NOVO ANO 2012

 

Para todos os participantes e leitores deste Blog desejo que o Ano Novo traga muita imaginação para novas obras e vontade de ler, respectivamente.

Para o Sítio do Livro, desejo a continuação do sucesso até aqui alcançado.

                                                                          Um abraço para todos.

                                                                          José Eduardo Taveira

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Filho do silêncio…

Sou filho do silêncio
alma de Ícaro
grito surdo, acorde sonhado
numa guitarra que declama
melodia para quem ama

José Guerra (2011)

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FELIZ ANO NOVO

 

                    FELIZ ANO NOVO

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Pum no Traque!

A ÁRVORE DAS PATACAS
O país de Tal foi fruto que nasceu na árvore das patacas, sua velha e carinhosa mãe, que teve o condão de nunca conseguir, ao longo de tantos e enfadonhos anos, fazer dele gente que se visse. Assim, enquanto os seus irmãos frutos, tomaram rumos diversos, ou a caminho das fábricas das compotas, ou dos mercados de produtos frescos, que prosperam no planeta das Tretas, situado lá para os confins do universo, aquele fruto por ali ficou, ali casou, gerou família, e todos juntos tiveram vida modesta e poucochinha, amparados no calor morno da velha mãe e avó. Até que, certo dia, a verdade do tempo falou alto, (a natureza tem destas coisas), e o fruto país de Tal tombou de maduro. No chão ficou desamparado. A competição com os outros frutos podres tornou-se intolerável. Impossibilitado de voltar para a segurança do galho, passou a pedir empréstimos em troca do seu sumo açucarado. O sumo foi-se. Depois a parte mais suculenta da sua polpa. Até que, por baixo da pele ressequida, apenas se vislumbrava o seu caroço, ainda ostentando umas farripas de chicha, por aqui e por ali. Então e em desespero de causa, o país de Tal mudou de rumo. Nomeou para líder do seu destino o grande partido dos Traques que, coligado com o pequeno partido dos traquinhos, conseguiu uma confortável maioria na sua inoperante assembleia constituinte. Nas boas graças dos Talquinhos, (cidadãos do país de Tal), o grande líder Traque, depois de estudados todos os dossiês da governação em conjunto com o seu estafe ministerial, (conhecido por os Seca Adegas), distribuídas as pastas pelos competentíssimos Seca Adegas, definidas as estratégias, estudadas até à exaustão todas as soluções, só faltava, em entrevista pública, falar ao Povo da boa nova, e em verdade dizer-lhe que ventos de mudança lhes seriam comunicados em Verdade…
A ENTREVISTA
E assim foi. O Grande Traque (imbuído da solenidade que o momento exige), falou aos Talquinhos. “Em verdade vos digo que no nosso seio não existe, neste difícil momento, lugar para os mais esclarecidos e competentes de vocês. Imigrem! Vão pelo mundo a pregar a boa nova! O país de Tal será grande logo que se liberte da crendice de que o Conhecimento trás bem-estar. Ficam os que podem, com o seu labor, criar condições para que um dia os que agora vão possam regressar. Vamos produzir os nossos bordados, as nossas rendas de Bilros e as outras, pescar as poucas sardinhas que nos restam, fabricar cuequitas e meias, vamos dar o pouco que nos resta em troca de novos empréstimos para que possamos, de cabeça erguida, ocupar de novo o lugar a que a nossa história nos obriga! Que os professores que agora e momentaneamente expulso, no estrangeiro, firmados no bom inglês que aprenderam nas nossas universidades, que estão entre as melhores deste velho continente, possam contribuir para nos erguer do chão, ensinando aos gentios de ontem a língua comum e a nossa cultura!
O DESFECHO
No Teatro que é a Vida, lá ao fundo, cozido na plateia repleta de Talquinhos empolgados e embasbacados, um velho operário, modesto de posses e de saberes, trancado entre a inoperância de uns e as baboseiras dos outros, farto, não falido de ideias mas sim manietado e apequenado por tanto, tão grande e erudito saber, a páginas tantas não resistiu mais. Ergueu-se e, de punho esquerdo cerrado, gritou bem alto: “Pum ao Traque!” Então, e perante o espanto geral, escutou-se um silvo não muito estridente, mas crescente de intensidade, e o grande líder começou a minguar, a perder volume, a esparramar-se pelo palanque. Sobreveio-lhe uma profunda comoção, (diagnosticada mais tarde no hospital), como diarreia cerebral, e o Grande Traque foi-se…

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“BOAS FESTAS”

                                                                                                                      BOAS FESTAS

                                                                                                                                                                                                                                    FELIZ ANO NOVO

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Presente de Natal… ofereça os livros da Margarida

Olá a Todos

Aproveito esta época natalícia, para lembrar os livrinhos da Margarida, escritos por mim. Ambos os contos transmitem  mensagens de amor, sendo muito bons para oferecer a quem quiser receber um presente de Natal  diferente.

