
Conto com a vossa presença, num final de tarde agradável, na Ericeira

Conto com a vossa presença, num final de tarde agradável, na Ericeira
O tempo acaba o ano, o mês e a hora
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Pensar o meu País
De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou.
Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não.
Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso.
Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo».
O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados.
O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício.
O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso.
O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria.
O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela.
Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco- e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia?
Nota: Texto incluído no livro “Conta Corrente 2” de Vergílio Ferreira
Ana Hatherly nasceu no Porto a 8 de Maio de 1929.
Professora, escritora, poetisa, ensaísta, tradutora, investigadora e artista plástica, licenciou-se em Filologia Germânica pela Universidade Clássica de Lisboa e doutorou-se em Estudos Hispânicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Leccionou na Escola de Cinema do Conservatório Nacional e no AR.CO, em Lisboa. Foi professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Diplomou-se em Cinema, pela London Film School.
Em 1960 iniciou a carreira de artista plástica. Realizou inúmeras exposições individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro, tais como: Bienal de Veneza, Bienal de S.Paulo, Museu do Chiado, Casa de Serralves, Fundação Gulbenkian, etc.
Entre 1960 e 2002, Ana Hatherly produziu mais de 200 trabalhos.
Encetou o seu percurso literário em 1958, com a publicação do livro de poesia intitulado “Ritmo Perdido”.
Produziu uma extensa obra poética e ensaística. Integrou o grupo da Poesia Experimental Portuguesa, nas décadas 60 e 70. Dedicou-se à Poesia Visual e ao Barroco, como corrente literária.
Fundou as revistas “Claro-Escuro”, dedicada a estudos barrocos e “Incidências”. Foi directora-adjunta da revista literária “Loreto 13”.
Da sua bibliografia, destacam-se, aleatoriamente, as seguintes obras: “Rilkeana”; “O Pavão Negro”; “As Aparências”; “Sigma”; “Eros Frenético”; “O Cisne Intacto”; “Tisanas”; “O Mestre”; “Poemas em Língua de Preto dos Séculos XVII e XVIII”; “A Casa das Musas”; “Poesia Incurável”; “Ladrão Cristalino”, etc.
Tem parte da sua obra representada em várias antologias.
Foi tradutora de livros franceses, italianos, ingleses e espanhóis.
É membro da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores e presidente do P.E.N. Clube Português e da Comissão para a Tradução e os Direitos Linguísticos do P.E.N. Club Internacional.
Recebeu vários prémios, tais como: “Grande Prémio de Ensaio Literário da Associação Portuguesa de Escritores”; “Prémio de Poesia do P.E.N. Clube Português”; “Prémio de Poesia Evelyne Encelot”, em França; “Prémio Hannibal Lucic”, na Croácia; “Prémio da Crítica” da Associação Portuguesa dos Críticos Literários; “Medalha de Mérito Linguístico e Filológico Oskar Nobiling”, da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura do Rio de Janeiro.
Do seu livro “Um Calculador de Improbabilidades”, o poema:
Esta Gente/Essa Gente
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente
NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente.
Tenho o prazer de vos convidar para a minha sessão de autógrafos, que terá lugar na Feira do Livro de Lisboa, no próximo dia 9 de junho, pelas 15h30, no Espaço dos Pequenos Editores. Conto com a vossa presença!
Robert Musil nasceu em Klagenfurt, Áustria. (1880-1942)
Foi um dos mais eminentes romancistas do século XX.
Escreveu peças, ensaios e contos.
A sua mais importante obra, inacabada, “O Homem Sem Qualidades”, é composta por três volumes. Os seus últimos vinte anos de vida foram dedicados a escrever este romance.
Incluído nestes livros, destaque para o texto:
Ode à Criança
“A criança é criativa porque é crescimento e se cria a si própria. É como um rei, porque impõe ao mundo as suas ideias, os seus sentimentos e as suas fantasias. Ignora o mundo do acaso, pré-elaborado, e constrói o seu próprio mundo de ideais. Tem uma sexualidade própria.
