Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES (DE 24 DE ABRIL A 13 DE MAIO)

O LIVRO

O romance Ganância desenvolve-se a partir da ideia das Casas de Penhores para Apoio aos Países Pobres do Terceiro Mundo (alguns se situam no continente Europeu), e é uma paródia ao País que fomos capazes de construir. Uma paródia triste. Uma vontade de bater nos ingénuos que fomos e ainda somos. Gente aventureira que facilmente se espalha pelo mundo e sabe trabalhar; mas também gente de paixões fáceis, mesmo fanáticas. Presas indefesas nas mãos dos ricos que tiram o mais que podem a este mundo pretensamente globalizado. Somos, afinal, o resultado do passado que tivemos. Um povo eternamente sacrificado pelos seus maus gestores, um povo que mais do que nunca precisa de moral. Um povo conservador, avesso à cultura, avesso à mudança, um povo que, de noite, verte lágrimas de sangue no travesseiro da cama, e de dia sorri, sem perceber porquê…

ESTE UM BREVE TÓPICO DO LIVRO.

NO DIA 12 DE MAIO, ENTRE AS 17 E AS 18 HORAS; O AUTOR ESTÁ NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES PARA AUTOGRAFAR O LIVRO

José Solá

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O complexo mundo dos livros

São os livros uma mercadoria de transacção comercial, como qualquer outra? Digo que a actividade comercial não só existe, como é indispensável; agora, comparável com qualquer outra, aí, discordo por completo. Enquanto veículos de transmissão do conhecimento experimental que preside, ou está nas origens dos diversos modelos de Civilização, ensaiados e postos em prática pelos homens, no decorrer dos milénios, os livros desempenharam sempre a “estrada” que leva as ideias ao porto ao lado, por mais distante que ele se situe.

Em consequência, os livros tiveram também a sua faceta de objecto infernal, coisa do demo, e foram, tal como na Idade Média sucedeu com todos os que pensavam diferente, ou experimentavam novas “estradas,” condenados a arder nas fogueiras; privilégio foi, (por serem matéria sem vida), não sentirem a dor ou a raiva.

Os livros foram pois, e pelos mais diversos motivos, lançados às chamas, mas sempre tardiamente, ou seja, depois das ideias impressas no papel se terem “entranhado” nas cabeças dos homens. E quem assassinou os livros, como se queimar papel contivesse de forma irreversível o pensamento humano? Atrevo-me a concluir que foram todos os que, na ânsia de se tornarem donos do único bem que nasceu livre e que nunca será escravo, se quiseram livrar do incómodo das ideias dos outros, desde os mentores das raças superiores, passando pelos mandantes religiosos, e, hoje, pela alta finança, que finalmente começa a perceber que, por muito que se esforce, vai estar sempre aquém dos homens, porque foi deles que nasceu.

Hoje, por imperativos de vária ordem, (espaço, principalmente), as editoras por esse mundo fora queimam toneladas de livros; hoje, os livros significam um desperdício inconcebível e inadmissível do meio ambiente, mas também continuam a ser a tal “estrada” que nos projecta mais além. Como compatibilizar a não destruição do meio ambiente com a cultura? Faz parte do nosso prazer entrar numa livraria e consultar livros ao acaso, até que seleccionamos, ou achamos o que queremos, muitas das vezes por simples acaso. Como continuar a harmonizar o prazer de manusear o livro com a protecção dos equilíbrios ambientais? Com imaginação e bom senso. Aqui lhes deixo uma sugestão, tanto aos editores, como aos livreiros.

Experimentem criar livrarias onde se consultam e se escolhem os livros, e onde se compram e nos enviam para casa os exemplares escolhidos?

E já agora, como estou com a” mão na massa, ” porque não perceber que o negócio do livro é muito mais do que um simples negócio, e voltar a seleccionar os escritores através de conselhos de leitura, como sempre se fez, dignificando assim a profissão de Editor e separando o trigo do joio? É que é urgente que se perceba de vez que vaidade é vaidade e escritor é escritor.

