Chuva outonal…

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PARABÉNS, ANTÓNIO RAMOS ROSA !

António Ramos Rosa nasceu em Faro no dia 17 de Outubro de 1924.

Ensaísta e desenhador, é considerado um dos grandes poetas contemporâneos.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

Escrevo-te com o fogo e a água

Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te

no sossego feliz das folhas e das sombras.

Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.

Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.

Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.

 

O que procuro é um coração pequeno, um animal

perfeito e suave. Um fruto repousado,

uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,

uma pergunta que não ouvi no inanimado,

um arabesco talvez de mágica leveza.

 

Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?

Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.

As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.

O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,

o grande sopro imóvel da primavera efémera.

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“O caminho faz-se caminhando”

“O caminho faz-se caminhando” porque não há caminho, porque este só se faz ao caminhar, palavras sábias de António Machado, poeta Espanhol.

A minha caminhada, ainda que curta num trajecto de apenas 3 anos, já conta com 4 obras lançadas de que me orgulho. Livros de Poesia e Prosa poética: “Pensamentos” (2010); “Pura Inspiração” (2011); “Palavras por Dizer” (2012) e um Romance “A Paixão que Veio do Frio” (2012). Em breve um novo romance. Um corolário de inspiração e investigação histórica.

Tem sido um caminho tortuoso, calcorreado na tormenta, por ventos e marés que teimam em virar a nau. Mas tem valido a pena, porque se amam as letras. Se assim não fosse, os corações não eram tocados, nem os sorrisos cantados, porque de alento vive a alma como se fosse alimento. Os poemas não floriam, nem o amor era pintado nos livros, como se de uma pauta se tratasse. O que tenho aqui dentro, ainda não tem nome, é mais antigo que a minha alma e maior que a minha existência. Apenas sigo o que universo me trilhou.

“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.”

Fernando Pessoa

Obras de José Guerra

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Já em Novembro…

Foi aqui que tudo aconteceu…um amor impensável contra tudo e contra todos, que atravessou séculos de história e pôs em causa valores, instituições e a mentalidade de uma época conturbada….o título e a capa do livro, estão prestes a serem revelados. Novembro será o mês de lançamento desta minha nova obra! Para breve a data do lançamento e local…

José Guerra

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Entrevista sobre Pagwagaya n’A Rede da Radio

Capa do Livro PagwagayaNo passado dia 9 de Outubro fui entrevistado pela Madalena Balça no programa “A Rede da Rádio” na Antena 1.

O tema principal foi o meu mais recente livro Pagwagaya, mas a conversa depois també foi parar a temas paralelos como o ambiente, a fotografia, a distribuição e as editoras.

Uma versão editada do programa para conter apenas esta entrevista está disponível no website do livro: http://pagwagaya.armandofrazao.com

E não se esqueçam, próximo sábado apresentação em Vila Velha de Ródão, mesmo ao lado do local onde a estória de Pagwagaya decorre.

Website oficial do livro: http://pagwagaya.armandofrazao.com
A Rede da Rádio no facebook: http://www.facebook.com/arededaradio

Até lá
Armando Frazão

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PARABÉNS, AGUSTINA BESSA-LUÍS !

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, no dia 15 de Outubro de 1922.

É escritora, dramaturga, biógrafa, ensaísta.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, um excerto do livro: “Dentes de Rato.”

“Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habili­dades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborreci­das e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível. O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aven­tura bonita e conhecia gente maravilhosa. Eram as pessoas que ela via no cinema ou que ela já tinha encontrado em qualquer parte, mas que não sabia quem eram. Não gostava de ninguém que se pusesse entre ela e a imaginação, como um muro, e a não deixasse ver as coisas de maneira diferente. Não gostava que lhe tocassem e, sobretudo, que a gente grande pesasse com a grande mão em cima da sua cabeça. Apetecia-lhe morder-lhes e fugir depressa. Mas não fazia nada disso. Ficava quieta e olhava para a frente dela, cheia de seriedade. Isto tinha o efeito de causar estranheza, e diziam sempre que ela era uma menina obediente e sossegada. Mas retiravam a mão. Tinham-lhe posto o nome de «dentes de rato», porque os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fru­teira e deixar lá os dentes marcados.
— Já aqui andou a “dentes de rato” — diziam os da casa, escandalizados. Viravam e reviravam as maçãs, e em todas havia duas dentadinhas já secas e onde a pele mirrara. Era uma mania que ninguém podia explicar.”

