Dia Internacional do Poeta – 04/10

Ser poeta é ter no dom tristemente belo o sentir que não se sente, de voar sem ter asas, de estar ausente no presente, de ser sem estar, de estar sem ser, de ver na antítese o prazer de escrever e na metáfora a forma de ser…

José Guerra (2011)

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AS NOSSAS PALAVRAS

Faz dois ou três dias, fui visitar um amigo que se encontra acamado em Almada. Durante a travessia do rio Tejo, no sentido de Montijo Lisboa, são perto de quarenta minutos de navegação, e dei por mim sem pensar em nada. Caso inédito, para gente do meu tipo! Bom, mas, se nada saiu acabou por entrar alguma coisa, que classifiquei mais tarde como material suficiente para redigir esta modesta crónica.
Na minha frente, com uma coxia de permeio, estava um grupo de jovens com jeito de serem estudantes universitários, sentados de frente uns para os outros, sobraçando livros e cadernos. Falavam das suas questões na vida académica. E quando dei por mim, (coscuvilheiro impenitente), apanhei, com o meu jeito peculiar de me meter na vida dos outros, o “fio à meada” da sua conversa. Falavam da disciplina de português, segundo a versão do tão falado acordo ortográfico luso-brasileiro. Dizia uma das moças: “Lá quanto aos cês, vá que não vá, até que não se lêem! Mas quanto ao resto, não é a nossa maneira de falar, não são os nossos termos; aquilo, afinal, não passa de um disparate pegado! É um frete ter de estudar aquilo!”
Fiquei sensibilizado. É, de facto, um disparate que lesa e amarfanha, que faz doer a Alma de um Povo. Mesmo que renda dinheiro quando não se tem dinheiro, mesmo que facilite negócios, ainda que alguns possam bem ser honestos, outros, quiçá a maioria, não, a língua materna, meus amigos, é o que na sua essência melhor define uma Pátria, uma Gente, um Coração com muitos corações que batem com ritmo e a compasso igual. É certo e sabido que internacionalizámos a nossa fala quando calcorreamos o Mundo em busca do Outro e oferecendo pedaços de nós a troco de tudo, ouro ou comida, Poder por armas conquistado ou vindo por mor de misturas de sangues, de palavras e de amor, porque de tudo, estou convicto, aconteceu na Grande Aventura! Mas a Língua, meus senhores, a Língua não, porque as mães não se vendem, não têm preço! A Língua veio de longe até ao nosso berço, libertou-se dos lábios da nossa mãe, saiu de dentro dela, do seu ventre, do seu cérebro, dos seus Antigos e dos Antigos deles, e também ela cresceu, desde o seu choro de criança até à sua Cátedra de Cultura, construída com as emoções dos nossos Grandes, Poetas e Escritores, Camões, Bocage, Herculano, Camilo, Vergílio, Saramago, Régio, Pessoa, e muitos mais, tantos que nos vigiam desde a Eternidade da Gente que Somos até estes nossos tristes dias, em que os vendemos a troco de uma esmola, uma insignificância, um barril de grude, uma mão – cheia – de – nada, uma palmada nas costas, um não pode ser, tenha paciência, Só se nos derem a vossa Língua, é que nos faz falta, para sermos gente!
Se os nossos aliados antigos, os ingleses, negociassem a sua Língua, Shakespeare perdia a Alma, que esvoaça na grandeza do seu Ser a continuar a Pátria Inglesa! E nós, os de cá, não temos respeito por nós, não temos História, não vertemos Sangue em batalhas tantas para nos continuarmos? Que gente somos? Em que porcaria amoral nos transformamos? Que respeito temos por nós? Apenas vegetamos, indignos dos Nossos Maiores por este pobre e mísero mundo sem grandeza e sem mérito, a mendigar o que não conseguimos ter por mérito próprio?
Levantem-se, Compatriotas! Ergam-se de Punho Erguido, por uma vez que seja na vossa História, e façam de Portugal de novo o Sonho que já foi!

