“JUNTOS PARA SEMPRE” – (14) – José Eduardo Taveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por volta das nove da noite. Celeste decide falar com Maria. Toca-lhe no ombro para a acordar.

– Senta-te na cama, que precisamos de ter uma conversa muito séria. Hoje de manhã estava a preparar-me para te dar uma novidade que gostarias de ouvir. Ficaste nervosa, eu compreendo, mas não me deste tempo para acabar. Quero dizer-te que não deves julgar as pessoas sem as escutar. Não gostei do teu procedimento, mas já te desculpei. A tua situação não é fácil. Tens pouco mais de dezasseis anos, mas és uma criança. Não podes sair daqui e andar a vaguear pelas ruas, sem destino.

Maria insiste que não quer voltar para…

A enfermeira manda-a calar prontamente e exige que a oiça até ao fim sem interrupções.

– Conheço bem o Orfanato, e percebo que não queiras regressar. Mas com a tua idade não há alternativas. Durante estes meses pensei no teu caso e conversei com o nosso médico sobre a tua situação. Tiveste duas doenças graves muito próximas que exigem cuidado da tua parte para não haver recaídas que são difíceis de controlar. A meu pedido o Doutor Alberto Carlos interessou-se em arranjar uma solução para o teu caso. Ele aconselhou a tua transferência para a “Casa de Acolhimento de Jovens Desprotegidas” que dizem ter melhores condições que o Orfanato. As freiras já foram informadas desta decisão e em relação a elas estás livre de problemas. Depois de amanhã irás para a tua nova residência. Estás contente?

Maria não consegue exprimir-se. Abraça a enfermeira com emoção, sem poder articular palavra. Pede-lhe que a perdoe das asneiras que disse, mas sente-se muito confusa e descrente das pessoas que tem conhecido. Celeste despede-se com um aceno simpático e condescendente. Maria ainda não acredita no que ouviu. Os seus pensamentos cruzam-se a uma velocidade vertiginosa. Está contente com a mudança.

          – Como será a Casa de Acolhimento? Também são freiras a mandar? A comida é boa? Posso passear? O melhor é esperar para ver! Até que enfim me vejo livre daquelas peruas! Olari!

(Continua)

José Eduardo Taveira

 

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