidade, mas sim partilhadas para quem as quiser receber.

          O leitor terá o prazer de navegar por um romance distinto, no qual se cruza história com ficção. As personagens estão carregadas de um significado peculiar e as acções não carecem de riqueza.

          Na minha opinião, é precisamente isto que procuro num livro: a possibilidade de interpretar, de conhecer realidades muitas vezes ocultas, que tantos temem em revelar. Realidades que todos conhecem mas que o estigma disfarça com sorrisos forjados e com a ingenuidade forçada de que as vidas são contos de fadas.

          Para além do conteúdo deste livro, o leitor terá um primeiro contacto com o autor. Não é por ser meu pai que escrevo este texto e muito menos por ser uma obra publicada. Faço-o agora como tantas vezes já o realizei nos dias banais. Digo-o com a convicção que sempre existiu nas minhas palavras. O orgulho que tenho pelo meu pai passa pelos vincados talentos que envolvem não só a escrita, mas também a pintura e o gosto pela política. A realidade é que o meu pai não é um simples corpo que decidiu juntar algumas ideias e publicá-las. Este livro surgiu de uma coesão de experiência, de conhecimento e principalmente de humanidade.

        É com grande honra que vos convido a ler esta obra que tantas vezes reli e que me parece sempre única.

Carolina Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, 11 em Lisboa ou através do site: www.sitiodolivro.pt

 

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O poder de uma fada ( de Danilo Pereira )

Nos contos e fábulas nórdicas, as fadas, são seres divinos dotados de um grandioso poder. Por serem pequeninas e delicadas, muitas delas se escondem em baús e frascos, trazendo muitos benefícios à aqueles que as encontram. Uma fada, pode curar e até mesmo dar vida a um guerreiro que possuir muita fé, ou seja, muita crença nos Deuses, pois estes seres diminutos, nascem dos feixes da grande árvore da vida Yggdrasil, que as enviam à terra com a missão de socorrer os necessitados.

Como podem ver na ilustração, o guerreiro Wolfgang, que se aventurou por uma certa região nórdica, encontrou um baú que parecia ser encantado, e de fato era, pois ao abri-lo, ele encontrou uma fada que saltou num pulo por uma luz esverdeada, oferecendo-lhe o elixir dos Deuses, que serve para fortalecer o espírito de um guerreiro.

Wolfgang é dotado de muita fé, pois se não o fosse, jamais teria encontrado o poder de uma fada, que um dia lhe servirá como a mão de um Deus.

 

Personagem relacionado à obra, Wolfgang, o guerreiro nórdico.

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“JUNTOS PARA SEMPRE” – Romance

                                 SINOPSE

         “Juntos para Sempre” conta a história de Maria que, após ter nascido, foi abandonada à porta de um Orfanato dirigido por um grupo austero de freiras.

        Parte da sua vida foi vítima de maus-tratos e humilhações.

       No entanto sonhava ser livre e feliz como as outras raparigas que ela observava através das janelas gradeadas e que passeavam na rua, sorridentes e sem destino.

        Quando se sentiu mulher, planeou a fuga para a liberdade, não para ir ao encontro de alguém, mas apenas de si mesma.

        Este desejo levou-a a sofrer situações dolorosas. Mas a sua força anímica não a fez desviar dos objectivos que traçou: trabalhar, ter uma casa e família.

        Maria vai combater todas as adversidades. Quer sair vencedora da tremenda teia de interesses obscuros, vinganças, invejas e traições em que foi envolvida.

        Ela, que não tinha nada de seu!

        Terá Maria conquistado o direito a ser feliz?

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, 11 em Lisboa ou através do site www.sitiodolivro.pt

 

 

 

 

 

 

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Orlando Nesperal: As Virtudes da Mente

Depois de algum interregno volto, a dar noticias como vai chegando ao público em geral o livro “As Virtudes da Mente”, não devo dizer  que é sucesso, mas é bem recebido por pessoas que estão interessadas e motivadas em querer modificar um pouco das suas vidas.

