Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES (DE 24 DE ABRIL A 13 DE MAIO)

O LIVRO

O romance Ganância desenvolve-se a partir da ideia das Casas de Penhores para Apoio aos Países Pobres do Terceiro Mundo (alguns se situam no continente Europeu), e é uma paródia ao País que fomos capazes de construir. Uma paródia triste. Uma vontade de bater nos ingénuos que fomos e ainda somos. Gente aventureira que facilmente se espalha pelo mundo e sabe trabalhar; mas também gente de paixões fáceis, mesmo fanáticas. Presas indefesas nas mãos dos ricos que tiram o mais que podem a este mundo pretensamente globalizado. Somos, afinal, o resultado do passado que tivemos. Um povo eternamente sacrificado pelos seus maus gestores, um povo que mais do que nunca precisa de moral. Um povo conservador, avesso à cultura, avesso à mudança, um povo que, de noite, verte lágrimas de sangue no travesseiro da cama, e de dia sorri, sem perceber porquê…

ESTE UM BREVE TÓPICO DO LIVRO.

NO DIA 12 DE MAIO, ENTRE AS 17 E AS 18 HORAS; O AUTOR ESTÁ NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES PARA AUTOGRAFAR O LIVRO

José Solá

 

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Um tiro no pé? Depende…

A grande novidade da semana é, sem dúvida, a mega operação comercial feita no dia primeiro de Maio pela poderosa cadeia de supermercados Pingo Doce.

Para uns, com o claro objectivo de atingir e denegrir o Dia do Trabalhador, como se tal fosse possível. É que o primeiro de Maio não é um feriado meramente nacional, e nessa medida fácil de atingir, suprimir ou calcar a pés, assim como o Cinco de Outubro ou o Primeiro de Dezembro, ou mesmo os feriados religiosos que foram suprimidos, mas é sim uma grande e justa festa mundial, de agradecimento a todos quantos trabalham e fazem o mundo girar; e esses são todos, desde os modestos varredores das ruas aos cientistas que fazem o Mundo progredir, passando pelos artistas que corporizam e dão forma aos sonhos que a todos pertencem, pelos poucos empresários honestos que nos restam, pelos escritores que nos levam a pensar e, (porque não), pelos políticos credíveis que pensam no amanhã dos povos que governam.

Se o objectivo da administração do Pingo Doce foi denegrir e humilhar quem trabalha, deu sim, um violento tiro no pé. Se o objectivo foi dar corpo a um mega negócio, a uma monumental operação comercial que terá gerado elevadíssimas receitas, o êxito alcançado pode-se adjectivar de colossal; se pretendeu dar ao actual governo uma tremenda dor de cabeça, (isto como cereja em cima do bolo), eu, pessoalmente, dou-lhes os parabéns pelo completo e total êxito.

Só quem está necessitado e desesperado se prontifica a entrar em conjunto com milhares de pessoas num espaço, onde apenas cabem umas escassas centenas; e esse feito envergonha o país e o governo. O Portugal ajoelhado de hoje é terra de muita carência e de muita fome. É terra de profunda tristeza. É terra que envergonha quem a governa, numa alternância cega em que os de hoje se desculpam com os que governaram antes, dando, aos portugueses, (poucos infelizmente) que sabem pensar, a imagem da inevitabilidade de um próximo e triste fim. Fomos finalmente derrotados pelos medíocres e aldrabões que se intitulam de políticos.

Para os sindicatos e para a Assembleia da Republica, a meu ver, (que me perdoem os que discordam), sobram também reparos; aos primeiros digo que os milhões de palavras ditas em discursos já ultrapassam o aceitável. São imperiosas acções. Aos segundos pergunto: se dispõem de estruturas que estudam as leis do mercado, se conhecem os lucros exagerados das grandes superfícies, então porque não tomam atitudes? Ou esses lucros ainda, (no vosso entender) podem aumentar mais? E, se assim é, então qual o limite do lucro permitido em Portugal? Duzentos, trezentos, mil por cento? Eis uma questão que eu, a exemplo de milhões de outros portugueses, gostaríamos de ver respondida com a maior das urgências.

Temos uma Assembleia da Republica eleita por sufrágio universal, e dela resulta um Governo legitimo eleito pelo Povo; assim, somos uma Democracia de Pleno Direito.