De um lado temos quem publica por vaidade de ter um livro editado, e quem publica apenas porque lhe pagam, sem uma ponderação séria dos conteúdos, e sem respeito por quem consome, e do outro lado, temos quem tem vocação e talento, e não é editado porque não tem dinheiro nem nome.

Contra mim falo. Possivelmente perdia em definitivo esta mania de escrever livros atrás de livros, que ficam tristinhos, com a lágrima ao canto do olho, a atravancarem-me a casa, mas como leitor ficava a ganhar, porque o mundo, e o meu país em particular, voltavam a ter escritores, dos bons, dos que são seleccionados pelo conteúdo e pelas mensagens, pelas Ideias e pela poesia da prosa, e nunca por terem dinheiro ou terem apenas nome, o nome que o dinheiro dá, como se escrever fosse um titulo de barão, conde ou duque de qualquer coisa, desses que se compravam aos reis falidos ou gananciosos no antigamente; ou será que os negócios e os lucros são os actuais reis do mundo? Por favor, condenem-me a mim, e deixem que o mundo e este país voltem de novo a ter escritores, porque bem necessitados de ideias novas estamos…

José Solá

 


São os livros uma mercadoria de transacção comercial, como qualquer outra? Digo que a actividade comercial não só existe, como é indispensável; agora, comparável com qualquer outra, aí, discordo por completo. Enquanto veículos de transmissão do conhecimento experimental que preside, ou está nas origens dos diversos modelos de Civilização, ensaiados e postos em prática pelos homens, no decorrer dos milénios, os livros desempenharam sempre a “estrada” que leva as ideias ao porto ao lado, por mais distante que ele se situe.

Em consequência, os livros tiveram também a sua faceta de objecto infernal, coisa do demo, e foram, tal como na Idade Média sucedeu com todos os que pensavam diferente, ou experimentavam novas “estradas,” condenados a arder nas fogueiras; privilégio foi, (por serem matéria sem vida), não sentirem a dor ou a raiva.

Os livros foram pois, e pelos mais diversos motivos, lançados às chamas, mas sempre tardiamente, ou seja, depois das ideias impressas no papel se terem “entranhado” nas cabeças dos homens. E quem assassinou os livros, como se queimar papel contivesse de forma irreversível o pensamento humano? Atrevo-me a concluir que foram todos os que, na ânsia de se tornarem donos do único bem que nasceu livre e que nunca será escravo, se quiseram livrar do incómodo das ideias dos outros, desde os mentores das raças superiores, passando pelos mandantes religiosos, e, hoje, pela alta finança, que finalmente começa a perceber que, por muito que se esforce, vai estar sempre aquém dos homens, porque foi deles que nasceu.

Hoje, por imperativos de vária ordem, (espaço, principalmente), as editoras por esse mundo fora queimam toneladas de livros; hoje, os livros significam um desperdício inconcebível e inadmissível do meio ambiente, mas também continuam a ser a tal “estrada” que nos projecta mais além. Como compatibilizar a não destruição do meio ambiente com a cultura? Faz parte do nosso prazer entrar numa livraria e consultar livros ao acaso, até que seleccionamos, ou achamos o que queremos, muitas das vezes por simples acaso. Como continuar a harmonizar o prazer de manusear o livro com a protecção dos equilíbrios ambientais? Com imaginação e bom senso. Aqui lhes deixo uma sugestão, tanto aos editores, como aos livreiros.

Experimentem criar livrarias onde se consultam e se escolhem os livros, e onde se compram e nos enviam para casa os exemplares escolhidos?

E já agora, como estou com a” mão na massa, ” porque não perceber que o negócio do livro é muito mais do que um simples negócio, e voltar a seleccionar os escritores através de conselhos de leitura, como sempre se fez, dignificando assim a profissão de Editor e separando o trigo do joio? É que é urgente que se perceba de vez que vaidade é vaidade e escritor é escritor.

