PARABÉNS, HERBERTO HÉLDER !

Herberto Hélder nasceu no Funchal no dia 23 de Novembro de 1930.

É poeta, escritor.

Foi meteorologista, redactor de publicidade, jornalista, bibliotecário, operário, repórter de guerra, tradutor, etc.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

Se houvesse degraus na terra…

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,

eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.

No céu podia tecer uma nuvem toda negra.

E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,

e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

 

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,

levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.

Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,

e a fímbria do mar, e o meio do mar,

e vermelhas se volveram as asas da águia

que desceu para beber,

e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas

 

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.

Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.

Correram os rapazes à procura da espada,

e as raparigas correram à procura da mantilha,

e correram, correram as crianças à procura da maçã.

 

 

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…das pedras que percorri…

 

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Neste Natal, Ofereça Um Presente Diferente às Crianças

 TRILOGIA DA MARGARIDA

À VENDA na Livraria Barata (Leya), Av. de Roma11, Lisboa

Centro Terapias e Medicina alternativa DHARMA, Av. dos Voluntários da Rapública, nº4-1º Paço de Arcos

Site Sítio do Livro

www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-a-luz-linda-do- seu-coracao/9789892019406/

Esta é a história duma menina que ao mudar de casa, conheceu e fez amizade com uma joaninha linda, que lhe ensinou muita coisa. Tal era o seu contentamento e felicidade, que descobriu o seu lado mágico: Uma Luzinha linda muito brilhante, dentro de si mesma, no seu coração. Essa Luz, transformou-se na sua melhor amiga e mostrou-lhe a sua grande importância para o seu bem-estar e alegria, na sua vida.                                                                  As três, margarida, sua Luzinha linda… e joaninha, em cima duma nuvem, partiram de viagem pelo Universo.

www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-todo-o-amor-do-mundo-no-seu-coracao/979892023199/

As aparências muitas vezes enganam. E quantas vezes nós olhamos, julgamos e fugimos, sem nos importar com o que está para além do que realmente parece.                                             Este conto é tirado duma história verdadeira, dum homem muito pobre, ex-pescador, analfabeto, mas com uma riqueza interior muito grande. É uma mensagem para todos, de “Amor Incondicional”, entre uma” criança adolescente” e um homem já de idade avançada, um Ser Humano muito Especial, que se tornou mendigo.                                                                  Em sua homenagem,” Um Grande Abraço de Luz”, com muito Carinho e Ternura.

www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-os-ensinamentos-sabios-da-sua-filha-joana/9789899737549/

O tempo passou e Margarida é agora uma jovem adulta, Muito Feliz por esperar a sua primeira Filha… Uma Menina muito Especial que, embora ainda não tenha nascido, já conversa com a sua Mãe e lhe traz muitos ensinamentos do Céu.                                               Este conto é o terceiro e último da mini-coleção da Margarida. Fala um pouco duma maneira simples, de Vidas Passadas e Eu superior.

São três contos bem diferentes que focam valores fundamentais para o enriquecimento interior.

Boa Leitura, espero que gostem 🙂

Rita Lacerda

 

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É já no próximo Domingo, dia 25, pelas 17h00 na Livraria Leya na Barata, 11-A, Av. de Roma em Lisboa….conto com a vossa presença…

Um abraço literário!

José Guerra

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O Vicio do Artesão Orlando Nesperal

Continuação:

                                                                      As vendas

       

Quando se fala em vendas, é preocupante porque alguém precisa de sobreviver, isto é, tanto de verdade, com real. Se alguém trabalha, perante a luz divina, terá direito ao pão, quem o vai recompensar, muitas vezes se desconhece, mas este ser humano, não está excluído do mundo, pois para além de ir alimentando o seu ego, pelo gosto que faz as coisas, também ele-artesão, vai alimentando muitas sensibilidades dos que gostam de arte, mesmo simples que seja, mas muito autêntica e original.