Por isto, eu, como tantos outros portugueses anónimos, pergunto: Sendo este um País de portugueses, iguais perante as leis e os direitos, porque nunca cabe aos bancos, às empresas do Estado, às grandes superfícies, uma fatia dos sacrifícios que nos são impostos, mas sim o engordar por via dos lucros, do sacrifício feito pelos indefesos? Perante a Lei uns são mais iguais do que os outros? Porque tarda tanto a fatia de emagrecimento a impor aos que mais podem pagar? Será que se estuda uma forma ideal para os poupar o mais possível? Tudo questões pertinentes que carecem de resposta urgente por parte do nosso Governo eleito.

José Solá

 

   

 


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Conduzido a lágrimas…

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Como podes dizer que não és o responsável? E o que é que isso, tem a ver comigo? Qual é a minha reacção, e qual deve ser? Confrontado com estas últimas atrocidades!

Conduzido a lágrimas…

Tapo o meu rosto com as mãos, da vergonha que ata a minha garganta. E a minha confortável existência, é reduzida a uma réstia parte sem sentido.

E parece que quando alguns morrem inocentes… tudo o que lhes podemos oferecer, é uma página… numa revista qualquer. São demasiadas câmaras, mas muito pouca comida distribuída.

Porque é isso que temos visto… é sermos conduzidos a lágrimas. O protesto é inútil, nada parece passar. O que vai ser do nosso mundo… e quem sabe, o que lhe fazer?

Conduzido a lágrimas? Não… conduzido por lágrimas…

Pois eu não choro, nem tão pouco lhes levarei flores… apenas assisto expectante. Mas não acredito em lágrimas condutoras. Tenham dó de vós próprios, não de mim, S.F.F. – Sem Fazer Festas.

B)’iL

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“MÃE” – POEMA DE MIGUEL TORGA

 

 

 

Miguel Torga nasceu em Trás-os-Montes, região que o marcaria para toda a vida. A sua obra reflecte a força da sua ligação à terra onde nasceu.

Médico, escritor e poeta, criado entre os trabalhadores rurais, Torga transmite todo o carácter humanista, em cada uma das suas facetas profissionais.

O poema dedicado a sua mãe, incluído no “Diário IV”, é um exemplo da comovedora capacidade de acreditar que a morte não poderia afastá-la da sua vida.

  Mãe:

Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

 

 

 

 

 

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Guerreiras vermelhas ( de Danilo Pereira )

Sobre o vasto mundo nórdico, há figuras misteriosas como as guerreiras vermelhas. Dizem os nórdicos, que estas beldades são muito habilidosas na arte de espada e que lutam como ninguém.

Levam este nome devido aos cabelos avermelhados, muito comuns nas regiões baixas de Midgard. Seu principal inimigo são os dragões, as criaturas aladas que são encontradas ao redor dos mundos. São devotas de Tyr, o Deus da guerra, que de Asgard lhe dão forças e inteligencia para sobreviverem no meio das titânicas criaturas.

São extremamente sensuais, deixando qualquer homem boquiaberto, vestem apenas uma tanga vermelha, um bracelete e um elmo ornamentado de chifres curvos.

 

Nesta ilustração, uma guerreira vermelha saboreando a vitória ao entardecer.

 

Ilustração presente na obra, o guerreiro nórdico art book, encontrada trambém na feira do livro de Lisboa.

 

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Um Livro (…

Momentos!…

Um livro é o mar!!..
As letras são as ondas, onde todos podemos navegar! …)
Rómulo Duque

> Bons momentos para todos os leitores e autores, nesta viajem das letras e dos pensamentos.

Rómulo Duque – Sitio do Livro

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OS JUÍZOS LIGEIROS DA IMPRENSA

 

 

 

 

 

                                  OS JUÍZOS LIGEIROS DA IMPRENSA

 “Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros. Em todos os séculos se improvisaram estouvadamente opiniões: em nenhum, porém, como no nosso, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento. Com excepção de alguns filósofos mais metódicos, ou de alguns devotos mais escrupulosos, todos nós hoje nos desabituamos, ou antes nos desembaraçamos alegremente do penoso trabalho de reflectir. É com impressões que formamos as nossas conclusões. Para louvar ou condenar em política o facto mais complexo, e onde entrem factores múltiplos que mais necessitem de análise, nós largamente nos contentamos com um boato escutado a uma esquina. Para apreciar em literatura o livro mais profundo, apenas nos basta folhear aqui e além uma página, através do fumo ondeante do charuto.

