“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

                               HISTÓRIA Nº 18 (COMPLETA)

                                                DIA DA MÃE

 

                Gabriela é aluna da Professora Teresa que acabara de falar sobre o dia especial que é festejado por todos os filhos: o dia da Mãe. Ela pediu que cada aluno escrevesse num papel uma frase bonita para oferecer às suas mães.

A campainha tocou. Acabou a aula. Todos saíram barulhentos e alegres.

          Ao fundo da sala de aula Gabriela ficou só e a chorar.

          A professora aproxima-se dela, senta-se e pergunta-lhe sobre a razão da sua tristeza.

        – Eu não tenho mãe para lhe escrever frases bonitas. Sou diferente dos meus colegas.

         – Não, não és diferente dos teus colegas, Gabriela. Compreendo a tua mágoa. Eu também não tenho mãe. Perdia-a quando eu tinha mais ou menos a tua idade. A minha avó foi a minha segunda mãe, mas daria tudo na vida para ter a minha verdadeira mãe, é claro.

         – Eu vivo com a minha avó e meu avô que são muito bonzinhos para mim.

         – Fico muito contente por isso, Gabriela. As avós são sempre as segundas mães. Mas, no nosso caso, são como se fossem as primeiras. Afinal somos muito parecidas, Gabriela. Aproveita essa felicidade de teres uns avós que te amam e de quem gostas. Há lá melhor prenda do que sentir a força de um abraço e de um beijo com amor?

         – Também acho, professora Teresa. Eu ainda me lembro de sentir esse abraço de amor da minha mãezinha.

         – E eu também, Gabriela. Vês como as nossas vidas são tão semelhantes?

         – Professora, quem é que inventou o dia da mãe?

         – Olha, Gabriela. Já na Grécia Antiga, há muitos, muitos anos, se festejava o Dia da Mãe, quando começava a Primavera. Mas, efectivamente, foi há cerca de noventa anos quando uma rapariga norte-americana perdeu a mãe, e adoeceu com uma enorme depressão.

         – E como se chamava a menina?

         – Anna Jarvis. As amigas ficaram preocupadas com a doença dela, e resolveram fazer uma festa em honra da sua mãe todos os anos. A Anna quis, então, que essa comemoração fosse alargada a todas as mães do mundo.

         – Tão bonito, não é Professora Teresa?

         – Principalmente porque as amigas foram fantásticas com a Anna. É um privilégio termos amigos assim, Gabriela.

         – Eu também tenho amigos.

         – Claro, uma menina como tu, tão simpática, não havia de ter amigos?

          O sorriso de Gabriela provocou na Professora coragem para continuar a conversar.

         – Sabes, minha querida, o importante das nossas vidas é termos a sensibilidade de recordar com amor aqueles que amamos. E tu choraste por amor. És uma miúda linda por fora e por dentro. Quando tinha a tua idade eu também sentia que era diferente dos outros meninos. Mas não era verdade. Há muitos meninos em todo o Mundo que, além de não terem mãe, também não têm pai. E muitos, coitadinhos, nem têm avós nem ninguém.

         – Devem ser meninos muito infelizes, não devem Professora Teresa?

         – Claro. Já viste a diferença que há entre eles e nós?

         – O meu pai diz que a mãezinha está sempre comigo. Só que eu não a posso ver.

         – Nós sentimos o seu calor, a sua protecção, a sua presença. É tão bom, Gabriela. As nossas mães estão sempre connosco. Acredita.

         – A minha avó e o meu avô também dizem o mesmo, Professora Teresa.

         – Sabes, Gabriela, eu penso que festejar o Dia da Mãe da forma a que estamos habituados, com prendas sugeridas pela publicidade, não significa uma verdadeira afectividade ou homenagem. São actos mecanizados, que nos induzem a comprar na maior parte das vezes coisas sem interesse. Por isso eu pedi a todos os alunos que escrevessem uma frase bonita dedicada a cada uma das suas mães. Eu pedi que abrissem o coração e não o porta-moedas, percebes, Gabriela?

         – Percebo sim, Professora Teresa.

         – Vamos combinar uma coisa, só entre as duas. Para nós, todos os dias serão dias da mãe. Só porque pensamos nelas, estamos a homenageá-las com a eterna saudade da sua presença física, percebes? Agora vais escrever no teu papelinho uma frase bonita dedicada à tua mãe. Está bem? Eu vou fazer o mesmo.

         – Gosto tanto de si, Professora Teresa. Posso dar-lhe um beijinho?

         – Claro que podes.

         – E um abraço muito apertadinho?

         – Sim, e um abraço muito apertadinho.

JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
Esta entrada foi publicada em Opiniões, testemunhos. ligação permanente.

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