PARABÉNS, MÁRIO CLÁUDIO !

Mário Cláudio nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1941.

É escritor, cuja obra abrange diversos estilos literários, como romance, poesia, biografia, conto, teatro, literatura infantil, etc.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema: 

                   

               FELES

Por todo um Inverno,

O amor lhe dilacerou o ventre,

Com fundas garras de gelo.

 

E a Primavera zumbiu,

Sobre sua cabeça,

Numa vertigem de pólen.

 

Senta-se agora,

Junto à lareira do Outono,

E é um bule de porcelana.

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PARABÉNS, SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN !

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919, e viveu até 2 de Julho de 2004.

É considerada como uma das mais importantes poetisas do século XX.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

                      Data

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça.

                     

 

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Já lá vai o tempo em que fizeram Matilde sentir-se especial.
Na escola, recebia as recompensas da sua dedicação, os seus pares e professores incentivavam a escrita e a representação teatral e eram tantas as suas certezas.

Confiava, sobretudo, nas suas capacidades e na justa retribuição do seu esforço. Tudo estava bem no mundo.

Em conversas de café, como esta que tive com a Matilde, constato que hoje se vive numa época de descrença, ou mesmo de incoerência e de alienação.
Matilde gostava de escrever, mas hoje a escrita generalizou-se, banalizou-se, massificou-se, e por fim tornou-se um mercado onde o pequeno escritor que já não quer guardar os seus pensamentos numa gaveta, mais não pode fazer do que tentar partilhar o que pensa ou sente com recurso a blogs ou a meios alternativos. Nas grandes editoras não há espaço para quem não vende e as pequenas editoras têm um preço que Matilde não pode pagar.

É justo. Temos a mão invisível do mercado a funcionar.
Para quem escolheu o teatro, como a Sofia, a vida não é mais fácil. Existem trabalhos pontuais, na generalidade não remunerados, enquanto se espera por formação, por um trabalho que permita fazer carreira, pela grande oportunidade de ser a tempo inteiro aquilo que o coração escolheu, ou simplesmente por um dia melhor.
O mesmo se diga do João, que escolheu a música. Teve oportunidade de ir para o Conservatório, tem jeito, dedica-se pelo menos 5 horas por dia, em suma, há anos a fio que investe em aprendizagem, pesquisa, estudo e equipamento. Não sei se conseguirá viver a tempo inteiro do seu sonho.
Mas se olharmos bem, nem só nas artes se assiste a uma crise de procura. A Vanda, que é professora, vai conseguindo umas aulas e explicações pontuais e vai vivendo a sua vida com dignidade mas muitas restrições.
É justo. Temos o mercado a funcionar. Não há ninguém que se possa culpar por isto. 

Hoje estas pessoas que, um dia, acreditaram que eram especiais percebem que já não há espaço para elas. Tudo se massificou, tudo se tornou complexo, difícil, ou mesmo inatingível.

Vão lutando cada dia, conscientes das dificuldades, e talvez desistam um dia, guardando na gaveta o poeta, o professor, o ator ou o músico, ou mesmo o canalizador, o eletricista, o marceneiro ou o alfaiate, à espera de um dia voltarem a ser especiais.
Até esse dia vão pagando as suas contas, como podem, aceitando um trabalho que não é a sua vocação, vivendo sob o fantasma de obrigações fiscais que não entendem e num mundo muito diferente daquele que julgaram existir.
Percebem que, afinal, são um número, que deixou de haver a justa retribuição pelo seu esforço e acabam por calar-se. E é nesse instante que abdicam que deixam de ser especiais, porque consentem em conformar-se.
Em cada uma das profissões, há sempre alguém a que a vida prometeu mais e o seu valor intrínseco não foi tomado em conta.
A Matilde, por exemplo, confessou-me que deixou de acreditar na justiça, que os ideais de cavalaria e o sistema ético de valores, para ela, não passam de publicidade enganosa. A Sofia quer aceitar um emprego como caixa de um supermercado. O João só daqui a dois anos ingressará no mercado de trabalho e a Vanda vai fazendo ginástica para pagar a escola dos filhos.
Todos eles deixaram, de uma forma ou de outra, de acreditar. Em si, nos valores das pessoas que os rodeiam e na justiça intrínseca que possa existir de receber o proporcional ao mérito, ao esforço e à dedicação.
Quanto a mim, que me prezo de ser objetiva, faço como São Tomé.
Ana Brilha
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O Vício do Artesão Orlando Nesperal

