Crescendo Constroem-se os Sonhos(I)

Titulo – CRESCENDO CONSTROEM-SE OS SONHOS

EDITORIAL PANORAMA, LDA.

Apartado 5070       4018 Porto CODEX

Autor Macedo Teixeira Capa – Zélia Mota

Responsabilidade Editorial   Maria do Céu Ribeiro

Pré-impressão, impressão e acabamentos: Tipografia Nunes, Lda.

Rua D. João IV. 590 4000-299 Porto

500 ex. – Março de 2002

Dep6sito Legal N.° 178235/02

Em Jeito de Prefácio…

Jean Lacroix, insigne pensador francês, nosso contemporâneo, representante do Personalismo, corrente filosófica iniciada, em meados do século passado, em França, por Mounier[1], dizia que a filosofia era, para ele, a “tradução intelectual de uma experiência espiritual” e que essa experiência profunda se poderia traduzir sob múltiplas formas: poderia assumir uma vertente religiosa, metafísica, moral, estética ou até mesmo política, para além de outras… E acrescenta, noutro passo do mesmo excerto: “Façam os homens o que fizerem, eles pensam para agir e enquanto agem. O Filósofo é um homem como os outros, que pensa primeiro participando nos trabalhos e na dor dos homens.” Filosofar será, então, reflectir sobre este pensamento “imediato” e “espontâneo” (Lacroix refere-se ao pensamento que decorre da Vida e das acções concretas que os homens realizam no âmbito do quotidiano em que decorre a sua Existência) a fim de descobrir ou de dar um sentido…

 

Se vem a propósito evocar o nome de Jean Lacroix é porque as lucubrações desenvolvidas no último livro de Macedo Teixeira[2] seguem de muito perto as directrizes traçadas, a risco fino, por este filósofo francês, para quem a filosofia só tem validade, se for entendida como uma “reflexão sobre a totalidade da experiência vivida”, se ao saber que dela resultar (utilizo o termo saber, não no sentido de “savoir”, mas no sentido de “sagesse”)[3] lhe for conferida uma dimensão essencialmente práxica que a faça voltar para o “mundo da vida” (a “Lebenswelt” de que falava o célebre filósofo alemão Edmund Husserl), para os problemas práticos que decorrem da existência humana.

Em jeito de anamnese, o autor leva a efeito uma incursão reflexiva sobre alguns dos momentos mais significativos do seu percurso existencial. Afinal, a História não é só a dos grandes eventos, dos magnos cometimentos sociais e políticos, a História é também feita pelas histórias dos indivíduos concretos, cujas vidas encerram misérias e grandezas, tristezas e alegrias, fracassos e sucessos, momentos de dor e de sofrimento mas também de júbilo e de regozijo, de festa e de satisfação plena: “Todo o indivíduo — diz, uma vez mais, Jean Lacroix — é uma história.” Uma história — acrescente-se — que encerra todas as contradições da existência humana[4]. E é essa história (ou melhor, pedaços, fragmentos dessa história que, no seu conjunto, entretecem a trama existencial da vida do autor) que Macedo Teixeira nos procura relatar, para daí extrair algumas congeminações que irão constituir a base configuradora da sua percepção do Mundo e da Vida. Dando largas aos seus devaneios, realizando contínuos excursos sobre alguns dos aspectos que mais timbraram a sua infância e adolescência, o autor parte daí para enaltecer o valor de uma vida prenhe, plenamente vivida, onde o trabalho, o sacrifício, o sofrimento, a dor, numa palavra, os aspectos duros e decantados da vida ombreiam com os aspectos lúdicos, jocosos, poéticos, oníricos, porventura, os mais exuberantes da existência. Afinal, o que nos surge neste livro é um retrato do “homem total”, do “homem contrastivo” de que nos fala a “hermenêutica filosófica” de H. G. Gadamer[5], à luz da qual, o ser, o “ser-aí”, o “ser-no-mundo” (o “In-der-Welt-sein” de que fala Heidegger) só ganha sentido a partir de um reflectido exercício de autocompreensão. É no âmbito de um inusitado esforço para se compreender a si próprio que o autor procede a uma extrapolação para a compreensão daquilo que, no seu entender, constitui a estrutura nuclear da condição humana, que a relação dialógica “Eu-Tu”[6] (autor ↔ leitor, entenda-se) expressa de forma clarividente. Na tessitura em que o texto é urdido, constata-se, por parte do autor, um inexcedível desejo de aproximação e abertura à alteridade, uma espécie de “entrega”, uma vontade de partilhar um espólio que decorre do seu roteiro existencial (materializado sob a forma de vivências, valores e visões do mundo) com alguém que estivesse efectivamente disposto a lê-lo e a escutar os seus ensinamentos. É este o desafio que eu faço ao leitor desta pequena nótula, feita em jeito de prefácio… Que leia o livro que ora se apresenta e que, por um momento, seja capaz de entrar no mundo do autor e de partilhar da sua experiência vivencial…

