O camiseiro francês

O camiseiro francês

Das muitas coisas que fiz para ganhar a “porca” da vida, inclui-se a actividade de fiscalização, (principalmente financeira), de pequenas obras de construção civil.

Foi assim que travei conhecimento, (como profissional), com um senhor de nacionalidade francesa que se dedicava ao negócio do fabrico de camisas para homem, e que, como passatempo, se “distraía” a coleccionar automóveis antigos de marca, como Jaguares, (para exemplificar).

A história do bem sucedido empresário dedicado ao negócio de camisas de marca, conta-se, como é vulgo dizer, em duas penadas; começou a sua actividade na sua terra natal, França, e daí, na mira de melhores e mais vultuosos, (e rápidos lucros), se expandiu para a península Ibérica. Primeiro Espanha, onde usufruiu de mão – de – obra e materiais mais baratos. Depois, o “el dourado” ibérico: Portugal, terra de gente modesta, profundamente inculta, mas competente e dedicada ao trabalho.

Aqui floresceu nos lucros e nas atenções que, com total submissão, brindamos os oportunistas que nos procuram, aos quais damos o nome de “investidores estrangeiros,” (ressalvo os muitos excelentes empresários que nos chegam de fora e por cá se estabelecem para a vida), mas o nosso homem não. Por cá terá sentido o chamamento do Grande Lucro, o lucro sem limites, o lucro infinitamente Bom, o lucro dos Homens Grandes de alma e de talento, a quem, sem saberem o que dizem, os pequenos homens chamam de carniceiros e glutões.

Nas suas divagações nocturnas, entre o bacalhau assado comido à luz de velas pelas muitas casas de fado da nossa tão querida Lisboa, os beijos das amantes que lhe acariciariam a carteira, os elogios dos amigos de ocasião que, sem destino, limpam os fundilhos das calças pelas cadeiras dos cafés, o sonho da Grande Multinacional das Camisas cresceu.

O Lucro Legitimo dos bons negócios causou-lhe frémito na alma, e ele sonhou; as garagens repletas de carros de colecção, o homem, o génio, o grande investidor; e ele, com a coragem que alimenta os Grandes, ganhou asas e voou.

O nosso génio estabeleceu-se em terras da Ásia. Menos impostos, mão-de-obra ao custo das grandes chuvadas que caem do céu, a aparente humildade dos seus pobres operários. Tudo bom. Tudo cinco estrelas.

De Portugal segue a popelina, as agulhas, as linhas, os botões, e até as embalagens onde se vê o símbolo da marca europeia; das mãos das jovens sofridas da Ásia saem as camisas. Na sua boca contínua o sabor da fome. À boca das jovens camiseiras portuguesas chega a fome. E o Génio sonha. Nova Iorque, os reclamos luminosos que dizem que as suas camisas são as melhores do mundo, os apartamentos, as moradias, as piscinas, as gajas, a boa mesa, o bom vinho. Como a vida é bela, como compensa os Filhos da Fortuna…

Há dias aziagos no meio de tudo isto, sabiam? (E quem o diz sou eu, com pleno conhecimento de causa, que tanta fominha passei, e sem fazer mal de monta aos outros), o nosso homem sofreu com as desditas do destino. Os asiáticos, aqueles ingratos morenos, que mais parecem tisnados como os limpa chaminés, de olhos esquisitos de amêndoa, mais as suas mulheres escravas, aquela gente que morde a mão ao dono, criou, a bem dizer de um dia para o outro, fábricas de camisas como se fossem cogumelos.

O Senhor decidiu que era chegado o tempo de tirar umas modestas férias. Regressou, (com o seu modesto pecúlio de milhões), aplicou parte das suas poupanças nos “off shores” que, pelas quatro partidas deste bendito mundo de Deus fora, protegem os homens de bem da desmesurada ganância dos pobres, e reinstalou-se no país que tão bem o acolheu e compreendeu: Portugal.

Os anos passam. O mundo europeu espanta-se com a crise. Com o deslocar dos meios de produção para as terras onde a mão-de-obra custa pataco, (e não apenas pequenas fabriquetas do pronto a vestir, também as grandes e sofisticadas industrias, os meios do conhecimento e da tecnologia mais avançada), a qualificada mão-de-obra europeia perde os postos de trabalho e o direito de pôr pão na mesa para alimentar os filhos; os povos, antes confiantes, são hoje autómatos que arrastam o seu desalento, e o medo do amanhã e da vida, pelas ruas, sem rumo.

