Um impulso enorme

Quando me lembro da professora Marielba dizer que esta crise poderia revolucionar a informática, só me dá vontade de ser um informático cada vez melhor.

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Crónicas da Brilha: O ópio do povo

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 Quando chego a casa, ao fim de cada dia, meto a chave à porta e o que me espera é uma grande solidão.
 
A casa é grande demais para uma pessoa só, digo mais para mim do que para ti. Tu acenas, dizes boa noite e continuas com os olhos cravados no monitor. Dantes ao menos perguntavas como tinha sido o meu dia.
 
Do outro lado da linha, ela sorri. Esbofeteia o teclado com segredos de amor, de interesse, mas sobretudo de um enorme ímpeto de destruição.
Como chegámos a isto, tu e eu?
 
Alheado, continuas sem me ver. Só tens olhos e mãos para ela, que te espera todas as noites pontualmente às 20h00, por detrás do véu. A aparência de inocência do teu gesto não me apazigua. Eu sei que ela está do outro lado, pressinto-o nas minhas vísceras. Não consigo comer. Mais uma noite sem jantar.
 
Dantes não tínhamos espaço na mesa, lembras-te? Os filhos pequenos a acotovelarem-se e a bradar pela sobremesa. Mas éramos felizes, não éramos? Fomos felizes, não fomos?
 
Quando pouso a minha mala sinto-te um estranho, sinto-me invisível. No outro dia estavas a cochichar com ela ao telemóvel e nem sequer tentaste esconder. Ouvi os sussurros durante mais de uma hora e fui para o quarto.
Às vezes o pior cego é o que não quer ver, podiam dizer-me, eu replicaria que estou a tentar salvar a minha família e a única arma que encontrei é o silêncio.
 
Já lá vai quase um ano que não trocamos uma frase, as tuas palavras são todas para ela. Já lá vai um ano que estou rodeada de mentiras e não percebo como pensas que não vejo.
 
Por curiosidade mórbida fui ver as fotografias e uma vez mais a solidão se agitou dentro de mim, dessa tua vida secreta em que não me deixas entrar. Desse outro que és e eu já não conheço.
 
Sinto a falta dos abraços, dos beijos, das corridas na areia da praia, no fundo de sentir que sou importante, para ti, que valeu a pena. Hoje já não sei nada, paraliso perante a tua alienação em frente de um computador que te importa mais do que o laço que nos une.
 
Não faço nada, não posso fazer nada, agarro-me apenas a esta memória, mais para mim do que para ti. Fomos felizes, não fomos, filho?
 
Ana Brilha
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PROMOÇÕES DE REGRESSO ÀS AULAS

 

A primeira boa notícia que gostaria de partilhar convosco é que o e-livro (ebook) infanto-juvenil HÁ FESTA NO CÉU está até ao dia 22 de Outubro ao preço excepcional de EUR 2,60 (BRL 5,16 ; USD 2,99 ; GBP 3,31) em todos os sítios Amazon, o que representa um desconto de cerca de 40% em relação ao preço habitual. Aproveite esta oportunidade! 

Outros livros que beneficiam também de uma promoção semelhante :  Barry’s Adventure (inglês),  Le Ciel est en Fête (francês) e Piloto und Lassie, Romeo und Julia einmal tierisch anders (alemão). 

As férias acabaram e os jovens retomaram o caminho das aulas. A aprendizagem requer esforço, pois com preguiça não se chega a lado nenhum. Por isso, a estória do mês chama-se Os Dez Anõezinhos da Tia Verde-Água. Estou certo de que os seus filhos, netos ou outras crianças vão gostar. 

Para saber mais sobre as actividades propostas pelo cão Barry agora no regresso às aulas, visite o seu sítio www.barry4kids.net/BARRY/PT/home_pt.html. Desejo a todos os jovens de todas as idades muito boas leituras.

