“NÃO DÁ PARA ACREDITAR” (2ª parte)

NÃO DÁ PARA ACREDITAR (2)

Na sequência do meu artigo anterior, darei a conhecer a posição pública de alguns intelectuais brasileiros sobre o encerramento da Livraria Camões, no Rio de Janeiro.

Hoje transcrevo a carta enviada em 6 de Dezembro de 2011 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda ao gerente da Livraria Camões:

Exmo. Senhor

José Estrela

Rua Bittencourt da Silva, 12-loja C

Rio de Janeiro-Brasil

Assunto: Encerramento da Livraria Camões

Exmo. Senhor

Ao abrir a Livraria Camões No Rio de Janeiro, durante a década de 60 do séc. teve a INCM por objectivo promover a divulgação no Brasil das suas próprias edições e de outras obras essenciais da literatura e cultura portuguesas, num tempo em que as Livrarias Tradicionais e o livro impresso constituíam, por excelência, os veículos ideais dessa divulgação.

Nessa época em que os contactos eram mais difíceis e a divulgação cultural estava muito dependente daquela actividade tradicional, a Livraria Camões desempenhou, sob a direcção directa do Senhor José Estrela um papel cujo mérito é conhecido.

Entretanto, a evolução tecnológica, social e cultural verificada ao longo deste tempo com especial evidência nas duas últimas décadas, fizeram evoluir o contexto em que se inscreve a missão com que a Livraria Camões foi inicialmente constituída.

Por outro lado, os obstáculos associados ao transporte e comercialização de livros e a representação da INCM numa única livraria no vasto território brasileiro, limitaram fortemente a divulgação das nossas obras no Brasil e comprometeram irremediavelmente a situação económico-financeira da Livraria Camões.

Ao mesmo tempo, a situação financeira internacional e os reflexos de natureza restritivas sobre a nossa perspectiva orçamental não permitem manter a situação de desequilíbrio económico-financeira da livraria, que aliás, possa ser invertida a prazo.

Nestas circunstâncias, venho informar V.Exa. da deliberação de encerramento da Livraria Camões, a ser concretizada no próximo dia 31 de Janeiro de 2012, solicitando-lhe que do mesmo facto dê conhecimento aos demais colaboradores da livraria.

Para tal desiderato, a INCM irá designar um representante legal que em seu nome, providenciará junto dos trabalhadores e das entidades públicas e privadas todas as diligências requeridas pelo encerramento da livraria, destacando-se, em particular, todas as obrigações legais do foro laboral.

No momento em que é tomada a decisão de encerrar a actividade no Rio de Janeiro o Conselho de Administração não esquece o trabalho que, apesar de todas as dificuldades, foi desenvolvido pela Livraria Camões e por todos quantos nela trabalharam ao longo do tempo.

A todos, em nome da INCM e cientes que esta medida será compreendida, em face da situação vivida pelo país e pela livraria em particular, onde os problemas, ainda não totalmente identificados, são muitos, endereçamos uma palavra de apreço e reconhecimento

Ao Sr. José Estrela pedimos toda a colaboração para que esta decisão seja implementada de modo a provocar o menor transtorno possível a todos os envolvidos.

Com os meus cumprimentos

O Presidente do Conselho de Administração

(Estevão de Moura)

 

José Eduardo Taveira

 

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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3 respostas a “NÃO DÁ PARA ACREDITAR” (2ª parte)

  1. jsola02 diz:

    A mediocridade desta carta, a sua falta de visão quanto ao futuro e à História do País, o não compreender quanto a memória pesa no acto da escolha de um livro, o folhear e a breve leitura de algumas páginas, para avaliar do seu conteudo, demonstra em que mãos assenta o destino da nossa Pátria. Se juntarmos a isto o convite, (no País mais iletrado e afastado das luzes do conhecimento Europeu), feito pelos governantes à juventude para abandonar a terra que os viu nascer, a familia, os amigos e, a contento do ainda existente bulor salazarento, sair a esmolar pão pelas ruas de outras gentes, o pão indispensável à vida, percebemos que tipo de governos temos eleito, e que gentalha são os nossos empresários. As flores nos canos das armas são contrárias, são a negação do conceito de Revolução. Eu, tardiamente, e porque sou pacifico, o percebi, ainda que entenda que é apenas pela lucidez que se pode valorizar um Povo, mas já entendi que, sem “argumentos de peso” os abutres que nos sofocam não se afastam, não fogem para longe e nos deixam respirar. A literatura também é a defesa intransigente da razão e da justiça. A literatura é confronto de Ideias, defesa da dignidade Humana, o seu direito ao Bom Nome, à Felicidade e à Liberdade! Que País triste que temos, e que Povo minusculo que somos! E como me arrependo de ter posto filhos nesta nesta terra!

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    • Miguel Santos diz:

      Gostei do seu comentario/dezabafo,mas lamento a ultima parte.Eu tenho dois filhos e satisfeito por terem nascido em Portugal.O nosso Pais nao e culpado nem pode ser renegado por causa dos “abutres” que dele tomaram conta,nunca o reneguei no tempo de Salazar e companhia.Quanto aos abutres,temos o que merecemos,foram VOTADOS por maioria,foram enganados?,NUNCA poderao dizer tal,TODOS sabiam ou deveriam de saber quem quem se estavam a meter.Nao era segredo para ninguem.

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  2. jsola02 diz:

    Não se esqueça, amigo, que o País são as pessoas, e não faria sentido se fosse de outra maneira. Então, se as pessoas, sabendo quem são as peças, é nelas que votam, é de temer que sofram de alguma desfuncionalidade intelectual, e por isso, não é muito salutar o masoquismo de colocar entre estas pessoas filhos para, num futuro próximo, apenas conhecerem sofrimento. Salazar governou a bem dizer cinquenta anos, e, as pessoas, limitaram-se a fugir dele, tal como hoje, sabendo quem são as peças, é nelas que votam. É uma simples e modesta questão de senso comum!

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