Os pequenos (mais em intelecto do que em tamanho) países, venderam os seus principais meios de produção às grandes potências da Europa. Questões de pura lógica. Eles produzem em maior quantidade e mais barato. Eles têm o conhecimento, as melhores máquinas, os melhores cientistas, o crédito a melhor preço; eles produzem por nós e para nós. Chama-se solidariedade europeia. Coisa nunca antes vista, e muito menos sonhada. Os grandes corações do mundo que existem neste nobre Continente!

Mas, (como o amanhã a Deus pertence), como o planeta Terra move-se e gira alegremente sobre o seu eixo, como a vida muda num corrupio de tempo, o hoje é, fatalmente, diferente do ontem. E as promessas, (ainda que escritas), são e não passam de isso mesmo: promessas, que se perdem no bafio dos arquivos, ou se desfazem com a água das cheias, ou por razões diversas, não se cumprem.

No dia em que Portugal busca novos mercados em terras ditas subdesenvolvidas do continente Sul Americano, onde a poderosíssima industria da cocaína prospera e floresce, soube do camiseiro francês.

Em amena cavaqueira, na mesa da esplanada de um pequeno e acolhedor café, lá para os lados de Belém, onde um amigo o descobriu frente à bica e concentrado num artigo de jornal, o camiseiro mostrou-se condoído com a trágica comédia portuguesa; disse:

Meu velho amigo, até eu, que hoje não apenas me habituei a uma vida de descanso, e tenho menos recursos do que tinha quando estava em actividade, estou disposto a voltar ao trabalho apenas para ser útil e ajudar. Olhe, estou a magicar uma nova fábrica de camisas, mas, sabe, como os meios financeiros já são escassos, penso assim uma coisa, como direi, onde as pessoas mais carenciadas trabalhem a troco de comida. Umas panelas de sopa e um pedaço de conduto não me fazem muita mossa na carteira, e assim as moças podem, por uns tempos, esperar sem fome por um futuro melhor…

José Solá

 

 

 

 

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Hel – ( de Danilo Pereira )

Em toda mitologia, existem Deuses que controlam o mundo inferior. Hoje quero falar sobre a Deusa  de Niflheim, a sedutora Hel. Depois de ser banida por Odin ao submundo, Hel puni  os pecadores e todos aqueles que se opõe à ela, julgando-os de forma cruel e insana.

A “Deusa da morte”, como também é conhecida, vive em seu trono em um dos níveis de Niflheim, controlando a chegada dos pecadores que são trazidos pelo executor( personagem do qual postarei numa outra oportunidade ). Dentre suas muitas características, a que mais se destaca é sua sensualidade. Dona de um corpo escultural, envolve suas vitimas com muita sensualidade, envolta a serpentes das quais venera.

Nesta ilustração, Wolfgang penetrou em seu covil e cabe à ele resistir a seus encantos.

Ilustração  pertencente  à  obra: O  guerreiro  nórdico – artbook.

Disponível também em e-book.

 

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Apresentação do Livro Pagwagaya de Armando Frazão

Cartaz da Apresentação

Já no próximo sábado vou fazer o que penso ser a minha última apresentação do livro Pagwagaya antes das Férias e na zona de Lisboa.
Última oportunidade para conseguir um exemplar (autografado) e levar como leitura de férias! 🙂

Vai ser nos Jardins de São Bartolomeu (JSB) na Alta de Lisboa (Alto do Lumiar) pelas 17h. O melhor acesso é pela Av. Nuno Cruz Abecassis nesta localização

A organização é da ARAL (Associação de Residentes do Alto do Lumiar) ao abrigo do seu programa “Bairro de Letras” e com o apoio dos JSB.
Vai haver bolinhos e chá e eu vou-me encarregar de levar uma ou duas garrafinhas de Touriga Nacional para quem queira brindar ou saborear algo mais espirituoso 🙂

Será numa sala virada para o jardim/pátio privado do condomínio, mas o portão de acrílico estará aberto, eventualmente com segurança à porta e facilitará a entrada a todos os que queiram comparacer.

Conto com a vosssa presença.

Website oficial: http://pagwagaya.armandofrazao.com

facebook: http://facebook.com/pagwagaya

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OS PORTUGUESES SÃO PROFUNDAMENTE VAIDOSOS !