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A SOPA DA SOBREVIVÊNCIA

A SOPA DA SOBREVIVÊNCIA  

(Já publicado no meu site)

 

Meus caros, imaginem vocês, a culinária chegou à política. Uma maneira saudável de manter o povo feliz. Para quem não tem oportunidade (ou tempo) para se inteirar do menu, aqui ficam algumas receitas:

Sopa à Cavaco

Um tacho meio de água, sal qb, um legume tropical chamado “não comento”, uma mão cheia de massa “tenho a certeza”, duas batatas e quatro beterrabas “deixem-me trabalhar”.

Cortam-se às rodelas o legume, as batatas e as beterrabas, colocam-se no tacho com o sal quanto baste e deixa-se cozer. Serve-se o mais quente possível, para se sentir menos o gosto.

Peixe à socialista 

Uma posta de corvina, (nunca usar cherne), quatro batatas. Um tacho bem grande disfarçado de panela, água, sal, uma embalagem de sumo “a culpa é dos outros”, duas pitadas de “estamos no caminho certo”, uma mão cheia de “não temos crise”.

Misture e cozinhe como quiser. Tenha cuidado com o estômago…

Bife à social-democrata

Uma posta de carne Fundo Monetário Internacional, uma lista de amigos para distribuir cargos de ministros e secretários de estado, uma lata de vou ser primeiro-ministro.

Cozinhe como quiser e sirva quente.

Sobremesa

Duas fatias grandes de bolo Ronaldo cobertas com chantilly.

Depois desta refeição a nossa carga das baterias de estupidez ficou no seu máximo e estamos prontos para gritar aos quatro cantos da terra que nascemos e vivemos na melhor Pátria do mundo…

José Solá

 

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“O Vício do Artesão” Orlando Nesperal

         Uma nova ideia  com conceitos muito antigos

 

                                  O Vício do Artesão

 

                               

                              

 

                              As ideias básicas

                                            à

                                   realização

 

 

 

 

 

Camarate, 28.09.2012

                                                              Orlando Nesperal

 

 

                                  Como nasce um artesão

Um homem, cansado, saturado com as circunstâncias que o consumiram, espreita o seu íntimo exclama: bem sei que lutei, cheguei aqui e deixei de ser um produto válido para ser consumido. Mas qualquer desassossegado, se levam e grita, mesmo que seja perante uma plateia de surdos, não estejam preocupados, lá fora o mundo é grande, mas a minha capacidade de pensamento é ilimitada. Daí que nasce outro Homem, o” homem novo” que se passou a intitular-se por, ARTESÃO, é este homem novo, que talvez tenha sido um errante durante a sua existência, nunca fazendo o que queria mas sim aquilo que os outros precisavam.

Mesmo vivendo nos limites do conformismo, sentia que o seu destino podia ter outros caminhos,.. Recordando; vou deixar de fazer o que gosto; “escrever” para ter o direito à sobrevivência. Em todo o percurso, os tempos de lazer eram afetados, pelo eterno dever; trabalhar!

Muito longe duma ideia formada ou pensamento possível que um dia poderia vir a estar sentado numa secretária, e pudesse a vir a escrever sobre este tema. Como tudo na vida não seria eu a pessoa correta para o fazer, mas o destino, cria e gera condições que nos leva a mudar de rumo, é sobre esse novo rumo que nasce o “ homem novo”, como sempre me afirmei, um desassossegado e muitas vezes inconformado, com as limitações que nos colocam e só tenho uma solução que é desbloquear as condições, para as quais nos empurram e mal olhamos para o lado, já estão metidos num colete-de-forças.

Não tendo sido um operário, sempre longe das fábricas e dos centros de produção, vivendo e convivendo com as atividades de serviços, numa relação direta com papéis, leis e vendas, esquecendo por completo o poder criativo como os objetos eram feitos e chegavam até nós. Mas tendo sempre presente, que escrever era o meu poder mais alto, claro não sou um romancista, aquele que cria imagens e forma discursos diretos, apaixonando corações ou dando vida a personagens que apenas existem no imaginário. …Talvez um narrador!?

Pela ausência de não encontrar nada escrito, sobre artesões, nasceu esta ideia de fazer este simples manual, muito pessoal, para melhor compreender mais a mim próprio do que espalhar pelo mundo. Todos nós já sabemos que nos dias de hoje, tudo ou quase tudo está à distância dum simples clique, na internet e com uma busca, muito rapidamente obtemos o que desejamos. Foi assim que me aproximei muito da arte de esculpir ou fazer entalhe em madeira e bem assim como poderia eu fazer alguns objetos pessoais ou mesmo recuperar outros que gostava de ter.