De um lado temos quem publica por vaidade de ter um livro editado, e quem publica apenas porque lhe pagam, sem uma ponderação séria dos conteúdos, e sem respeito por quem consome, e do outro lado, temos quem tem vocação e talento, e não é editado porque não tem dinheiro nem nome.

Contra mim falo. Possivelmente perdia em definitivo esta mania de escrever livros atrás de livros, que ficam tristinhos, com a lágrima ao canto do olho, a atravancarem-me a casa, mas como leitor ficava a ganhar, porque o mundo, e o meu país em particular, voltavam a ter escritores, dos bons, dos que são seleccionados pelo conteúdo e pelas mensagens, pelas Ideias e pela poesia da prosa, e nunca por terem dinheiro ou terem apenas nome, o nome que o dinheiro dá, como se escrever fosse um titulo de barão, conde ou duque de qualquer coisa, desses que se compravam aos reis falidos ou gananciosos no antigamente; ou será que os negócios e os lucros são os actuais reis do mundo? Por favor, condenem-me a mim, e deixem que o mundo e este país voltem de novo a ter escritores, porque bem necessitados de ideias novas estamos…

José Solá

 


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O guerreiro nórdico – art book ( de Danilo Pereira )

Olá a todos, quero convidá-los a conhecerem a minha nova obra, se trata de um art book, repleto de ilustrações detalhadas e informações sobre mitologia e fantasia.

Este livro é para todos os apreciadores da fantasia medieval e para quem não a conhece, aproveitem para conhecer.

A obra estará presente também na feira do livro.

Agradeço a todos, Danilo Pereira.

 

Obras, Wolfgang, o guerreiro nórdico/ O guerreiro nórdico, art book.

 

 

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EDITORAS DESTROEM 100.000 LIVROS POR ANO !

 

 

 

 

O poeta e escritor venezuelano Fernando Báez, autor da obra “História Universal da Destruição dos Livros”, oferece uma visão aterradora da devastação sistemática de livros. O estudo demorou 12 anos, começando no Mundo Antigo, passando pela Inquisição e tempos das conquistas, até à catástrofe mais recente: a destruição de um milhão de livros no Iraque, resultado da sangrenta guerra.

O medo, o ódio, a intolerância de todos os tipos e a ambição pelo poder são as causas principais para destruir não o objecto em si, o livro, mas o que ele representa: a ligação com a memória, a riqueza intelectual de toda uma civilização.

Há 50 anos a UNESCO definiu o livro, e outros bens ligados à cultura, como “produtos culturais”. Isto significa que o livro é um produto comercial e portanto está sujeito às regras do mercado.

          Em Portugal mais de 100.000 livros são destruídos por ano!

Numa entrevista a um jornal diário em 2010, o administrador-delegado do grupo Leya considerou que a destruição de livros é uma “prática de todas as editoras pelo mundo fora”, justificada pelos custos de estocagem, além da falta de capacidade física dos armazéns.

Para as editoras é mais vantajoso destruir os livros do que suportar os custos de armazenagem. Quando não conseguem colocar os livros no mercado, mesmo promovendo descontos e acções especiais, o destino é o abate.

A possibilidade de as editoras oferecerem os livros a instituições, a países de língua portuguesa, etc., é anulada por questões burocráticas, económicas e logísticas.

O conceito de produção/impressão digital denominado Print on Demand, minora esses problemas, dado que as cópias dos livros são produzidas a partir de encomendas online e enviadas directamente ao cliente.

No entanto, a evolução tecnológica e a massificação dos livros electrónicos, com custos drasticamente reduzidos e a natural diminuição dos preços de venda ao público, além de outras vantagens, começou a provocar uma revolução no tradicional sistema quer de produção, quer de venda.

