Nas águas de Abril…

O poeta escreve nas águas de Abril
liberta na chuva o seu querer
assim como o verbo encontra na metáfora
a sua mais bela forma de ser
e encanta em tom de prosa
quando a lua acontece
beija uma rosa
sempre que uma estrela perece

José Guerra (2012)

1 Comentário

A civilização dos inúteis

EXÉRCITO – É um luxo que a sociedade civil, nos tempos que correm, não pode pagar. É certo que às nossas forças armadas se deve a Revolução de Abril. É uma realidade incontornável, que devia de envergonhar toda a sociedade pela manifesta falta de coragem, (que nunca teve,) para se libertar do jugo ditatorial.
As guerras de hoje, (tudo o indica), são essencialmente travadas no campo económico; talvez porque o equilíbrio bélico das armas modernas amedronte as nações, ou porque, de certa maneira, as armas atómicas aos poucos se estejam a transformar no “armamento dos pobres;” a verdade é que, no meu entender, os mercados e a força do dinheiro são mais do que suficientes para, no presente, subjugarem com pleno êxito as nações mais fracas, e num futuro quiçá não tão distante quanto se pense, conseguirem dominar alguns dos grandes blocos económicos.
Na verdade, a um exército que me parece ainda não completamente liberto de complexos de grandeza imperialista, (isto quanto ao ainda elevado numero de altas patentes que subsiste), e quando se desbloqueiam as justíssimas progressões das carreiras, ainda por cima quando escasseiam cada vez mais as “ferramentas bélicas,” (refiro-me aos aviões mais sofisticados, navios de guerra, modernos carros de combate e outros tipos de armamento de alta tecnologia), as nossas forças armadas, que tantos relevantes serviços ao longo da nossa velha História nos prestaram, o sangue que derramaram em defesa desta velha pátria, acabam por se tornarem inviáveis quanto ao seu custo elevado. Uma mão-de-obra altamente qualificada, ainda por cima sem entraves na progressão das carreiras, uma ausência de meios de defesa, (as acima referidas ferramentas), e o empobrecimento galopante das condições de vida das classes trabalhadores, (que neste País tudo pagam), o estrangulamento da economia por via dos cortes constantes impostos de fora para dentro, sistematicamente agravados por um governo, quanto a mim de manifesta tendência germanófila e ultra direita, são o machado que decepa em definitivo as nossas veleidades de defesa do território pela via militar, e nem o principio de que as forças armadas são o garante da Constituição da Republica, (principio que eu contesto, a meu ver, apenas e só a educação do povo nos garante a lucidez suficiente para perceber os graves desvios feitos à Constituição), é o bastante para justificar à população civil mais sacrifícios para salvaguardar o bem-estar e a continuação do exército, tal como hoje o entendemos.
Lamento concluir, considerando que o actual governo omite a verdade, quando diz compreender e aceitar as justas aspirações dos nossos militares, vá-se lá perceber porque o faz…
SIS, E FORÇAS DE MANUTENÇÃO DA ORDEM PUBLICA – Entendo que não se limite a progressão das carreiras dos agentes que corporizam estas forças, pois é nelas que assenta a segurança do Estado. Mas não entendo certos pressupostos que são referidos perante as câmaras de televisão por políticos que pertencem aos partidos da área do Governo.
Foi a inquérito, ordenado pelo senhor ministro da administração interna, a actuação das forças da ordem a quando da ultima manifestação dos indignados. O processo correu célere, e a conclusão desculpabiliza, e de certo modo até elogia, a conduta no geral das forças de segurança, e apenas aponta pontuais comportamentos condenáveis, que, (por serem contrários às boas normas de conduta,) vão sujeitar-se a averiguações.
Contudo, no meu espírito subsiste uma pequena dúvida, tal como um daqueles pressentimentos que, sem explicação racional, nos vêm à mente. O que leva pessoas com um bem-estar, ainda que relativo, a apedrejar as forças de manutenção da ordem pública? Pura selvajaria, ou antes um acto de desespero? É que, se são gente em desespero, ou porque têm fome, (realidade que já existe no país), ou porque são desempregados a quem o patronato aponta como única solução empregos a recibos verdes, aí, o caso muda por completo. Se o Estado não corresponde minimamente às urgências das pessoas, se não lhes garante o indispensável das suas necessidades básicas, como o direito à alimentação e ao trabalho com direitos, é racional dizer a esse Estado que, “quem anda à chuva”, molha-se! É que não me parece que um ou dois casos de apedrejamento justifiquem cargas policiais