“O silêncio gritante das minhas palavras irrompem nos céus onde apenas tu ouves o mais belo poema de amor que os teus olhos leram”
in “Pura Inspiração”, José Guerra (2011)
“O silêncio gritante das minhas palavras irrompem nos céus onde apenas tu ouves o mais belo poema de amor que os teus olhos leram”
in “Pura Inspiração”, José Guerra (2011)
De que vale acordar se não estás, sonho ou realidade, apenas realidade porque do sonho se acorda…
José Guerra (2011)
Heimdall é um gigante que proteje a ponte sagrada Bifrost ( ponte de fogo ) que liga os mundos. Quando Wolfgang retornou à Asgard ( mundo dos Deuses ) Heimdall tocou a corneta Giallarhorn e colocou-so sobre suas costas, transportando-o até o grande portão.
Toda vez que Heimdall toca a corneta, é sinal de que alguém se aproxima dos Deuses.
Pedro (amigo do jovem irmão a que um automóvel roubara a irmã), que admira e ama os indivíduos apresentados, ansioso por deixá-los mas incapaz de os deixar, é o narrador por cuja mão vai sendo construído, diante dos olhos do leitor, uma história no presente, mas em que o passado irrompe com um poder constante e brutal. Pedro testemunha os principais momentos desta trama, como preso a ela, fascinado e esgotado: escreve-a como se fosse um romance, à semelhança de um outro romance, escrito pelo seu amigo; é, pois, um romance que contém e é contido pelo romance que o inspira. Através do seu olhar atento e sensível, Pedro tenta tudo recolher e compreender: estas personagens principais e uma séria de personagens secundárias, como um peixinho num tupperware, um anão cinéfilo, um detective libidinoso, um barbeiro que poderá ter sido – ou não – o assassino da própria mãe, ou um líder solitário em busca de quem o oiça e siga, numa pluralidade de personagens e situações que, no entanto, nunca se desagregam de um fio narrativo central: a viagem de um pai para reencontrar o seu filho.
O AMOR…..essa palavra aquém do sentimento que se sente, que alimenta e não se vê, que trespassa não sei porquê….nas reticências quando se olha, se bebe e se lê…
José Guerra (2011)
A experiência a escrever algo desta dimensão pela primeira vez é… simplesmente surpreendente.
Sobre a formação da estória:
Sara e David era suposto serem as personagens principais.
Precisava de um vilão astuto e algo dissimulado e para este papel escolhi o Victor. Director de um museu, sem grandes escrúpulos e muito mais interessado na fama e nos resultados materiais que a descoberta lhe traria. Pouco se importaria com os métodos e com as pessoas.
Queria também alguém para desconcertar o grupo e criar alguma agitação, quase sempre no bom sentido, com espírito de aventura e ousadia quanto baste, a Veronica.
Bem, para não levar ninguém ao engano, afinal eu não sabia do que precisava e todas as personagens planeadas, e outras não planeadas, acabaram por se moldar à estória e não ao que eu queria.
Sara e David são personagens centrais, mas dividem claramente o protagonismo com outras personagens.
Quanto ao Victor, é realmente director de um museu e chefe da expedição, mas em tudo o resto, não. E afinal o vilão…
Esta é a parte que mais me impressinou na experiência de escrever.
Não fui realmente eu a fazer a estória ou a construir os personagens!
Depois de definidos os pontos de passagem principais, na realidade, eu não tinha quase nada. Mas a sequência e o encadeamento da estória deram-me o resto, de um modo muito natural sem grandes desvios, com o caminho sempre à vista.
A estória escreveu-se a si própria, os personagens sairam do meu controlo e as suas características apareceram sem a minha intervenção consciente. E o mais surpreendente é que as relações entre eles e com a aventura em si encaixaram na perfeição, sem qualquer esforço da minha parte.
Eu ia conhecendo o enredo e os pormenores apenas à medida que os escrevia!
