ALBINO LUCIANI – “CARTA A JESUS” – 2ª e última parte

Diante deste espectáculo de gente que acorre a um cruxificado desde há tantos séculos e de todas as partes do mundo, surge a pergunta: Trata-se só de um homem grande e benéfico ou de um Deus? Tu mesmo deste a resposta, e quem tiver os olhos não vedados por preconceitos e ávidos de luz aceita-a.

Quando Pedro proclamou: “ Tu és Cristo o Filho de Deus vivo”, não só aceitaste esta confissão, mas premiaste-a. Reivindicaste sempre para Ti aquilo que os judeus julgavam reservado a Deus. Com escândalo seu perdoaste os pecados, disseste-Te Senhor do Sábado, ensinaste com autoridade suprema, declaraste-Te igual ao Pai.

Por mais que uma vez tentaram matar-Te como blasfemador, porque Te dizias Deus. Finalmente quando Te prenderam e levaram diante do Sinédrio, o Sumo- Sacerdote perguntou-Te solenemente: “És ou não o Filho de Deus?”. Tu respondeste: “Sou, e ver-me-eis sentado à direita do Pai”. Aceitaste a morte antes que desdizer e renegar esta Tua essência divina.

Escrevi, mas nunca fiquei tão descontente ao escrever como desta vez. Parece-me omitido o melhor daquilo que se podia dizer de Ti; disse mal aquilo que se devia dizer muito melhor. Resta uma consolação: O importante não é que uma pessoa escreva sobre Cristo mas que muitos amem e imitem a Cristo.

E, graças a Deus – apesar de tudo – isto acontece ainda.

Maio de 1974

Albino Luciani  em  “Ilustríssimos Senhores”.

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” A Paixão que Veio do Frio “

Autor: José Guerra

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/a-paixao-que-veio-do-frio/9789892026640/

 

 

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ALBINO LUCIANI – “Carta a Jesus” – 1ª Parte

Caro Jesus

Fui criticado. “É bispo, é cardeal – disseram – fartou-se de escrever cartas em todas as direcções: a M. Twain, a Péguy, a Casella, a Penélope, a Dickens, a Marlowe, a Goldoni e nem se sabe a quantos outros. E nem sequer uma linha a Jesus Cristo!”.

Tu bem sabes. Eu esforço-me por ter contigo um colóquio contínuo. Traduzi-lo em carta é, porém, difícil; são coisas pessoais. E depois, tão pequenas! E ainda, o que hei-de eu escrever a Ti, de Ti, após todos os livros que sobre Ti foram escritos?

E, além disso, existe o Evangelho. Como o relâmpago supera todos os fogos e o rádio todos os metais; como o míssil ultrapassa em velocidade a flexa do pobre selvagem, assim o Evangelho ultrapassa todos os livros.

Todavia, aqui está a carta. Escrevo-a a tremer, na condição de um pobre surdo-mudo, que se esforça por fazer-se entender, com o estado de alma de Jeremias que, enviado a pregar, Te dizia, cheio de relutância: “ Não passo de uma criança, Senhor; não sei falar!”.

Pilatos apresentando-Te ao povo, disse: Eis o homem! Pensava que Te conheciam, mas nem sequer conhecia uma migalha do teu coração, que vezes sem conta e de inúmeras maneiras mostraste terno e misericordioso.

A Tua mãe. Na cruz, não quiseste partir deste mundo sem lhe ter encontrado um segundo filho para cuidar dela e disseste a João: “Eis aí a tua mãe”.

(continua)

Albino Luciani – autor do livro “Ilustríssimos Senhores”

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Join2Write – De Braços Levantados

Conhecem o projecto Join2Write?

É um livro colaborativo. Cada escritor escreve um capítulo de uma mesma estória, cada um a continuar o que foi criado para trás. Existem, claro, algumas regras. Mas são simples e razoáveis.

O mote é dado nos 2 primeiros capítulos pelo Vasco Ribeiro com o pano de fundo a ser a época da Guerra Civil Espanhola a prometer a necessidade de uma investigação mínima.

O capítulo mais recente é o VI e foi escrito por mim. Uma tentativa de dar um abanão à estória que parecia estar a tornar-se um pouco parada e a viver de memórias.