Talvez mais cedo do que se possa imaginar, as livrarias que sobreviverem a esta mutação do mercado, e serão poucas, transformar-se-ão em museus de livros.

O fim dos livros de papel parece não ser ficção.

José Eduardo Taveira

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Margarida e os Ensinamentos Sábios da sua Filha Joana – Brevemente na Feira do Livro de Lisboa

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-os-ensinamentos-sabios-da-sua-filha-joana/9789899737549/

  Num final de tarde estava Margarida sentada na sua varanda a contemplar o …mar quando de repente… OUVIU UMA VOZ VINDA DENTRO DE SI PRÓPRIA, DA SUA BARRIGUINHA!
– Mãe!… Mãe Querida!!!
AAAHHH!!! ELA NEM QUERIA ACREDITAR, no que estava a acontecer… MEU DEUS!!! Ela sabia que estava grávida, mas… PODIA OUVIR A VOZ DO SEU BEBÉ… MAS ISSO ERA UMA EMOÇÃO TÃO… MAS TÃOOOOO… GRAAAAANDE E MARAVILHOOOOOSA… QUE ELA NEM CONSEGUIA EXPRIMIR TAMANHA SENSAÇÃO… A chorar de Alegria, dizia:
– OBRIGADA… OBRIGADA UNIVERSO…

Até Muito Breve

Rita Lacerda

 

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Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES (DE 24 DE ABRIL A 13 DE MAIO)

O LIVRO

O romance Ganância desenvolve-se a partir da ideia das Casas de Penhores para Apoio aos Países Pobres do Terceiro Mundo (alguns se situam no continente Europeu), e é uma paródia ao País que fomos capazes de construir. Uma paródia triste. Uma vontade de bater nos ingénuos que fomos e ainda somos. Gente aventureira que facilmente se espalha pelo mundo e sabe trabalhar; mas também gente de paixões fáceis, mesmo fanáticas. Presas indefesas nas mãos dos ricos que tiram o mais que podem a este mundo pretensamente globalizado. Somos, afinal, o resultado do passado que tivemos. Um povo eternamente sacrificado pelos seus maus gestores, um povo que mais do que nunca precisa de moral. Um povo conservador, avesso à cultura, avesso à mudança, um povo que, de noite, verte lágrimas de sangue no travesseiro da cama, e de dia sorri, sem perceber porquê…

ESTE UM BREVE TÓPICO DO LIVRO.

NO DIA 12 DE MAIO, ENTRE AS 17 E AS 18 HORAS; O AUTOR ESTÁ NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES PARA AUTOGRAFAR O LIVRO

José Solá


 

  

 

 

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Portugal continua a jeito hoje, como sempre…

Portugal continua a jeito hoje, como sempre…

Recordo-me quando, nos tempos de técnico incorporado nas Brigadas para Apoio Técnico às Autarquias Locais, sediada então na Junta Distrital de Beja, fui destacado com mais dois colegas, para auxiliar o director da Direcção de Hidráulica de Beja, ao tempo a funcionar no Governo Civil da cidade, a localizar e actualizar um projecto de saneamento básico destinado a uma das terras do concelho.

O grupo de profissionais que faziam funcionar a Direcção de Hidráulica, era constituído pelo engenheiro director, cinco ou seis dactilografas, (o numero exacto já se me varreu da memória), e, salvo erro, três guarda-rios; não existia arquivista, pelo que os projectos estavam pelo chão do amplo gabinete do director, atados em molhos.