Quase sempre tive pena de não conseguir escrever à velocidade do pensamento porque as cenas seguintes surgiam sempre rapidamente.
Escrever para mim é afinal parecido com a descoberta de ler um livro. Só que são as nossas ideias, é a nossa mente a criar e as sensações são muito mais vivas, mais surpreendentes, de longe muito mais reais do que se apenas estivesse a ler.
Acima do imenso portão da cidade de Kordava, uma escuridão fantasmagórica pairou silenciosamente naquela noite. Centenas de soldados tinham tombado e apenas um deles ainda respirava o ar decadente que aquelas sinistras ruas exalavam. O homem parecia ter visto algo de sobrenatural e mal conseguia segurar a espada, devido ao intenso tremor que o dominava. Ele não se mexeu. Estava apavorado e os seus olhos tinham-se fixado numa coisa estranha que flamejava sobre a torre do castelo.De longe conseguia-se apenas ver algo sinuoso…
Ainda que o peso anos por mim passem, que de mim me esqueça, numa sombra me torne, jamais me esquecerei do teu nome….e das vezes que me fizeste sorrir….
José Guerra (2011)
A águia pedira que se reunissem todos aqueles de que suspeitava: a rainha, o crocodilo, o chacal. [Tinha dispensado a tartaruga]. Falou com um ar teatral:
«Sempre suspeitei do crocodilo», principiou. Ouviu-se um tchac enraivecido de dentes. Prosseguiu: «Mas o crocodilo nunca usaria uma bomba ou veneno. Não que esta escolha de meios o iliba: poderia tê-lo feito em conluio com alguém. Porém, custa-me a crer. Sobretudo, não vejo como conseguiria entrar no palácio. Só se tivesse um cúmplice…» Olhou em volta. «Os mais próximos do rei são, obviamente, o chacal e a rainha leopardo. Contudo…»
Deixou que a pausa encorpasse. O silêncio chegava a doer nos tímpanos.
«O chacal é astuto. Não falha, não comete erros, sempre o disse. Nunca poria uma bomba que não funcionasse. Demasiada incompetência.»
Fixou a rainha, que estremeceu.
«A rainha seria capaz? Bem. Havia, em toda esta história, qualquer coisa que não encaixava. Lembro-me de que, no funeral, a rainha leopardo procurava seduzir o futuro rei – o crocodilo. Sob o olhar atento do chacal. Atento, e quê? Que havia naquele olhar? Vergonha? Ódio? Ciúme…? Só nessa altura percebi: o chacal e a rainha são amantes…»
Houve protestos coléricos.
«O plano era claro. Tinham o objectivo de casar e reinar. Para isso, era necessário, primeiramente matar o rei. (E uma das tentativas foi executada pela rainha. Uma bomba: falhou. O chacal teve certamente de intervir, e o chacal nunca falha: o veneno actuou). Mas depois…»
A rainha estava histérica, a águia implacável.
«Depois vinha a segunda parte do plano. A rainha deveria seduzir o crocodilo, o qual seria, naturalmente, o próximo rei. Só quando se desfizessem dele, como se tinham desfeito do leopardo, teriam o terreno livre para a sua paixão e para o poder absoluto.»
A rainha desmaiou. O chacal, antes que o crocodilo o agarrasse, escapuliu por uma janela».
«Deixe-o. Ele não vai longe», rematou a águia – não queria que se distraíssem demasiado. Deixassem o chacal, para já: este era o momento de glória da águia. O chacal podia ter escapado, mas a águia não deixaria que o seu triunfo escapasse.
FIM
Este medroso cavaleiro, carrega um artefato curioso e poderoso conhecido como Tyrfing ( espada mágica ). Criada pelos anões em Nidavellir, a espada carrega um segredo antigo e poderoso que não pode ser usada levianamente.
Baldur é ganancioso, vive à procura de reliquias para se beneficiar delas. Na obra, ele encontra Wolfgang nos portões de Kordava onde enfrenta uma terrível maldição.