Sessão de Autógrafos

Sessão de Autógrafos

Estarei na 83ª Feira do Livro de Lisboa, no dia 02 de Junho (Domingo), no pavilhão dos pequenos editores, das 17h30 às 18h30, para dois dedos de conversa e autografar o meu mais recente romance “Amor Proibido”, Edição Vírgula, Sítio do Livro.

Um abraço literário!

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A PIOR COISA É A LIBERDADE

A PIOR COISA É A LIBERDADE

                                       A PIOR COISA É A LIBERDADE

A pior coisa é a liberdade. A liberdade de qualquer tipo é o pior para a criatividade.

Quando estive dois meses na prisão em Espanha, esses dois meses foram os que me deram mais gozo e os mais felizes da minha vida. Antes de ter ido para a prisão, estava sempre nervoso, ansioso. Estava sempre em dúvida se deveria fazer uma pintura, ou talvez um poema, ou se deveria ir ao cinema ou ao teatro, ou ir ter com uma rapariga, ou ir brincar com os rapazes. Mas puseram-me na prisão, e a minha vida tornou-se divina. Tremenda!

Nota: Excerto de uma entrevista a Salvador Dalí, (1904-1989) pintor catalão, celebrizado pelo seu trabalho surrealista.

 

 

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A Revolta de Tuong – Novo livro online

A Revolta de Tuong

Leitura online d’A Revolta de Tuong

O meu terceiro livro, terceira aventura. Mais um a sair de um sonho tecido em terras algarvias lá pelo Natal passado!

Desta vez vou trocar as voltas e, antes de chegar ao papel (e lá chegará) vou divulgá-lo online, em bruto, pouco revisto, quase à medida que o for escrevendo.

A minha maior falha, e certamente o de muito novos escritores desconhecidos, é não conseguir chegar ao leitor, é não conseguir chegar além de pouco mais que o grupo de amigos conhecidos e os amigos e conhecidos desses. Assim irei divulgar, distribuir, oferecer o livro, antes de o ser no seu sentido clássico, e esperar que assim chegue a mais audiência.

O livro em si também é algo novo para mim, é uma aventura em que me aventuro pela ficção científica. A estória não vive das naves e dos raios laser e outros que tais, mas sim do drama da Humanidade que, enfraquecida pelas batalhas constantes se deixa enganar por outra raça. Mas nem todos se deixam enganar para sempre e Tuong vai libertar-se, ou tentar, e com isso libertar a Terra.

Estão “publicados” online os primeiros 4 capítulos e pode ser seguido aqui: www.armandofrazao.com/l_tuong.html.

Todas as actualizações (semanais) serão divulgadas na minha página no facebook: facebook.com/FrazaoArmando

Comentários, sugestões, críticas são bem vindos e agradecidos 🙂

Armando Frazão

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Honrando o primeiro passo

jacques miranda's avatarJacques Miranda

ImagemTem aquele provérbio chinês que diz que uma longa caminhada começa sempre com o primeiro passo. Esta, aliás, é a primeira frase que coloco na lousa quando inicio um módulo de aulas – é um padrão. Aprendi isso com um professor chamado Alcides; não inventei, não criei.

Muitas coisas que faço vem de um aprendizado que, por conta da minha educação, coisa que aprendi com minha  família, hoje eu utilizo e me faz bem.

Uma coisa é dizer que aprendemos bons modos, educação fina ou até mesmo hábitos saudáveis com a família. A outra coisa é dizer que aprendemos o óbvio: andar, escrever, por exemplo. É, mas é sobre isso que vou dizer e há um bom motivo para isso.

Domingo, dia 13 de maio comemorou-se o Dia das Mães, oportunidade em que muitas pessoas se encontram com suas mães, entregam um presente, fazem uma declaração de amor, tiram fotos…

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CRUELDADE E SOFRIMENTO

CRUELDADE E SOFRIMENTO

A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças é aterradora.

O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis.