Páscoa de 2002 Joaquim Faria dos Santos

As palavras que eu digo

Fui juntando, como se fosse para fazer uma estrela de papel (fio, goma, canas de bambu e papel de seda), e esperei, guardando estes valores com muito segredo e ansiedade, guardando do mesmo modo como quando esperava em criança por quem me havia de fazer a estrela de papel que lançaria nos ares para a olhar através de um sonho. E hoje, com um desejo semelhante aos desejos de criança, mostro, nestas páginas que escrevi, acontecimentos que fizeram parte de mim, pois julgo que já chegaram todos os que existem, para fazermos com os elementos que guardei um pouco de uma outra estrela, que não sendo igual às de papel nem se podendo agarrar do mesmo modo fará parte de um sonho que é de todos nós, e que cada um, como pessoa, o pode ver, conforme a parte que dela escolher e à medida que for lendo este livro. Seja ele, então, inspirador de uma qualquer oportunidade e eu veja, como vós, a parte que há muito procuro e que dessa estrela dos meus sonhos haja sempre algo de comum à vossa, e possa eu sempre sonhar com uma idealidade que não acabe, mas que seja sempre referência da história, do nosso caminho e imaginação, do Tempo que não tivemos.

O autor

No momento em que nascemos e no género que nos define marcam-se os principais sinais que hão-de mostrar-se em expressão e revelar-se na própria vida. Fica registado no acto e na integração social um acontecimento que não volta a ter semelhança nem será mais reversível. O lugar do berço e do sonho começam a revelar-se e o ano em que nascemos a tornar-se pouco a pouco no tempo do que nos contam, quando perguntamos por ele ou quando o saudamos em aniversário e festejamos o nascimento. É um acontecimento esperado com fascínio e ansiedade e só o desejo e a alegria vão superando todas as canseiras até ao momento de nascer. Creio que não há outro acontecimento mais preocupante como o que envolve todo o mistério de um nascimento, especialmente, o nascimento de qualquer ser humano.

Não conheço, mesmo em questões de grande experiência, pessoas que não se quedem perante esta realidade, pois não se sabe o que virá, mesmo quando em formações completamente sãs. Aliás, é numa linguagem de silêncio e num élan de ternura que os futuros pais vão manifestando esse ambiente apreensivo e fazem adivinhar um acontecimento numa natalidade feliz, mesmo sem a evidência dessa certeza.