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As minhas obras na Feira Setecentista

As minhas obras na Feira Setecentista

“A Paixão que Veio do Frio” e o “Amor Proibido” na Feira Setecentista, em Queluz. Duas obras, que falam como poucas de amores, de paixões, de encontros, desencontros, numa época mágica e glamorosa.

Estas obras, estão disponíveis na livrarias: Leya na Barata em Lisboa, Ao Pé das Letras, na Ericeira e Campera Outlet, no Sítio do Livro e em qualquer livraria por encomenda. Para encomendas directas ao autor, poderão contactar através do email (jmbguerra@gmail.com)

Um especial agradecimento à Inês e à Margarida, pela gentileza em pousarem para a foto.

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Crónicas da Brilha: Esboço de carta ao passado

 
Às vezes sinto que me afastei do mar. Costumava senti-lo cantar em todas as palavras que tingiam de azul o branco de uma simples folha de papel. Agora parece que vivo entre estações em contagem decrescente do tempo que se me escoa entre os dedos e da angústia da espera, do nunca chegar lá.
 
Como se mudam certas peças que definem um ser? É um labor contínuo de desgaste que, com o esgotar dos dias e dos meses se converte numa amputação silenciosa e sem dor. A pressa em que vivemos vai-nos mutilando insensivelmente, retirando parcelas de nós que deixaram de ser necessárias. No geral, esta amputação escolhe a parte de nós em que vive a poesia e a inocência.
 
É curioso quando contactamos com alguém, que apesar de contar mais anos do que nós, consegue manter esse cheiro a terra jovem, o que detetamos com um sorriso paternalista e mal disfarçado nas alusões a lutas idealistas de quem na verdade nada faz para mudar o estado de coisas.
 
Como podem estas pessoas sobreviver numa sociedade cada vez mais competitiva e aguerrida é coisa que não compreendo. Mantiveram-se inamputáveis, de um modo que não chega a ser subversivo mas antes conformado. São estas pessoas a quem ainda não foi extirpada a poesia que são incapazes de dançar em plena rua ou de soltar uma gargalhada espontânea.
 
Por estranho que pareça, são os outros, como eu, que se permitem essas loucuras que subvertem o sistema, a verdadeira forma de rebelião perante a vida.
 
Será a perda de poesia um pré-requisito de inserção? Ou estaremos a caminhar para uma outra etapa em que antes se transcende e não amputa essa parcela de nós? Em que passamos a sentir de outra maneira mas continuamos a ser apenas crianças com uma compreensão mais lata daquilo que nos rodeia?
 
Foi preciso ter-me cruzado com a Maria no metro para perceber a distância que hoje nos separa e a que me separa a mim da pessoa que fui quando andava na faculdade, e a verdade é que não quis falar ao meu passado.
 
Como adulto polido que sou, embora nada tenha que me envergonhe, atirei para debaixo do tapete a verdade inconveniente de que não sou já a mesma. Hoje sou quem sou.
 
Ao passado? Talvez seja melhor deixá-lo onde está, podemos não querer abrir-lhe os segredos de quem somos agora.
 
Ana Brilha
 
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Memórias

Memórias

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“Amor Proibido”

O “Amor Proibido” poderá ser a sua companhia nas férias. Leve para casa este romance histórico invulgar. Se passar pela Feira do Livro da Ericeira ou da Costa de Caparica, até final de Agosto, terá ao seu dispor esta obra a preço de feira. Poderá ainda encontrar este livro na Livraria Leya na Barata na Av. Roma em Lx, ou através do Sítio do Livro ou por encomenda em qualquer livraria nacional.

Poderá também adquirir o livro através do autor em jmbguerra@gmail.com

Leia e ofereça livros!!

Boas leituras e boas férias!!

José Guerra

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Sessão de Autógrafos

Sessão de Autógrafos

Na próxima sexta-feira, dia 02 de Agosto, pelas 21h00, estarei na Feira do Livro da Costa de Caparica para autografar os meus dois romances: “A Paixão que Veio do Frio” e “Amor Proibido”, presentes neste espaço.