O ódio desencadeia-se por um pequeno nada, por um esquecimento, pela sorte de outrem, por um favor que se julga perdido. O ódio abstracto por uma ideia ou uma religião transforma-se em ódio concreto por um indivíduo ou um grupo; o ódio demente desencadeia-se por um erro de percepção ou de interpretação.

O egoísmo, o desprezo, a indiferença, a desatenção agravam por todo o lado e sem tréguas a crueldade do mundo humano. E no subsolo das sociedades civilizadas torturam-se animais para o matadouro ou a experimentação.

Por saturação, o excesso de crueldade alimenta a indiferença e a desatenção, e de resto ninguém poderia suportar a vida se não conservasse em si um calo de indiferença.

Nota: Texto incluído no livro “Os meus Demónios”, de Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês. Nasceu em Paris no dia 8 de Julho de 1921.

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Castelos

Castelos

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Crónicas da Brilha: Porque eles sabem o que fazem.

 



A sujidade da metrópole sufoca-me aos poucos. Tombam palavras da ruína de paredes sujas, tropeço nas embalagens que o vento empurra no caminho e abate-se sobre mim um grande cansaço.
 
Fico com a nostalgia das casas no Alentejo, caiadas de branco à falta de melhores dias para usar tinta a sério, dos quintalinhos arranjados e sem ervas, do cuidado diário de quem ama e de quem estima o que é seu.
Na cidade, não. Cinzento a toda a volta, cinzento nos corações das pessoas que correm apressadas atrás do ponteiro.
 
Será só isto? Ou haverá algo mais?
 
Ainda vejo aqui e ali um pontual varredor de ruas que me dá os bons dias, mas no resto instalou-se a desumanidade das máquinas, dos ruídos troantes das engrenagens, da sujidade que se cola à pele e à alma das pessoas quando o seu motor já não bombeia sangue mas óleo e detritos. Sobre esses esqueletos da civilização voam pássaros famintos de árvores e rasgos de brisa entre as folhas ao sol.
 
Desumanamente sós por entre os escombros de uma civilização falida, polida de miséria escondida, que não se vê, deseducada pelo contacto com a imensa lixeira que borbulha aos pés da cidade, queixamo-nos e não fazemos nada.
Mas sobrevive ainda no estético a nossa humanidade, na arte inútil e controlada de autómatos a quem se cortou o pio com centenas de anos de opressão expressa ou implícita, daquela que ainda existe.
 
É só isto? Ou há algo mais?
 
Fico com o estômago cheio da tinta dos grafitis que ninguém limpa, das pedras dos prédios em ruína, do sarcasmo, do desinteresse, das correntes dos escravos que as trazem rentes ao peito num gesto de amor.
 
Consumo as minhas horas, mordo-as sofregamente por nada mais poder fazer com elas e espero, talvez insensatamente, que as paredes voltem a ser brancas e as gaivotas não tropecem nas latas que atiramos inconscientemente uns aos outros num gesto de desresponsabilização consciente.
 
À noite, no caminho de casa, ou de manhã, a caminho do trabalho, é quando mais me oprime o cinzento que se instalou em volta. Lamento os pardais de telhado que pousam em construções de plástico desgastado, lamento os pombos que debicam beatas nas estações e lamento profundamente não vermos, como as crianças vêm, que nos estamos a tornar numa alegoria.Quase vejo acontecer o conto que trago soterrado na memória, desde quando não sei, em que uma civilização era tragada pelo seu próprio lixo.
 
No que me toca, faço o que posso: reciclo, reutilizo, respeito, tento deixar algo de verde ainda como herança aos filhos que não sei se terei algum dia.
Seja como for, e perdoem-me o desabafo, cansa-me todo este desleixo de não querer saber. Garanto-vos, como dizia o velho índio, que quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vão perceber que o dinheiro não se come.
 
Ana Brilha
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LORD BYRON – Epitáfio para um cão

Lord byron

Lord Byron nasceu em Londres, Inglaterra. (1788-1824)

Foi um dos mais destacados poetas de língua inglesa e uma das figuras preponderantes do Romantismo.

