“HISTÓRIAS DE PESSOAS QUE DECIDI DIVULGAR”

       EXCERTO DA HISTÓRIA Nº 11

               “EMANUELA CANTE”

          Emanuela adora viver. Gostaria de fruir do prazer de gozar o sol na sua plenitude correndo em prados verdejantes, de rir e conviver nas igrejas com amigos e desconhecidos; de assistir a grandes concertos no recinto de Fátima; de dizer adeus com sorrisos, na despedida definitiva de um amigo ou familiar; de cantar e dançar o Hino Nacional em vários ritmos musicais, com alegria patriótica; de subir ao Cristo Rei e bradar bem alto: “Cristo não gosta de estátuas”; de sonhar os sonhos que a deixassem sonhar; de amar quem a ame; de saltar à corda quando vai trabalhar; de andar descalça nos jardins sem a preocupação de pisar dejectos caninos; de cumprimentar as pessoas que estão na paragem do autocarro e obter resposta; de ser optimista; de compreender a proporcionalidade da nossa felicidade; de ouvir as pessoas que vale a pena ouvir; de ouvir aquelas que ninguém quer ouvir; de falar com as estrelas que olham para nós nas noites de luar; de passear nua, pelas ruas, sob chuva torrencial, saboreando o privilégio de um banho com água pura vinda dos céus; de participar numa procissão das velas ao som de ritmos de dança, alegres e trepidantes; de assistir à actuação de coros formados por gente de todas as idades, interpretando hinos à alegria em todas as igrejas do mundo; de dizer adeus à Virgem, definitivamente; de assistir ao derradeiro e patético desfile colorido e carnavalesco de cardeais bispos, cardeais presbíteros, cardeais diáconos, patriarcas, arcebispos, bispos diocesanos, bispos titulares, bispos eméritos, padres, diáconos, comandados pelo Papa, exibindo as suas variadas indumentárias, como a murça, a capa magna com uma cauda muito comprida, o mantelete, a cruz peitoral, o solidéu, o barrete roxo, as meias de cerimónia que calça sobre meias ordinárias (já agora porque não compram meias como devem de ser), sandálias de seda da cor litúrgica, as luvas, a mitra, o báculo, o gremial, a saia de seda branca, o subcíngulo, o fanon de seda, a tiara, etc.

          Como é possível que esta gente que se autoproclama representante de Deus na Terra, tenha erigido uma pesada hierarquia exibindo um valioso e burlesco guarda-roupa emergente da cultura medieval?

          Como é possível que o Papa, representante de Deus na Terra, viva num Palácio Apostólico, no Estado da Cidade do Vaticano, rodeado pelos seus acólitos, longe do povo de Deus?

          Como é possível que o Papa detenha um poder autocrático (executivo, legislativo e judiciário), sem o controlo de nenhum órgão fiscalizador? O Papa não presta contas a ninguém na Terra. Será que as presta a Deus?

          Estas manifestações de poder absoluto, opulência e arrogância ofendem quem precisa de ajuda e são milhões de seres humanos em todo o Mundo.

          Emanuela Cante quer ser ela própria, resistindo ao turbilhão de mentiras, vaidades, egoísmos, como se fosse um bastião protegido por grupos de andorinhas brancas, gozando o prazer da chegada da Primavera.

         Gostaria de voar com elas pelos céus, feliz e deslumbrada, tal como nos sonhos das suas noites de poesia.

 JOSÉ EDUARDO TAVEIRA

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