A sessão de autógrafos em Cernache do Bonjardim no Atelier Túlio Vitorino, teve algumas pessoas que se disponibilizaram para estar um pouco com o autor do livro, e bem assim a Rádio Condestável também se fez representar, gravando uma reportagem para ser posta no ar no dia 28.11.2011 o que aconteceu. Foi de realçar a grande novidade, para mim claro, muita gente local, ainda não conhecia aquele espaço cultural da Freguesia. Por esta razão, valeu esta iniciativa.

Para que o mundo das letras tenha alguma importância nas regiões interiores é necessário muitas acções deste tipo, em que pequenos autores dispersos, e sejam desta região deviam levar às suas origens estes singulares eventos para pouco a pouco as populações que ali se fixaram poderem participar em maior número e sobretudo estar próximas, dos autores que são tão iguais e simples como qualquer rural.

A mudança nos nossos dias é importante, tempos já pouco espaços verdes até no interior se verifica falta de plantas, e pessoas estão a ficar umas com mais idade e pouca vontade  de se exporem perante outros mostrando a sua própria cultura  natural. Reside um défice  muito grande de iniciativa de inovar e criar algo mais para além do que é banal ou repetitivo. Com o livro as Virtudes da Mente, que foi espalhado fiquei crente que poderá  produzir efeitos nas pessoas, não ficando espectadas, à espera de que alguém faça, quando nada se faz senão for cada um ir fazendo alguma coisa.

Mesmo assim estou feliz por ter levado esta iniciativa a um lugar, onde tem no seu brasão dois livros,  eu não serei mais do que um dos rostos que está por traz de um deles.

Orlando Nesperal

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“JUNTOS PARA SEMPRE”

 

Este livro está à venda na Livraria Barata, 11 em Lisboa ou no site:

                            www.sitiodolivro.pt

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Extraído do conto:”O combatente com sonhos” (na guerra civil de Espanha)