O problema das vendas, é a exposição física que o artesão se expõe quando por necessidade própria vai para a rua e se torna o vendedor dos seus próprios trabalhos. Todos sabemos que as vendas acarretam uma enorme carga psicológica, que muitas vezes incomoda, aqueles de uma personalidade introvertida. Mas creio que nada deve passar por esse buraco da agulha, visto que o pacato cidadão que é o artesão, deve mostrar a sua arte e que a mesma deve ser compensada, mesmo que o seja, existem custos que nunca serão pagos, daí que ao olharmos para um produto final, termos em conta o valor dos materiais, custo de ferramentas, a mão-de-obra é apenas, hipótese de algum valor acrescentado dado o tempo que o trabalho manual leva a executar, cujas horas são razões impossíveis de calcular.

Sabemos que o artesanato, alimenta muitas pessoas no seu percurso de vida, tanto para quem fabrica como para quem compra. Quem compra é quase inevitável que desde o mais pacato cidadão se desloca a certa região ou país, compra lembranças para os amigos, como ele próprio faz questão de trazer a sua recordação que muitas vezes a vão mostrando quase como um trofeu, para se afirmar, eu estive aqui!

A razão das vendas existe, em especial quando vamos a uma Terra específica, e queremos trazer um símbolo do local e ali nada existe ou se o há não sabemos onde o ir comprar. É aqui que o artesão pode ter sucesso ou não, é saber recolher do meio que o rodeia factos interessantes para o seu trabalho, ao mesmo tempo preencher o espaço vazio da procura. Quando estas duas questões se conjugam estamos certos que a lei da oferta e procura se completam, os preços se regulam e a economia cresce, e o bem-estar das pessoas é mais evidente.

O interessante é não ter medo da existência da necessidade da venda, as coisas assim tornam-se mais simples e não desgastantes, porque a necessidade da venda existe, logo ao aceitar, que para se poder ter continuidade, temos de repor os materiais e as ferramentas que se vão desgastando, e nada é viável se não encontramos os fundos necessários para que seja sustentável qualquer atividade mesmo que de artesão que seja.

Ninguém tem o caminho aberto, quando inicia uma marcha, é sempre necessário desbravar preconceitos e tornar os carreiros em caminhos e estes em estradas, para que possamos movimentar, neste mundo conturbado e cheio de dúvidas e incertezas no dia do amanhã. Só uma personalidade forte é capaz de se impor, mas deve ser sempre pegando na parte vista na necessidade dos outros e não a nossa. Neste aspeto o artesão tem sempre a sua dificuldade acrescida, porque tem sempre dúvidas de si, logo também das outras pessoas de vergar a outras ideias, porque o seu ideal não pode ser afastado do rumo que tomou.

As vendas passaram a ser um mal necessário, todos têm dificuldades em as realizar, mas afinal elas são a parte integrante do processo. A existência do artesão fazendo trabalhos e acumulando-os e fazendo o seu museu próprio sem que algum público o veja, acaba de ser egoísmo, dado não dar a possibilidade de partilha. Mesmo assim atrevo-me a dizer que o artesão, o criador de excelência acaba sempre por se impor, acabando quase sempre haver uma alma que o compreenda.

Nas vendas quase sempre se cai numa rotina, em que o vendedor quer acabar em mester, ensinado. Logo quando vamos à procura de saber mais, vamos encontrar uma grande gama de formadores à espera de formandos, ninguém presta ajuda, sem que o seu conhecimento não seja objeto de oferta, mas renumerada, dai que as vendas em qualquer fase do processo são o elemento catalisador para a existência duma atividade, seja um simples artesão ou um alo cargo de uma grande empresa.

Eis a razão do artesão ser o elemento que conheço com mais motivação, porque ele começa a sua marcha em troca do nada. A sua preocupação consiste em apresentar um modelo criado por si e muitas vezes esquece-se do custo, levando consigo todas as suas economias, mesmo sem saber quais os resultados que vai ter.