Continuação:

  A exposição

Sei pouco sobre os Artesões que fazem com o intuito de criar exposições, pelo que me é dado observar, muitos chegam a ser convidados depois de uma longa caminhada, para que isso aconteça. Mas escrever o que os outros pensam e quais os seus ideais em relação a um objetivo será sempre difícil e utilizar a arma da escrita para caraterizar quem quer que seja. Prefiro recorrer à minha própria imagem e ao meu carisma de criador de arte, simples rudimentar, mas é com ela que me vou entretendo e absorvendo tempo e realizando o meu espírito.

Num sentido de espírito critico, o que me rodeia não é um mundo abstrato ou virtual, mas sim, um atento espetador do que me é dado a conhecer. Pelo método da comparação, sejamos justos que nada é igual a nada, mas cada autor cria livremente e dentro as suas capacidades de as fazer, enquanto uns servem-se de os que os rodeia, e vão transformando em modelos reduzidos, simbolizando e perpetuando no tempo as sua raízes e ao mesmo tempo que vão enaltecendo valores tradicionais e regionais, a uma escala na maioria das vezes limitados à sua própria zona de influência.

Também a influência dos materiais que o rodeia leva muitos artesões, a pegarem nesses materiais e transformá-los em artesanato. A tudo isto me leva a entender que ser artesão não é uma questão que qualquer pessoa pode ser, mas sim todo aquele que por si só a desenvolve, e só depois pode vir a ser reconhecido ou não. Mas para o ser não se torna tarefa fácil.

Nos dias de hoje, começou a ser vulgar e muito normal convidar estes criadores de arte, para fazerem parte de feiras e mercados regionais integrando-os, no programa, como fazendo parte da cultura do povo, dando-lhe alguma visibilidade, e levados um pouco ao colo, como símbolos de resistência e permanência duma cultura popular. Não sou contra, que isto aconteça, mas quando é apresentada a primeira ideia, leva anos para que haja respeito pelo seu trabalho feito quase sempre em lugares sombrios, mas de grande simbolismo para quem os executa.

Na minha perspetiva, este criador “Artesão”, não contabiliza o tempo gasta com uma peça, para que no final a mesma não pode ter preço. Logo que isso aconteça, entra numa linha de produção, em que a graciosidade do que é manual, muitas vezes é rotulada de falta de sensibilidade, não gostava que um dia os meus trabalhos tivessem este fim. Nesta fase as minhas exposições, são as casas de familiares e amigos, por onde vou distribuindo ofertas do que faço. Claro que não são em quantidade, mas tem subido algum tom critico, que estou melhorando.

Estou ao mesmo tempo, dado que vou trabalhando mais neste assunto, criando um conjunto de peças, com as quais vou expondo pela casa fora, mas como os locais estão praticamente esgotados, é meu pensamento dar inicio a começar armazena-las, utilizando uma das paredes da garagem as que são de pendurar e as outras criar umas prateleiras, onde as possa ter. Mas a tudo não irei ter pressa, mas sim ir fazendo e dar largas ao meu entretimento.

Expor, é defato mostrar aos outros o que conseguimos fazer no silêncio ou escondidos da multidão, … algumas vezes penso, como irei sobrevier para além daquela idade que já não temos a mobilidade para poder acompanhar, o andamento que as coisas tomaram, é neste sentido que me preocupa apenas a sobrevivência, e se valeu a pena procurar simplesmente satisfazer o ego esquecendo a parte económica. A seu tempo as coisas se podem desmultiplicar e assim nascer a boa vontade, de algum rendimento extra. É neste sentido que dar a conhecer o que fazemos é de vital importância, para tanto não nos devemos centrar que o que fazemos é nosso, mas sim entrega-lo à comunidade, numa fase por oferta, noutra satisfazer o desejo que se possa manifestar noutras pessoas em ter uma peça e por último chegar às vendas.