Talvez fique bem dizer, quais as causas que me levaram a procurar e afirmar a mim, que gostava de ser um Artesão. Uma das causas foi na realidade, aparecerem condições onde pudesse ter o meu Ateliê, não seria possível, este acontecimento sem a garagem da casa de Cernache do Bonjardim. Mas em boa verdade só por si uma garagem não serve para nada se não lhe colocarmos um pouco das nossas vidas. Para o homem dos serviços, não era bem olhado, quando se lembra abraçar outras áreas de conhecimento e entre os muitos materiais que existem ou as suas utilizações, a madeira era o caminho a seguir.

Com o avançar da idade, também comecei a sentir, que mais tarde ou mais cedo o mundo do trabalho e as prestações de serviço, deixam de ser interessantes tanto para as quem realiza, como para aqueles que, desejam sangue novo nas relações de trabalho, esquecendo por completo a experiência ou a eficácia da prestação, duma foram em geral, os mais experientes, são sempre uma afronta e não uma mais-valia. Outro rumo, pode ser a salvação e a construção dum “homem novo”, não deixando morrer os sonhos e colocados numa prateleira, à espera que um dia o venham buscar. Antes que isso acontecesse, nasce um artesão!

Recuando um pouco no tempo, podemos fazer uma ponte entre os tempos da infância e os nossos dias, talvez seja aí que podemos situar, para uma melhor leitura dos relacionamentos. Tendo nascido num meio rural, as primeiras imagens que tenho, foi as alfaias agrícolas, de certo modo provocaram algum entusiasmo e admiração, começando que cada uma tinha um fim determinado e uma especificação para cada trabalho que executávamos. Mas era interessante, que todas tinham uma parte em madeira, e encantava-me a forma do mesmo, quase sempre redonda, mas sempre muito lisa e suave do uso que lhe era dado.

Ao iniciar a escola primária, era interessante que havia na escola uma amostragem de pequenas miniaturas dessas mesmas alfaias, já feitas por alunos. Ainda fiz uma escada em madeira, que era utilizada na apanha da azeitona, mas não foi muito bem conseguida, é bom saber que a única ferramenta cortante à disposição era um canivete. Contudo consegui fazer um peão, claro em madeira cujo ferrão era a ponta de um prego, muito rudimentar mas conseguia fazê-lo rodar, e serviu para satisfazer a minha primeira invenção se assim se podia chamar. Como prémio o meu pai dado o meu entusiasmo, comprou-me um lindo, com o qual me divertia imenso, acabando mesmo por picar a casa, em especial a sala de entrada, dado o soalho ser em madeira.

Não ficando por aqui, aquele canivete passou a ser um objeto, que me acompanhava sempre, ao ponto que nas noites longas do Inverno, em que tínhamos esperar pelo pai para o jantar, que era cerca das 21 horas, hora que chegava, quando fazia a distribuição do correio da noite na Vila. Nestas longas esperas, junto à lareira, lá estava eu embelezando uns paus toscos que pouco a pouco iam ficando lisos e apresentavam, algumas figuras que ia comparando com animais ou coisas. Curiosamente ia juntando à entrada da porta da rua e por ali iam permanecendo, até que a boa da minha mãe, acabava por se cansar de os ver ou estorvavam as suas lidas, o destino era a fogueira, não valia reclamar, porque já tinham ardido. A boa resposta da mãe, agora faz outros que tens tempo para isso.

Estes episódios são recordados, talvez pela graça, que aquela criança de outrora, assemelha-se muito aos dias de hoje, em que é determinante as minhas ações, criando mesmo um sentimento dum verdadeiro vício, em que mal me esqueço de mim, lá estou na bricolagem.

Entrando para a o ensino secundário, não me foi difícil aperceber, que o desenho à vista, a utilização da tinta de china e os guachos, era tarefa fácil, criando mesmo um desenho do “Infante D. Henrique”, com aquele grande chapéu, tinha algum jeito que a minha irmã, o levou à escola e a professor lho pediu para concorrer a um concurso escolar, mas ao que acabei por saber foi em nome da filha da dita professora, mas nunca cheguei a saber se alguma vez, teve resposta ou ganhou um concurso.

