O Vício do Artesão Orlando Nesperal

Continuação:

  A exposição

Sei pouco sobre os Artesões que fazem com o intuito de criar exposições, pelo que me é dado observar, muitos chegam a ser convidados depois de uma longa caminhada, para que isso aconteça. Mas escrever o que os outros pensam e quais os seus ideais em relação a um objetivo será sempre difícil e utilizar a arma da escrita para caraterizar quem quer que seja. Prefiro recorrer à minha própria imagem e ao meu carisma de criador de arte, simples rudimentar, mas é com ela que me vou entretendo e absorvendo tempo e realizando o meu espírito.

Num sentido de espírito critico, o que me rodeia não é um mundo abstrato ou virtual, mas sim, um atento espetador do que me é dado a conhecer. Pelo método da comparação, sejamos justos que nada é igual a nada, mas cada autor cria livremente e dentro as suas capacidades de as fazer, enquanto uns servem-se de os que os rodeia, e vão transformando em modelos reduzidos, simbolizando e perpetuando no tempo as sua raízes e ao mesmo tempo que vão enaltecendo valores tradicionais e regionais, a uma escala na maioria das vezes limitados à sua própria zona de influência.

Também a influência dos materiais que o rodeia leva muitos artesões, a pegarem nesses materiais e transformá-los em artesanato. A tudo isto me leva a entender que ser artesão não é uma questão que qualquer pessoa pode ser, mas sim todo aquele que por si só a desenvolve, e só depois pode vir a ser reconhecido ou não. Mas para o ser não se torna tarefa fácil.

Nos dias de hoje, começou a ser vulgar e muito normal convidar estes criadores de arte, para fazerem parte de feiras e mercados regionais integrando-os, no programa, como fazendo parte da cultura do povo, dando-lhe alguma visibilidade, e levados um pouco ao colo, como símbolos de resistência e permanência duma cultura popular. Não sou contra, que isto aconteça, mas quando é apresentada a primeira ideia, leva anos para que haja respeito pelo seu trabalho feito quase sempre em lugares sombrios, mas de grande simbolismo para quem os executa.

Na minha perspetiva, este criador “Artesão”, não contabiliza o tempo gasta com uma peça, para que no final a mesma não pode ter preço. Logo que isso aconteça, entra numa linha de produção, em que a graciosidade do que é manual, muitas vezes é rotulada de falta de sensibilidade, não gostava que um dia os meus trabalhos tivessem este fim. Nesta fase as minhas exposições, são as casas de familiares e amigos, por onde vou distribuindo ofertas do que faço. Claro que não são em quantidade, mas tem subido algum tom critico, que estou melhorando.

Estou ao mesmo tempo, dado que vou trabalhando mais neste assunto, criando um conjunto de peças, com as quais vou expondo pela casa fora, mas como os locais estão praticamente esgotados, é meu pensamento dar inicio a começar armazena-las, utilizando uma das paredes da garagem as que são de pendurar e as outras criar umas prateleiras, onde as possa ter. Mas a tudo não irei ter pressa, mas sim ir fazendo e dar largas ao meu entretimento.

Expor, é defato mostrar aos outros o que conseguimos fazer no silêncio ou escondidos da multidão, … algumas vezes penso, como irei sobrevier para além daquela idade que já não temos a mobilidade para poder acompanhar, o andamento que as coisas tomaram, é neste sentido que me preocupa apenas a sobrevivência, e se valeu a pena procurar simplesmente satisfazer o ego esquecendo a parte económica. A seu tempo as coisas se podem desmultiplicar e assim nascer a boa vontade, de algum rendimento extra. É neste sentido que dar a conhecer o que fazemos é de vital importância, para tanto não nos devemos centrar que o que fazemos é nosso, mas sim entrega-lo à comunidade, numa fase por oferta, noutra satisfazer o desejo que se possa manifestar noutras pessoas em ter uma peça e por último chegar às vendas.

A tudo isto é saber estar preparado e continuar a produzir por produzir, colecionando e observado o que nos rodeia, para aproveitar o enriquecimento e atualizando à época o que se pretende realizar, para que não esgote a capacidade de estar sempre a inovar. A diversidade é tanta que não nos irá faltar ideias, contudo é bom salientar que o Artesão de possuir uma imagem de marca, seja pela pessoa ou pelo conjunto de artefactos que tem um ideal comum ou uma imagem localizada, do meio em que está inserido.

Na realidade dar-se a conhecer e a ser conhecido, não é tarefa fácil, como ficar exposto ao mundo da crítica. Todos já sabemos que a crítica é uma faca de dois gumes, tanto nos levantam como nos afundam, mas ninguém avança sem passar pelo processo da depuração, que consiste, em que um leque alargado de pessoas, concorde com as suas ideias e no caso concreto com as suas obras. Ninguém tem vida fácil ou facilitada, as pessoas conquistam os seus espaços e vão-nos alargando consoante a suas capacidades.

Existe um enorme problema que é quando se deixa de fazer trabalhos pelo gosto de os fazer e se passa a uma fome desenfreada de fazer para se tornar um fabricante em serie com um destino comercial. É bom que o faça no sentido prático da sobrevivência, mas é importante que se mantenha fiel às suas formas genuínas as quais abraçou e procurou ser um autêntico exemplo.

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Sobre orlandonesperal

Autodidacta, futurólogo, tendo como o principio, que a mente é o local donde nasce o mundo novo. Ao controlar os pensamentos está a controlar o seu destino.
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Uma resposta a O Vício do Artesão Orlando Nesperal

  1. Temos mais um texto, para dar continuidade ao que foi proposto. Espero que leve até ao fim.

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