O método do velho Cuvier, de julgar o mastodonte pelo osso, é o que adoptamos, com magnífica inconsciência, para decidir sobre os homens e sobre as obras. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza é fulminante. Com que esplêndida facilidade exclamamos, ou se trate de um estadista, ou se trate de um artista: “É uma besta! É um maroto!” Para exclamar: “É um génio!” ou “É um santo!”, oferecemos naturalmente mais resistência. Mas ainda assim, quando uma boa digestão e um fígado livre nos inclinam à benevolência risonha, também concedemos prontamente, e só com lançar um olhar distraído sobre o eleito, a coroa de louros ou a auréola de luz”.

Eça de Queirós, in “Cartas de Paris”

 

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Sessão de Autógrafos

Caros leitores e amigos!

No próximo dia 06 de Maio de 2012 (Domingo), estarei na Feira do Livro de Lisboa, associado ao Sitio do Livro, no pavilhão dos pequenos editores entre as 17h00 e as 18h00 para uma sessão de autógrafos das minhas últimas obras editadas.

Conto com a vossa presença e um obrigado desde já!

Boas leituras!
José Guerra

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Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

Romance Ganância, à venda na Feira do Livro

NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES (DE 24 DE ABRIL A 13 DE MAIO)

O LIVRO

O romance Ganância desenvolve-se a partir da ideia das Casas de Penhores para Apoio aos Países Pobres do Terceiro Mundo (alguns se situam no continente Europeu), e é uma paródia ao País que fomos capazes de construir. Uma paródia triste. Uma vontade de bater nos ingénuos que fomos e ainda somos. Gente aventureira que facilmente se espalha pelo mundo e sabe trabalhar; mas também gente de paixões fáceis, mesmo fanáticas. Presas indefesas nas mãos dos ricos que tiram o mais que podem a este mundo pretensamente globalizado. Somos, afinal, o resultado do passado que tivemos. Um povo eternamente sacrificado pelos seus maus gestores, um povo que mais do que nunca precisa de moral. Um povo conservador, avesso à cultura, avesso à mudança, um povo que, de noite, verte lágrimas de sangue no travesseiro da cama, e de dia sorri, sem perceber porquê…

ESTE UM BREVE TÓPICO DO LIVRO.

NO DIA 12 DE MAIO, ENTRE AS 17 E AS 18 HORAS; O AUTOR ESTÁ NA TENDA DOS PEQUENOS EDITORES PARA AUTOGRAFAR O LIVRO

José Solá

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Texto do livro em preparação

Texto do livro em preparação

NESTES TEMPOS CONTURBADOS EM QUE TANTO DOUTO SENHOR BOTA FALADURA SOBRE QUESTÕES DO FORO DA JUSTIÇA (E NÂO APENAS…) PARTILHO COM VOÇÊS O PARECER DE UMA DAS PERSONAGENS DO LIVRO EM CAUSA.

“- Descanse que se for o caso arranja-se lá por casa alguma coisa que precise…

– Não vai ser o caso, descanse.

– Olhe que de noite, no barco, faz frio! A propósito, e para encher o tempo, você ia a falar sobre a justiça, lembra-se?

– Mais ou menos. Mas de qual justiça?

– Da nossa, como é evidente.

– Sim, eu sei, mas qual delas, é que temos várias, ou não sabe? – Baltazar Antunes bebericou dois ou três tragos do seu cálice de licor, de vidro facetado, enquanto mordiscava, de seguida, umas pequenas favas salgadas; – Sabe, meu caro, temos a justiça dos pobres, a dos ricos, mais a dos que, não tendo cheta, conhecem alguém importante, e ainda a dos muito ricos que fazem para si a justiça que lhes dá mais jeito, conforme os casos e as circunstâncias, e se nos apetecer especular mais um pouco, ainda se pode dizer que temos a justiça dos de fora e a justiça especialmente criada para inglês ver. É só escolher, meu bom amigo… – Baltazar esparramou-se melhor no velho cadeirão revestido a veludo azul, aqui e ali coçado dos anos e a perder a cor de vagarinho, assim como quem envelhece com o correr do tempo, e vai mostrando aos poucos uns cabelos brancos de neve que choram saudades dos tempos idos. Olhou de sorriso aberto, escancarado no rosto, a mostrar uns olhos brilhantes e eternamente perdidos no seu imaginário, a João Boa Brisa que, no entretanto, se acomodara em outro velho cadeirão, na sua frente, e sem grande jeito o encarava um tanto perplexo.