AINDA NÃO PUBLICADO NEM REVISTO

Num dia normalíssimo deste mundo, cheio dos odores do costume nos campos, do mesmo correr das águas pelos ribeiros a caminho de crescerem e se tornarem rios, com as aves do costume cruzando no céu da mesma maneira de ontem e de antes, a notícia entrou pelo povoado como um tornado desses que sorvem tudo por onde passam, e quem a trouxe foi o moleiro chegado do seu moinho no topo da colina mais próxima; Amigos, a guerra já vem andando para cá. São os nacionalistas que a trazem ai pelos caminhos que dão para o sul, e vêm porque a comuna de Madrid parece que lhes mostrou os dentes, e também esses se estão chegando para cá, a barrar-lhes o caminho! Quem puder que fuja, que vá para o pé da fronteira com Portugal, aí ao menos salta para o lado de lá se chegar a necessidade a tanto! E depois, do que é que vamos viver do lado de lá? Dizia o que o ajudava a aliviar o burro dos sacos de farinha acabada de moer, Salvas a vida, ao menos isso, o depois logo se vê! Seria bom se os portugueses fossem boa gente. Então e não são? Fizeram-te algum mal? Falava o moleiro ao descarregar a última saca. Bons é que eles não são! Metem-se com tudo o que veste saias! Quanto lhe devo, mestre? O moleiro fez as contas molhando na boca o bico grosso do lápis que trazia seguro na orelha esquerda, fez umas contas numa folha de papel áspero que vinha presa na aldraba do animal, e disse, são dezasseis pesetas! Que sobes agora os preços quase todos os dias, conho! Já percebeste o que a vida tem subido! Mesmo assim, mesmo assim!
Aliviado o animal do peso das sacas, orelhas arrebitadas como acontece com todos os burros, independentemente dos sítios, das localidades e dos países, tanto assim que é universal a sua fala, não precisa de esperanto para os burros se entenderem uns aos outros, de pronto se pôs a andar à frente do moleiro, descendo do povoado na direcção do seu moinho, forma esférica com velas brancas gritando paz aos ventos da terra.
Dom Fernandez, à porta da bodega escutou todas as falas, e depois foi, calmamente, subindo para sua casa, a ultima no cimo da colina, espreitando a suave descida para a planície, desenhada como se mapa fosse, ao fundo, e pelo caminho foi pensando na insegurança dos tempos que estavam correndo. Ao chegar parou na cancela vendo a horta e o pomar, mais ao fundo, já a pender para a descida da colina, reparou no cavalo folgando umas horas em descanso merecido, deitado de quatro patas dobradas sobre o ventre, olhos espertos de cavalo andaluz, reparou no redil onde as poucas cabeças de gado, atentas à aproximação de gente que as levasse ao pasto, se juntavam apertadas encostadas na cancela, e, ao fundo, já na planície, a figura do moleiro caminhando atrás do burro, batido pelo sol do fim da tarde, raios doirados encharcando a terra de oiro, aquele sossego parado sem século fixo, tanto podia correr o vinte como o dezassete, seria igual, o sol, o moleiro e o burro, o fim da tarde e as casas brancas, semeadas com os granitos escuros, perdidas sem simetria por entre pequenas penedias e umas tantas árvores, de quando em vez ajoujadas de frutos, fazendo arquear as ramadas, projectando sombras de folhas molhadas pelo brilho do sol filtrado por entre elas, qual semeadora de pétalas auríferas a pasmar os homens. Reparou nas velas brancas do moinho rodando no alto, ao ritmo das brisas que varriam o cimo da colina chegadas dos vales, quando mais fortes fazendo ligeira ondulação nos ribeiros, e a silhueta de um cavaleiro andante carregado de sonhos, um dom Quixote saído das páginas do grande e eterno Cervantes, vendo donzelas para salvar das garras dos dragões. Aquela era a sua Espanha profunda, onde um dia iria a descansar no sopé da colina, tal como todos os seus ancestrais.
Dona Maria Luísa Ruiz Fernandez com a filha de oito anos pela mão, parou, olhando o marido parado do lado de fora da cancela.
– Então tanto tempo para entrares, o que se passa?
– Faz as tuas malas e a mala da menina, vocês as duas, ou as três, disse, olhando a barriga da mulher que ia crescendo todos os dias um pouco mais, vão a voltar para Cuba!
– Porquê?
Porque ela já ai vem!
– Quem?
– A guerra civil!
– Nós as duas não vamos a parte nenhuma sem ti, não é Maria Luísa?
– Sim, mãe!
– Em Cuba, em casa dos teus pais, vocês ficam bem. Eu vou ter com vocês quando tudo tiver terminado!
– Não posso nem devo abandonar a minha terra só por causa de uma guerra civil, que não vai chegar a este fim do mundo.
– Não deves abandonar a tua terra?!
– É evidente que não. Eu sou espanhola desde que casei contigo, homem, ou já não te lembras?
– Muito teimosas são as cubanas! Vocês têm de ir e está o caso arrumado. Não sonhas sequer o que vai ser o rebentamento deste barril de pólvora! De um lado os nacionalistas, do outro os vermelhos, atirados uns contra os outros na arena, enquanto os de fora admiram o espectáculo comodamente, nas bancadas. A Espanha vai ficar sem carne e depois ainda lhe vão roer bem ruídos os ossos. Ala. Ala, que se faz tarde. Eu vou levá-las à primeira terra da fronteira com o teu passaporte cubano, e de lá seguem para Cuba, quem decide sou eu.
NOTAS
QUE PORTUGAL FAÇA OS POSSIVEIS E OS IMPOSSIVEIS POR EVITAR O DRAMA DA GUERRA CIVIL! OS POLITICOS RESPEITEM O DIREITO DO POVO; PELO MENOS A TER COMIDA E TRABALHO!

