PARABÉNS, AUGUSTO ABELAIRA !

 

 

 

Augusto Abelaira nasceu a 18 de Março de 1926 em Ançâ (Cantanhede) e viveu até 4 de Julho de 2003.

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas. Foi professor, romancista, dramaturgo, tradutor e jornalista. Foi director da “Seara Nova” e “Vida Mundial”. Entre 1977 e 1978 assumiu o cargo de director de programas da RTP. Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Como jornalista colaborou no “Diário Popular”, “Diário de Lisboa”, “Almanaque”, “Gazeta Musical e de todas as Artes”, “Vértice”. Foi cronista do “O Jornal” com uma coluna intitulada “Escrever na água” e do JL com “Ao pé das letras”.

“A Cidade das Flores” foi a sua primeira obra literária, editada pelo autor em 1959, porque nenhuma editora o quis publicar. Outras se seguiram, tais como: “Os Desertores”, “As Boas Intenções”, “Enseada Amena”, “Bolor”, “O Triunfo da Morte”, etc.

Escreveu 12 romances, 3 peças de teatro, um livro de contos, um monólogo e dezenas de crónicas jornalísticas.

Augusto Abelaira foi um interventor político desde os tempos da Faculdade, tendo sido um opositor ao regime salazarista.

Fez parte das tertúlias dos cafés Chiado, Monte Carlo e Bocage, entre outros. Aliás, era um frequentador assíduo dos cafés de Lisboa.

Recebeu diversos prémios:

Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa, Prémio Cidade de Lisboa, Grande prémio de romance e novela, da Associação Portuguesa de Escritores, Prémio da Crítica, Prémio Pen Club, Prémio da Crítica da Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Prémio Municipal Eça de Queirós.

Numa entrevista ao Ciberkiosk, Augusto Abelaira, declarou:

“Certos romancistas contam histórias, histórias a que assistiram, que ouviram, leram nos jornais, inventaram. Tais romancistas escrevem romances muito diferentes uns dos outros. Mas há aqueles que se contam a si próprios, digamos assim (isto não significa que escrevem autobiografias). Estes últimos escrevem sempre o mesmo romance, variações sobre os mesmos temas (os temas que os preocupam). Estou a simplificar, claro, as fronteiras não são nítidas. Mas é neste sentido que tenho dito que escrevo sempre o mesmo romance (tanto assim, que não os distingo uns dos outros, não sei se certas cenas pertencem a este ou àquele). Embora talvez pudesse dizer que escrevo dois romances – ou sirvo-me de duas perspectivas para escrever o mesmo romance. Na verdade, parece-me que o meu estado de espírito ao escrever obras como “Bolor” não é exactamente o mesmo quando escrevo obras como “O Bosque Harmonioso”. Se o primeiro pode ser considerado irónico (não sei), o segundo é manifestamente satírico”.

Para terminar esta singela homenagem a Augusto Abelaira, no dia do seu aniversário, alguns excertos do seu livro “Bolor”:

(…) – “Ela olha pra mim em silêncio, escrevo que ela olha pra mim em silêncio, e aguardo as palavras restantes a fim de as congelar neste diário [escrevo que aguardo as palavras restantes a fim de as congelar neste diário (e escrevo que escrevo que aguardo as palavras restantes a fim de as congelar neste diário”. (…)

(…) – “A minha própria vida transformou-se em adivinhar quem és, a minha vida própria, mesmo quando me limito a pensar, mesmo quando não escrevo, deixou de estar conjugada na minha primeira pessoa ou até na terceira pessoa referida a ti – mas numa primeira pessoa que é a tua.” (…)

(…) – “Agora, porém, desejaria conjugar-me na minha primeira pessoa e não na tua, desejo recuperar-me, ser eu, independentemente daquilo que tu és – e a caneta emperra, já não sei escrever. Desejo dirigir-me a mim mesma, fazer de mim a segunda pessoa, mas não sei.” (…)

 

(…)  – “Faz hoje oito dias que comecei. Resolvi divertir-me. Abri este caderno a meio, comecei a escrevê-lo com data certa e depois fui escrevendo em direcção à primeira página, em direcção a Fevereiro, a Janeiro, a Dezembro. Agora já não tenho mais folhas para trás, não posso chegar a Novembro ou a Outubro, agora só tenho folhas para frente: Maio, Junho, Julho… Quando chegar ao fim do caderno termino a brincadeira.” (…)

 

José Eduardo Taveira

 

 

 

 

 

 

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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