violentas, e não compreendo que este nosso povo, tradicionalmente pacífico e ordeiro, se volte em massa contra a polícia, (também ela por norma urbana e civilizada), armado de pedras e cadeiras. É um contra censo. Dois ou três agitadores estrangeiros metidos na manifestação, com pessoas com o nosso temperamento, que tudo aguenta e tudo consente, é impossível que arrastem a nossa gente para a barbárie. Talvez se o Estado com algum tempo, possa, nuns breves segundos furtados aos seus imensos afazeres, meditar na maneira como procede com o povo que trabalha, e assim o sustenta, a ele Estado, e assim verificar se tem algumas “pedras” a pesarem-lhe na consciência, de modo a evitar males maiores, no futuro próximo.
Em França, (vai para muitos anos) uma manifestação de agricultores originou confrontos extremamente violentos com as ditas “forças da ordem.” A quando de uma segunda manifestação, quando a policia avança, abrem-se alas entre a imensa massa humana dos agricultores, e do centro surge a passo de carga, um contingente de agricultores munidos de máscaras de protecção contra gases, viseiras, escudos de vime, tacos tipo de basebol, protecções das partes mais sensíveis do corpo, e desse confronto resultaram baixas em ambos os lados.
Julgo conveniente dizer a quem de direito, que, nestes assuntos das manifestações, é um pouco como no futebol; é com os erros e as experiências que se formam os melhores treinadores, e nas equipas que ganham nunca se mexe, o que cada vez mais aumenta a experiência dos que vão a jogo. É tudo também uma questão de amor à camisola, e podem crer que os famintos e os desesperados se entregam de corpo e espírito à sua justa causa!
JUSTIÇA– Ver e crer como S Tomé e aprender até morrer, são máximas do povo que afinal, nesta nossa vidinha feita do dia-a-dia, demonstram uma profunda sabedoria.
É o caso. Pensava eu que minimamente conhecia o termo ilícito, que o mesmo se aplicava à prática de actos lesivos, assim como roubo, burla, vigarice, trafulhice, fraude, contrair dívidas que nunca se pagam, deliberadamente prejudicar o próximo, e por aí a fora. Para melhor exemplificar, dizer que um tipo assim estilo Vale Azevedo é um sujeito que enriqueceu de forma ilícita, e que se teria evitado muita trafulhice ao fiscalizar as suas contas bancárias, (as do país e as do estrangeiro), seria sempre uma boa prática. Pobre de mim, como andei errado todos estes anos! Afinal, os doutos doutores do nosso Supremo elucidaram-me de maneira cabal e definitiva, tanto a mim como também a muita boa gente por esse país fora. Bem-haja pelo vosso brilhante esclarecimento! Agora compreendo como fui injusto sempre que critiquei, (a torto e a direito), pessoas de bem. Brilhantes bem feitores da Pátria e honestíssimos homens de negócios, (banqueiros, entre outros), e ainda deputados da Nação, ou mesmo Conselheiros de Estado. A todos aqui deixo um abraço de solidariedade e, daqui em diante, o meu profundo respeito e gratidão!
Afinal sou parte deste Povo que sempre estende a mão à palmatória quando erra!
Mesmo assim, não lhes parece que aqueles excelsos doutores têm um certo ar bafiento, assim como se os tivessem retirado de dentro de uma arca com bolas de naftalina?
CIVILIZAÇÃO DOS INÚTEIS – Parece-me um título adequado ao que hoje acontece pela Europa, onde, (no caso da Grécia), um exército espera sentado nas bancadas de um qualquer estádio, a ver quem ganha o jogo, para no fim estender a mão ao vencedor, a dizer: “Não se esqueçam dos nossos ordenados,” e por cá, nesta terra velhinha de séculos, o povo é esganado de impostos, por uma gente com profundas características de esquizofrenia, que nos obriga a pagar as dívidas que não contraímos.
E o que dizer desse senhor doutor Mário Soares, que até pretende que o povo lhe pague as multas de trânsito? É pena este modesto escrito já estar longo…
José Solá

Deixe um comentário

Margarida e os Ensinamentos Sábios da sua Filha Joana – Ultimo conto de Rita Lacerda

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-os-ensinamentos-sabios-da-sua-filha-joana/9789899737549/

               Não é fácil, mas vou tentar explicar-te como tudo acontece, duma maneira que consigas entender bem.
No princípio de tudo, isto é, no começo da Humanidade, muitos Seres de Luz, os Anjos, decidiram vir ao Planeta Terra para experimentar como… era viver com a matéria, com as coisas palpáveis e com as Emoções, porque no Céu, isso não existe.
Quando Eles nasceram, logo se esqueceram de tudo o que se passava no Céu e quem Eles realmente eram. Era como tivesse aparecido um Véu que os fez esquecer o Seu passado.