Mas foi no desenho geométrico, que acabei por me realizar, ao ponto que nos dias de hoje, quase todas as figuras ou formas têm como principio ou base figuras geométricas. Neste contexto, existe mais uma achega que dum modo indireto contribuísse, para entender o que se passa no meu relacionamento com a madeira. Na minha infância, morava na mesma casa e com uma oficina na mesma, um primo de nome Mário Júnior, que era carpinteiro, e dado ser muito criança, talvez no meu imaginário algo ficou retido, porque em boa verdade, só me lembro de produtos acabados, e sobretudo a imagem de muitas ferramentas que mais tarde vi a saber os seus nomes.

Para completar o quadro, também tive um tio de nome Bernardino, este sim, um marceneiro de excelência, entre alguns trabalhos seus, convivi, com a mobília de sala da casa de Cascabaço, tinha sido o primeiro trabalho, depois de abandonar o mestre. O rigor do entalhe e a ausência de pregos, caracterizam a obra da qual me apaixonei, e a madeira em que foi feita é cerejeira. Já muito velhinha, e diga-se no dom da verdade, não muito estimada.

Com esta infância e já entrando na adolescência, não me será difícil dizer que recebi muito destes tempos, tanto pelo que me rodeava como pela minha forma de assimilar o que via sem recorrer a estudos obrigatórios.

Para um crente, também aqui deixo a mensagem, que sobre mim recai alguns espritos bons e que me acompanham, não querendo dizer que seja este ou aquele, mas diariamente sinto que só por mim não seria capaz de realizar tanto, nem tão pouco fosse capaz de estar acomodado num sofá à espera que o tempo passe. O próprio Jesus Cristo, foi carpinteiro.

Mas o destino está marcado, depois do meu pai que querer que eu aprendesse a arte de pedreiro, ao qual eu respondi; mas porque foi para carteiro? … A resposta chegou, não mais falando no assunto. Acabei por tirar o “Curso Geral do Comércio”, seguindo este área, a qual abracei com alegria fazendo uma carreira profissional, chegando ao topo como empregado por conta de outrem.

O meu encanto, não é; deixar de ser quem sou, mas ser uma nova realidade, olhando para as coisas, observando-as e valorizando-as, duma forma simples e humilde. Como que se volta-se a encontrar-me no tempo, em que a luz do mundo me dava a claridade para ver as coisas pelo dia efetivo e não pela globalidade, onde o sentido humano, está irremediavelmente perdido, fora da minha forma de estar e observar os valores, que me caracterizam! Os quais foram forjados com a dura escola do mundo rural; a enxada, a charrua, e a foice, foram estes alguns dos “livros “que tive, começaram na infância e passaram pela adolescência.

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QUE SABEMOS SOBRE A MENTIRA ?

– “A mentira apenas é um vício quando faz mal; é uma grande virtude quando faz bem.”

Voltaire

– “O que tem feito mal a muita gente não é a mentira; é o invólucro de palavras artificiosas com que se doira a algema que as verdades lançam ao pulso do homem.”

Camilo Castelo Branco

 – “Muitas vezes a mentira hoje no mundo é mais poderosa que a verdade.”

António Vieira

 – “Bebe-se a largos sorvos a mentira que nos lisonjeia, e gota a gota a verdade que nos é amarga.”

Jean Jacques Rousseau

 – “A mentira é como uma bola de neve; quanto mais rola, tanto mais aumenta.”

Martinho Lutero

 –  “Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.”

Friedrich Nietzsche        

 – “As mulheres e os médicos sabem bem como a mentira é necessária aos homens.”

Anatole France

– “Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas.”

Mark Twain

  “À minha volta, reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade.”

Simone de Beauvoir

 

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O canário…

 

ANDA POR AÍ UM CERTO CANÁRIO QUE, CANTANDO BEM, NÃO SEI PORQUÊ NÃO ME ALEGRA; O CANÁRIO TEM NOME DE GENTE: É QUALQUER COISA PARECIDA COMO PACHECO.

E o canário, seguro do conforto da sua gaiola de porta aberta, onde nunca falta alpista, água limpa, onde beber e esparramar as penas, para se livrar de possíveis parasitas, ufano de sua lustrosa plumagem, esvoaçou para o poleiro e trinou seus altissonantes gorjeios. Traduzido para linguagem de gente, o gorjeio, (não traduzido à letra), fala de coisas; pessoas, manifestações, conceitos, critica, políticas e, ainda, mitologia grega.