Os adultos cometem um pecado bárbaro ao destruir a criatividade da criança pelo roubo do seu mundo, sufocando-a com um saber artificial e morto, e orientando-a no sentido de finalidades que lhe são estranhas.
A criança é sem finalidade, cria brincando e crescendo suavemente; se não for perturbada pela violência, não aceita nada que não possa verdadeiramente assimilar; todo o objecto em que toca vive, a criança é cosmos, mundo, vê as últimas coisas, o absoluto, ainda que não saiba dar-lhes expressão: mas mata-se a criança ensinando-a a ater-se a finalidades e agrilhoando-a uma rotina vulgar a que, hipocritamente, se chama realidade.”
Reflexões
A comparação dos custos perante a História
Somos terra de gente quietinha, quase parada, amorfa, perante a rudeza da vida que nos impõem, nas fatias largas de sofrimento, servidas em “bolos de vidro,”barrados de fel, parecidos ou iguais aos que os larápios de quintas atiravam aos cães de guarda para os matar.
A propósito das coisas dolentes, alguém descreveu o nosso Alentejo durante o estio: “Uma terra tão ardente, onde, para fugir às brasas do céu, a moleza dos corpos é tanta, que até os cães ladram deitados.”E eu (numa breve introdução no romance que publiquei), escrevi:
(…) é uma paródia ao País que fomos capazes de construir, uma paródia triste. Uma vontade de bater nos ingénuos que fomos e ainda somos. Gente aventureira que facilmente se espalha pelo mundo e sabe trabalhar; mas também gente de paixões fáceis, mesmo fanáticas. Presas indefesas nas mãos dos ricos que tiram o mais que podem a este mundo pretensamente globalizado. Somos, afinal, o resultado do passado que tivemos. Um povo eternamente sacrificado pelos seus maus gestores, um povo que mais do que nunca precisa de moral. Um povo conservador, avesso à cultura, avesso à mudança, um povo que, de noite, verte lágrimas de sangue no travesseiro, e de dia sorri, sem perceber porquê… (…)
Apesar da gritaria que vai pelas nossas cidades, o mal sorri todos os dias, numa relação de indiferença perante as grandes misérias. Na verdade, continuamos a ser “terra pequena,”porque, para a maioria deste nosso povo, as maleitas que hoje nos enfermam são sempre, (não entendo o porquê), menores do que as que sofremos num passado não muito distante. Eu não entendo assim. Antes, na minha juventude, quando era um rapaz operário, algumas vezes me deitei em jejum para no dia seguinte ir trabalhar na obra; mas nesse tempo existiam obras, fábricas, searas de trigo, meios de produção onde um pobre ganhava um pão para meter na boca. Hoje, (ainda que num dia de sol), vivemos numa perpétua noite negra, roçados pelos demónios que nos atemorizam por todos os lados.
É certo que contamos com a protecção de um Presidente da Republica que fala com o Divino, parece-me que quase numa relação “tu cá tu lá;” ele é a Nossa Senhora, São Jorge nos intervalos das batalhas que trava com o senhor das trevas, enquanto o Santo encharca o lenço com o suor do Rosto, ou talvez um segredinho de “pé de orelha” com o Divino e Supremo Mestre. Eu sei lá. Quanto a mim, falar com Deus é coisa comum para todos nós portugueses. Somos filhos de um País onde, ao longo dos séculos, se professa a fé católica, e todos nós dizemos “valha-me Deus”perante as desgraças da vida; agora, falar para Deus é uma coisa, o pior é Ele nos responder, quer em palavras, quer em acções. A isso eu, prosaicamente, chamo esquizofrenia, (para não dizer coisa pior) e, pela lógica e o bom senso, deve o Povo substituir um Presidente que manifeste indícios de tão medonha maleita, a ser o caso, que eu, um modesto e incipiente iletrado, destas coisas nada sei, a não ser o que leio no meu jornal da vida.