Encomende ainda com 10% de desconto.

Obrigada

Rita Lacerda

 

Deixe um comentário

Lançamento na Livraria Barata do livro, “AoSol’ÉqueSeEstáBem…” de Pedro Nunes, o B)’iL, reportagem por Tico Esteves – Artes –

Lançamento na Livraria Barata do livro, “AoSol’ÉqueSeEstáBem…” de Pedro Nunes, o B)’iL, reportagem por Tico Esteves – Artes –

… a gregântica pena da agnóstico’anarquica espiritualidade

Passava pouco das 17 horas quando o escritor Pedro Nunes encetara a apresentação do seu primeiro livro “AoSol’ÉqueSeEstáBem…” na Livraria Barata, em Lisboa. Perante uma vasta audiência o autor fez-se acompanhar pela sua gestora editorial, Sara Coito e o seu elenco de oratória Maria Ceia e Isabel Guimarães. Em cima da mesa, em lugar de grande destaque, encontra-se estendido um cravo vermelho, como que anunciando e evidenciando uma posição de desmedidos valores por parte do autor. Pedro Nunes, assume-se como um homem ideológico e defensor das suas utopias, como descreve no subtítulo do livro: “a gregântica pena da agnóstico’anarquica espiritualidade”. Utopias essas, são estruturadas na sua obra, em forma de argumentos válidos, que o levam acreditar devotamente na sua possibilidade. 
Maria Ceia preludia a leitura da sessão oratória como Alter-ego do autor, o Bólice. Descrevendo-se a si próprio: 
“Sou profundo, pois sou. Eu sou isto e aquilo, aquele e aquel’outro. Mudo com
a lua, sei lá. Não sei ser de outra maneira! Posso ser o que quiser. Sou pedra
de sal, mar d’água. Madeira da árvore e folhas. Os galhos são a minha
família. As raízes nem sei de onde vêm mas também por agora pouco
interessa[..].” Para alem de se assumir como um homem de ideais, este faz-se apresentar ao mesmo tempo de uma postura humilde. Pela voz de Isabel Guimarães, narradora do discurso, diz ser “o humano mais pequenino na terra”, assumindo os seus defeitos e fraquezas, mas não descurando também as suas qualidades. E com a sua sinceridade e frontalidade vai prosseguindo o discurso:
“É dando que se mostra o que se vale. Eu nem estou aqui para vos dar nada,
mas sim, para vos vender um livro. Por isso neste tipo de sistema em que
vivemos valho muito pouco e quem dá o melhor que tem a mais não é
obrigado.”

Sendo esta uma obra a que o escritor caracteriza de “Manifesto em prosa pó’Ética” a oradora Maria Ceia conclui a leitura com um soneto que expressa um dos maiores valores da condição humana, que tanto custou a nós, portugueses… a liberdade.
Direitos reservados… e os esquerdos também…

“Liberdade sim, mas porquê saudade ?
quanto mais gosto de ti, é de mim
que mais sinto nesta minha vontade
de criar cá de dentro esse fim

P’los teus e p’los meus, estou na vanguarda
preparado p›ra saltar esse muro
da vida, espiral manifestada
liberdade, afincado futuro

Não sei crer, mas anseio derradeiro
que este mundo mesmo desordeiro
tem-se na forma de ser sempre certo

Eu me reservo nos direitos, canhoto
nos esquerdos, tenho o mesmo afouto
de ter essa liberdade por perto.”

A finalizar a sessão, na voz do próprio Pedro Nunes, este declara:
“É sobre estes princípios, de que se trata esta minha pequeníssima obra.
Nada dela poderá mudar os malefícios do mundo, mas pelo menos tenta
ajudar a melhorá-lo.

