A elfa, o cavaleiro e o guerreiro ( completo ) – ( de Danilo Pereira )

Quando um guerreiro, um cavaleiro e uma elfa caminham juntos, é sinal de que o perigo está por perto. Nas profundezas de uma caverna em Midgard, as três raças caminham rumo à sabedoria, que aliada com a força, podem se tornar invencíveis.

Mas além destas duas virtudes citadas, há aqueles que procuram apenas por riquezas, por relíquias lendárias que há muito se perderam num certo sentido fora do tempo. Este é Baldur, um cavaleiro ganancioso e medroso, que explora o mundo nórdico na esperança de encontrar tesouros divinos.

A seu lado, muitas vezes o corajoso guerreiro Wolfgang e a bela elfa Aurehen o acompanham em suas aventuras e então, um extraordinário trio nórdico é formado. Aurehen, por ser uma elfa, procura por sabedoria, por pergaminhos antigos, por sagradas escrituras que poderão lhe revelar poderosas magias.

Por outro lado, está Wolfgang, um guerreiro nórdico de muita fé, que ama se aventurar pelo desconhecido, que procura pelo sobrenatural, pelas diversas e fantásticas formas de vida. Nesta publicação, como podem ver, os três aventureiros adentraram no covil de algo estranho, mas o que poderia ser? Que tipo de horror se esconde na escuridão desta assombrosa caverna? Continuem lendo o  post e descubram.

Naquela penumbra sem fim, algo subitamente emitiu um pavoroso ruído, que fez com que Baldur largasse sua tocha. Aurehen, protegida com uma folha de lorien no peito, a ergueu na esperança de clarear o perigoso caminho, mas Wolfgang, como toda sua curiosidade e coragem, correu sem rumo em direção ao nada e acabou encontrando um cenário um pouco mais iluminado e surreal.

Era o lar de uma rainha, de uma aranha gigantesca que havia surgido em meio a inúmeras teias que se entrelaçavam umas nas outras, tornando aquele ambiente muito hostil. Não havia forma de escapar e então, o guerreiro não quis saber de conversa, partiu em direção ao monstro e com muita agilidade e destreza, cortou todos os tentáculos de forma violenta, derrubando a rainha sobre aquele chão cinzento.

A aranha pareceu não se importar com aquilo, pois ao abrir sua medonha mandíbula, disparou um jato de teias que acertou em cheio as pernas de Wolfgang, que não conseguiu se soltar. A elfa, que até então apenas observava seu companheiro se defrontar com a criatura, ergueu seu braços e com um elegante movimento com as mãos, lançou fogo sobre a titânica aranha, que não resistiu à tamanha chama.

Mas e Baldur? O que fez para ajudar seus companheiros? O ganancioso cavaleiro, aproveitando a distração do monstro, havia adentrado numa sala secreta, onde um belíssimo baú reluzia como ouro sobre um sinistro altar. Curioso, o cavaleiro então o abriu e viu sair de dentro dele uma fumaça colorida, que tomou conta de seu corpo.

Não era tesouro e tão pouco algo precioso, mas sim uma maldição, que o fez sumir daquelas bandas, fazendo com que Aurehen e Wolfgang caíssem na gargalhada.

 

Contos e personagens baseados na obra, Wolfgang, o guerreiro nórdico.

Etiquetas , | Deixe um comentário

Dia Internacional da Mulh…

Dia Internacional da Mulher

És flor que no meu jardim floriste
num beijo à beira mar plantado
salgado como a manhã de ontem
leve perfume doce no teu sorriso cantado

José Guerra (2012)

Deixe um comentário

“CALÇADA DE CARRICHE”

António Gedeão escreveu um dos poemas mais belos e cruéis sobre a Mulher: “Calçada de Carriche”.

Dedico este poema aos milhões de mulheres que sofreram e sofrem a miséria, a violência, a dor e o desprezo.

Dedico este poema às mulheres pobres, às mulheres chefes de família, as mulheres negras que são duplamente discriminadas, por serem negras, às mulheres vítimas de violência, qualquer violência, às mulheres que trabalham arduamente nos campos, nas fábricas, nos lares, etc.

Dedico este poema às mulheres que não querem ser lembradas nem homenageadas com discursos hipócritas com data marcada no calendário.

Dedico este poema às mulheres que não querem que lhes ofereçam flores com sorrisos caridosos e palavras de resignação.

Dedico este poema às mulheres que querem o fim de todas as discriminações.

Dedico este poema às mulheres que querem ter direito ao trabalho e salário dignos, à educação e à saúde dos seus filhos.

Dedico este poema às Luísas de todo o Mundo:

Calçada de Carriche

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa

desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa.
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga;
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
larga que larga.
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.

José Eduardo Taveira

Deixe um comentário

PARABÉNS, JOÃO DE DEUS !

João de Deus nasceu em S. Bartolomeu de Messines a 8 de Março de 1830 e viveu até 11 de Janeiro de 1896.

Até aos dezanove anos estudou no Seminário em Coimbra donde saiu para ingressar na Universidade da mesma cidade para estudar direito.

