A indignação dos Inocentes…

A indignação dos Inocentes…

… OU O SOFRIMENTO DA PERPÉTUA DOR DOS POBRES.

ÀS ARMAS, CAMARADAS!

“Palavras o vento as leva, e escritos são papéis; os créditos que conquistamos na vida vêm-nos sim das acções que praticamos.”

São tempos mais de agir, sem esperar que outros nos tomem a dianteira; lutamos pela sobrevivência, não apenas a colectiva, também a individual e, (como de bons samaritanos este mundo foi sempre escasso), somos nós quem deve, por obrigação, preencher os lugares nas fileiras do Povo. É que o Povo é feito de pessoas como nós; não é coisa inventada para seres alados que nem sequer conhecemos porque não existem!

Sinto-me sujo quando um “Zé-ninguém,” (da politica comezinha e baixa), tenta denegrir a imagem das pessoas que se manifestam Frente à Assembleia da Republica, (a Casa do Povo); porque, até os carneiros, quando os levam para o matadouro, amontoados em camionetas de caixa aberta, balem e choram quando pressentem a morte, e eles são irracionais, quanto mais as pessoas que, por muito que pese na imoralidade dos políticos, por muito que lhes custe, são racionais e, (para cumulo), são esses seres comezinhos mas racionais que os elegem, e a quem eles, por morbidez e incompetência, mentem. Pois, senhor Assis, quando insinuou, frente às câmaras da televisão, que as pessoas se manifestam porque vocês, os Eleitos, o consentem, eu não digo que o senhor é um pobre asno, porque, delicadamente, me apetece dizer-lhe que, faz muitos anos, (ainda o senhor seria um jovem e imberbe espermatozóide a pular no quentinho da sua cápsula de vida, a tomar posição estratégica para ser rápido na saída, já nós, (as gentes de esquerda), todos os dias primeiro de Maio, nos manifestávamos no Rossio e nos Restauradores, acossados pelos desordeiros da policia salazarenta, massacrados com porrada, presos pelos esbirros da PIDE, corríamos riscos que você nunca correu e, não obstante, no ano seguinte, no primeiro de Maio, lá estávamos de novo…

Já que estou com a “mão na massa,”apetece-me dizer o que, (em meu entender), separa a Esquerda da Direita; é simples, não apenas e somente uma flagrante falta de escrúpulos, como, e acima de tudo, a senilidade da eterna estupidez que vos caracteriza. Não uma estupidez vazia de conteúdo, ou de falta de pragmatismo, mas sim uma estupidez que peca pela total ausência de moral e dos princípios que a norteiam. E, ainda de salientar, a afamada técnica dos carteiristas, da qual detalhadamente falaremos mais adiante.

Mas vamos aos factos. Os treze anos de guerra em África, meus caros, ou a miopia do santo líder, o grande ser benfazejo que levou uma Pátria de analfabetos a matar pretos, porque, (segundo o sacrossanto senhor), “a pretos não se pode dar a mão porque tomam logo o braço todo.”

O que seria de Portugal hoje se os vossos pais, ou os vossos avós, se têm oposto às práticas dos delírios do velho de pequena estatura ética e mental, e tivessem conduzido o País para o trilho do diálogo com os movimentos de libertação, que almejavam alcançar não uma separação, um cortar radical do cordão umbilical, mas sim e apenas uma autonomia? Hoje Portugal era o progenitor de uma poderosa aliança de países de expressão lusófona, entre os quais, se destacam algumas das grandes potências do futuro próximo; países com vastas riquezas no subsolo, (que nós nunca soubemos explorar), países que falam português, que rezam em português, países onde sonhar ainda é possível, coisa improvável neste mundo deplorável de fome e miséria, onde sonhar é coisa que só existiu num distante passado já esquecido. E porque essa gente de antes não se opôs com determinação à guerra? Digo que, por meras e mesquinhas razões de interesses pessoais. Porque dispunham, (e ainda assim acontece), de bolsos enormes que sempre se enchem com o dinheiro dos outros; portanto, por corrupção, ganância, mediocridade moral; por serem gente que, tanto por cá como por lá, querem dispor de escravos que, de forma infatigável, lhes enchem os bolsos e depois são agraciados com pontapés no traseiro.