Muito se fala sobre este grupo de cidadãos anónimos, que no entender de muitos, estão a ser cada vez menos, claro que esta observação tem o seu ponto de vista lógico e decerto com grande grau de probabilidade de acontecer. Só não o é, mais rápido porque vai aparecendo sempre novos, que não estão a substituir outros na sua área, mas criam outros pontos de vista. Como a ausência de interessados nos artigos feitos à mão, estes vão satisfazendo as suas necessidades, por outros, mais em conta de ídolo industrial.

O que de imediato se reflete tudo nas vendas, todos sentem o desejo de reclamar, mas unir esforços para ultrapassar este fenómeno, do falar no deserto, todos aplaudem e louvam, mas no momento da verdade, aquilo que era sentimento e admiração não é um bem essencial, e o supérfluo fica em prateleira do artesão, esperando por aquele que gosta de ostentar na sua residência uma identidade, baseada nos valores da arte, da criatividade e sobretudo valoriza aquilo que não sendo seu, mas tem orgulho em divulgar o seu carinho, por quem ousou ser diferente.

A grande inovação nas vendas nos produtos produzidos pelos artesões, tem que passar por uma nova técnica de vendas, que me parece ser a mais proveitosa, mas muito arriscada. Sabemos que produz grandes efeitos em determinadas consultas de curandeiros, em que eles colocam o seu saber e deixam à merce a vontade do paciente, a importância que devem pagar pelo serviço que prestaram. É muito usual dizerem: – é o que poderem dar!

Não vejo grande mal ao mundo se em determinadas situações colocarmos a seguinte questão: – Como os trabalhos intelectuais são difíceis de determinar um preço, creio que o mesmo devia passar pela consciência de quem compra, deixando o preço de venda, não pelo valor do custo real, mas pelo valor que pode ser atribuído pela oferta do comprador, um pouco à imagem do preço de leilão, não teríamos uma maior oferta para aceitar, mas aceitar o que nos queiram dar pela peça em questão. Podemos correr risco do preço nem chegar para pagar o custo dos materiais, mas estou muito convicto, quem goste de arte, terá sempre uma importância mais justa à sua bolsa, e o artesão acaba por realizar o negócio, porque muitas vezes as pessoas fazem juízos de valor muito errados quanto o que se ganha nestas pequenas coisas. Também estou convicto, que muitas peças estão tão carregadas de valor sentimental, quando lhe atribuímos um custo, esse valor não está incluído, mas podemos a elevar a um preço que ninguém irá comprar.

A esta nova linha de pensamento que batizei de “inovação”, cujo conceito não é singular, mas será certamente uma forma necessária para desmistificar o valor real das coisas, para as quais não existe uma folha de obra, onde se escriture todas as despesas inerentes, para nos aproximarmos dum valor real. Mas tenhamos isso sim, uma possibilidade de vender e levar a quem goste de arte as coisas pelo preço equilibrado entre o destinatário final e o produtor.

Mesmo que encontremos o valor real, iria ser sempre um preço incompatível, pela razão de estarmos em presença dum artesão e não um escultor ou pintor conceituado em arte, até mesmo os locais onde cada um expõe são bem diferenciados. Enquanto o artesão tem a sua oficina, rustica, que por vezes batiza de Atliê, a sua exposição é mais visível nas feiras ou em mercados populares. O escultor tem a seu Atliê, mais bem organizado e meios mais sofisticados, e as suas exposições se enquadram em locais, de elite social que são as galerias de arte.

Assim o artesão é remetido para o seu próprio espaço, e aprendeu a viver com ele, essa é, e será a sua essência, e vai alimentando o seu vício, esquecendo-se de si, muito do que dá, na preservação de certas atividades ou fazendo perdurar no tempo, algo que por vezes recupera e não deixa morrer

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“Amor Proibido”

Disponível no Sitio do Livro, na Livraria Leya na Barata em Lx, ou em qualquer livraria por encomenda. O lançamento é já no dia 25 de Novembro pelas 17h na Leya na Barata.