– Olhe, Baltazar, diga-me o que pensa de um desses casos que volta e meia andam por aí na berra, a indignar as pessoas… – Pediu.

– Fica por tanto ao meu critério?

– Sim!

– Então, assim sendo, deixe-me lá ver. Olhe, o que eu faria, se juiz fosse, aquele famigerado sem abrigo que roubou uma embalagem de polvo mais não sei o quê, acho que chapou, num supermercado, desses que dão sempre qualquer coisa grátis desde que se compre muito? Eu dava-lhe uma pena exemplar, para o tipo nunca mais voltar a roubar na vida…

– A um pobre coitado que rouba para comer?! Bem, dizem práí que a justiça é cega… – Comentou João.

– Foi, meu caro, foi. Tinha os olhos vendados, mas nestes tempos modernos passou a usar uma pala no olho direito. Modernices, meu amigo, modernices.

E Baltazar, de permeio com mais uma trincadela nos aperitivos, e um gole de abafado, prosseguiu:

– Como é óbvio e evidente, quanto à minha suposta qualidade de juiz, meu amigo, a esse tipo condenava-o a duas ou três penas, se me fosse possível por via da Lei. Primeiro, obrigava-o a tomar banho, cortar o cabelo, fazer a barba, e vestir roupa limpa, paga pela cadeia, já se vê; depois humilhava-o de forma exemplar. Que coisa pior para um vagabundo, do que condená-lo a morar numa casa e a ter hábitos saudáveis de trabalho e de higiene? E mais, – acrescentou, passados uns quantos segundos de silêncio. – Para a lição ser-lhe mais penosa, se possível, obrigava-o a trabalhar exactamente no supermercado onde roubou, e ainda por cima, para maior vergonha, em pé de igualdade, no trato e no salário, com os restantes empregados!

– Então e se o tipo é desses que não quer mesmo trabalhar? – Atalhou João.

– Há disso? – Interrogou Baltazar. – É capaz de ter alguma razão, João, mas não muita. É que a natureza de facto, por vezes, prega-nos partidas; sabe, é como quando uma peça sai da linha de montagem com um evidente defeito de fabrico. Mas via de regra não. As peças correm a sua rotina e saem sem defeitos de monta. No caso dos humanos o mais importante é sim a educação; a base, entende? Essa sim, é a alma do negócio de uma sociedade sem defeitos, capaz de caminhar sem pés de barro…

Sobre a mesinha de sala que estava de permeio, entre ambos, a caixa dos aperitivos salgados ia a mais de meio. A garrafa do abafado levara de igual modo um desbaste considerável.

– O homem quando aparecer aí todo cheiroso vai perceber os estragos que estamos a fazer! – Disse Baltazar Antunes, enquanto mordiscava mais uma pequena bolacha.

– Você fala de uma justiça como se fala de uma mistura de muitas conveniências, segundo o poder de cada um, assim correm as decisões nos tribunais…

– Então e qual é a sua ideia, João?

– Olhe, nem sei bem…

Entre um mastigar prolongado e um gole a escorropichar o líquido que restava no cálice, um olhar para a vidraça da janela alta por onde o sol se esgueirava para a sala, Baltazar ficou pensativo, como se rebuscasse as palavras.