Com tantas anedotas que por aí se contam sobre os que governam, seria justo influir que somos um povo prazenteiro e alegre; mas não, somos tristonhos e macambúzios, não por nossa natureza, mas sim por imposição dos ditames ininterruptos desta governança. Hoje sabemos que vivemos muito acima das nossas possibilidades e, para aumentar mais a lástima que já sentimos de nós com o destino que Deus nos deu, ainda sabemos que somos como as latas de sardinha fora de prazo. È que passámos todos os limites da decência ao viver por tantos anos, como velhos imprestáveis ou miseráveis desempregados, incapazes de moirar nos campos onde os ricos têm as suas colheitas, auferindo o patriótico vencimento de dez réis mal coados, quando sabemos que é mais provável um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Céu, ao passo que nós, os desamparados da terra, os famintos, os iletrados, os pobres de espírito, temos de direito adquirido um Paraíso (ou condomínio fechado), garantido para toda a eternidade.
Pois, eu por vezes tenho certos desvarios que me levam a pensar por outras vias; penso que esta longevidade deve-se sim ao avanço do conhecimento que nos chega pela via da Ciência, da Arte, da boa Literatura. Somos acima de tudo o produto da educação, do estudo, da reflexão, da leitura; legados herdados do progresso que resulta do esforço dos que nos antecederam. Somos a humanidade que quer viver cada vez com mais qualidade de vida. Viver até aos oitenta, até aos noventa, até ao limite possível do céu. Aceitando com consciência as inevitáveis consequências: trabalhar durante mais anos, produzir em conformidade com as necessidades inerentes. Para isso necessitamos de mais conhecimento, mais Ciência, Investigação, Arte, enfim garantias de continuidade dos nossos direitos, enquanto pessoas que deram o seu contributo para a melhoria da vida de todos. E o que temos? Perca constante do valor das reformas atribuídas, desemprego, doença, fome, aviltamentos sem precedentes, inimagináveis; crianças famintas, analfabetas, corte nas verbas do ensino que acarretam supressão de cursos académicos, desmotivação, doenças mentais, suicídios. E tudo isto sob a batuta de um maestro que fala e escuta Deus, o que seria se o senhor se entende-se com o Diabo, a par de um governo de economistas incompetentes e patéticos, que retiram do OE verbas para os partidos, milhões e mais milhões, que elegem deputados que em simultâneo trabalham nas empresas do regime e na Assembleia da Republica onde, (não sei mas presume-se), defendem em simultâneo os interesses do País e das respectivas empresas, como se tal possível fosse!
Meus amigos: penso chegada a hora de ponderar custos perante a História. Num dos pratos da balança a projecção no tempo e no futuro deste doloroso caminho. No outro, o peso da revolta e da penosa dor das perdas de vidas e da destruição da propriedade, tanto individual como colectiva. Um dia o julgamento dos nossos vindouros, os seus olhos morais, a sua dignidade da nossa herdada, vai condenar-nos ou absolver-nos, e a Consciência da História irá condenar-nos ou ilibar-nos. O futuro a Deus pertence. Mas a nossa Consciência, a nossa decência, a nossa moral, essas, hoje nos vergam os ombros. Levantemos a cabeça e encaremos o futuro com Dignidade e Honra!
José Solá
O RATO E O CAMELO – Conto Tuaregue
“Um rato, que fugia de um homem, saltou para a garupa de um camelo e, imitando o dono, estalou a língua, chicoteou as duas bossas, dando-lhe ordem para se levantar e andar. O camelo não disse nada e saiu bamboleante.
O rato, orgulhoso, seguro do seu poder, dava pulos de alegria sobre a montanha de pelos.
Ao chegar à margem de um riacho, o camelo pediu ao rato que descesse e fosse à sua frente, para guiá-lo puxando os arreios.
– Rato, meu cameleiro, mostra-me o caminho, pois sou apenas uma montaria. Tu, sim, sabes o caminho.
– É que… neste riacho…tenho medo de me afogar!
Então, o camelo disse:
– Eu também nunca fiz isto sozinho. Gostaria que hoje tu tentasses.