Vejam e participem.

website: http://www.join2write.pt/

Cap. VI.:http://www.join2write.pt/de-bracos-levantados/?p=252

www.armandofrazao.com | www.facebook.com/FrazaoArmando

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“AS VANTAGENS DE SE SER UM POBRE DIABO”

“Para aquele que não é nobre, mas dotado de algum talento, ser um pobre diabo é uma verdadeira vantagem e uma recomendação. Pois o que cada um mais procura e aprecia, não apenas na simples conversação, mas sobretudo no serviço público, é a inferioridade do outro. Ora, só um pobre diabo está convencido e compenetrado em grau suficiente da sua completa, profunda, decisiva, total inferioridade e da sua plena insignificância e ausência de valor, tal como exige o caso. Apenas ele, portanto, inclina-se amiúde e por bastante tempo, e apenas a sua reverência atinge plenos noventa graus; apenas ele suporta tudo e ainda sorri; apenas ele conhece como obras-primas, em público, em voz alta ou em grandes caracteres, as inépcias literárias dos seus superiores ou dos homens influentes em geral; apenas ele sabe como mendigar; por conseguinte, apenas ele se pode tornar um iniciado, a tempo, portanto, na juventude, naquela verdade oculta que Goethe nos revelou nos seguintes termos:

Sobre a baixeza
Que ninguém se lamente:
Pois ela é a potência,
Não importa o que te digam.

Em contrapartida, quem já nasceu com uma fortuna que lhe garanta a existência irá posicionar-se, na maioria das vezes, de modo contestário: ele está habituado a caminhar de cabeça erguida. Não aprendeu aquelas artes da subserviência; talvez até se sirva de eventuais talentos, cuja inadequação, diante do medíocre e servil, é o que deveria compreender. É até mesmo capaz de notar a inferioridade daqueles situados acima dele, e se, enfim, ocorrerem indignidades, torna-se recalcitrante e desconfiado. Mas não é assim que alguém se consegue impor no mundo; antes, talvez, possa ocorrer-lhe dizer como o atrevido Voltaire: Temos apenas dois dias para viver: não vale a pena passá-los arrastando-se aos pés de patifes desprezíveis. Infelizmente, diga-se de passagem, patifes desprezíveis é um predicado para o qual, neste mundo, existe um número assustador de sujeitos.”

Arthur Schopenhauer, in “Aforismos para a Sabedoria de Vida”.

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Apresentação de Pagwagaya – Quercus Bragança, 4 de Agosto, 17h

Cartaz da Apresentação

“… uma obra bem concebida, com uma história plausível, escrita num estilo muito acessível e com um ritmo narrativo que convida a uma leitura compulsiva e uma enorme vontade de saber o fim desta aventura.”

Sebastião Barata in Segredo dos Livros

No sábado 4 de Agosto, pelas 17 horas, vou apresentar e autografar o meu livro Pagwagaya em Bragança,
na sede da Quercus dessa cidade.

Duas circunstâncias se juntaram para que isto fosse possível:
– Nas minhas anteriores apresentações e conversas sobre o livro, invariavelmente o assunto ía cair na mensagem ambiental que tento transmitir com este livro.
– Tenho uma exposição de fotografia patente no moinho-sede da Quercus Bragança e por isso os contactos já existiam.

Se achar que o livro e o seu tema lhe dizem alguma coisa venha conversar um pouco comigo no dia 4 de Agosto e aproveite para visitar a exposição de fotografia Pequenos Animais.
O moinho-sede da Quercus fica junto ao Rio Fervença, na continuação do passadiço de madeira no sentido jusante do rio.

Veja o Website oficial do Livro Pagwagaya para mais informações.
Na secção “A Terra e o ambiente” (ao cimo), na entrevista de rádio e na versão mais completa da crítica de Sebastião Barata poderá entender melhor a questão da mensagem ambiental.

Vemo-nos em Bragança.

facebook: http://facebook.com/pagwagaya

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PABLO NERUDA – “Ode à Cebola”

Cebola
Luminosa redoma
pétala a pétala
cresceu a tua formosura
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.

Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.

Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate.
mas ao alcance
das mãos do povo
regada com azeite
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado
papel, sais do chão
eterna, intacta, pura
como semente de um astro
e ao cortar-te
a faca na cozinha
sobe a única
lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.

Eu tudo o que existe celebrei, cebola
Mas para mim és
mais formosa que uma ave
de penas radiosas
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina
baile imóvel
de nívea anémona

e vive a fragância da Terra
na tua natureza cristalina

Pablo Neruda

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PARABÉNS, JOÃO JOSÉ COCHOFEL !

João José Cochofel nasceu em Coimbra no dia 17 de Julho de 1919 e viveu até 14 de Março de 1982.

Foi poeta, ensaísta, crítico literário e musical.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

Acendem-se as luzes   

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda há claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para lá dos telhados
já meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o álcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solidão povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.