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O guardião de Asgard – ilustração ( de Danilo Pereira )

Ilustração representando a Deusa Freya sendo protegida pelo gigante Heimdall, que com sua gigantesca espada, a protege das ameaças vindas do norte. Heimdall também protege a ponte Bifrost, que liga os diversos mundos da mitologia nórdica.

Heimdall e Freya podem ser encontrados na obra, Wolfgang, o guerreiro nórdico.

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“JUNTOS PARA SEMPRE” – Romance

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, Av. de Roma, 11 em Lisboa ou através do site: www.sitiodolivro.pt

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Choro-te…

Choro-te sem que percebas
que definhei naquela sombra lânguida
que se morreu para lá dos ciprestes
oca sem o teu sussurro ter…..

José Guerra (2011)

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“JUNTOS PARA SEMPRE” – ( Último excerto)

                                ( Último excerto )

          Celeste chega ao Hospital mais cedo do que o habitual. Entra no Laboratório, abre gavetas e armários à procura de qualquer coisa. Está nervosa e impaciente. Olha de vez em quando para a porta controlando a entrada de alguém. Suspira ansiosa ao encontrar o que procura. Guarda na mala e sai para a Sala dos Enfermeiros, esperando a chegada do médico. Não veste a bata branca como habitualmente. Entretém-se a folhear umas revistas, como se fosse uma paciente à espera de consulta. Olha para a mala com insistência, esboçando um sorriso glorioso. Ouve os passos do médico a subir as escadas. Aguarda que entre para o seu gabinete. Cinco minutos depois Celeste bate à porta e pede para lhe falar.

          – Doutor Alberto Carlos, eu estou muito doente, cansada, nervosa, com um esgotamento, eu sei lá o que tenho e precisava que me desse baixa durante algumas semanas para me recompor. Agradeço-lhe que me receite qualquer coisa para ver se isto melhora, está bem, Doutor Alberto?

          O médico concorda em conceder-lhe a baixa, e oferece-lhe os medicamentos que acha essenciais para o tratamento. Na posse do documento, fundamental para garantir a sua ligação profissional ao Hospital, Celeste levanta-se, olha o médico fixamente e em tom enfurecido, começa:

          – Senhor Doutor Alberto Carlos. Trabalho neste Hospital há mais de dez anos sob a sua responsabilidade. Confessei-lhe noutro dia o amor que sinto por si e que nunca mereceu uma simpatia da sua parte. Fui a mais dedicada enfermeira que já teve e eu acho que fui enganada, trocada, traída por alguém que eu sei muito bem quem é. Eu tenho todo o direito de exigir um pouco de respeito. Mas Senhor Doutor Alberto Carlos, eu estou-me nas tintas para si, seu galã de meia tigela, convencido que é um grande conquistador, mas não passa de um paspalho que se deixa cair nas artimanhas de  miúdas que querem subir na vida à sua custa. Estou farta de aturar gente louca. Estou farta de ingratidões. Estou farta de ser a boazinha que faz as vontadinhas a toda a gente. E depois? Depois um pontapé no cu, e lá vai a parvalhona, a idiota da Celeste para o caixote do lixo. Estou farta, farta. Não preciso de si para nada. É um monstro. Não vale nada, doutorzinho de trazer por casa! Sejam muito felizes e tenham muitos meninos. Adeus!

          A Velha Celeste morreu! Viva a Nova Celeste.

          Alberto ficou atónito. Não teve capacidade de resposta. Apenas percebeu que ela não está bem e carece de um terapia adequada.

          Pega na mala e sai de rompante pela escadaria. Chegada à rua dirige-se a uma cabine telefónica. Precisa urgentemente de falar com Maria.