Só quero aqui deixar mais uma ideia… uma verdade minha …
Uma grande verdade … um pensamento contundente …

… o mundo é nosso e ninguém nos deu … nós é que o, usurpamos …”

Ovacionado de pé, o escritor eleva-se da sua cadeira e ata os seus punhos como forma de agradecimento e de força.

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.189302157853538.40846.153544744762613&type=3

Image

Deixe um comentário

PARABÉNS, ALMADA NEGREIROS !

 

 

 

 

 

Almada Negreiros nasceu em São Tomé no dia 7 de Abril de 1893 e viveu até 15 de Junho de 1970.

Foi pintor, escritor, poeta, dramaturgo e romancista

Com 20 anos de idade fez a primeira exposição individual de desenhos.

Estudou no colégio jesuíta de Campolide. Após o encerramento do colégio, frequentou o liceu de Coimbra. Depois estudou na Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa.

Colaborou em várias revistas, tais como: “Contemporânea”, “Orpheu “, “Portugal Futurista”, “Athena”, “Bicórneo”. Escreveu e ilustrou o jornal manuscrito “Parva”. Editou e dirigiu a revista “Sudoeste”; redigiu e ilustrou totalmente o jornal manuscrito “A Paródia”. Foi director artístico do semanário monárquico “Papagaio Real”. Colaborou também no “Diário de Lisboa” com contos, artigos e desenhos.

Integrou o grupo “Orpheu”, onde conviveu com Fernando Pessoa, concentrando a partir daí toda a sua capacidade crítica a um país que aceitava uma figura como Júlio Dantas. No entanto, estava convencido que um dia “Portugal há-de abrir os olhos”. Ficou célebre o “Manifesto Anti-Dantas e por Extenso”.

Realizou, vestido de operário, a conferência “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”.

Realizou várias conferências, das quais se destacam: “Conferência Futurista”, “A Invenção do Dia Claro”, “Modernismo”, “Direcção Única”, “Cuidado com a Pintura”, “Elogio da Ingenuidade ou as Desventuras da Esperteza Saloia”, “Desenhos Animados, Realidade Imaginada”, “Descobri a Personalidade de Homero”, “Poesia e Criação”, “A Invenção do Corpo”. A maioria destas conferências foi publicada em revistas e jornais.

Fez a coreografia dos bailados “A Princesa dos Sapatos de Ferro” e “O Jardim da Pierrette”. No primeiro também dançou. Foi actor no filme “O Condenado”. Realizou o bailado “O Sonho da Rosa”.

Participou em diversas exposições de arte, designadamente na “1ª Exposição dos Humoristas Portugueses”, considerada a pioneira do modernismo português; na 6ª Exposição de Arte Moderna e na exposição Artistas Portugueses apresentada no Rio de Janeiro, no Brasil.

Na sua faceta de artista plástico, destacam-se os seguintes trabalhos: frescos da Gare Marítima de Alcântara e da Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos; os frescos “Verão” da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra; vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima; da Igreja do Santo Condestável, em Lisboa e da Capela de S. Gabriel, em Vendas Novas; as decorações da Cidade Universitária de Lisboa; dois painéis para a Brasileira do Chiado; o painel “Começar” no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, etc.

Outra das obras mais conhecidas é o célebre retrato de Fernando Pessoa sentado à mesa do restaurante Irmãos Unidos. Sobre a mesa está o exemplar nº 2 do “Orpheu”. Desde 1993, esta obra encontra-se em exposição na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa. Em 1964 Almada realizou uma réplica deste retrato para a Fundação Calouste Gulbenkian.

Como pintor integrado no movimento cubista, desenvolveu a sua actividade criativa na tapeçaria e na decoração.

Como escritor publicou: “Antes de Começar”; “Pierrot e Arlequim”; “Deseja-se Mulher”; “O Moinho”; “Nome de Guerra”; “A Engomadeira”, “Meninos de Olhos de Gigante”; “A Cena do Ódio”; “As Quatro Manhãs”; “Começar”; “Presença” ;“Ver”; “A Questão dos Painéis”;  “A Engomadeira”;” 4K  O Quadrado Azul”, etc. Durante a sua estadia em Paris escreve “Histoire du Portugal par coeur”.

Além disso, escreveu uma série de textos de crítica para diversas publicações.