Foi advogado e jornalista.

A sua obra poética está incluída na Colectânea “Campos de Flores”.

Além da sua vocação poética, João de Deus foi considerado um distinto pedagogo. Em 1876 publicou a “Cartilha Maternal”, que se destinava a servir de base para ensinar a leitura às crianças. Durante mais de cinquenta anos foi usada nas escolas portuguesas. Em 1888, as Cortes adoptaram esta obra como método oficial de leitura. Foi nomeado Comissário Geral do Ensino de Leitura.

Um grupo de amigos de João de Deus lançou a “Associação das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus”. Tempos depois estas escolas evoluíram para Jardins Escolas e Escolas fixas.

João de Deus foi alvo de várias homenagens. O Rei D. Carlos impôs-lhe a grã- cruz da Ordem de Santiago da Espada. A Academia Real das Ciências proclamou-o Sócio de Honra. No centenário do seu nascimento, foi erigida uma estátua no Jardim da Estrela, em Lisboa. Em S. Bartolomeu de Messines e em Lisboa existem, respectivamente uma Casa Museu e um Museu, ambos com o seu nome.

Mas, talvez, a homenagem mais sentida por João de Deus, foi a que se organizou por iniciativa dos estudantes de Coimbra. O poeta agradeceu essa manifestação de apreço, declamando de improviso:

Estas honras e este culto
Bem se podiam prestar
A homens de grande vulto.
Mas a mim, poeta inculto,
Espontâneo, popular…
É deveras singular!

O Jornal Diário de Noticias, de 8 de Março de 1895, publicou o seguinte texto, após esta manifestação nacional:

– “João de Deus é uma das personificações mais belas do nosso carácter peninsular; vivo e indolente, devaneador e apaixonado, crente e sentimental. É uma flor do meio-dia, cheia de seiva e colorido, dos poetas e nunca ninguém sentiu entre nós mais ardente a sua imortalidade do que Bocage. Com que entusiasmo ele exclamava ao ver os seus versos elogiados na boca de Filinto: – Zoilos tremei; posteridade, és minha! Sob este ponto de vista, João de Deus é a antítese completa de Bocage. Este tinha a inspiração orgulhosa, cheia de fogo, rebentando quase num caudal de ironia e de sarcasmo. João de Deus tem a inspiração serena, espontânea, quase inconsciente. João de Deus é como a flor do campo, que rebenta formosa sem cultivo, velada apenas pela graça de Deus, o jardineiro supremo. As suas poesias são verdadeiras flores do campo, mas das mimosas, das encantadoras na sua singeleza, das que, guardadas num álbum, conservam perfeitamente a delicadeza da forma, o colorido transparente da corola, o aveludado do cálice, a disposição encantadora das pétalas.”

Pelas palavras elogiosas acima descritas, sem dúvida que João de Deus mereceu com todo o mérito ser considerado o “poeta do amor”.

João de Deus, impulsionado por amigos, teve uma breve passagem pela política. Apresentou-se às eleições gerais de 22 de Março de 1868, como candidato independente pelo círculo de Silves. Saiu vitorioso e iniciou a sua actividade parlamentar.

O seu desapreço pelo Parlamento ficou registado pelas seguintes declarações publicadas no jornal “Correio da Noite”:

-“ Que diacho querem vocês que eu faça no Parlamento? Cantar? Recitar versos? Deve ser (…) gaiola que talvez sirva para dormir lá dentro a ouvir música dos outros pássaros. Dormirei com certeza!”.

A finalizar esta singela homenagem a João de Deus, o poema “Primeiro Amor”, incluído no seu livro “Campo das Flores”

Primeiro Amor

Ó Mãe… de minha mãe!
Explica-me o segredo
Que eu mesmo a Deus sem medo
Não ia confessar:
Aquele seu olhar
Persegue-me, e receio,
Pressinto no meu seio
Ergue-se-me outro altar!

Eu em o vendo aspiro
Um ar mais puro, e tremo…
Não sei que abismo temo
Ou que inefável bem…
Oh! e como eu suspiro
Em êxtase o seu nome!…
Que enigma me consome,
Ó Mãe de minha mãe!

 

José Eduardo Taveira

 

Deixe um comentário

Capa do próximo conto da Rita Lacerda

  Esta Capa é referente ao próximo livro da mini coleção da Margarida. Vai ser o último desta série, ficando assim uma pequena trilogia. Muito em breve, darei mais notícias, pois este livro, está mesmo a sair… 🙂

Grande Emoção e Alegria, partilhar com vocês estes momentos tão significativos para mim. Espero que gostem 🙂

Um Grande Abraço.