A tudo isto é saber estar preparado e continuar a produzir por produzir, colecionando e observado o que nos rodeia, para aproveitar o enriquecimento e atualizando à época o que se pretende realizar, para que não esgote a capacidade de estar sempre a inovar. A diversidade é tanta que não nos irá faltar ideias, contudo é bom salientar que o Artesão de possuir uma imagem de marca, seja pela pessoa ou pelo conjunto de artefactos que tem um ideal comum ou uma imagem localizada, do meio em que está inserido.

Na realidade dar-se a conhecer e a ser conhecido, não é tarefa fácil, como ficar exposto ao mundo da crítica. Todos já sabemos que a crítica é uma faca de dois gumes, tanto nos levantam como nos afundam, mas ninguém avança sem passar pelo processo da depuração, que consiste, em que um leque alargado de pessoas, concorde com as suas ideias e no caso concreto com as suas obras. Ninguém tem vida fácil ou facilitada, as pessoas conquistam os seus espaços e vão-nos alargando consoante a suas capacidades.

Existe um enorme problema que é quando se deixa de fazer trabalhos pelo gosto de os fazer e se passa a uma fome desenfreada de fazer para se tornar um fabricante em serie com um destino comercial. É bom que o faça no sentido prático da sobrevivência, mas é importante que se mantenha fiel às suas formas genuínas as quais abraçou e procurou ser um autêntico exemplo.

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INDIFERENÇA EM POLÍTICA

“Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.

Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania… que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações – a liberdade!”

Antero de Quental
 

 

 

 

 

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José Guerra – Poeta e Escritor

José Manuel Boinho Guerra, nasceu em Lisboa em 1969, é licenciado em Psicologia. Possui um Micro MBA em Gestão Empresarial e especialização em Consultoria PME.

Na década de 90 foi oficial do exército português onde esteve ligado à formação/instrução e comando de sub-unidades militares. De 2000 a 2010 foi Consultor e Formador em Desenvolvimento Organizacional. Actualmente é Formador em ambiente eLearning nas áreas comportamentais, sendo também Poeta e Escritor.

Através do Sitio do Livro, já lançou 3 obras de poesia e prosa poética “Pensamentos” (2010); “Pura Inspiração” (2011); “Palavras Por Dizer” (2012) e uma 4ª obra, um romance, “A Paixão que Veio do Frio” (2011). Vai lançar em breve, no dia 25 de Novembro de 2012, pelas 17h00, na Livraria Leya na Barata em Lisboa, a sua 5ª obra (2º Romance), que se intitula “Amor Proibido”. Esta obra já se encontra à venda.

(Clique AQUI para ver as obras lançadas)

Um abraço literário!

José Guerra

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Chover na tua pele…

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A indignação dos Inocentes…

A indignação dos Inocentes…

… OU O SOFRIMENTO DA PERPÉTUA DOR DOS POBRES.

ÀS ARMAS, CAMARADAS!

“Palavras o vento as leva, e escritos são papéis; os créditos que conquistamos na vida vêm-nos sim das acções que praticamos.”

São tempos mais de agir, sem esperar que outros nos tomem a dianteira; lutamos pela sobrevivência, não apenas a colectiva, também a individual e, (como de bons samaritanos este mundo foi sempre escasso), somos nós quem deve, por obrigação, preencher os lugares nas fileiras do Povo. É que o Povo é feito de pessoas como nós; não é coisa inventada para seres alados que nem sequer conhecemos porque não existem!

Sinto-me sujo quando um “Zé-ninguém,” (da politica comezinha e baixa), tenta denegrir a imagem das pessoas que se manifestam Frente à Assembleia da Republica, (a Casa do Povo); porque, até os carneiros, quando os levam para o matadouro, amontoados em camionetas de caixa aberta, balem e choram quando pressentem a morte, e eles são irracionais, quanto mais as pessoas que, por muito que pese na imoralidade dos políticos, por muito que lhes custe, são racionais e, (para cumulo), são esses seres comezinhos mas racionais que os elegem, e a quem eles, por morbidez e incompetência, mentem. Pois, senhor Assis, quando insinuou, frente às câmaras da televisão, que as pessoas se manifestam porque vocês, os Eleitos, o consentem, eu não digo que o senhor é um pobre asno, porque, delicadamente, me apetece dizer-lhe que, faz muitos anos, (ainda o senhor seria um jovem e imberbe espermatozóide a pular no quentinho da sua cápsula de vida, a tomar posição estratégica para ser rápido na saída, já nós, (as gentes de esquerda), todos os dias primeiro de Maio, nos manifestávamos no Rossio e nos Restauradores, acossados pelos desordeiros da policia salazarenta, massacrados com porrada, presos pelos esbirros da PIDE, corríamos riscos que você nunca correu e, não obstante, no ano seguinte, no primeiro de Maio, lá estávamos de novo…