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Anoiteço-me…

Anoiteço-me...

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Crónicas da Brilha – Venturas e desventuras de uma noite de S. Pedro

 
 
 
Há quem diga que não acredita em coincidências. Bem, não sei se me inclua ou não nesse grupo, mas é certo que atraio as mais caricatas situações, sejam elas ou não coincidência.
 
Apanhei o barco, precisamente àquela hora, por um sem número de atrasos que me deixavam na antecipação de já não ter transportes para regressar a casa em dia de extrema agitação em Lisboa por causa de um cantor pimba qualquer que aí tinha ido dar um ar da sua graça.
 
Sentei-me, recostada nos pensamentos do livro que me esquecera de trazer, quando reparei numa rapariga muito bonita, sentada junto à janela. A rapariga bonita estava a chorar.
 
Primeiro fiquei desconfortável e pensei que talvez devesse fazer alguma coisa. Olhei em volta, em busca de socorro, mas não só ninguém dizia nada, como pareciam tão adormecidos que nem sequer reparavam no que se passava. Era noite de S. Pedro e o ambiente de festa sentia-se em cada bairro de Almada, mas não naquele rosto, não naquele instante.
 
Tocou-me aquela nota dissonante, não tanto do ambiente festivo em torno mas sobretudo pelo desespero da respiração entrecortada de lágrimas em catadupa daquele rosto quase mármore.
 
A rapariga aproximou-se da janela do barco, estendendo a fronte para o ar tépido da noite que não lhe acalmava os soluços. Mexi-me mais uma vez na cadeira, ajeitei a alça da mala e tornei a mudar para a posição inicial.
 
Olhei para ela e pensei com os meus botões que ia arriscar-me a uma valente chapada. Olhei em volta mais uma vez e depois outra mas tudo estava como se nada se passasse.
 
Suspirei, antecipando uma cena, e aproximei-me dela. Peguei-lhe na mão, que afinal se deu sem resistência, enquanto a outra mão tapava o rosto húmido de vergonha. Não fez qualquer gesto para me afastar.
 
– Está bem? – Perguntei – Quer falar? Olha que às vezes é mais fácil falar com um estranho.
A rapariga abanava a cabeça e os longos canudos loiros.
– Não há solução! – Repetia ela – Não há solução!
 
Bem, que se dizer a isto quando não se sabe qual o problema? Limitei-me a dizer que a melhor forma de olhar para as coisas não é atermo-nos aos problemas mas tentar encontrar soluções, e que fosse o que fosse nada seria mais forte do que nós próprios.
 
Presa no choro e na respiração interrompida a rapariga começou a falar em catadupa, com soluços de permeio, quase sem fôlego, durante os 10 minutos que durou a travessia. Dei-lhe o meu número, dei-lhe alguns caminhos e sobretudo a força de que nada a poderia demover.
 
Por fim disse apenas: – Quero voltar a ver o meu filho.
 
Saiu do barco com o rosto amenizado. Já não soluçava, já não olhava para o rio como se fosse uma saída e pensava no que faria seguir centrada no próximo passo.
 
Quando nos separámos pedi a um polícia que a acompanhasse aos transportes, crente de que tinha feito não o meu melhor mas o que podia. E mais, sem ter levado a dita chapada.
 
Quando me virei para trás uma última vez ela tinha feito o mesmo, atirando os longos canudos sobre o ombro, disse:
– Obrigada. Amanhã vou fazer isso.
 
E eu deixei-a ir, já certa do caminho que haveria de tomar, embora consciente das pedras que encontraria para lá chegar.
 
Voltando aos meus pensamentos perguntei a mim própria porque é que uma rapariga tão bonita haveria de chorar na noite de S. Pedro. E porque é que ninguém haveria de fazer nada?

 

Ana Brilha
 
 
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