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A VITALIDADE DE UMA NAÇÃO

Uma nação vive, próspera, é respeitada, não pelo seu corpo diplomático, não pelo seu aparato de secretarias, não pelas recepções oficiais, não pelos banquetes cerimoniosos de camarilhas: isto nada vale, nada constrói, nada sustenta; isto faz reduzir as comendas e assoalhar o pano das fardas – mais nada. Uma nação vale pelos seus sábios, pelas suas escolas, pelos seus génios, pela sua literatura, pelos seus exploradores científicos, pelos seus artistas. Hoje, a superioridade é de quem mais pensa; antigamente era de quem mais podia: ensaiavam-se então os músculos como já se ensaiam as ideias.

Eça de Queirós

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Já disponível no Sitio do Livro e na Livraria Leya na Barata, Av. Roma em Lx.

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PARA AS RAPARIGAS DE COIMBRA

 

 

 

 

PARA AS RAPARIGAS DE COIMBRA

Ó choupo magro e velhinho,

Corcundinha, todo aos nós:
És tal qual meu avozinho,
Falta-te apenas a voz.

Minha capa vos acoite
Que é p’ra vos agasalhar:
Se por fora é cor da noite,
Por dentro é cor do luar…

Ó sinos de Santa Clara,
Por quem dobrais, quem morreu?
Ah, foi-se a mais linda cara
Que houve debaixo do céu!

A sereia é muito arisca,
Pescador, que estás ao sol:

Não cai, tolinho, a essa isca…
Só pondo uma flor no anzol!

A lua é a hóstia branquinha,
Onde está Nosso Senhor:
É d’uma certa farinha
Que não apanha bolor!

Vou a encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu’é da tua agoa?
Qu’é dos prantos que eu chorei?

A cabra da velha Torre,
Meu amor, chama por mim:
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.

– E só porque o mundo zomba
Que poes luto? Importa lá!
Antes te vistas de pomba…
– Pombas pretas também há!

Therezinhas! Ursulinas!
Tardes de novena, adeus!
Os corações ás batinas
Que diriam? Sabe-o Deus…

Teu coração é uma igreja:
N’uma eça dorme, ali,
Manoel, bendito seja,
Que morreu d’amor por ti.

Manoel no Pio repoisa:
Todos os dias, lá vou
Ver se quer alguma coisa,
Perguntar como passou

Agora, são tudo amores
A roda de mim, no Cais,
E, mal se apanham doutores,
Partem e não voltam mais…

Aos olhos da minha fronte
Vinde os cântaros encher:
Não ha, assim, segunda fonte
Com duas bicas a correr!

Nossa Senhora faz meia
Com linha feita de luz:
O novelo é a lua-cheia,
As meias são p’ra Jesus.

Meu violão é um cortiço,
Tem por abelhas os sons
Que fabricam, valha-me isso,
Fadinhos de mel, tão bons…

Ó fogueiras, ó cantigas,
Saudades! Recordações!
Bailai, bailai, raparigas!
Batei, batei, corações!

António Nobre

 

 

 

 

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PARABÉNS, TEIXEIRA DE PASCOAES !

Teixeira de Pascoaes nasceu em Amarante, no dia 8 de Novembro de 1877 e viveu até 14 de Dezembro de 1952.

Poeta, escritor e ensaísta, foi um defensor do Saudosismo como estética literária.

Nesta homenagem no dia do seu aniversário, o poema:

                     Delírio

Não posso crer na morte do Menino!
E julgo ouvi-lo e vê-lo, a cada passo…
É ele? Não. Sou eu que desatino;
É a minha dor sofrida, o meu cansaço.

Delírio que me prendes num abraço,
Emendarás a obra do Destino?
Vê-lo-ei sorrir, de novo, no regaço
Da mãe? Verei seu rosto pequenino?

Mistério! Sombra imensa! Alto segredo!
Jamais! Jamais! Quem sabe? Tenho medo!
Que vejo em mim? A treva? A luz futura?

Ah, que a dor infinita de o perder
Seja a alegria de o tornar a ver,
Meu Deus, embora noutra criatura!

 

 

 

 

 

 

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