Já que estou com a “mão na massa,”apetece-me dizer o que, (em meu entender), separa a Esquerda da Direita; é simples, não apenas e somente uma flagrante falta de escrúpulos, como, e acima de tudo, a senilidade da eterna estupidez que vos caracteriza. Não uma estupidez vazia de conteúdo, ou de falta de pragmatismo, mas sim uma estupidez que peca pela total ausência de moral e dos princípios que a norteiam. E, ainda de salientar, a afamada técnica dos carteiristas, da qual detalhadamente falaremos mais adiante.

Mas vamos aos factos. Os treze anos de guerra em África, meus caros, ou a miopia do santo líder, o grande ser benfazejo que levou uma Pátria de analfabetos a matar pretos, porque, (segundo o sacrossanto senhor), “a pretos não se pode dar a mão porque tomam logo o braço todo.”

O que seria de Portugal hoje se os vossos pais, ou os vossos avós, se têm oposto às práticas dos delírios do velho de pequena estatura ética e mental, e tivessem conduzido o País para o trilho do diálogo com os movimentos de libertação, que almejavam alcançar não uma separação, um cortar radical do cordão umbilical, mas sim e apenas uma autonomia? Hoje Portugal era o progenitor de uma poderosa aliança de países de expressão lusófona, entre os quais, se destacam algumas das grandes potências do futuro próximo; países com vastas riquezas no subsolo, (que nós nunca soubemos explorar), países que falam português, que rezam em português, países onde sonhar ainda é possível, coisa improvável neste mundo deplorável de fome e miséria, onde sonhar é coisa que só existiu num distante passado já esquecido. E porque essa gente de antes não se opôs com determinação à guerra? Digo que, por meras e mesquinhas razões de interesses pessoais. Porque dispunham, (e ainda assim acontece), de bolsos enormes que sempre se enchem com o dinheiro dos outros; portanto, por corrupção, ganância, mediocridade moral; por serem gente que, tanto por cá como por lá, querem dispor de escravos que, de forma infatigável, lhes enchem os bolsos e depois são agraciados com pontapés no traseiro.

Portugal foi, é, e pelos vistos vai continuar a ser, terra de corruptos que se situam aos mais altos níveis do puder, Politico, Económico, Académico, Militar e até Eclesiástico, e isso, ainda que muito me custe dizê-lo, não se derrota com cravos a enfeitar canos de espingardas para estrangeiro ver; sejamos sérios: O Portugal de hoje não destoa na imoralidade desta pobre Europa que se amedronta perante o avanço imparável do Neonazismo. Portugal continua um manso pateta conduzido por corruptos vendidos às conveniências da potência invasora, a majestática, omnipotente, sacrossanta Alemanha, que atrás de si arrasta centenas de milhões de mortos produzidos nas suas guerras insanas, apenas porque julga ser, (ainda que a lógica da natureza o contradiga), a superior raça Ariana, a Raça Superior. A Raça onde só os deuses têm lugar!

Ainda moço, mas já espigadote, com pêlos no rosto que orgulhosamente rapava e lhes chamava barba, recordo uma história que falava de um polícia ariano. O senhor, fervoroso defensor da ordem e da arrumação, aconselhava aos colegas que abrissem a boca dos estrangeiros, vítimas de acidentes rodoviários, para identificar-lhes a nacionalidade. Dizia-lhes: “Abram-lhes a boca. Se encontrarem bacalhau é porque são portugueses, se for esparguete, então, são italianos!” Isto, quando a Alemanha, a pátria das pátrias, destruída, caloteira, humilhada, carecia da bondade dos países que destruiu e dos povos que empobreceu para se levantar. Quando nós, os latinos, portugueses, espanhóis, italianos, pagos é certo, mourejávamos na reconstrução da sua triste terra; ainda assim mantinham a insanidade de uma superioridade que a natureza lhes nega. É que os povos do planeta, apesar da diversidade dos hábitos, das religiões e dos costumes, são iguais nos direitos e nas necessidades; a Humanidade, senhores, não se divide em donos e escravos!