O engenheiro não se deslocava a fiscalizar as várias obras de hidráulica em curso pelo Distrito, que na sua dimensão geográfica, tem maior área do que o distrito em si, porque, não tendo carro de serviço distribuído, deslocava-se em carro próprio, mas o pagamento dos quilómetros estava em falta para mais de três anos, os guarda-rios não guardavam os rios, pela simples razão de o único jipe de serviço se encontrar para mais de um ano avariado, e não existir verba para a reparação, e as cinco dactilografas, como o serviço não era suficiente para ocupar uma a cem por cento, passavam o tempo em intrincados e elaborados trabalhos de rendas, talvez para aumentarem um pouco o seu parco pecúlio mensal…

Esta, pois, a sábia organização que vigorava por todo o País, e de um modo, ou grau, maior ou menor, se multiplicava pelas restantes Direcções dos Serviços Públicos, Governos Civis, ou Câmaras Municipais.

Esta, a terra governada pouco pela duvidosa inteligência dos ministros, e muito pelo esforço dos terceiros oficiais das Repartições Públicas.

Se a anarquia significasse progresso, eu seria forçado a dizer que, o Portugal de então estaria muitas décadas avançado em relação ao resto do mundo. Mas como a anarquia não é mais do que o erro que resulta da falta de método, ou critérios, ou seja do que for, eu digo antes que fico perplexo, sempre que me questiono quanto ao País que fomos e ainda conseguimos ser.

Assim, o tempo foi passando. Hoje, a situação é substantivamente diferente; pelo simples passar dos anos as coisas mudam, ainda que nada de importante se faça ou se altere. É a evolução natural das coisas. Mas, será que mudaram tanto assim? Esta a questão pertinente. Posso, modestamente, dar apenas a minha insignificante opinião. Penso que, para mal dos pecados dos “pequenos políticos” que mais me parecem uma continuação dos de antes, as coisas não se alteraram assim, tão substantivamente quanto possa parecer.

Na minha perspectiva, a “estratégia” gizada pelos governos, (antes socialista, hoje social democrata, coadjuvado pelos centristas), assenta essencialmente num constante “enxotar as moscas” para fora da casa. E quem são essas moscas? São exactamente as dactilógrafas, os guarda-rios, os engenheiros responsáveis pelo funcionamento dos departamentos, das secções, ou seja, pessoas cujo único crime foi, em dada altura da vida, aceitarem um trabalho que calhou ser no Estado.

Herdamos, portanto, um Estado construído a partir das “cunhas” de umas tantas pessoas importantes, (pelo menos na aparência dos títulos pomposos), que resulta num caos sem nexo, onde ninguém consegue medrar pela competência, pela simples e única razão de fazer o que lhe parece que está certo, ou então aquilo que um chefe que foi promovido em consequência dos anos de modorra atrás de uma secretária, os manda fazer.

Incompetência das pessoas? Não me parece que a anarquia seja propícia a permitir que os competentes sobressaiam, e que os incompetentes se ofusquem; é que, em anarquia, pura e simplesmente não existe competência!

O governo anterior, de duvidosa origem socialista, (a meu ver o socialismo há muito que está defunto, bem enterrado sete palmos de terra abaixo de nós), perseguiu os professores; não os protegeu dos maus alunos, porque esses sim, têm direitos humanos; simplesmente os desclassificou, humilhou e calcou aos pés. Objectivo: a economia de uns cobres, a redução dos custos.

O governo de hoje, também ele portador de uma filosofia que simplesmente já não existe à face da terra, esmera-se na prática da crueldade, tornando-a extensiva a toda a sociedade. Subtraí subsídios. Congela salários e reformas. Paralisa o País. Impede as pessoas, sem ter limites ou decência, de minimamente alcançarem uma felicidade, por minúscula e inexpressiva que seja. Serve-se do nome da chamada Troika para defraudar os direitos constitucionais das pessoas, para financiar as suas parcerias públicas – privadas, que são o sangrar cada vez mais acelerado desta terra. E sempre que a raiva transparece na indignação justa da sociedade civil, logo surgem duas ou três pessoas bem-falantes nos televisores com uma conversa mole, dessa do estilo de adormecer criancinhas à noite. E isso, meus senhores, é prática que se deve denunciar!