“Os Portugueses são profundamente vaidosos. Quando me dizem que eu sou muito vaidosa, eu, nisso, sinto-me muito portuguesa. Quando, por exemplo, os Franceses me dizem, com uma linguagem muito catedrática, “eu conheço muito bem os Portugueses através de toda essa onda de emigração, eles são muito humildes e dizem que o lugar onde gostariam de morrer seria em França”, eu digo “tenha cuidado, o português mente sempre. É como o japonês, mente sempre.” Porque tem receio de mostrar o seu complexo de superioridade. Ele acha que é imprudente e que é até disparatado, mas que faz parte da sua natureza. Portanto, apresenta uma espécie de capa e de fisionomia de humildade, modéstia, submissão. Mas não é nada disso, é justamente o contrário. Houve épocas da nossa História em que a sua verdadeira natureza pôde expandir-se sem cair no ridículo, mas há outras em que não. E então, para se defender desse ridículo, o português parece essa pessoa modesta, cordata, que não levanta demasiados problemas, seja aos regimes seja na sua vida particular”.

Este texto foi escrito pela escritora Agustina Bessa-Luís e está incluído no livro “Dicionário Imperfeito”.

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Sem ele não somos nada

Este é o meu mais recente poema:

 

Sem ele não somos nada

 

O amor é puro,
O amor é cru,
Sem vícios, sem esquemas,
Por vezes carregado de problemas,
Por vezes carregado de dilemas.
 Mas o que somos sem o amor?
Nada!

 Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

 

O meu livro encontra-se à venda aqui: http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/chuva-miudinha/9789892030203/

 

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Margarida e a Luz Linda do Seu Coração- 1º conto da Trilogia Margarida

     – Quem és tu? Pergunta Margarida intrigada, olhando para o seu peito, para dentro de si mesma.
– Eu? Eu sou tu… sou a tua Luzinha Linda, aquela Luz que se encontra dentro do teu Peito, do teu Coração, dentro de ti mesma.
– És uma Estrela, então!…Ah!!! Nunca tinha reparado que tinha uma Estrelinha brilhante, Linda, dentro de mim… Pensei que só havia estrelinhas no Céu!
– Sim, minha linda… Sou a tua Estrelinha, a tua Pombinha, o teu Coelhinho branco…enfim…sou a forma que tu mesma queiras que eu tenha.

Rita Lacerda

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PARABÉNS, MATILDE ROSA ARAÚJO !

Matilde Rosa Araújo nasceu em Lisboa no dia 20 de Junho de 1921 e viveu até 6 de Julho de 2010.

Licenciou- se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Frequentou o Curso Superior do Conservatório.

Foi escritora especializada em literatura infantil.

Foi docente do Ensino Técnico- Profissional e professora do primeiro Curso de Literatura para a Infância.

Colaborou em diversos jornais.

Publicou os livros: “Capuchinho Cinzento”, “A Garrana”, “Estrada sem Nome”, “A Escola do Rio Verde”, “O Palhaço Verde”, “História de um rapaz”, “O Sol e o Menino dos Pés Frios”, “Balada da Vinte Meninas”, “O Livro da Tila”, “Camões Poeta, Mancebo Pobre”, “Histórias e Canções em Quatro Estações”, “Fadas Verdes”, “Os Direitos da Criança”, “O Reino das Sete Pontas”, “Lucilina e Antenor”, “A Velha do Bosque”, “O Chão e a Estrela”, etc.

Foi distinguida com o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian e com o Prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte, de S. Paulo, Brasil.

Recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e foi agraciada com o Prémio Carreira, pela Sociedade Portuguesa de Autores. Foi nomeada para o Prémio Andersen 94.

Pertenceu ao Comité Português da UNICEF, ao Instituto de Apoio à Criança e à Sociedade Portuguesa de Escritores.

Matilde Rosa Araújo viveu em constante inquietude com as múltiplas complexidades das crianças e foi uma acérrima defensora dos seus direitos.

Nesta homenagem, no dia do seu aniversário, o poema:

 Balada das Vinte Meninas Friorentas

Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.

As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.

As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.

As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.

Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!

Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.

Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!

Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus.

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UM MOMENTO

 

 
Um momento,
Um momento de atenção é quanto peço,
Atenção para poder falar, 
Atenção para me poder explicar.

Tudo começou no Verão,
Num belo e quente dia de Verão.

Ela aproximou-se e sorriu,
E foi o que bastou,
O coração bateu forte,
As ideias atropelavam-se,
Algo aconteceu,
Algo em mim mudou,
E apenas o seu sorriso esboçou.

Tudo começou no Verão,
Num belo e quente dia de Verão.

Ela é linda, simpática, amorosa,
Divertida.
Seus olhos lembram o oceano,
Seu cabelo uma seara de trigo,
É tão bom falar com ela,
É tão bom brincar com ela,
Parecemos crianças,
Divertidas nas brincadeiras,
Enamorados,
Apaixonados,
Amantes.

Tudo começou no Verão,
Num belo e quente dia de Verão.

Beijinhos e abraços e essas coisas todas.