Herdou o título nobiliárquico do tio-avô William, tornando-se o sexto Lord Byron.

Das suas obras, salientam-se: “Peregrinação de Child Harold” e “Don Juan”,consideradas obras-primas da poesia.

Amargurado pela morte do seu cão, Byron dedicou-lhe este excelente e emotivo poema:

“Epitáfio para um cão”

Perto daqui
Estão depositados os despojos daquele
Que possuía beleza sem vaidade,
Força sem insolência,
Coragem sem ferocidade,
E todas as virtudes do Homem sem seus vícios.
Este elogio, que seria uma adulação sem sentido
Se escrito fosse sobre cinzas humanas,
É somente um justo tributo à memória de
Boatswain, um cão
Que nasceu em Newfoundland em maio de 1803,
E morreu em Newstead, em 18 de novembro de 1808.

Quando um orgulhoso filho do Homem retorna à terra
Desconhecido pela glória mas sustentado pelo berço,
A arte do escultor exaure a pompa do infortúnio,
E urnas ornadas registam aquele que descansa abaixo:
Quando tudo está terminado, sobre a tumba é visto
Não o que ele foi, mas o que deveria ter sido.
Mas o pobre cão, na vida o mais fiel amigo,
O primeiro a dar boas vindas, na dianteira para defender,
Cujo coração honesto é do próprio dono,
Que trabalha, luta, vive, respira somente por ele
Sem honra se vai, despercebido seu valor,
Negada no Paraíso a alma que tinha na terra;
Enquanto o homem, fútil insecto! tem a esperança de ser perdoado,
E reivindica para si só exclusividade no Paraíso!
Oh, homem! frágil, breve inquilino
Rebaixado pela escravidão, ou corrompido pelo poder,
Quem te conhece bem, deve rejeitar-te com desgosto,
Massa degradada de poeira viva!
Teu amor é luxúria, tua amizade inteira ilusão
Tua língua hipocrisia, teu coração decepção.
Por natureza mau, dignificado apenas pelo nome,
Cada irmão selvagem pode fazer-te corar de vergonha.
Vós! que, por ventura, contemplais esta urna simples
Ficais sabendo, não homenageia ninguém que desejais prantear,
Para marcar os despojos de um amigo estas pedras se levantam;
Nunca conheci nenhum, excepto um único — e aqui ele descansa.

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VINÍCIUS DE MORAES – “Minha Mãe”

VINICIO DE MORAES

 Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo

Tenho medo da vida, minha mãe.

Canta a doce cantiga que cantavas

Quando eu corria doido ao teu regaço

Com medo dos fantasmas do telhado.

Nina o meu sono cheio de inquietude

Batendo de levinho no meu braço

Que estou com muito medo, minha mãe.

Repousa a luz amiga dos teus olhos

Nos meus olhos sem luz e sem repouso

Dize à dor que me espera eternamente

Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa

Do meu ser que não quer e que não pode

Dá-me um beijo na fonte dolorida

Que ela arde de febre, minha mãe.

 

Aninha-me em teu colo como outrora

Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas

Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.

Dorme. Os que de há muito te esperavam

Cansados já se foram para longe.

Perto de ti está tua mãezinha

Teu irmão, que o estudo adormeceu

Tuas irmãs pisando de levinho

Para não despertar o sono teu.

Dorme, meu filho, dorme no meu peito

Sonha a felicidade. Velo eu.

 

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo

Me apavora a renúncia.

Dize que eu fique

Afugenta este espaço que me prende

Afugenta o infinito que me chama

Que eu estou com muito medo, minha mãe.