Há dias, num programa televisivo, um senhor bem conhecido disse que a esquerda parece, (ou lhe parece a ele), um intrincado trabalho de ourivesaria. Dias depois, uma senhora também bem conhecida de todos nós, falando da reorganização dos serviços de saúde, disse que os portugueses não compreendem que os bons e eficientes serviços de saúde não estejam à dita mão de semear, ou seja, a bem dizer por ali, ao sair da porta de casa, ou ao virar da esquina.

Ao primeiro senhor, (e não sendo eu mandatado por qualquer partido de esquerda), me apraz dizer-lhe apenas o que penso, ou seja, que os três partidos que estão situados à esquerda na nossa Assembleia da Republica, ou seja: os Verdes, os bloquistas e os Comunistas, aceitaram as regras da Democracia, e isso porque são efectivamente organizações democráticas; mas isso não os obriga a qualquer tipo de colaboração ou aceitação das práticas e métodos utilizados pelos partidos da ala direita, ou seja: socialista, social-democrata e centrista. É que os ideais são muito diferentes, sobre todos os pontos de vista. De um lado, a Humanidade e o Homem são, digamos, o centro de tudo porque vale a pena lutar; do outro, é o vil metal sonante quem salva o Homem e a Humanidade, e portanto, se lhe sobrepõe em importância.

Quanto à senhora doutora, é simples esclarece-la: nós, os portugueses, ficamos desnorteados, quanto às questões da saúde, sempre que o socorro está a dezenas de quilómetros de distância, simplesmente porque sabemos que o mau pagador que se chama governo, (para não dizer o caloteiro do governo), ao não liquidar o que deve aos bombeiros, impede o País de dispor de uma razoável rede de serviços de urgência que permita fazer o melhor pela vida humana, que pode bem calhar ser a de qualquer um dos cidadãos…

José Solá

 

 

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PARABÉNS, ANTERO DE QUENTAL !

 

 

 

 

 

 

Antero de Quental nasceu na Ilha de São Miguel, Açores, no dia 18 de Abril de 1842 e decidiu libertar-se da vida em 11 de Setembro de 1891.

Dedicou-se à poesia, à filosofia e desenvolveu uma intensa actividade política.

Estudou em Ponta Delgada e em Coimbra, na Faculdade de Direito. Aqui fundou a “Sociedade do Raio”.

Em 1866 foi viver para Lisboa e trabalhou como tipógrafo. Em Paris exerceu a mesma profissão. Dois anos depois regressou a Lisboa e liderou o “Cenáculo”, nome dado ao grupo de intelectuais que pertenceram à “Geração de 70”, tais como Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Adolfo Coelho, Manuel de Arriaga, entre outros. O “Cenáculo” seria o embrião para as “Conferências do Casino”.

Antero de Quental foi um dos fundadores do Partido Socialista Português.

Fundou o jornal “A República”; editou a revista “O Pensamento Social”; dirigiu o jornal “O Académico-Publicação Científica e Literária” e a revista “Ocidental”. Escreveu artigos para os jornais “Diário Popular”, “Jornal do Comércio”, “Primeiro de Janeiro”.

A sua vasta obra literária é constituída pelos títulos: “Odes Modernas”, “Sonetos Completos”, “Raios de Extinta Luz”, “Primaveras Românticas”, “Beatrice”, “Fiat Lux”, “A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais”, “Portugal perante a Revolução de Espanha”, “A Poesia na Actualidade”, “Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX, “A Bíblia da Humanidade”, “Leituras Populares”. Escreveu vários opúsculos e sonetos, dos quais se destacam: “Bom Senso e Bom Gosto”; “Na Mão de Deus”, “Evolução” e “Voz Interior”, entre outros.

Em 1884, Antero de Quental encontrou-se no Palácio de Cristal, no Porto, com Eça de Queirós, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro, onde tiraram a fotografia do “Grupo dos Cinco”.