 
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POR COBARDIA E MEDO…

A Grécia escolheu como futuro a continuação da fome e da humilhação durante muitas e longas dezenas de anos, e já recebeu por parte do ministro alemão as bem-aventuranças do céu nazi.

Apenas a Grécia? Então e nós? Então a Espanha? Então e a Itália?

Pela mão dos simpatizantes da majestática Alemanha, que governam estes Países, (ainda se deve escrever Países com maiúscula?) Virá o tempo em que nos vão dizer:

“Vocês, modestos e insignificantes seres sem futuro, sempre que virem um senhor Alemão na via pública, devem deitar-se no chão, para que o senhor limpe sobre vós os seus pés…

José Solá

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PARABÉNS, TRINDADE COELHO !

Trindade Coelho nasceu em Mogadouro no dia 18 de Junho de 1861 e decidiu viver até 1908.

Foi escritor, jurista e político.

Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Foi nomeado Delegado do Procurador Régio no Sabugal e em Portalegre. Em 1895 foi nomeado Juiz em Lisboa.

Viajou até Cabo Verde para defender 33 presos políticos. Conseguiu libertar os presos. Foi um sucesso que lhe conferiu mais prestígio como advogado.

Trindade Coelho foi um magistrado íntegro, corajoso e sempre amigo do povo. Colaborou nas campanhas pela educação popular.

Fundou as seguintes publicações: “Porta Férrea”, “Panorama Contemporâneo”, “Gazeta de Portalegre”, “Comércio de Portalegre” e a “Revista Nova”.

Colaborou em jornais e revistas: “Portugal”, “Novidades” e “Repórter”.

Utilizando os pseudónimos Belisário e José Coelho, colaborou em “O Imparcial”, “Tirocínio”, “Jornal da Manhã”, “O Progressista”, “Beira e Douro”.

Da sua bibliografia, destacam-se as obras:Manual Político do Cidadão Português”, “O ABC do Povo”, “Folhetos para o Povo”, “Os meus Amores”, “In Illo Tempore”, “Livro de Leitura”, “Autobiografia e Cartas”, “O Senhor Sete”, “O Desajeitado”, “A Lareira”, “Abyssus-Abyssum”.

Na obra literária do escritor sobressai a vivacidade dos diálogos e a descrição da paisagem campesina.

Nesta homenagem a Trindade Coelho, no dia do seu aniversário, um excerto do livro “In Illo Tempore”:

“In illo tempore – no tempo em que João de Deus andava em Coimbra, havia na Lusa Atenas, que é terra de mulheres bonitas, duas senhoras muito formosas, que eram irmãs, – uma chamada Raquel e a outra Cândida. A Raquel, principalmente, diz que era uma divindade; e a mocidade da Academia, sobretudo os poetas, bebiam os ares por ela! Não era branca nem morena; tinha uma cor de bronze, de uma suavidade encantadora, nariz grego, e então uns olhos extraordinários, aveludados, muito brilhantes e pestanudos, que eram a perdição da rapaziada! Os pretendentes eram assim – aos cardumes… E a cabeça de rapaz sobre a qual esses olhos admiráveis pousassem por um instante, mesmo casualmente, era cabeça perdida; porque entrava logo de andar à roda, como se fosse uma ventoinha, e o menos que lhe acontecia era rebentar numa catadupa de versos – que nem sempre, diga-se a verdade, eram condignos da inspiradora…

Ora o João de Deus pertencia à ala dos namorados dessa divindade, se bem que nunca lhe falasse; e tanto, que a majestosa Raquel ficou sendo para ele uma espécie de musa, como para o Camões a Catarina, para o Dante a Beatriz , a Laura para o Petrarca, para Miguel Ângelo Vitória Colonna, etc.,etc. Fez-lhe muitos versos, e aquela poesia A Vida, que a não há mais linda em todo o mundo; e fez-lhe depois, quando ela morreu, aquela elegia que tem o seu nome – Raquel –uma das melhores coisas que o génio humano tem produzido, e que João de Deus, por sinal, improvisou numa tourada, alheio, absorto, estranho ao mais formidável chinfrim que se tem desencadeado numa praça de touros! Soubera a notícia da morte quando ia para lá; chegou e amodorrou-se a um canto: e quando se deu fé que a praça de touros tinha desabado, revolvida, de baixo para cima pelo furacão da rapaziada, foi dar com ele o João Vilhena, o seu fiel Acates, no mesmo lugar onde o deixara, e que por milagre tinha escapado! Pegou-lhe por um braço e levou-o dali, como se estivesse doido ou a dormir… (…) ”

 

 

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