                                                                                     *****

          Na sequência do telefonema de Celeste, Maria dirige-se ao Café onde habitualmente se encontram. Vai pensando pelo caminho o que quererá ela depois daquela última conversa tão estranha. Há na Celeste qualquer coisa que não entende. Mas ela já não compreende ninguém. Aguarda ansiosa a sua chegada. Entretanto pede um café para animar, tira da sacola um rebuçado de mel. Poucos minutos depois Celeste entra e cumprimenta secamente Maria. Sarcasticamente pergunta:

          – Então como vai a mamã mais querida da cidade? O papá deve estar muito contente, não deve? Ele é um querido para as criadinhas de servir, jovens como tu. Vais ter assistência médica permanente. És uma rapariga cheia de sorte…

          – Celeste, não consigo perceber as suas intenções. Eu fui sempre uma amiga sincera e tenho muito a agradecer por tudo que fez por mim.

          Maria, nervosa, levanta-se para pedir um copo de água ao balcão. Celeste aproveita o momento para meter na sacola de Maria uma pequena caixa metálica atada com um elástico.

          – Bem, Maria, estou farta de ser uma parva que ajuda toda a gente e depois deitam na valeta.

          A Velha Celeste morreu! Viva a Nova Celeste!

          Espera só um pouco que eu vou ali fazer um telefonema urgente e não me demoro.

          Passam mais de quinze minutos e Celeste não aparece.

          Através da montra pode ver-se todo o movimento da rua. Entretanto pára em frente da porta do Café um carro da Policia, donde saem dois guardas que se dirigem directamente a Maria. Por momentos ela deixa de ver com nitidez o que a rodeia. Uma sombra tolda-lhe a visão. Sente-se desmaiar. Pedem a sua identificação. Gozam pelo facto de não ter averbado no bilhete de identidade os nomes de pai e mãe.

          – Estamos a perceber tudo. Com que então filha de pais incógnitos! – escarnecem os imbecis dos guardas.

          – Ora mostra lá o que tens aí no saco, oh trinca espinhas.

          – Só tenho coisas sem importância, senhores guardas.

          – Despeja o saco em cima da mesa, já, e deixa-te de merdas, ouviste? Não chateies, que a gente conhece muito bem o género. Não te armes em parva e com ar de santinha, porque não fazes milagres. Despacha-te que temos mais que fazer. Tens ar de sonsa mas não enganas ninguém. A gente conhece bem o que a casa gasta! Despeja a merda da sacola e já. Não me irrites que eu perco a cabeça com facilidade e ainda levas um estaladão nessa fuça que ficas a ver estrelas numa noite de breu. Rameira do caraças.

          Maria esvazia o saco e para sua surpresa surge uma pequena caixa de metal que ela nunca vira. Um dos guardas abre a caixa e pergunta se sabe o nome do que está lá dentro. Ela responde que aquilo não é dela. Tem a certeza absoluta. De repente vem-lhe à memória a traição de Fernanda com o rosário na Casa de Acolhimento.  

          – Pois, isto é droga, minha queridinha, meu amor adorado! Vais connosco para a esquadra e depois segues para a prisão, onde vais passar férias grandes. Oh Pureza, podes contar com uns anos de choldra. Toca a andar, e depressa, sua enfezada. Se tivesse um corpo assim nem saia à rua com vergonha. Toca a andar, mexe as canetas, que nojo de gaja, chiça.

          Maria entra para o carro da Policia como se fosse um autómato. Já não consegue pensar, nem gritar. Está tolhida por uma angústia que não a deixa sequer chorar. Sente-se como uma pedra, insensível e desprezível.

          Depois de ser ouvida na esquadra, Maria é transportada para a cadeia de mulheres. Vai esperar julgamento por tráfico e consumo de droga. Sentada no banco de trás da viatura, acompanhada por um guarda, Maria tenta perceber o que está a acontecer. Quem foi que a voltou a trair? E coloca as mãos suavemente sobre o ventre num gesto de protecção e amor.

José Eduardo Taveira

Este livro está à venda na Livraria Barata, Av. de Roma, 11 em Lisboa ou através do site:        www.sitiodolivro.pt

 

                                            

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