Almada Negreiros foi um dos grandes nomes da cultura portuguesa do século XX. Recebeu, entre outros, o Prémio Columbano e o Prémio Domingos Sequeira.

Em 1966 foi eleito membro honorário da Academia Nacional das Belas Artes e no ano seguinte recebeu o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e Espada.

Almada Negreiros, conhecido como “Mestre Almada” foi o convidado especial do primeiro programa Zip Zip, transmitido no dia 24 de Maio de 1969, na RTP. Por razões políticas, Almada Negreiros nunca fora convidado para a televisão. A sua participação foi um enorme sucesso e a partir de então ficou uma figura popular em Portugal.

Para terminar esta simples homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

Confidências

Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Eu ainda não fiz viagens
E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar.
Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

AS PESSOAS QUE EU MAIS ADMIRO SÃO AQUELAS QUE NUNCA ACABAM.”

Almada Negreiros

 

 

Deixe um comentário

Ultimo conto de Rita Lacerda

             Para comprar este livro, basta um CLIC… E JÁ ESTÁ. Não saia do seu conforto e APROVEITE os 10% de desconto até 22 de Abril. Receberá o livro em casa, rapidamente, sem stress… É TÃO FACIL, é só entrar

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-os-ensinamentos-sabios-da-sua-filha-joana/9789899737549/

EXPERIMENTE… VAI GOSTAR !!!
… Depois de ler, dê a sua opinião no site do Sítio do Livro.

OBRIGADA
UM ABRAÇO

Rita Lacerda

 

Deixe um comentário
 

 

 
Agora sim!!! Estão reunidas todas as condições para o lançamento do novo livro de poesia da Ana Brilha – “A Apologia do Silêncio”! Como devem calcular conto com a vossa presença!!!!! Portanto vou dar-vos todas as indicações necessárias para não faltarem a esta iniciativa que está a ser preparada com grande entusiamo pela Fundação AFID Diferença.
 
Vá! Abram lá as vossas agendas e tomem nota:
 
– Dia 12 de abril (5ª feira) às 18h30
 
– Fundação Afid Diferença – Quinta do Paraíso, Bairro do Zambujal, Amadora. Não tem nada que enganar. Toda a gente sabe o caminho para o IKEA, certo? Então na Rotunda junto ao IKEA, vão encontrar uma seta com a designação “Afid”, é só seguirem e em poucos metros terão chegado ao vosso destino 😉
 
– Para além da apresentação da obra e de uma sessão de autógrafos, a AFID, reservou mais umas quantas surpresas para vocês!
 
E porquê o lançamento do livro ser na AFID? Pois para os mais desatentos ou esquecidos, a imagem da capa do livro é da inteira responsabilidade da Unidade Artística da Fundação AFID Diferença! (tecido manual e peça em cerâmica – “Mudas”)
 
Conto ver por lá as vossas caras bonitas!
 
Publicado em por Intermitências da escrita | Deixe um comentário

PARABÉNS, LUÍS DE STTAU MONTEIRO !

 

 

 

 

 

Luís de Sttau Monteiro nasceu no dia 3 de Abril de 1926 e viveu até 23 de Julho de 1993.

Foi dramaturgo, encenador, jornalista, romancista e tradutor.

Aos dez anos de idade foi para Londres com o pai que desempenhava o cargo de embaixador de Portugal. Regressaram a Portugal em 1943, quando o pai foi demitido por Salazar.

Após de se ter licenciado em Direito, em Lisboa, viajou novamente para Londres. Lá foi condutor de Fórmula 2.

De regresso a Portugal  colaborou na “Revista Almanaque” e no suplemento “A Mosca” do Diário de Lisboa, criando a famosa secção “As Redacções da Guidinha”. Este suplemento, dirigido pelo escritor José Cardoso Pires, beneficiou do período de transitória liberdade marcelista, publicando com humor o que não se podia dizer a sério. Foi um enorme sucesso.

Mais tarde colaborou, como jornalista, no “Diário de Notícias” e no “Expresso”.

O seu humor corrosivo em relação à ditadura e à Guerra Colonial, fê-lo estar na mira da polícia política, sendo preso pela Pide quando publicou “A Estátua” e a “Guerra Santa”.

Por razões políticas, Sttau Monteiro não pôde ver representadas em Portugal peças de sua autoria, excepção apenas para “As Mãos de Abraão Zacut”, que foi exibida na Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Luzia Maria Martins.