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Agradecimento ao SITIO DO LIVRO e LIVRARIA BARATA

O lançamento do livro,  As Virtudes da Mente, foi um evento do qual estou orgulhoso.O Sitio do Livro, deu um apoio muito importante ao autor e um carinho muito especial durante a sessão. O que me leva a concluir, que estão desfeitos os mitos para estes iniciados como Orlando Nesperal, que tem o seu espaço, e bem assim quem os pode apoiar. Quanto ao local Livraria Barata, e para quem o Mundo dos livros e um lugar especial toda a atmosfera envolvente convida a estar ali, tão perto daquilo que se gosta, onde as pessoas, se podem mistura.se  com os livros e com quem os faz. Os meus agradecimentos a estas duas referencias do nosso panorâmico literário.

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O espírito de um guerreiro ( de Danilo Pereira )

No mundo nórdico, os guerreiros são movidos por um guia espiritual muito forte, que os guiam ao longo de suas jornadas. Muitos deles, acreditam qe os Deuses os comandam de Asgard ( plano divino ) onde de lá, enviam à terra as almas fortes que sobrevivem ao Valhala.

Wolfgang é um desses guerreiros, dotado de muita fé, este extraordinário guerreiro possuí  uma alma especial, que é guiada por Azael ( guia espiritual ) e Freya, a Deusa que lhe deu o poder de carregar a espada das almas.

Nesta ilustração, o guerreiro nórdico está orando pelos seus Deuses, que lá de cima, lhe dão forças e inteligência para sobreviver na perigosa terra média.

 

Obra, Wolfgang, o guerreiro nordico.

 

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O Sentido, Rómulo Duque


O quanto nos é difícil encontrar o caminho certo para o sentido da nossa existência… Dois mil anos, (d.C.) a humanidade continua a pisar as velhas calçadas na esperança de um dia encontrar caminhos macios de pétalas perfumadas…
Rómulo Duque

Um dos trabalhos fotográficos, que passou pelo Museu do Oriente em Lisboa.
Neste sitio, em exposição permanente para todos vocês..