E, de seguida, molha os pés afirmando que a água não é funda, que nem chega à parte de baixo dos seus jarretes.
– Sim, mas – diz o rato – o que para ti é minúsculo para mim é uma montanha, e a pulga que te pica para mim é um elefante dos trópicos. O que é um fio de água para ti, para os ratos é um oceano revolto. Não posso guiar-te.
-Então – diz o camelo – deixa de te comportar como se fosses superior, desce da montaria para pensares numa forma de escapares ao homem que está atrás de ti e não tarda a chegar.
– Perdão – diz o rato – faço-te mil súplicas de joelhos: atravessa-me. Vou percorrer montes e dunas cantando-te louvores e dizendo que o camelo é o mais sábio dos animais.”
Nota: Conto tuaregue publicado no livro “O Elogio da Sabedoria” de Karl Schmit.
Nelson Mandela nasceu em Mvezo, África do Sul, em 1918.
Estudou Direito em Joanesburgo. Em 1942, aderiu ao Congresso Nacional Africano (ANC).
Organizou a resistência, não violenta, à política governamental de apartheid. Esteve preso durante vários anos.
Em 1991, o ANC foi legalizado, e Mandela eleito seu Presidente.
Após a realização de eleições livres, acordadas com o Presidente Klerk, Mandela tornou-se o primeiro Presidente negro de África do Sul, entre 1944-1999.
Recebeu, conjuntamente com Klerk, o Prémio Nobel da Paz, por estabelecerem os princípios para uma nova África do Sul democrática.
Eddy Grant nasceu em Plaisance, Guiana, em Março de 1948.
Em 1968 integrou o grupo multirracial “The Equals”. Foi guitarrista e compositor. Escreveu diversas canções contra o apartheid.
No 90º aniversário de Nelson Mandela, Eddy Grant dedicou-lhe a famosa canção “Gimme Hope Jo´anna”, que contém uma importante mensagem política contra o regime que vigorava na África do Sul.
O nome “Jo´annna” não se refere a um nome feminino, mas sim a Joanesburgo, a maior cidade de Africa do Sul, onde estava o núcleo de todo o movimento racial.
Hoje, 25 de Maio, comemora-se o Dia de África, data que foi instituída, em 1963, pela “Organização de Unidade Africana”.
Estes dois homens provaram que, através do combate político e da música, é possível transformar mentalidades no sentido de construir a liberdade e o respeito pelos Direitos Humanos.
NELSON MANDELA:
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”
Letra original da canção “Gimme Hope Jo´anna”
Well Jo´anna she runs a country
She runs in Durban and the Transvaal
She makes a few of her people happy, oh
She don´t care about the rest at all
She’s got a system they call apartheid
It keeps a brother in a subjection
But maybe pressure wil make Jo´anna see
How everybody could a live as one
Gimme hope, Jo´anna
Hope, Jo´anna
Gimme hope, Jo´anna
‘Fore the morning come
Gimme hope, Jo´anna
Hope, Jo´anna
Hope before the morning come
I hear she makes all the golden money
To buy new weapons, any shape of guns
While every mother in the black Soweto fears
The killing of another son
Sneakin’ across all the neighbours’ borders
Now and again having little fun
She doesn’t care if the fun and games she play
Is dang’rous to ev’ryone
She’s got supporters in high up places
Who turn their heads to the city sun
Jo´anna gives them the fancy money, oh
To tempt anyone who’d come
She even knows how to swing opinion
In every magazine and the journals
For every bad move that this Jo´anna makes
They’ve got a good explanation
Even the preacher who works for Jesus
The Archbishop who’s a peaceful man
Together say that the freedom fighters
Will overcome the very strong
I wanna know if you’re blind Jo´anna
If you wanna hear the sound of drums
Can’t you see that the tide is turning, oh
Don’t make me wait till the morning come
Gimme hope, Jo´anna
Hope, Jo´anna
Gimme hope, Jo´anna
‘Fore the morning come
Gimme hope, Jo´anna
Hope, Jo´anna
Hope before the morning come.