O segredo de ser feliz.

 
Mais um ano se passou. Cheio de caixas de cartão, papel de embrulho, uma gripe, idas à praia, ao campo, reencontros com amigos de cá e de lá e a imensa alegria de plantar um bosque e vermos amiudadamente o sorriso de uma criança.

Quando os dias passam não sentimos que tenhamos feito verdadeiramente algo de grande, de significativo, mas o que é certo é que estes pequenos instantes nos enchem o coração.

Há dias, um encontro casual, um amigo que há muito não via, fez-me uma das suas perguntas habituais: – És feliz? – disse.

– Que raio de pergunta incómoda! – pensei, por momentos, para comigo.
A maioria das vezes perguntam-nos se estamos bem, o que estamos a fazer, indagam sobre as nossas realizações recentes para o nosso interlocutor poder medir pela sua própria bitola a percentagem da nossa felicidade. Mas esta pergunta não, acertou-me em cheio no fundo do peito e fez-me colocar a mim própria a pergunta que nunca tinha feito: Sou feliz?

Por instantes a minha mente ficou em branco, deixou de ser uma variável o que faço diariamente, se atingi ou não os objetivos que imponho a mim própria, os sonhos que realizei ou não, as coisas que adquiri, o que deixei por fazer. Fiquei a sós comigo e com o meu coração.

O que vi foram as nossas pegadas na areia, os pássaros nos ramos altos das árvores a chilrear por entre os raios de sol, a descoberta de cada dia, as mãos cheias de bagas vermelhas e os bolsos de pedras e sementes.

Durante este ano, durante esta vida, mais não fizemos do que descobrir pegadas e fazer pegadas e que é, no fundo, a única coisa que se pode fazer por aqui.

Então ouvi o teu riso, como água de uma fonte, e que faz tudo o resto valer a pena. Com um sorriso nos olhos fitei muito séria o meu amigo e sorri-lhe.
 

Ana Brilha

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Ele me escolheu

jacques miranda's avatarJacques Miranda

Sorrateiramente, ele me escolheu. Não fiz força alguma e, é bem verdade, foi absolutamente sem querer. Por isso afirmo, ele me escolheu.Pimentas

Após o almoço, caminhei despretensiosamente calculando apenas o tempo que iria consumir que era de apenas quinze minutos e pronto. Este tempo está bem abaixo daquilo que me programei para fazê-lo, mínimo 30, mas respeitando as condições, um solzão danado, era melhor os quinze do que – sem ser catastrófico – um infarto.

No caminho, irresistivelmente entrei na Livraria Nobel, sem medo de errar a mais completa livraria de Guarulhos, não só pelo acervo, mas pelo atendimento e alguns quetais, a exemplo do bom sorvete, o café e um espaço para leitura.

Entrando, dei aquela famosa sapeada no balcão dos mais vendidos e nada me surpreendeu: sacanagem (os milhões de tons de cinza e uma Silvia no meio) e religião (Agapês do padre e o “nada a perder”…

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NICOLAU MAQUIAVEL – “O Príncipe”

nicolau maquievel

“Aqueles que, só pela mão da fortuna, de vulgares cidadãos se tornam príncipes alcançam o mando com pouca fadiga, mas só com muito esforço o conseguem manter. Não experimentam dificuldades na caminhada para o poder, parecendo que para lá vão voando. As dificuldades surgem depois de serem entronizados. É o que sucede com aqueles a quem é dado um estado a troco de dinheiro ou por graça de quem o concede (…) Os que assim sobem à condição de príncipe ficam dependentes da vontade e da fortuna de quem lhes proporcionou o trono, que são duas coisas assaz volúveis e instáveis, não sabendo nem podendo garantir a sua conservação. Não sabem – porque, a menos que seja um homem de grande habilidade e virtude, não é razoável que, tendo sempre vivido como vulgar cidadão, saiba comandar; não podem – porque não dispõem de forças que lhes possam ser amigas e fiéis. Além disto, os estados que surgem de repente, como todas as outras coisas da natureza que nascem e crescem rapidamente, não desenvolvem as raízes, o tronco e os ramos, sendo destruídos pelo primeiro temporal. Isto, a menos que aqueles que, como eu disse, de repente se tornaram príncipes possuam tanta virtude como a fortuna que tiveram quando o estado lhes caiu no regaço e saibam, rapidamente, preparar-se para o conservar. E aqueles pressupostos que outros preencheram antes de se tornarem príncipes sejam por eles reunidos posteriormente.”

Nota: Excerto do livro: “O Príncipe”.

 

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SYLVIA PLATH – “Canção de Amor da Jovem Louca”

sylvia plath - canção de amor

Sylvia Plath nasceu em Outubro de 1932, em Boston, Massachusetts.

Foi poetisa, contista e romancista norte-americana.