– João, imagine um pântano de águas fétidas, a cheirar a ovos podres, águas estagnadas, encobertas por largas folhas de plantas amarelecidas e tristes. É isso a aberração da nossa justiça, por via das milhentas emendas que ao longo dos anos se têm feito às leis; imagine, ainda, que esse pântano comporta ainda os tribunais, com toda a sua carga de saberes e ofícios que os corporizam; como acontece nos pântanos, quando lá caem os animais incautos, os únicos répteis que deles se alimentam são os crocodilos, e destes, os mais velhos e experientes sáurios são, via de regra, os que abocanham primeiro as presas e, logo, se banqueteiam com os melhores pedaços. Esses são os juízes. A seguir saboreiam ainda bons pedaços os filhos dos primeiros, que são os advogados mais sabidos, e o que sobra fica então para os pequeninos, os que têm a seu cargo o desempenho dos pequenos papéis, os ditos oficiais de justiça, os escrivães, os escriturários, e quando chega a vez dos modestos arquivistas, esses que andam sempre de casacos coçados nos cotovelos, aí já sobra apenas a mama da carcaça! Portugal foi sempre governado por coisas pequeninas, gente sem importância, de duvidoso valor, para quem os outros pouca ou nenhuma importância têm, e a justiça não é a excepção à regra, é sim a regra! Imagine um polvo onde os tentáculos cresceram sem nexo, sem rei nem roque, de forma completamente anárquica, e tendo sempre em vista a defesa de dois princípios: Primeiro os interesses dos mais poderosos, das suas supostas mais-valias, segundo, o que os de fora podem pensar de nós, isso é de extrema importância, se queremos que nos continuem a considerar um país…

De um fôlego Baltazar Antunes engoliu um cálice cheio de abafado. A seguir continuou, agora num tom mais pausado: – Sabe João, existem muitas coisas que nós, como povo, que se entenda, já se vê, não temos; são dinheiro e, acima de tudo, credibilidade externa. Eles apanharam-nos o jeito, as falhas, as fraquezas, as manhas e as aldrabices. Na verdade, sendo geograficamente europeus, como gente somos outra coisa qualquer, e nem nós sabemos bem o quê…

– Então onde fica aí, nesse seu raciocínio, a democracia, os direitos cívicos dos cidadãos, a obrigação das maiorias respeitarem as minorias, o respeito pelo povo?!- Interrompeu João Boa Brisa.

Baltazar Antunes deixou escapar uma pequena gargalhada. Ergueu-se, endireitando o tronco, e retesou os braços a espreguiçar-se. Deambulou pela pequena sala, parando perto da estante a apreciar os rostos impressos a preto e branco nas fotografias metidas em velhas molduras.

– Vê, meu amigo, esta gente simples que os retratos nos mostram? Eram, e ainda o são os simples que deles descendem, extremamente fáceis de enganar; a educação, sabe? A tal educação de que há pouco lhe falei. Não tiveram nenhuma, infelizmente, tal como sucede com os de hoje. Democracia, maiorias, minorias, direitos, constituições, repúblicas, monarquias, revoluções, respeito pelos outros, fantasias, meu bom amigo, fantasias, apenas isso; um golpe de Estado é cousa pouca para corrigir o mal de décadas, mesmo de séculos. Os nossos compatriotas nunca tiveram a coragem para fazer o que as circunstancias impõe…”

QUE ME PERDOEM OS IMPORTANTES E BRILHANTES ESCRITORES PELA MEDIOCRIDADE E A FALTA DE ASSUNTO DA MINHA MODESTISSIMA ESCRITA; NA ÂNSIA DE SER UTIL DESPREZO A BELEZA DO ESTILO.

A RAZÂO É SIMPLES: NÂO CONCEBO UM TEXTO SEM UTILIDADE SOCIAL; UM DIA LI UM CONTO DA AUTORIA DE UMA IMPORTANTE SENHORA DA NOSSA PRAÇA LITERÁRIA, UM TRABALHO COM NOVENTA PÁGINAS, EXTREMAMENTE BEM ESCRITO.

QUANDO CHEGUEI À PÁGINA OITENTA E TRÊS, INTERROGUEI-ME QUANTO À UTILIDADE DO LIVRO, À MENSAGEM, E COMO NÃO LHE ACHEI NEM A UTILIDADE NEM O SENTIDO, FECHEI O LIVRO E FUI ENTREGÁ-LO À BIBLIOTECA.

A LITERATURA A QUE CARINHOSAMENTE CHAMO DE “CALEIDOSCÓPIO” PRATICADA ACTUALMENTE NADA ME DIZ; QUE ME PERDOEM ESCRITORES E JORNALISTAS; OU JORNALISTAS – ESCRITORES- DOUTORES ADVOGADOS – COMENTADORES TELEVISIVOS DA ELITE QUE ANDA POR AÍ A ESCLARECER AS PESSOAS QUANTO AO FUTURO RISONHO QUE AS ESPERA! A SALVAÇÃO DO PAÍS FINALMENTE ESTÁ ENTREGUE EM BOAS MÃOS!

José Solá

 

   

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