                         

 

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Às vezes assalta-me um sentimento de inquietação súbito e sem porquê. Não sei de onde vem, não é trazido pela mão de algum pensamento mais profundo. Assalta-me e pronto.
Em que é que se deve acreditar verdadeiramente hoje em dia?
Em Deus? Nos Homens? Em nós mesmos?
Por que é que se deve lutar hoje em dia?
Para ter um carro? Uma casa? Conforto, formação ou satisfação pessoal?
É difícil esta dualidade entre bens materiais e o alimento do espírito. É certo que nem só de pão vive o Homem, mas onde reside a verdadeira felicidade que tantos lutamos por alcançar? Mais, o que é essa ideal felicidade?
Não tenho respostas, aliás, não tenho tão-pouco uma resposta. Somos seres complexos, queremos e descremos com a mesma facilidade com que se arranca uma flor bravia.
Hoje, no limiar de ter atingido tudo por quanto lutei durante toda uma vida, não sei o motivo de toda esta luta, diria, esta ânsia de chegar lá – seja lá onde quer que isso seja!
Chega a um ponto na vida, realizados de tudo, deixamos substituir os sonhos, as canções, o “um dia”, por olhar para as nossas mãos e perguntar porquê, o porquê de tudo isto.
Houve tempos em que se acreditava e vivia para deus, por um amor, pela liberdade de expressão ou pelo pão da boca, mas tudo isto parece hoje muito distante. Acorda-se de manhã porque o despertador toca, mas somos vazios de verdadeiras convicções, de verdadeira luta para fazer algo mais com as nossas vidas do que ser apenas normal.
Será que se deixou de acreditar?
Será que somos inundados por tantos estímulos que temos a vontade e o espírito embotados e passivos?
Não creio no egocentrismo que nos define. Deve haver algo mais que faça tudo o resto valer a pena, seja qual for o seu nome ou o seu símbolo.
Esta inquietação em mim que não tem nome, é a semente que alguém plantou há quase 20 anos, a semente de nunca me conformar, de querer sempre mais da vida do que um simples passeio entre estações sem sentir verdadeiramente a paisagem.
Se alguém souber a resposta a este meu desassossego que mo mande dizer, porque mesmo o escrever já não basta para encontrar o que os nossos antepassados não puderam transmitir-nos, o segredo de estar no instante, de ser inteiro.
É por isso que lembro, nestes dias, com mais apego, a feiticeira cotovia que do alto do seu palanque nos gritava que seria como uma chama a consumir-nos, geração após geração, enchendo-nos desta vontade de sermos grandes, maiores que a vida, de deixarmos o nosso nome impresso nos livros da memória dos Homens, por termos sido mais, por ter valido a pena.
Que não acredito em bruxas, é verdade, mas lá diz o ditado, que as há, há!
 
Ana Brilha
Publicado em por Intermitências da escrita | 1 Comentário

Pequenas coisas que… formam a Democracia.

CANUDOS

São irrelevantes certas polémicas que movem as montanhas deste nosso pequeno e insignificante mundo; talvez porque a memória do passado não me é grata, as pequenas coisas das pessoas pequenas nada me dizem; se um determinado doutor tem uma licenciatura, ou duas, ou três, é-me indiferente. O que sim conta, e muito, são as acções que determinada pessoa (ou pessoas) praticam.

Durante tantos e tantos anos fomos governados pelos ditos “doutores da mula ruça,”e tamanha fominha nos fizeram passar, tão nefastas humilhações que sofremos, que me fartei em definitivo e para sempre das elites rascas que nos mantiveram ignorantes por meio século; muitos de nós trabalharam e viveram em bairros de barracas, o País foi governado pelos terceiros oficiais das poeirentas repartições públicas, e a caridadezinha da Nossa Senhora de Fátima, a Educação do faducho, e a sapiência do Futebol aviltaram o nosso direito à dignidade por tantos anos, que, (esse sim), é um milagre que tantos de nós tenham conservado a sanidade mental e a lucidez de um raciocínio atribuível a seres humanos.

Camaradas e amigos, sabem aquele ditado do nosso Povo que diz assim: “Um burro carregado de livros é um doutor?” Pois. Mas no entretanto a terra move-se e o burro, aquele animalzinho simpático, de cor escura, com quatro patas, um rabo, duas enormes e belas orelhas, e aqueles olhinhos ternos e meigos que se revestem de tanta simplicidade, continua a ser um burro! Logo, o que me parece de importância vital é termos menos burros de duas patas na governação desta tão martirizada terra, do que alimárias carregados de livros, para os quais, a sapiência não é possível sem um “titulozito” de doutor…

Daí que não meto “prego nem estopa” nessa parvoíce que por aí circula quanto a um determinado senhor a quem chamam de Relva; o único reparo que se me oferece fazer, vai para o fanatismo político patenteado por o responsável académico que, do alto da sua cátedra, lá dos píncaros da Universidade que “premiou” tão brilhante e vertiginosa carreira académica, ofende tantos jovens que trabalham e estudam, anos e anos, numa luta árdua e titânica para melhorarem de vida. Afinal, o que está a dar, é ter uns dinheiritos e umas influências de gente fina que permitam trazer a Maomé a montanha da sabedoria!