Plath é reconhecida como a prosseguidora do género de poesia confessional, que consiste na expressão autobiográfica da intimidade do poeta, expondo temas relacionados com a doença, a sexualidade, a depressão, etc.

Foi o primeiro poeta a ganhar, (postumamente), o “Prémio Pulitzer de Poesia” em 1982, pelo livro” Collected Poems”.

O filme “Sylvia – Paixão Além das Palavras”, realizado em 2003, retrata a história agitada da sua relação com o poeta Ted Hughes, seu companheiro.

 Canção de Amor da Jovem Louca

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

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A obra nasce e o homem renasce

A obra nasce e o homem renasce. Desde 2010 que a palavra escrita é uma fonte incessante. Trago à luz a minha essência e dou sentido à minha existência. Se um dia a noite se calar e o canto da ave não cantar, não terá sido em vão que percorri este mar…

José Guerra (2013)

Sítio do Livro

 

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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – Cortar o Tempo

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
…Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra adiante vai ser diferente para você,
desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
…A esperança renovada.

Para você,
desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe
desejar tantas coisas
mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo a sua felicidade!

 

 

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Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 100.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Reflexões

Reflexões

DESABAFOS

Caridade

Num país da América Latina, escrito nas paredes de um hospital, lê-se um verso, da autoria de um poeta anónimo:

O senhor Juan de Robres

Com caridade sem igual

Mandou fazer este hospital

Mas antes fez os pobres…

Que pode fazer a humanidade para se livrar da infestação social dos senhores Robres? Bom, simplesmente nada, porque os Robres deste mundo é parte indissociável, (enquanto produto da natureza), da humanidade, e esta não se pode amputar a si mesma. Na verdade, não é caso de extrema importância perseguir os senhores Robres, enquanto casos isolados, porque, pela via da concorrência, eles acabam sempre por se abocanharem uns aos outros; é o que acontece à rataria, logo que se abriga num subterrâneo sem alimentos: comem-se entre iguais.

Então, os Robres deste mundo, não são razão de monta para causar insónias aos povos do planeta? A lógica desta simplória interrogação tem o seu quê de perverso, é ambígua, e pode muito bem receber duas respostas: sim, ou não; Tudo depende. Um Juan de Robres por si só não faz uma montanha, porque voa baixo, rasteiro, e o seu horizonte não abarca muitas presas. É verdade que fabrica pobres, mas na dimensão artesanal que cabe a uma fabriqueta de miséria; e quando enriquece, a sua vaidade, o seu ego, leva-o à filantropia, e ele constrói então o tal hospital. Até pode acontecer, (e acontece a miude), que o tal de Robres não seja de todo má pessoa, (a natureza tem destas coisas); e se, na região existirem dois Robres, que disputam entre si o monopólio da riqueza, então toda a região lucra. Fica com dois hospitais, e com uma pobreza disfarçada de modesta classe média.

O problema reside na associação em organizações de classe dos “Juans de Robres;” que, entre outros feitos, originam partidos políticos onde a palavra social, em letras gordas, se vislumbra nas siglas; com juventudes fanáticas, em cujas cabeças os cérebros foram substituídos por pedaços de barro mal cozido, que originam ministros de governos de palavras fáceis nos discursos hipócritas, pensados para cativar as massas iletradas; dão corpo a sociedades de responsabilidade anónima limitada, onde a concentração de capitais lhes garante o poder absoluto sobre tudo o que, por baixo deles, tentando passar despercebido, se mexa; mercados de capitais, bancos, agências internacionais de rating que destroem ou constroem países, laboratórios farmacêuticos que experimentam os seus produtos nas áreas mais remotas do globo, em seres humanos indefesos; a perversidade do mundo poderoso edificado a partir das organizações de classe formadas por muitos e poderosos Robres, de sorriso aflorado em lábios finos sob uns olhos de ave de rapina, do topo do seu estatuto de patrões universais, dispõem-se à caridadezinha; umas mantas e umas sopas quentes para combater a agrura do frio de inverno. A hipocrisia de um sorriso. Um “tenha paciência” dito em perverso tom de resignação. Um “fique com Deus.”

Esta a ignominia a que hoje nos sujeitamos, pelas santas mãos desta social-democracia, que tanto nos protege das heresias dos algozes comunistas.

Para o milhão e quatrocentos mil desempregados que o sistema gerou, trabalho nunca, nem subsídios de desemprego; caridade sim, uma caridade do “tenha paciência, vêm por aí dias melhores;”um ministro sorridente que saltita feliz, a dizer asneiras, e que, à noite, corre à roda da mesa à frente da mulher, a cantar: Sou ministro! Sou ministro!”

Esta a caridade que não quero!

Portugal feliz e contente

“A vida é o que acontece, quando fazemos planos para outras coisas.”