Em 1961 publicou a peça de teatro “Felizmente Há Luar”. Foi um grande êxito editorial. Esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II em 1978, com encenação do autor. A peça alertava as pessoas para a injustiça da repressão e das perseguições políticas.

Foi autor da novela televisiva “Chuva na Areia”, uma adaptação do seu romance “Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão” e traduziu autores dramáticos como Ibsen, Shakespeare, etc.

Outras obras a salientar: “Um Homem não Chora”, “Angústia para o Jantar”, “ E se for Rapariga Chama-se Custódia”, “Todos os anos, pela Primavera”, “Auto da Barca do Motor fora de Borda”, etc.

Nesta simples homenagem a Luís de Sttau Monteiro no dia do seu aniversário, contemplemos excertos da peça “Angústia para o Jantar”, escrita em 1961 e de uma das redacções da “Guidinha”, escrita em 1969/70.

“Angústia para o Jantar” é um texto de grande força dramática, no qual o autor denuncia, firmemente, o ambiente social e político vivido durante o Estado Novo.

                                      “ANGUSTIA PARA O JANTAR”

(…) “Nunca vi nada que não fosse lógico. Tudo tem uma lógica, muito embora esteja por vezes escondida. É a isso que chamamos o segredo das coisas. O que distingue os homens lúcidos dos inconscientes é que os primeiros procuram descobrir a lógica das coisas, ao passo que os segundos julgam que as coisas surgem por si próprias e procuram, não a sua lógica, mas a sua rima.” (…)

 (…) “A cidade, vista à noite, é estranha. Já pensou no que farão em casa todos esses tipos que a gente vê na rua, com emblemas do Benfica na lapela? Uns emblemas feitos de pedrinhas?
– Sou um deles.
– É? E que faz você à noite, em casa?
Hoje era capaz de responder. À noite, em casa, repetimos o que fizemos durante o dia: nada. À noite, em casa, continuamos a esperar pela morte e, quando ela se aproxima, compreendemos que devíamos ter feito mais qualquer coisa.” (…)

                                       “Redacção da GUIDINHA” 

          O Pai Natal   

         “Tretas tretas tretas a mim é que não me levam mais era o que faltava ou um ou outro é um aldrabão disseram-me que o pai natal descia pela chaminé e eu acendi o fogão para lhe queimar o rabo para ele dar um grito para eu o ver e nicles quem ficou com o rabo a arder fui eu que levei bumba no toutiço por ter gasto gás é só para ver como as coisas são disseram-me que ele trazia presentes do Céu e o que ele me trouxe foi uma camisola que eu vi numa montra duma loja em saldo com o preço e tudo isto quer dizer que o Céu fica na Rua dos Fanqueiros ou que me aldrabaram por eu ser criança é o que eu digo mentem à gente mal a gente nasce e depois queixam-se de que a gente em grande queira ir para a política (…) outra malandrice que me fizeram foi darem-me um cavalinho de madeira que o meu avô comprou para levar à maternidade quando eu nasci a pensar que eu era menino mas o diabo do velho quando viu a enfermeira mudar-me a fralda meteu o cavalinho no bolso e foi a correr comprar uma roca de prata porque nesse tempo o plástico ainda era caro e levou o cavalinho para casa para quando viesse um menino e como nunca veio porque em Paris deixaram-se de fazer coisas dessas (…) por causa da crise que há no Céu mas então se aquilo é igual à Terra para que é que lhe chamam Céu anda a gente a privar-se de coisas para ir para o Céu e chega lá e bumba aquilo é como a Graça ou como o Areeiro eu é que não vou nisso e se as coisas não mudam para o ano faço de conta que não sei da crise e mando uma reclamação para o deputado que me representa na assembleia e o pai natal vai ver como é que as moscas picam para aprender a ser profissional a valer que isto dum pai natal amador não interessa a ninguém e muito menos a esta vossa GUIDINHA que não está cá por ver andar os outros.”