O canário ficou tristinho, quando, no palanque de uma gigantesca manifestação, (a maior de que há memória neste Portugal humilhado), os organizadores cantaram, a plenos pulmões, o hino da Internacional Socialista.

Pois, sabe, não é propriamente (ou apenas) um hino de feição comunista; é sim, mais, o hino que demarca os pobres de todo o mundo dos ricos que os pisam; falando em termos de pessoas, (sabe o que são pessoas?), identifica o pedido de socorro gritado pelos moribundos, no deserto, quando vislumbram nos céus os abutres que aguardam a hora chegada para os devorarem, ou para afugentar os corvos, que se abeiram dos corpos dos já falecidos para lhes devorarem os olhos.

Eu e os meus camaradas, também o cantámos em exercícios militares, pelos montes das Beiras, como maneira de expurgar uma morte estúpida, em terras que não as nossas, ao serviço de conceitos dos gananciosos fascistas que, na época, nos dominavam.

E, (ainda sobre o hino da Internacional Socialista), a melhor maneira, a única, de o silenciar de vez, é arredar das pessoas desta terra a fome, o desemprego, a miséria, a mentira sobre um futuro melhor que nunca chega, (mais parece uma cenoura presa na ponta de uma vara, para fazer correr o burro que puxa a carroça, sem o emprego do chicote), é ter respeito pelos outros, é aniquilar os burlões que, ao serviço dos interesses estrangeiros, nos devoram até ao cerne da alma. É produzir, é construir, é deixar de uma vez por todas o povo viver e ser feliz. E isso, é tudo o que os canários deste País nunca fizeram. Porquê? – Pergunto. – Sim, mas porquê? E a resposta tarda, apenas e unicamente, porque, na verdade, nem os grandes passarões desta pobre Lusitânia a sabem, quanto mais um simples, insignificante, ignorante e absurdo canário.

Vivemos em Democracia, e, a Democracia, para mim, é a montra onde o POVO escolhe os ideários políticos; para a Democracia, são todos iguais, (ou devem ser, num mundo de sãs atitudes). Então, como pode e deve o Soberano POVO escolher? Preterindo o que não deu provas pelo que ainda não teve o privilégio, de receber nas urnas a honra de, pela primeira vez, ser chamado pelo todo de uma maioria eleita por sufrágio universal, para aplicar na prática o seu ideário politico. O processo democrático pode e deve funcionar, através dos resultados eleitorais; mas também pode impor-se nas ruas, sempre que o POVO se veja espoliado dos seus sagrados direitos: o direito ao trabalho com direitos, o direito à justiça, o direito à felicidade, o direito à saúde, o direito à cultura, o direito a uma Pátria livre do esbulho do estrangeiro permitido pelo relapso de quem governa, mantendo-se no poder anos e anos, com recurso às práticas insidiosas do engano, ou de uma alternância que em tudo, parece combinada. Para que todos os princípios democráticos sejam integralmente respeitados, o País dispõe de uma Constituição, e de um Presidente que a jurou cumprir, e que tem o dever de a fazer cumprir, com recurso ao parecer dos restantes órgãos de soberania, sempre que as dúvidas de interpretação eventualmente surjam; ainda que o Presidente seja (pela Constituição), parco em direitos decisórios; o que, de todo, não invalida que, na posse de todas as suas faculdades mentais e da sua inteligência, não tenha o recurso à palavra.

Mas, (se mo perguntarem), e se tudo isso falhar? – Eu respondo, – O POVO continua a ser Soberano! Tem as ruas, tem a Legalidade Revolucionária, pela pura e simples razão que, o POVO é tudo. È a Pátria, e é a Inteligência Colectiva da Pátria, é o Bom Nome da Pátria, é o Trabalho e, implicitamente, a riqueza, é a cultura; e se algo falha em tudo isto, é porque governos inconsequentes e irresponsáveis, (ou eivados de péssimas intenções), lhe negaram um ensino cuidado, pensado para dar ao Todo que é o POVO a qualidade necessária para à sua grandeza.

Por tudo isto, (e para enfim terminar este meu desabafo), eu lhe digo, meu amigo Canário: abra as suas asas, saia da sua gaiola dourada onde nada lhe falta, faça-se à vida, vá em busca de emprego nesta época de calamidade nacional, para perceber de uma vez por todas o que custa a vida aos que sofrem! E depois, sim, depois, fale com conhecimento de causa!

José Solá

 

 

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