 

FUNCIONALISMO PÚBLICO

É tão pouco nobre a forma como, em discursos inflamados de maldade e hipocrisia, certos responsáveis políticos, alguns com cargos de significativa e primordial importância, como presidentes de Partidos ou Ministros, se “assanham” de garras abertas contra a indefesa presa do funcionário público, que me permito aqui, na simplicidade e modéstia desta página, chamar os bois pelos respectivos nomes, e dizer a vocês, não acreditem nas patranhas dessa gente porque eles mentem com quantos dentes têm na boca.

Não é comparável o vencimento médio da função pública com o vencimento médio do sector privado, pela simples e única razão que não é possível comparar alhos com bugalhos. Tão simples quanto isto.

A Função Pública é, (pelos amplos e vastos serviços que comporta), a, digamos, espinha dorsal do País; são os aparelhos que suportam a governação, as veias por onde corre o nosso sangue. O aparelho da Defesa, com os três ramos das Forças Armadas, a Segurança Interna com as polícias, a Segurança Externa, com os Serviços de Informação Secreta, a Justiça, com os Supremos Tribunais, os Tribunais das Comarcas, os juízes, e todos os restantes oficiais de justiça, os Serviços Prisionais, os vastos Serviços de saúde, com os médicos e os enfermeiros, as Universidades com os seus docentes. Enfim, o funcionalismo público é um mundo complexo que suporta a gigantesca teia que protege e faz funcionar o País.

Se funciona bem, se responde no momento certo às solicitações da população, isso já é outra questão; mas essa parte do problema tem a ver com a qualidade do governo e da Assembleia da Republica. E, se me permitem um desabafo, com os governos que temos sido induzidos a eleger, é louvável o funcionamento dos Serviços Públicos que temos.

Quando, (faz já alguns anos), eu me deslocava do emprego para casa nos transportes públicos, tinha como habitual companhia uma senhora, esposa de um director de uma repartição das Finanças.

Passávamos o tempo da viagem em amena cavaqueira, e a senhora desabafava as suas amarguras, falando das responsabilidades que o marido suportava sobre os ombros, e das exigências que lhe eram impostas. Os cuidados a ter com a apresentação, nunca aparecer no serviço mais de dois dias com o mesmo fato, a qualidade das roupas, a aparência, e tudo isso a troco de uns míseros mil e quinhentos euros mensais.

Na altura, contando com todos os extras, eu já auferia muito para cima de dois mil euros mensais, e como exigência, tinha apenas de ser competente e, como é óbvio, ter a higiene corporal necessária à convivência com outras pessoas. Nunca me foi exigido curso superior de Economia, e com boas notas, e muito menos aparência; unicamente competência…

Quando me desliguei do Estado, passados quatro anos de actividade, e regressei ao sector privado, ao terceiro vencimento, já recebia um vencimento confortável, quando comparado com o vencimento de um Director Geral nos serviços públicos…

O senhor Ministro que falou nos serviços públicos, nos cortes dos subsídios dos funcionários e dos pensionistas é, (na minha modesta opinião), um manifesto charlatão, para não lhe chamar coisas muito piores. Primeiro porque é gravíssimo e inqualificável um Governo que só e em exclusivo rouba quem menos se pode defender, depois porque, devia dizer coisas que a maioria das pessoas desconhece, como, por exemplo, que no sector privado o patronato tem em encargo sobre os vencimentos, da ordem dos trinta e três por cento, (se o valor não foi já alterado para cima), e que, face a isto, a posição do Estado (que não suporta semelhante encargo) é inqualificável e desleal.

Para finalizar, gostava de lhes falar um pouco da Grécia, País com quem ninguém se quer comparar, e falar-lhes em especial, do rendimento percapita do povo grego, vai para muitos anos. Na altura, os portugueses que conheciam a Grécia, diziam: “Como é que os gajos têm um valor tão elevado?” É que, na Grécia, em particular nas ilhas, nas noites quentes, as famílias gregas numerosas colocavam as camas nas ruas para passar a noite. Então, perante esta demonstração de pobreza, como justificar o valor? É simples. As fabulosas fortunas dos armadores gregos, como o senhor Onássis, as fortunas escandalosas dos banqueiros, dos políticos comprometidos em exclusivo com os interesses dos ricos, os interesses do capital externo, aos pobres, nem lhes deixavam ar puro para respirar!

E hoje, na Grécia, como é? É simples. Os ricos armadores, os banqueiros, os políticos, os interesses externos, continuam intocáveis. Apenas os pobres são malandros.

A Grécia, portugueses, é o espelho do Portugal do futuro, se não tivermos a sensatez de dizer não a estes senhores que representam o ocupante estrangeiro, o agiota, que reclama a divida que nós, os que simplesmente trabalhamos, não fizemos!

Democracia sim, ditaduras encapotadas, não!

José Solá

 

 

 

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