José Eduardo Taveira

 

Deixe um comentário

Poeira…

Poeira…
Este mundo de tristezas infinitas em que calhamos a viver, é feito de fantasias atiradas ao ar, como poeiras, pelos que se consideram detentores da razão, (pelo direito que julgam que o dinheiro lhes confere), para aquietarem os que, (julgam eles), por meras razões de pobreza, lhes devem tirar o chapéu, enquanto, respeitosamente, se afastam para que majestosamente eles passem, a distribuírem óbolos e a receberem a reverência das vénias. E quando assim não sucede? Então, aqui del rei, que eles, não se saracoteando nus, nos mostram o majestático rabo enquanto passam, e se transformam na chacota que faz rir os humildes.
Vem isto a propósito da Grande Reportagem da SIC, que tive o gosto de ver ontem, dia primeiro de Abril. Tratava da Reforma Agrária que vingou em parte da Andaluzia, em Espanha, onde mais de um milhar de hectares foi conquistado pelos que trabalham a terra.
De um espaço onde se viam apenas searas de trigo e girassóis, tratado por um pequeno punhado de pessoas assalariadas pelos grandes agrários, passou a chão bem aproveitado, onde se diversificam as culturas. A Cooperativa rentabilizou a terra; passaram à transformação dos produtos, criaram centenas de postos de trabalho que, em alturas de colheitas, requerem braços extras das terras vizinhas. Criaram vida onde antes existia a triste certeza da incompetência que faz florescer a miséria. Libertaram-se do jugo dos medíocres. Reinventaram o Socialismo. É como se a solidariedade firmada na vontade férrea de ser gente livre lhes incutisse, (gravado no mais fundo do ser), a noção de que os homens livres nunca temem o futuro.
Dizemos nós, portugueses, que o futuro a Deus pertence. Como os Povos, sendo vizinhos, conseguem ser tão diferentes! Não. O futuro é de quem o toma nas mãos, de quem é bravo, de quem luta. É dos que não choram, nunca se acomodam e desconhecem o que é a cobardia.
Eles constroem as suas casas, as escolas; eles moldam o amanhã, com base no salutar princípio, de que, quem não sabe fazer aprende, o que equivale a dizer que, ao homem justo, até é possível mover montanhas!
Penso no nosso Alentejo. Nos nossos trabalhadores agrícolas, na sua eterna vidinha afadigada a produzir riqueza da qual nunca desfrutam. Penso nos governos que nos apequenam, nos amesquinham, quando nos atiram à cara com a máxima (já sobejamente conhecida por todos), de que vivemos acima das nossas possibilidades, como se o povo mais pobre, (eternamente mais pobre), deste continente, por um desígnio inqualificável vindo da Divina Providência, esteja condenado às chamas de um inferno que prolonga até ao infinito a sua triste sina!
Conquistámos uma Republica a sangue e fogo, mas vamos esquece-la por imposição de decreto; e quando, nos períodos de infortúnio, nos tentamos unir em torno da figura do nosso Presidente, o que retorna dele não é animo, mas sim uma espécie de “Tenham paciência,” e fala-nos da reforma da esposa, que, (apesar do seu elevado estatuto social), é parca em numerário, como se o povo desconhece-se os critérios que determinam os valores das reformas, baseados em descontos e anos de serviço, ou diz-nos de novo “Tenham paciência,” quando nos fala da sua desdita de não conseguir cumprir com as suas despesas, em face dos parcos montantes da sua reforma.
Sendo Deus a evidência sagrada que justifica este pobre mundo, (eu chamo-lhe Iminência parda), nós, que calhamos existir pelo seu Desígnio, aqui por estas bandas Ibéricas, fomos assim esquecidos, depois de tamanha labuta por esses mares fora, de Cruz erguida numa mão e o machado na outra, por via das dúvidas, por mor de teimosias irredutíveis por parte de gentios inquebrantáveis, porque pela taça do Destino tomamos fel em vez de mel? Talvez porque o Nosso Senhor Tem Avançada Idade, porque as Certezas das Coisas Divinas com o Tempo se tornam Contradições. Não sei. Penso que ninguém sabe o porquê destas coisas. Mas julgo que é chegada a hora de sermos gente. Gente crescida que se respeita, que se afirma, que quer seu a terra que lhe pertence. Gente que trabalhe a terra que tomou sua, livre da tutela dos que nos atiram aos olhos as suas poeiras…
José Solá

Deixe um comentário

RNT – Revista Novos Talentos

Artigo da RNT – Novos Talentos, sobre o lançamento na livraria Barata do livro “AoSol’ÉqueSeEstábem…” by Tico Esteves (http://www.facebook.com/Tico.Esteves.Artes)

B)’iL

Image

Image

2 comentários