Um tiro no pé? Depende…

A grande novidade da semana é, sem dúvida, a mega operação comercial feita no dia primeiro de Maio pela poderosa cadeia de supermercados Pingo Doce.

Para uns, com o claro objectivo de atingir e denegrir o Dia do Trabalhador, como se tal fosse possível. É que o primeiro de Maio não é um feriado meramente nacional, e nessa medida fácil de atingir, suprimir ou calcar a pés, assim como o Cinco de Outubro ou o Primeiro de Dezembro, ou mesmo os feriados religiosos que foram suprimidos, mas é sim uma grande e justa festa mundial, de agradecimento a todos quantos trabalham e fazem o mundo girar; e esses são todos, desde os modestos varredores das ruas aos cientistas que fazem o Mundo progredir, passando pelos artistas que corporizam e dão forma aos sonhos que a todos pertencem, pelos poucos empresários honestos que nos restam, pelos escritores que nos levam a pensar e, (porque não), pelos políticos credíveis que pensam no amanhã dos povos que governam.

Se o objectivo da administração do Pingo Doce foi denegrir e humilhar quem trabalha, deu sim, um violento tiro no pé. Se o objectivo foi dar corpo a um mega negócio, a uma monumental operação comercial que terá gerado elevadíssimas receitas, o êxito alcançado pode-se adjectivar de colossal; se pretendeu dar ao actual governo uma tremenda dor de cabeça, (isto como cereja em cima do bolo), eu, pessoalmente, dou-lhes os parabéns pelo completo e total êxito.

Só quem está necessitado e desesperado se prontifica a entrar em conjunto com milhares de pessoas num espaço, onde apenas cabem umas escassas centenas; e esse feito envergonha o país e o governo. O Portugal ajoelhado de hoje é terra de muita carência e de muita fome. É terra de profunda tristeza. É terra que envergonha quem a governa, numa alternância cega em que os de hoje se desculpam com os que governaram antes, dando, aos portugueses, (poucos infelizmente) que sabem pensar, a imagem da inevitabilidade de um próximo e triste fim. Fomos finalmente derrotados pelos medíocres e aldrabões que se intitulam de políticos.

Para os sindicatos e para a Assembleia da Republica, a meu ver, (que me perdoem os que discordam), sobram também reparos; aos primeiros digo que os milhões de palavras ditas em discursos já ultrapassam o aceitável. São imperiosas acções. Aos segundos pergunto: se dispõem de estruturas que estudam as leis do mercado, se conhecem os lucros exagerados das grandes superfícies, então porque não tomam atitudes? Ou esses lucros ainda, (no vosso entender) podem aumentar mais? E, se assim é, então qual o limite do lucro permitido em Portugal? Duzentos, trezentos, mil por cento? Eis uma questão que eu, a exemplo de milhões de outros portugueses, gostaríamos de ver respondida com a maior das urgências.

Temos uma Assembleia da Republica eleita por sufrágio universal, e dela resulta um Governo legitimo eleito pelo Povo; assim, somos uma Democracia de Pleno Direito.

Por isto, eu, como tantos outros portugueses anónimos, pergunto: Sendo este um País de portugueses, iguais perante as leis e os direitos, porque nunca cabe aos bancos, às empresas do Estado, às grandes superfícies, uma fatia dos sacrifícios que nos são impostos, mas sim o engordar por via dos lucros, do sacrifício feito pelos indefesos? Perante a Lei uns são mais iguais do que os outros? Porque tarda tanto a fatia de emagrecimento a impor aos que mais podem pagar? Será que se estuda uma forma ideal para os poupar o mais possível? Tudo questões pertinentes que carecem de resposta urgente por parte do nosso Governo eleito.

José Solá

 

   

 


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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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