É neste ambiente que se forma a vontade natural do desejo de toda a perfeição, pois o mistério da vida é oculto, mas nós acreditamos que nos faz a vontade aos nossos mais secretos desejos. É assim que julgamos que este facto acontece e fazemos deste sentimento uma espécie de força para caminhar com os sonhos que nascem, com os filhos que vemos nascer e damos depois ao mundo. Não se espera, nem se deseja, praticamente nada — só aquilo que é natural e perfeito — a vida na sua máxima força e na sua mais bela perfeição. Uma espécie de prémio para uma caminhada que desperta muito cedo nos olhares de cada criança, mesmo que ainda não saiba como viver na emoção dos sentimentos de cada jogo e das suas brincadeiras. É uma forma e um movimento que se abrem para as traquinices que vão causar prazer pela energia da vida a uma qualquer criança. Aliás, é ao brincar que esta começa a descobrir que quanto mais se confunde com as suas brincadeiras e contradições, mais se sente notada e sente que o regaço da mãe é o melhor sítio para estar segura. A criança, à medida que vai crescendo, vai descobrindo que o colo é a melhor almofada para se sentar e estar aconchegada. E vai descobrindo, também, que entre o que há para fazer, conforme o desejo materno, e o gosto de brincar para contrariar a ordem dada, nascerão entre ambas sentimentos de ternura que ninguém conhecerá melhor do que elas neste modo tão perfeito de viver. A mãe não é outra senão aquela que nos deu à luz e nos guarda, aquela com quem brincamos e nos sentimos seguros. Um filho é tudo o que de mais importante existe e tudo o que de mais belo e perfeito acontece. A separação é para sossegar e dormir e, mesmo aí, dizemos: “Não te distancies, mãe, nem fujas de mim, que eu vou dormir, mas amanhã cá estarei! — Guarda-me, e não te esqueças de me beijar, porque assim não terei medo e a noite passará depressa.” O pai é o sonho que aguardamos com alegria e segredo, desejamos que ele chegue a casa, que chame por nós e nos desperte para si mesmo. Corremos para o seu carinho e na pressa do encontro grassa em nós um certo receio de alguma coisa não termos feito como devíamos. Nesta descoberta de relações, uma certa intimidade vai marcando as nossas vidas e uma “pontinha” de diferença nos separa e nos faz viver entre dois e não um, como em crianças às vezes desejamos. A mãe ralha e beija, vai abrindo as portas de um destino com trajectos e movimentos, que são a consistência de uma vida que ganhará mais a forma da mãe e mais o espírito do pai. Qualquer que seja o sexo, o ser humano mantém traços que evidenciam mais a forma do sentido materno e o espírito do sentido paterno. É a forma que tendemos a ir buscar para a fixação em lugar seguro e protegido da nossa vida. Uma forma em que o valor da vida não é apenas qualificado pelo projecto ideal e único, pois tem uma base física que é assegurado pela forma mater. É essa forma que ganha sentido fisiológico e mental e que procura a ordem das leis da sobrevivência. A mãe não sobrevive sem se fixar e ganhar raízes; a sua segurança e a dos seus tem que se basear nesta dimensão. Não é que não possa ser aventureira por um ideal, mas o nascimento de qualquer razão tem de ter uma base de apoio. É esta forma que é o sustentáculo do espírito paterno e que ganha uma força própria para buscar o sentido da elevação. O espírito do pai é mais aventureiro e distante, torna-se em cada um de nós na vontade de viver, mas é a forma materna que o enraíza na segurança de um qualquer sonho.