Portugal foi, é, e pelos vistos vai continuar a ser, terra de corruptos que se situam aos mais altos níveis do puder, Politico, Económico, Académico, Militar e até Eclesiástico, e isso, ainda que muito me custe dizê-lo, não se derrota com cravos a enfeitar canos de espingardas para estrangeiro ver; sejamos sérios: O Portugal de hoje não destoa na imoralidade desta pobre Europa que se amedronta perante o avanço imparável do Neonazismo. Portugal continua um manso pateta conduzido por corruptos vendidos às conveniências da potência invasora, a majestática, omnipotente, sacrossanta Alemanha, que atrás de si arrasta centenas de milhões de mortos produzidos nas suas guerras insanas, apenas porque julga ser, (ainda que a lógica da natureza o contradiga), a superior raça Ariana, a Raça Superior. A Raça onde só os deuses têm lugar!

Ainda moço, mas já espigadote, com pêlos no rosto que orgulhosamente rapava e lhes chamava barba, recordo uma história que falava de um polícia ariano. O senhor, fervoroso defensor da ordem e da arrumação, aconselhava aos colegas que abrissem a boca dos estrangeiros, vítimas de acidentes rodoviários, para identificar-lhes a nacionalidade. Dizia-lhes: “Abram-lhes a boca. Se encontrarem bacalhau é porque são portugueses, se for esparguete, então, são italianos!” Isto, quando a Alemanha, a pátria das pátrias, destruída, caloteira, humilhada, carecia da bondade dos países que destruiu e dos povos que empobreceu para se levantar. Quando nós, os latinos, portugueses, espanhóis, italianos, pagos é certo, mourejávamos na reconstrução da sua triste terra; ainda assim mantinham a insanidade de uma superioridade que a natureza lhes nega. É que os povos do planeta, apesar da diversidade dos hábitos, das religiões e dos costumes, são iguais nos direitos e nas necessidades; a Humanidade, senhores, não se divide em donos e escravos!

Mas basta de escrever sobre a Alemanha. São um povo que julga que a dignidade do Homem se consubstancia numa máquina fotográfica ou num carro, quando a dignidade Humana reside sim na grandeza da Civilização que cada Povo conseguiu construir e ofertar ao mundo.

Falemos mais de nós, das nossas angústias, das tristezas; do desfiar de um rosário de indignidades e de roubos a que nos sujeitam uns estafermos, os quais nós mesmos elegemos, porque acreditámos nas mentiras que disseram nas campanhas eleitorais. Então estes, os de hoje, onde, como que expostos numa montra de horrores, se mostram vermes vigaristas a par de matreiros “caça reformas” de mistura com académicos míopes e tipos sem eira nem beiram que querem refundar estados segundo a moral dos disparates. Não que eu enjeite cortes nas despesas de um Estado super dimensionado e pouco útil para a população em geral, mas antes porque não acredito que dessa intenção sejam feitas estas vontades. Não acreditem nesta gente. Não prestam. São a caca que, por nossa inteira culpa, nos venderam barato ao estrangeiro. São gente de maus costumes e de completa falta de moral. E aqui, nesta parte do discurso, é que surge de novo a técnica do carteirista. São como os lobos. Caçam em grupo. Enquanto um acotovela a vitima, o outro, com seus dedos ágeis e bem treinados, rouba a carteira que passa de imediato a um terceiro que logo se escapa, sorrateiro, por entre as pessoas; simples técnica, que resulta de horas e horas de exaustivo treino. Tal como na politica que hoje nos governa, nada de Ideais, de Princípios, de Ética. Apenas a retórica de uma verborreia sem nexo; é quase como dizer:”Vota em mim porque sou bom, ou não vêm a minha figura, o meu charme?”

Como acreditar que esta gente vai refundar alguma coisa, quando todos sabemos que o nosso primeiro tem o rabo preso pelo seu calcanhar de Aquiles? Então temos um ministro de Estado que tem um curso que se compõe de três cadeiras, que, segundo uns, não existem, segundo outros, existem, mas poucochinho? Porque este senhor se mantém no governo?

Se existem por aí portugueses que ainda acreditam nesta minúscula gente, é bom que se mostrem, para que os possamos colocar como peças únicas num museu dedicado à estupidez…

E por hoje, meus amigos, por aqui me fico. Espero que a 12 de Novembro mostremos ao mundo o luto que nos vai na alma!

José Solá

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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