É certo que não sou conhecida e tão pouco mundana ou sociável. Pois é, gosto de escrever, sim… mas ficando no meu canto :). É um risco… podem pensar alguns… claro que é, mas sou assim e sinto-me bem no anonimato, no meu canto, no meu sossego, indo escrevendo  temas fundamentais para o enriquecimentos  e bem estar  interior.

Desta forma, a todos os leitores deste texto, faço uma proposta : comprem um dos 2 livros, leiam, ofereçam e escrevam os vossos comentários. Digam o que sentiram.

Muito Bom Natal a Todos e Muita Paz e Amor.

Rita Lacerda

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A SOPA DA SOBREVIVÊNCIA

Meus caros, imaginem vocês, a culinária chegou à política. Uma maneira saudável de manter o povo feliz. Para quem não tem oportunidade (ou tempo) para se inteirar do menu, aqui ficam algumas receitas:
Sopa à Cavaco
Um tacho meio de água, sal qb, um legume tropical chamado “não comento”, uma mão cheia de massa “tenho a certeza”, duas batatas e quatro beterrabas “deixem-me trabalhar”.
Cortam-se às rodelas o legume, as batatas e as beterrabas, colocam-se no tacho com o sal quanto baste e deixa-se cozer. Serve-se o mais quente possível, para se sentir menos o gosto.
Peixe à socialista
Uma posta de corvina, (nunca usar cherne), quatro batatas. Um tacho bem grande disfarçado de panela, água, sal, uma embalagem de sumo “a culpa é dos outros”, duas pitadas de “estamos no caminho certo”, uma mão cheia de “não temos crise”.
Misture e cozinhe como quiser. Tenha cuidado com o estômago…
Bife à social-democrata
Uma posta de carne Fundo Monetário Internacional, uma lista de amigos para distribuir cargos de ministros e secretários de estado, uma lata de vou ser primeiro-ministro.
Cozinhe como quiser e sirva quente.
Sobremesa
Duas fatias grandes de bolo Ronaldo cobertas com chantilly.
Depois desta refeição a nossa carga das baterias de estupidez ficou no seu máximo e estamos prontos para gritar aos quatro cantos da terra que nascemos e vivemos na melhor Pátria do mundo…

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Boas Festas a Todos

Tocam os sinos celestes
No frio, noite cipreste
Beija-se a noite
Na estrela de leste
Abraçam-se irmãos
se comunga gente
em noite invernal
de lareira quente

José Guerra (2011)

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Texto do romance GANÂNCIA (encontra-se no Sitio do Livro ou na Barata av Roma)