Em 1889, Columbano Bordalo Pinheiro, o maior pintor português do século XIX, pintou o retrato de Antero de Quental, que se conserva no Museu do Chiado.

Entre 1881 e 1891, Antero viveu em Vila do Conde e no edifício que habitou existe o Centro de Estudos Anterianos, que funciona como espaço de biblioteca especializada e exposições.

Antes de partir definitivamente para Ponta Delgada, o “Grupo Vencidos da Vida”, que tinha fortes ligações ao grupo “Geração de 70”, ofereceu a Antero um jantar de despedida no Café Tavares.

Para terminar esta simples homenagem a Antero de Quental no dia do seu nascimento, o soneto “Divina Comédia”.

                    Divina Comédia

 Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — “Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,

Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N’um turbilhão cruel e delirante…

Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?

Porque é que para a dor nos evocastes?”
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — “Homens! por que é que nos criastes?”

 

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…a noite aluada…

 

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Nasci nas ruas de Cascais, só como todos os seres quando nascem, o futuro de miséria escrito no rosto. Tinha pouco mais do que a vida que alguém me dera e sabia já de cor que me esperava ou a funesta liberdade de não ter poiso certo ou a prisão das grades numa janela mais ou menos doirada e que é tudo o que somos forçados a fazer para construir um lar ou uma casa – conforme se entenda, porque um lar não se faz de tijolos, argamassa, ou outras coisas que tais.
Tive a sorte de, um dia, me levarem para um albergue, quase contra minha vontade. Habituado à chuva seca no corpo enlutado e ao orgulho de não ter outro agasalho, pareceu-me salgado esse saber de dever a alguém o tecto que tinha sobre a cabeça.
Depois levaram-me para outra jaula maior, menos austera, com crianças pequenas, escadas a perder de vista e um sem número de objetos pequenos por descobrir.
Havia luz nessa casa encaixada num jardim com árvores e pássaros nos galhos. E havia amor.
Tentei fugir várias vezes. Queria-me livre outra vez, para sentir no corpo dolorido essa marca de ser sempre só, mas deixei-me cativar por esta gente estranha de modos e costumes que me amava tanto quanto me importunava com o querer a minha presença.
Fui ficando preso nessas malhas que eram os dedos fofos da criança mais pequena e o abraço quente da mãe. Fui ficando e deixando crescer no meu coração essa força que nos liga às pessoas e aos lugares. Criei raízes como as árvores e cresci, envelheci, seja o que for, no seio dessa família que era agora minha também.
Um dia, adormeci a custo. A menina mais velha e a mãe velando o meu sono. Ela adoecera. Sentia-lhe as mãos fracas e frias de quem se despede. Soube nessa instante que lhe daria o meu corpo, a minha vida, se isso a fizesse sorrir outra vez. E procurava-a sempre, adormecida num canto qualquer, para a abraçar.
Um dia, pouco depois da menina mais nova deixar a casa, a menina mais velha voltou a erguer-se nas suas patas e a caminhar. O perigo passara.
Mas com essa preocupação sobreveio-me um cansaço sem fim. Comecei a evitar a companhia daqueles que amava. Entristeciam-me os seus gestos de ânsia em me abraçarem, o gritarem o meu nome rompendo o silêncio que há tanto se instalara naquela casa.Estava cansado da vida, dos ossos que me doíam até à alma e só queria que me deixassem dormir.
Um dia parti, sem dizer para onde ia, mas sabendo que não iria regressar. Fechei lentamente os olhos e sonhei.Para trás deixei a saudade, o rosto das meninas, da mãe, do pai austero que afinal também me sabia amar.Eles ficariam sempre assim, tal como estavam, na minha memória. Não haveria nunca morte ou decrepitude que nos separasse.
Aqueles instantes, que afinal foram toda a minha vida, seriam eternos.
 
Ana Brilha
 
 
 
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