Mas basta de escrever sobre a Alemanha. São um povo que julga que a dignidade do Homem se consubstancia numa máquina fotográfica ou num carro, quando a dignidade Humana reside sim na grandeza da Civilização que cada Povo conseguiu construir e ofertar ao mundo.

Falemos mais de nós, das nossas angústias, das tristezas; do desfiar de um rosário de indignidades e de roubos a que nos sujeitam uns estafermos, os quais nós mesmos elegemos, porque acreditámos nas mentiras que disseram nas campanhas eleitorais. Então estes, os de hoje, onde, como que expostos numa montra de horrores, se mostram vermes vigaristas a par de matreiros “caça reformas” de mistura com académicos míopes e tipos sem eira nem beiram que querem refundar estados segundo a moral dos disparates. Não que eu enjeite cortes nas despesas de um Estado super dimensionado e pouco útil para a população em geral, mas antes porque não acredito que dessa intenção sejam feitas estas vontades. Não acreditem nesta gente. Não prestam. São a caca que, por nossa inteira culpa, nos venderam barato ao estrangeiro. São gente de maus costumes e de completa falta de moral. E aqui, nesta parte do discurso, é que surge de novo a técnica do carteirista. São como os lobos. Caçam em grupo. Enquanto um acotovela a vitima, o outro, com seus dedos ágeis e bem treinados, rouba a carteira que passa de imediato a um terceiro que logo se escapa, sorrateiro, por entre as pessoas; simples técnica, que resulta de horas e horas de exaustivo treino. Tal como na politica que hoje nos governa, nada de Ideais, de Princípios, de Ética. Apenas a retórica de uma verborreia sem nexo; é quase como dizer:”Vota em mim porque sou bom, ou não vêm a minha figura, o meu charme?”

Como acreditar que esta gente vai refundar alguma coisa, quando todos sabemos que o nosso primeiro tem o rabo preso pelo seu calcanhar de Aquiles? Então temos um ministro de Estado que tem um curso que se compõe de três cadeiras, que, segundo uns, não existem, segundo outros, existem, mas poucochinho? Porque este senhor se mantém no governo?

Se existem por aí portugueses que ainda acreditam nesta minúscula gente, é bom que se mostrem, para que os possamos colocar como peças únicas num museu dedicado à estupidez…

E por hoje, meus amigos, por aqui me fico. Espero que a 12 de Novembro mostremos ao mundo o luto que nos vai na alma!

José Solá

 

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PARABÉNS, JORGE DE SENA !

Jorge de Sena nasceu em Lisboa no dia 2 de Novembro de 1919, e viveu até 4 de Junho de 1978.

Foi poeta, professor universitário, dramaturgo, crítico literário, ensaísta e tradutor.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

                          Génesis

De mim não falo mais: não quero nada.

De Deus não falo: não tem outro abrigo.

Não falarei também do mundo antigo,

pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,

para sentir o tempo andar comigo;

nem de viver, que é liberdade errada,

e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça…- Ai quantos que eram novos

em vão a esperaram porque nunca a viram!

E a eternidade…Ó transfusão dos povos!

Não há verdade: o mundo não a esconde.

Tudo se vê: só se não sabe aonde.

Mortais ou imortais, todos mentiram.

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“Amor Proibido”, já disponível

Caros amigos e leitores, informo que já se encontra à venda na Livraria Leya na Barata (Av. Roma, 11 em Lx) e através do Sitio do Livro, por encomenda online, o meu novo romance, “Amor Proibido”.

O lançamento desta minha obra e respectiva sessão de autógrafos, vão ter lugar na Livraria Leya na Barata, em Lisboa, no dia 25 de Novembro, pelas 17h00.

Conto com a vossa presença! Obrigado pelo apoio!

Um abraço literário!

Até já!

José Guerra

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