PENSAR O MEU PAÍS

papagaios

                                                   Pensar o meu País

De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da  mediocralhada que o infestou.

Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não.

Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso.

Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo».

O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados.

O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício.

O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso.

O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria.

O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela.

Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco- e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia?

Nota: Texto incluído no livro “Conta Corrente 2” de Vergílio Ferreira

 

 

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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2 respostas a PENSAR O MEU PAÍS

  1. Elson Violante diz:

    Senhores (as). Tenho um livro publicado, atravs de editora pequena (Biografa), lanado em maro deste ano. Gostaria de saber se ele pode ser divulgado neste blogue. Grato. Elson.

    Gostar

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