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A CRÓNICA DO SEM INTERESSE…

A CRÓNICA DO SEM INTERESSE…
Alguém disse por aí que eu sou “Um sem interesse.” Finalmente, que grande verdade, embora, no meu modesto parecer, julgue que esta tão necessária e oportuna frase não se aplique ao “meu todo.” Vou tentar mostrar-me às fatias, e começo exactamente pela mais fácil, a física.
Sou gordo em baixo e magro em cima, (literalmente pareço-me com um sempre em pé), sou cegueta por via de ser um alto míope desde nascença, devido à má nutrição e aos maus tratos vindos da ignorância, e do não “saber como tratar uma criança” e, após a operação feita já “com os pés para a cova,” quando ponho os óculos de ver ao perto, para ler e escrever, fico tão feio que digo aos poucos amigos que ainda estão vivos, que não posso sair à noite porque o escuro assusta-se! É por isto que não gosto de me ver nos retratos. Detesto retratos. São supinamente estúpidos e desagradáveis. Pum aos retratos! (Isto no sentido de tiro de pistola). Há! Já me estava a esquecer, por mor de uma doença profissional também cuspo para o chão. Na rua, está bem de ver. Se fizesse em casa apanhava da patroa que nem sempre compreende tudo. É uma chata, a patroa, é como todas as patroas afinal, segundo os meus amigos, homens casados.
Bom, no meio desta “desgraceira” toda, (ainda a procissão vai no adro), deve de existir alguma coisa que valha a pena. Tenho um péssimo hábito, é que, embora não pareça, gosto das pessoas. E nisto pareço-me com os cães vádios e os outros, todos os cães, (até os policias), e isso, estou bem ciente, é um mau e incorrigível gosto.
Bom, passemos adiante. Se o mundo se divide entre pessoas e suas respectivas vidas, classificadas como Sem Interesse, ou como Com Interesse, o mesmo é dizer esquerda e direita, então eu tenho duas histórias para contar. Uma deu-se no tempo em que as galinhas “ainda tinham dentes,” reparem, aos anos que foi, para cima de cinquenta. A outra é recente; terá, não mais de quinze dias. Vamos à primeira:
O jornalista Contreiras, amigo da velha guarda, por roda das onze da noite, entrou na farmácia de serviço, a saber da última palavra dos cremes e das loções para antes e depois do barbear, ou mesmo para alimentar a pele durante o sono. O seu “Calcanhar de Aquiles” passava por parecer bem aos outros, em particular às senhoras. Um dia, anos depois, apareceu com a cara cheia de borbulhas, (mas isso é outra história), e como nunca mais se decidia, o farmacêutico foi atender uma cliente recem chegada. Uma mulherzinha modesta, não digo (pela descrição que na altura me fizeram), andrajosa, mas para aí caminhava. A pequena senhora procurou por determinado medicamento, e o balconista foi ver do remédio. Voltou com a embalagem. A senhora diz: “Só quero tantos comprimidos, porque são os que o médico indicou, e porque não tenho dinheiro para mais.” Ao que o empregado responde: ”Não vendemos comprimidos avulso. A lei não o permite!” A senhora chora, conta a sua vida. O farmacêutico olha para o Zé e encolhe os ombros. Aí o Zé decide agir. Pega na caixa e diz: “Olha que engraçados, como eles fazem estas caixas tão bonitas!” Abre a caixa, tira parte do conteúdo e, depois de contar os comprimidos, entrega a parte solicitada à senhora. “Aí tem, minha amiga, espero que o seu rapaz melhore.” O farmacêutico, altamente zangado, grita: “O senhor não pode fazer isso!” “Pois não, mas já fiz. Olhe, só pago os comprimidos, não pago a caixa. É que não venho prevenido com dinheiro que chegue. Por favor, chame a polícia. Sabe, eu sou jornalista, e esta história dá um excelente artigo!” Responde o Zé…
Na segunda história, as coisas, sendo diferentes, também nos dizem o mesmo. No telejornal passa uma notícia sobre uma manifestação de vinicultores. Os ânimos estão exaltados. Um homem diz: “Por culpa do sistema perdi tudo o que consegui amealhar nos quinze anos de emigração! Agora só me resta voltar para a França ou para a Suíça!”
Em ambas as histórias estão em confronto os Sem Interesse contra os Com Interesse. Os primeiros sofrem, os segundos, aparentemente, fornecem a dor. É sempre assim desde o inicio dos tempos. Mas, às vezes trocam, ou por cansaço, ou por tédio, ou por outra coisa qualquer. Talvez que a camisa de forças da Lei passe a prisão perpétua. Não sei, mas sei que mudam. Os de baixo passam para cima, e os de cima passam para baixo. Os Sem Interesse de ontem são os Com Interesse de hoje, ou vice – versa.
Não terá chegado o tempo de o mundo arranjar um meio-termo, um compromisso, uma verdade composta pelos melhores “meio termos” de ambos os lados? Não sei, e quem sou eu para saber alguma coisa?

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Palavras por dizer…

Palavras por dizer
Escritas com dor
Saem sem eu querer
Singelas com ardor
Talvez por saber
Que não mais me tens amor

José Guerra (2011)

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Sol pardacento…

Sol pardacento, que te espreitas incerto
Olhar funesto, sem se dizer
Escondido, encoberto
Por não se querer nascer

José Guerra (2011)

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Do Prefácio…
«Os momentos da vida, tal como os pensamentos escritos neste livro, não
são perfeitos em todas as suas dimensões e vivê-los mais descontraída e relaxadamente, constituirá, desde que li estas memórias, uma nova exigência
na minha vida pessoal e profissional. Este livro tinha de existir. Fez-me pensar.»

Do Prefácio…
«O leitor decidirá à medida que for saboreando cada palavra escrita e encontrando nela algo mais do que o seu mero sentido expresso e se reencontrar, ainda que metaforicamente, com a sua própria existência ou, eventualmente, desinteressar-se rapidamente, pela descoberta que timidamente, vai fazendo das várias personagens.»

Apareça hoje, dia 29, na Livraria Barata, em Lisboa, na Avenida de Roma, pelas 19h00.

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O mais saboroso comentário anónimo de sempre…

“…é um livro que se gosta ou se cai na desgraça de gostar de o ler…”
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