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Reflexões

Reflexões
Falando de Montanhas e de insignificâncias, e de bandalhos…
Todos os povos do mundo têm sonhos. É legitimo sonhar e esperar que o sonho um dia se concretize. Mas o mundo é coisa grande e estranha, tem manhas, é trapaceiro quando menos esperamos. O mundo joga-nos com os seus baldes de água gelada em cima, e ri-se. Então os povos que sonham rodeiam os seus líderes, os seus Estadistas, e assim recobram do banho gelado, enfrentam as tragédias do mundo e, aos poucos, recuperam os seus sonhos.
Todos os povos? Bom, na verdade, nem todos. Nós, (não sei porque fatalismo, ou má sina), ficamo-nos sempre pelos nossos bandalhos. Não sei porque “carga de água” é assim. Espermatozóides sazonais que trazem defeito de fabrico, deficiência das linhas de produção, crise financeira na holding de Deus, (sim, porque não temos forçosamente espermatozóides comuns, como os animais e os outros que, ainda que filhos de Deus, não foram pelo Pai perfilhados; nós fomos, e por isso demos novos mundos ao mundo, globalizamos a treta do planeta, escravizamos, (perdão, leiam educámos), e, munidos da pachorra e do tédio de só e apenas fazer o bem, cumprimos os desígnios do Altíssimo, em conformidade com os espermatozóides especialmente enriquecidos na sopa da vida, que, com extremoso carinho e desvelo, Ele nos dotou. Só que a crise financeira, meus irmãos, tudo vence, e até à solidez do Céu chega. À quinhentos anos atrás seria outra “loiça!” Hoje, Deus já não nos banha no mar da inteligência, borrifa-nos, como faz com os gentios das terras distantes. Ficamos órfãos de Pai. O que fazer, agora, nesta qualidade de gente comum, nós, os dilectos eleitos?
É caso para nos sentirmos mortais “totós” num mundo assim, com tantas modernices e trapaças. Vejam vocês a esparrela (ou casca de banana), em que nos estampámos: a Europa, na sua bondade extrema, disse-nos o que não devíamos produzir, porque eles conseguiam melhores custos de produção, e nós, com a nossa qualidade de excelência enquanto alunos, perdemos as pescas, a agricultura, as industrias, as manufacturas, a ciência, a cultura, enfim, tudo o que faz um País, incluindo a língua! É certo que fomos pagos, e com o pecúlio assim tão “facilmente” adquirido, construímos estradas, produzimos cimento, com ele fizemos betão. A indústria da Construção Civil agigantou-se a níveis nunca antes alcançados. Pela mão ternurenta de um líder que julgámos carismático e estadista “à séria,” o nosso tão querido Cavaco, embarcamos de novo nas caravelas, e, de velas enfunadas, navegámos a caminho do disparate, nas águas calmas de um oceano sem fim visível! Hoje, (com a infinita paciência que caracteriza todos os grandes ladrões de cartola), a ufana Europa recupera o seu investimento, e os seus avultados juros; bom negócio! Excelente qualidade de raciocínio! O mundo, de facto e de júri, é dos espertos. O mundo e o Céu, porque, para os estúpidos, fica apenas a niquinha mais remota do inferno profundo, onde nem o diabo já quer morar! Sem soberania, escravos de um dinheiro que não nos permite viver na caseira decência de sempre, navegamos sem perder de vista a costa, e nem sequer percebemos qual a costa que nos serve de referência!
Permito-me oferecer-lhes um pequeno texto, escrito pelo Prémio Nobel da economia, Paul Krugman; na página cem do seu livro, “Acabem com esta Crise,” ele escreve:
(…) Normalmente, pensar-se-ia que a melhor opção de um primeiro-ministro seria tentar fazer aquilo que provavelmente o levaria a ser reeleito. Por mais negro que o panorama seja, é esta a estratégia dominante. Mas, na era da globalização e da europeização à moda da EU, creio que os lideres de pequenos países se encontram na verdade numa situação ligeiramente diferente. Se algum deles terminar o mandato usufruindo de grande estima por parte do grupo de Davos, há uma infinita série de postos na Comissão Europeia, no FMI ou em organismos afins para os quais poderá ser elegível mesmo que seja completamente desprezado pelos seus próprios conterrâneos. Aliás, ser completamente desprezado seria de certa forma uma mais-valia. A derradeira demonstração de solidariedade à “comunidade internacional” seria fazer aquilo que a comunidade internacional quer, mesmo perante a resistência em massa dos seus próprios círculos eleitorais nacionais. (…)