A frase não é minha. É de Patrícia Mac Donald, e fui buscá-la ao seu livro intitulado: “O último refúgio.” É bem verdade, (quanto a mim), que a vida é mesmo isso, uma sequência de ocorrências ocasionais, imprevisíveis, na maioria dos casos inadmissíveis à luz da lógica, e que sistematicamente nos estragam os planos que gizamos.

Certezas, quanto ao caminho que cada um de nós traça de acordo com as suas conveniências, poucas, ou mesmo nenhumas, por muito que planeemos o futuro.

Agora garantias colectivas, prestadas pelas instituições do país a que pertencemos, e que nos são outorgadas pela Constituição, isso, é outra “louça” como é uso dizer-se; é inadmissível admitir sequer que determinado governo põe em causa os direitos dos seus cidadãos já aposentados, retirando-lhes parte dos valores das suas reformas, com o argumento de dificuldades nacionais extremas, que, na verdade, existem por erros sucessivos de governação, por duas razões fundamentais: primeiro, porque se estabeleceu um contrato entre ambas as partes, baseado no princípio da confiança mútua, segundo, porque o dinheiro é pertença dos cidadãos aposentados e não do governo vigente; não misturemos as “águas” permitindo que governantes corruptos sucessivamente, se responsabilizem uns aos outros, de legislatura para legislatura. Quando assim sucede estamos perante quadrilhas que praticam o crime organizado, e nunca perante políticos credíveis. E o crime sobe de nível de gravidade quando o mais elevado magistrado da Nação lhe transmite legitimidade.

Se governantes que cobardemente roubam aqueles que, por via da idade, já não conseguem defender-se, esses governantes são ladrões, mas se esse bando de facínoras beneficia da benevolência presidencial, como chamar ao homem que jurou por sua honra cumprir e fazer cumprir a Constituição? Bom, dizer que estamos na presença de um facínora reles e desprezível talvez não seja o suficiente. Na verdade estamos perante um crime de lesa Pátria, o que, a não ocorrer uma acção militar imediata e punitiva, justifica plenamente uma revolta popular.

Se esta “democracia”não foi tomada de assalto pelos “Robres”deste pobre país, ela contêm em si mesma os argumentos e as soluções, (afirmadas nas urnas), para enfrentar as nossas agruras colectivas; dispensamos assim o paternalismo presidencial evidenciado nas atitudes de Sua Excelência!

Temos a infelicidade de estes nossos Robres nem construírem um pequeno e modestíssimo hospital, depois de nos tornarem os mais pobres dos pobres de toda a Europa.

E assim termino, camaradas e amigos, gritando a minha revolta, e clamando que chegou a hora de, de armas em punho, marcharmos unidos contra os LADRÕES!

José Solá

 

 

 

 

 

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ANTÓNIO GEDEÃO – Dia de Natal

dia de natal anton io gedeao

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético. (Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeus enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha se uma roupagem diáfana a desembrulhar se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor – o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
Do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá.

Já está!
E fazia as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

 

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O NATAL

PAO COM MANTEIGA

“Aproximava-se a noite de Natal, naquela comunidade do Sul.

Numa azáfama incontrolável, as ruas da cidade, nessa tarde de 24 de Dezembro, estavam completamente apinhadas. Entrava-se e saia-se dos grandes armazéns ajoujados das mais variadas prendas para distribuir nessa noite ou na manhã seguinte. Sobretudo os mais novos viviam um momento de euforia procurando que os pais lhes comprassem todos os géneros de brinquedos e guloseimas. Havia nas ruas um ar de festa ouvindo-se, a sair de todas as lojas, alegres cânticos de Natal.

Ao chegar ao lar, o casal, que passara toda a tarde nas ruas centrais da cidade, nessa loucura feita de alegria e constrangimento por, afinal, não poderem comprar tudo quanto desejavam, encontrou os avós e os sobrinhos-órfãos, sentados na sala, aguardando o seu regresso. Por outro lado, os filhos rodearam-nos, febris, tentando adivinhar que presentes iriam receber um pouco mais tarde, após a ceia.

Chegadas as 10 horas da noite toda a família se sentou em volta da mesa para a refeição festiva. A mãe veio da cozinha, ajudada pelas duas avós, trazendo uma enorme bandeja que, solenemente, pôs em cima da mesa. Imediatamente toda a pequenada se lançou, com voracidade, sobre a iguaria, constituída por um robusto homem moreno, assado com batatas louras, em molho de vinho tinto da região. Os pais puseram cobro àquele assalto desordenado e dividiram, irmãmente, o homem.

A comunidade que, então, festejava o Natal, era, como já se aperceberam, uma comunidade de perus.”

 

Nota: Este texto está incluído no livro “Pão Com Manteiga”, publicado em 1980. São seus autores: Bernardo Brito e Cunha, Carlos Cruz, Eduarda Ferreira, José Duarte, Mário Zambujal e Orlando Neves.

 

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