Deixe um comentário

Novo livro de Ana Brilha

“A apologia do silêncio” | Ana Brilha
Edição de Autor
Março de 2012
N.º de páginas: 86
 

 Sinopse:
“Se eu pudesse,
Tocava o teu rosto em silêncio
E falava-te do mar,
Deixava tombar os meus cabelos
Sobre o teu ombro
Como uma bênção
E fechava os olhos
Consciente de ser em ti
Como um salgueiro. – Ana Brilha”

  www.intermitenciasdaescrita.wordpress.com

Publicado em Novidades, lançamentos | Deixe um comentário

   É com muita Alegria e Emoção que apresento a Capa do 3º e ultimo conto da mini coleção da Margarida, ficando assim uma trilogia. Muito em breve, estará disponível na Net, através da Livraria on line do Sítio do Livro e também na Livraria Barata, na Av. de Roma 11 Lx.

Mais tarde, darei mais notícias. Espero que gostem 🙂

Um Grande Abraço

Rita Lacerda

Deixe um comentário

A elfa, o cavaleiro e o guerreiro ( de Danilo Pereira )

Quando um guerreiro, um cavaleiro e uma elfa caminham juntos, é sinal de que o perigo está por perto. Nas profundezas de uma caverna em Midgard, as três raças caminham rumo à sabedoria, que aliada com a força, podem se tornar invencíveis.

Mas além destas duas virtudes citadas, há aqueles que procuram apenas por riquezas, por relíquias lendárias que há muito se perderam num certo sentido fora do tempo. Este é Baldur, um cavaleiro ganancioso e medroso, que explora o mundo nórdico na esperança de encontrar tesouros divinos.

A seu lado, muitas vezes o corajoso guerreiro Wolfgang e a bela elfa Aurehen o acompanham em suas aventuras e então, um extraordinário trio nórdico é formado. Aurehen, por ser uma elfa, procura por sabedoria, por pergaminhos antigos, por sagradas escrituras que poderão lhe revelar poderosas magias.

Por outro lado, está Wolfgang, um guerreiro nórdico de muita fé, que ama se aventurar pelo desconhecido, que procura pelo sobrenatural, pelas diversas e fantásticas formas de vida.

Nesta publicação, como podem ver, os três aventureiros adentraram no covil de algo estranho, mas o que poderia ser? Que tipo de horror se esconde na escuridão desta assombrosa caverna? Acompanhem o próximo post e descubram.

 

 

Contos e personagens baseados na obra, Wolfgang o guerreiro nórdico.

Deixe um comentário

PARABÉNS EUGÉNIO DE CASTRO !

Eugénio de Castro nasceu em Coimbra a 4 de Março de 1869 e viveu até 17 de Agosto de 1944.

Formou-se em Letras na Universidade de Coimbra, onde foi professor universitário.

Em 1884, iniciou a publicação das suas obras poéticas. Foi um dos fundadores da revista internacional Arte, que difundia os textos de escritores nacionais e estrangeiros.

Colaborou com a publicação das revistas “Os insubmissos” e “Boémia Nova”, ambas seguidoras do Simbolismo Francês.

Regressado de França, publicou as obras “Oaristos” que representa um marco para o início do Simbolismo em Portugal. Pode-se considerar esta como a primeira fase da obra de Eugénio de Castro. A segunda fase, que inclui os poemas escritos durante o século XX, revela um poeta neoclássico.

Além desta obra, escreveu “Canções de Abril”, “Horas Tristes”, “Tirésias”, “Belkiss”, “A Sombra do Quadrante”, “Tentação de São Macário”, etc.

O poeta Albano Martins organizou, para a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, uma Antologia de Eugénio de Castro, antecedida de um prefácio, de sua autoria.

Nesta singela homenagem, no dia do seu nascimento, recordemos o poema:

 Epígrafe

Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…

Homem que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa.

José Eduardo Taveira

 

Deixe um comentário

OS LIVROS E O CINEMA

A adaptação de romances para o cinema não é um conceito original, pois desde os primórdios da sétima arte que se utiliza as obras literárias para produzir filmes.

Considerando o caso português, em 1912, foi adaptada por João Tavares a obra de Camilo Castelo Branco, “Carlota Ângela”.

Durante os anos vinte, a indústria do cinema em Portugal dedica-se principalmente à adaptação de clássicos literários, convidando realizadores estrangeiros para a direcção dos projectos.

Assim:

– Georges Pallu filma em 1921 “Os Fidalgos da Casa Mourisca” de Júlio Dinis, e em 1922 faz uma adaptação do romance “ O Primo Basílio” de Eça de Queirós.

– Roger Lion realiza em 1923, o drama de Virgínia de Castro e Almeida “A Sereia de Pedra”, baseado no seu romance “”Obra do Demónio”.

– Caeltano Bonucci e Amadeu Ferrari realizam em 1949 o filme “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis.

O primeiro filme sonoro produzido em Portugal e realizado por Leitão de Barros, em 1931, foi uma adaptação da obra de Júlio Dantas “ A Severa”.

A literatura e o cinema, como se prova nesta pequeníssima amostra, têm caminhos convergentes. Nem sempre o trabalho do realizador cumpre com rigor a ideia mestra do autor do romance. Mas, em compensação, a obra passa a ser duplamente imortal: em livro e em filme.

José Eduardo Taveira

Deixe um comentário