QUANDO TIBÉRIO (O “BRAÇO DIREITO” DO BANQUEIRO VITO CICERO, HOMEM QUE SE REALIZOU NOS NEGÓCIOS, APESAR DE FILHO DE UM MODESTO SALCHICHEIRO DA SICILIA), SE COMPARA COM OS POLITICOS DO PAÌS ONDE OPERA, NÃO ENCONTRA DIFERÊNÇAS. É QUE OS POVOS (TODOS OS POVOS), SERVEM APENAS COMO ESCADA PARA OS RICOS SUBIREM NA VIDA. NÃO PODEM EXISTIR ESCRUPULOS NO MUNDO DOS NEGÓCIOS, NEM NACIONALIDADES, E A ÉTICA SÓ SERVE QUANDO CONVÊM.
NO MUNDO REAL NÓS, PORTUGUESES, COMO CONSEQUÊNCIA DA NOSSA FALTA DE INTELIGÊNCIA COLECTIVA, FOMOS ARRASTADOS PARA UM MUNDO ONDE NEM OS MAIS POBRES DE ESPIRITO CONSEGUEM VIVER. ESTAMOS ONDE NOS QUEREM E SOMOS O QUE SOMOS APENAS POR CULPA PRÓPRIA.
SAÍDAS? NA MINHA MODESTA IGNORÂNCIA ATREVO-ME, A CONTRIBUIR COM O QUE PENSO NO FINAL DESTE TEXTO!
Como se pode tirar a alguém aquilo que essa pessoa não tem? Tibério, pelo exercício da sua profissão, conhecia todos os métodos não ortodoxos, (como é usual dizer) para conseguir impossíveis, que variavam entre o atropelo membros da família aos valentes apertões das gargantas, a envenenar o pobre do cão, a meter-lhes na cama a cabeça dum cavalo ensanguentada enquanto dormiam, a enviar-lhes um peixe embrulhado num papel de jornal, mas seria possível a eficácia de todos estes processos (amplamente comprovada pelos muitos anos de práticas, mesmo séculos) tratando-se de um governo legitimado pelo voto secreto do povo? E um governo de um país distante, apesar de insignificante, um país com história e uma cultura? Tinha as suas dúvidas. Tibério, se por um lado lhe agradava o poder, a magnitude do poder sem limites, parco de regras, o poder divino transmitido pela força e pela impunidade do dinheiro que tudo permite numa ilógica de força que aparentemente não se vê, é como um fantasma invisível que a todos corrompe, por outro, habituado à obediência cega do cumprimento cabal das ordens, desenvolvera uma consciência pessoal que nunca se imiscuía nos assuntos do trabalho, mas que lhe ditava as regras para uma conduta social razoavelmente aceitável na sociabilidade do mundo dos homens. Tibério, se tivesse constituído família, seria capaz de chegar a casa no final de um dia exaustivo de trabalho, depois de ter apertado o gasganete a um ou dois dos rivais do seu patrão, e num esfregar de olhos passar à figura paternal de um dedicado chefe de família, enérgico na prática das suas obrigações como pai de família, orgulhoso dos êxitos alcançados pela sua prole, marido dedicado e amantíssimo, parceiro activo nos assuntos do lar, interveniente nos serões de família, preocupado com os resultados escolares obtidos pelos filhos.
Contudo (e esforçando-se por entender como se processava a governação de determinados povos), não se sentia muito diferente dos governantes do pequeno país onde fora colocado. Também eles eram capazes de chegar a casa após um dia exaustivo de trabalho, dentro de um carro topo de gama, conduzidos por um motorista fardado a rigor, precavido com o conforto da coronha da arma aconchegada junto ao sovaco, confiante da solidez dos vidros e da chaparia anti–bala, um dia em que tinham (por obrigação da arte do seu ofício), minguado os parcos salários da população triste e cansada de dar, dar, dar até ao cerne da alma, dar o que se tem agora e também o que se vier a ter num futuro mais ou menos próximo, dar a vida se preciso fosse, o sangue das veias e o comer dos filhos, dar a sanidade mental que aos poucos vai vencendo os novos escravos, para compensar mais um erro de cálculo feito pela governação.
Qual era então a diferença entre ele e essa rapaziada vestida com fatos importados dos melhores alfaiates do mundo, que na prática apertavam os gasganetes dos seus compatriotas mais desprotegidos (tal como ele, por elementares questões de trabalho, negócios, dever de ofício, nunca por prazeres mórbidos inconfessados o fazia aos inimigos do seu patrão), e logo, paredes dentro do lar, templo sagrado da família, se transformavam ou se reabilitavam aos seus próprios olhos, ou simplesmente se abstraiam dos problemas do trabalho, deliciavam-se com as massagens que as esposas com todos os desvelos que o carinho de gueixas amantíssimas lhes impunha, faziam nos seus ombros contraídos pela dureza do dia.
Não havia portanto, aos seus olhos, qualquer diferença entre o clã a que pertencia e que se dispunha a defender com o sacrifício da vida, e os clãs que se movimentavam nas esferas do poder dos governos das nações. Emprestadores e devedores eram iguais tanto nos comportamentos como nos escrúpulos.
SAIDAS POSSIVEIS?
Na minha modesta opinião é imperioso que o povo assuma, ou chame a si, o direito de decidir e controlar o caminho para o futuro que quer, e isso começa por sabermos que futuro queremos e o que queremos fazer do País que herdamos dos nossos pais. Depois? Bem, alterar a Constituição, de forma a evitar que tais desmandos se voltem a repetir, impor como meta e principio que Portugal visa, acima de tudo, a auto-suficiência como forma última de garantir a Independência, prender os banqueiros que, por desonestidade e conluio com compadrios, nos conduziram à degradante posição de mendigos e de pedintes, prender políticos responsáveis, sejam eles deputados, ministros, conselheiros de estado, presidentes de Câmaras Municipais, ou outros, impor que na Assembleia Nacional os deputados criem leis onde a transparência seja, Dora à vante, o nosso timbre como Nação Soberana, que todos saibam o que se deve, a quem se deve e porque se deve, recusar a pagar a divida externa com estes juros e com semelhantes prazos, assumir que temos de passar tremendas dificuldades se nos queremos livres e gente de bem, se necessário arrancar as flores dos jardins para plantar alimentos. Impor aos patrões que se recusam a evoluir, a adquirir hábitos de competitividade, a pagar impostos, a respeitar a mão-de-obra, a perceber que o mundo já não se constrói com escravos e analfabetos, que cedam o lugar aos novos.
Como fazer isto com o Povo que temos? Com a juventude esclarecida que está a ser expulsa do País, com esses, penso que sim, porque estão convenientemente preparados. Mas com os que ficam? Não sei. Vamos continuar com os exploradores que nos chegam de fora, com estes políticos, com estes patrões, com as nossas fominhas, os nossos Cristos crucificados de que tantos se servem simplesmente para viver. Vamos ficar com a nossa tristeza, sujeitos ao gozo do mundo. Vamos vender o que nos resta exactamente aos nossos algozes, e quando já nada tivermos, vamos, (como eu digo na Ganância), vender-nos em talhões, vender os edifícios, os monumentos, até a roupa que trazemos no corpo.

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Pluma de um escritor…

Devo ter sido
a pluma de um escritor
que nas palavras escrevia cor
debruadas de lágrimas e dor
prostradas de singela flor
em papel te escrevi amor

José Guerra (2011)

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