Que cada um de nós busque os rostos dos nossos traidores, e os imprima a fogo na mente, até que a oportunidade da vingança nos bata à porta!
Eu quero falar-lhes de saúde pública e de terapias. Dois homens, (um com cento e quarenta quilos de peso, o outro com cem), vão a uma consulta médica, e o médico faz o mesmo diagnóstico para ambos: a necessidade premente, imediata, de cada um emagrecer com urgência, cinquenta quilos; o que pesa mais fica combalido do tratamento, mas sobrevive. Ficou com noventa quilos, o que ainda é peso adequado à sua altura. O outro, bom, sucumbe, pela simples razão de que os seus modestos cinquenta quilos são-lhe insuficientes. No seu caso, o médico errou o diagnóstico! É o caso; nós, portugueses, não engordámos o necessário para tão abrupto emagrecimento. E porquê? Bom, não sendo muito complexas, as razões da nossa magreza prendem-se, (quanto a mim), a duas e pertinentes razões. Tratemos em primeiro lugar da segunda. No seu discurso no dia primeiro de Maio, o primeiro-ministro falando para alguns trabalhadores do PSD, disse, (não textualmente): “Se sairmos do euro como alguns pretendem, temos de arranjar moeda própria, desvalorizá-la trinta por centro, ou mais, e temos de enfrentar a bancarrota.” É verdade, senhor primeiro-ministro! Mas pergunto: “Então, e se não sairmos?” Se não sairmos, – penso eu – continuamos sem soberania, acorrentados à hegemonia prepotente de uma Alemanha e seu delírio de expansionismo e de escravização dos países mais débeis, ou com mais germanófilos nos cargos importantes nos respectivos governos nacionais! E, ainda que esqueçamos a nossa portugalidade, a nossa nacionalidade, estamos a ignorar as nossas conveniências; é que esta Europa fede, de estupidez, de incompetência, e de desrespeito pelos povos que a integram! Além do mais, em democracia, a decisão de ficar ou de sair tem de ser tomada pelo povo e, daí, a urgência de um referendo, que legitime a vontade soberana do Povo.
Falando agora da segunda razão, e essa tem muito a ver com o principio, (bem português): “quem vê caras não vê corações.” As simpatias contam. Aquele penteia-se melhor, veste bem; aqueloutro fala bem, mas não me alegra por causa daquele dente cariado que mostra lá atrás! Aquele? Nem doutor é, o coitado! Há com cada um, onde já se viu, um reles operário a falar do que não sabe! E assim, elegemos o Aníbal Cavaco Silva como politico de estimação, ou mascote perpétua. Eis o nosso drama: eleger avaliando os políticos pelas aparências, e pelos discursos fáceis, as palavras ocas, a verborreia!
Um Povo tem hábitos e tradições que são o seu ADN, a sua identidade. A Republica sempre se festejou livremente em todas as cidades portuguesas, mesmo durante a primeira parte da ditadura. Cavaco Silva, ao limitar as comemorações às elites, na prática, adquiriu a Republica como se fora um bem seu, pessoal, que graciosamente faculta quando quer aos seus amigos e convidados; no exterior representa o País segundo as suas convicções pessoais e não segundo os protocolos a que o cargo de Presidente o obriga, (é o recente caso de excluir do seu discurso o Nobel da Literatura Portuguesa, quando em publico falou na Colômbia); impede o Povo de, (pela via eleitoral), fazer funcionar a Democracia, que tanto suor e lágrimas, sangue, desespero, nos custou a conquistar. Hoje, ao tornar-se partidário, com um simples abanar de orelhas, espanta e arrepia os últimos redutos da nossa decência e consciência colectiva! Afinal, vendo bem a nossa desdita, se a crise não tem subido aos céus e Deus investisse continuamente no enriquecimento da nossa “transmissão” genética, não andávamos a produzir tantas bestas! (FIM DA PRIMEIRA PARTE)
José Solá

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