Pequenas coisas que… formam a Democracia.

CANUDOS

São irrelevantes certas polémicas que movem as montanhas deste nosso pequeno e insignificante mundo; talvez porque a memória do passado não me é grata, as pequenas coisas das pessoas pequenas nada me dizem; se um determinado doutor tem uma licenciatura, ou duas, ou três, é-me indiferente. O que sim conta, e muito, são as acções que determinada pessoa (ou pessoas) praticam.

Durante tantos e tantos anos fomos governados pelos ditos “doutores da mula ruça,”e tamanha fominha nos fizeram passar, tão nefastas humilhações que sofremos, que me fartei em definitivo e para sempre das elites rascas que nos mantiveram ignorantes por meio século; muitos de nós trabalharam e viveram em bairros de barracas, o País foi governado pelos terceiros oficiais das poeirentas repartições públicas, e a caridadezinha da Nossa Senhora de Fátima, a Educação do faducho, e a sapiência do Futebol aviltaram o nosso direito à dignidade por tantos anos, que, (esse sim), é um milagre que tantos de nós tenham conservado a sanidade mental e a lucidez de um raciocínio atribuível a seres humanos.

Camaradas e amigos, sabem aquele ditado do nosso Povo que diz assim: “Um burro carregado de livros é um doutor?” Pois. Mas no entretanto a terra move-se e o burro, aquele animalzinho simpático, de cor escura, com quatro patas, um rabo, duas enormes e belas orelhas, e aqueles olhinhos ternos e meigos que se revestem de tanta simplicidade, continua a ser um burro! Logo, o que me parece de importância vital é termos menos burros de duas patas na governação desta tão martirizada terra, do que alimárias carregados de livros, para os quais, a sapiência não é possível sem um “titulozito” de doutor…

Daí que não meto “prego nem estopa” nessa parvoíce que por aí circula quanto a um determinado senhor a quem chamam de Relva; o único reparo que se me oferece fazer, vai para o fanatismo político patenteado por o responsável académico que, do alto da sua cátedra, lá dos píncaros da Universidade que “premiou” tão brilhante e vertiginosa carreira académica, ofende tantos jovens que trabalham e estudam, anos e anos, numa luta árdua e titânica para melhorarem de vida. Afinal, o que está a dar, é ter uns dinheiritos e umas influências de gente fina que permitam trazer a Maomé a montanha da sabedoria!

 

FUNCIONALISMO PÚBLICO

É tão pouco nobre a forma como, em discursos inflamados de maldade e hipocrisia, certos responsáveis políticos, alguns com cargos de significativa e primordial importância, como presidentes de Partidos ou Ministros, se “assanham” de garras abertas contra a indefesa presa do funcionário público, que me permito aqui, na simplicidade e modéstia desta página, chamar os bois pelos respectivos nomes, e dizer a vocês, não acreditem nas patranhas dessa gente porque eles mentem com quantos dentes têm na boca.

Não é comparável o vencimento médio da função pública com o vencimento médio do sector privado, pela simples e única razão que não é possível comparar alhos com bugalhos. Tão simples quanto isto.

A Função Pública é, (pelos amplos e vastos serviços que comporta), a, digamos, espinha dorsal do País; são os aparelhos que suportam a governação, as veias por onde corre o nosso sangue. O aparelho da Defesa, com os três ramos das Forças Armadas, a Segurança Interna com as polícias, a Segurança Externa, com os Serviços de Informação Secreta, a Justiça, com os Supremos Tribunais, os Tribunais das Comarcas, os juízes, e todos os restantes oficiais de justiça, os Serviços Prisionais, os vastos Serviços de saúde, com os médicos e os enfermeiros, as Universidades com os seus docentes. Enfim, o funcionalismo público é um mundo complexo que suporta a gigantesca teia que protege e faz funcionar o País.

Se funciona bem, se responde no momento certo às solicitações da população, isso já é outra questão; mas essa parte do problema tem a ver com a qualidade do governo e da Assembleia da Republica. E, se me permitem um desabafo, com os governos que temos sido induzidos a eleger, é louvável o funcionamento dos Serviços Públicos que temos.

Quando, (faz já alguns anos), eu me deslocava do emprego para casa nos transportes públicos, tinha como habitual companhia uma senhora, esposa de um director de uma repartição das Finanças.

Passávamos o tempo da viagem em amena cavaqueira, e a senhora desabafava as suas amarguras, falando das responsabilidades que o marido suportava sobre os ombros, e das exigências que lhe eram impostas. Os cuidados a ter com a apresentação, nunca aparecer no serviço mais de dois dias com o mesmo fato, a qualidade das roupas, a aparência, e tudo isso a troco de uns míseros mil e quinhentos euros mensais.

Na altura, contando com todos os extras, eu já auferia muito para cima de dois mil euros mensais, e como exigência, tinha apenas de ser competente e, como é óbvio, ter a higiene corporal necessária à convivência com outras pessoas. Nunca me foi exigido curso superior de Economia, e com boas notas, e muito menos aparência; unicamente competência…

Quando me desliguei do Estado, passados quatro anos de actividade, e regressei ao sector privado, ao terceiro vencimento, já recebia um vencimento confortável, quando comparado com o vencimento de um Director Geral nos serviços públicos…

O senhor Ministro que falou nos serviços públicos, nos cortes dos subsídios dos funcionários e dos pensionistas é, (na minha modesta opinião), um manifesto charlatão, para não lhe chamar coisas muito piores. Primeiro porque é gravíssimo e inqualificável um Governo que só e em exclusivo rouba quem menos se pode defender, depois porque, devia dizer coisas que a maioria das pessoas desconhece, como, por exemplo, que no sector privado o patronato tem em encargo sobre os vencimentos, da ordem dos trinta e três por cento, (se o valor não foi já alterado para cima), e que, face a isto, a posição do Estado (que não suporta semelhante encargo) é inqualificável e desleal.

Para finalizar, gostava de lhes falar um pouco da Grécia, País com quem ninguém se quer comparar, e falar-lhes em especial, do rendimento percapita do povo grego, vai para muitos anos. Na altura, os portugueses que conheciam a Grécia, diziam: “Como é que os gajos têm um valor tão elevado?” É que, na Grécia, em particular nas ilhas, nas noites quentes, as famílias gregas numerosas colocavam as camas nas ruas para passar a noite. Então, perante esta demonstração de pobreza, como justificar o valor? É simples. As fabulosas fortunas dos armadores gregos, como o senhor Onássis, as fortunas escandalosas dos banqueiros, dos políticos comprometidos em exclusivo com os interesses dos ricos, os interesses do capital externo, aos pobres, nem lhes deixavam ar puro para respirar!

E hoje, na Grécia, como é? É simples. Os ricos armadores, os banqueiros, os políticos, os interesses externos, continuam intocáveis. Apenas os pobres são malandros.

A Grécia, portugueses, é o espelho do Portugal do futuro, se não tivermos a sensatez de dizer não a estes senhores que representam o ocupante estrangeiro, o agiota, que reclama a divida que nós, os que simplesmente trabalhamos, não fizemos!

Democracia sim, ditaduras encapotadas, não!

José Solá

 

 

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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