É nesta síntese que se realiza parte do mistério da nossa vida, nas relações vividas e experimentadas no jogo do amor, no jogo que fará nascer formas mais definidas e concretas na relação materna, mas mais íntimas e profundas na relação paterna. Somos mais semelhantes do que diferentes e no ser da semelhança é mais fácil e definível o jogo das relações com a mãe. O pai não é diferente, é igual a mãe, as crianças não distinguem um do outro e, a intimidade de ambos, faz nascer nos filhos o mesmo pulsar de sentimentos. O que acontece e faz parecer diferente é que a mãe, enquanto somos crianças é “nossa”, enquanto o pai é “nosso”, mas só o temos quando lhe falamos ou quando o ouvimos. É ele que nos conta o que queremos saber, e é ele que nos faz sonhar na eleição do que mais nos fascina e nos faz inclinar para o culto daquele que para nós é a pessoa mais extraordinária; não existe ninguém que seja maior herói que o nosso pai. A nossa mãe é a ternura do que queremos ter, o sinal do que queremos ver e sentir, o sinal da interdição, mas só quando ela é mais “forte do que nós”, o que é raro e só quando não há alternativa. No jogo da mãe estão implícitas as regras, só variam os movimentos e se alteram os sentimentos; as respostas estão nas motivações e os resultados previamente preparados. Cada criança descobre no jogo de cada gesto e no mando de cada palavra que os pais a querem e desejam, descobre que os pais prendem o coração à intocabilidade daquele que é o seu maior enlevo e a sua maior satisfação. Cada criança sente que agrada pelo que faz e pelo que diz, pelo que é verdade, de facto, ou pelo que é pura imaginação na tentativa de ocupar e prender a atenção dos outros. Com estas diversões de espírito, cada ser pequenino chama eternamente pela sua própria vida, que não acaba em si nem termina nos seus pais. Uma vida que não mora longe e que está acima dos seus olhos; uma vida que é a sua e que está para além de si mesmo a “morar” algures no espaço da sua imaginação.

Quem não tem, a este propósito, leves recordações da sua meninice? Quem não tem recordações do momento em que brincou com os seus pais, até pelo “jogo” de querer fazer o que lhe estava vedado ou o que sabia de antemão, que o mais certo era apanhar algum castigo por ter desobedecido?

Era o desejo de se mostrar capaz, mas também a vontade de fazer o que queria sem que alguém soubesse. Diz-se que a criança vive por força do princípio do prazer, não sabe ainda o que é a responsabilidade nem quando tem necessidade de ser responsabilizada. Diz-se que a criança vive a brincar com o tempo e com o jogo, vive como criança na ingenuidade amorosa dos adultos que a amam e a desculpam com exagero. A criança faz tudo o que lhe causa prazer e evita o que lhe causa dor, aliás, é num misto de prazer e de felicidade que ela vive, vivendo do que não sabe e vivendo do que mais gosta. Esta expressão singela e delicada vai-se tornando numa expressão cada vez mais definida e orientada para trajectórias mais definitivas e mais custosas de percorrer. Quando a escola começa, somos como pequenos pássaros a ganhar sentido de orientação e força para voar, começam a percorrer-se distâncias e a deixar-se ambientes que a sua recordação nos entristece. A neve pela manhã começa a fazer doer as mãos e as personagens dos nossos jogos já não são como eram dantes; os pais, com quem brincávamos e aborrecíamos, já não são os únicos na nossa vida. Só os intervalos de tempo, em que não há deveres para fazer ou recados para executar, nos permitirão de novo viver e jogar com os sentimentos do tempo e da alegria de sermos somente nós a brincar como queremos. Entretanto, até estes raros momentos de liberdade estão já carregados de perturbação; os deveres que não sabemos ou que não queremos fazer para aprender na escola, o beijo que não nos deram; o ralho e o medo com que nos inspiraram na revolta do coração ou nos carinhos que já não estão nas lágrimas que choramos. Tudo isto torna-se nas sementes de outros “espinhos”, que havemos de sentir quando tivermos a idade e o poder para abrir outras janelas e percorrer outros caminhos.

Páginas 1 a 17.

Macedo Teixeira

[1] Emmanuel Mounier (1905 -1950) é um dos teóricos proeminentes da doutrina social-cristã. Apologista de um cristianismo socialmente operante e politicamente interveniente, Mounier nunca deixou de criticar a Igreja por esta se revelar, frequentemente, incapaz de contribuir para a renovação do mundo em que vivemos e sobretudo por se identificar com as estruturas e instituições sociais e politicas mais reaccionárias, adversas do progresso e da libertação do homem.

[2] Embora este livro não seja uma obra de acentuado pendor filosófico, será bom não esquecer que o seu autor é um homem de aturada formação filosófica, uma formação que — vale a pena dizê-lo — não é apenas académica… Aqui e ali, ao sabor das circunstâncias, pressente-se que a intenção que preside à sua escrita é essencialmente uma intenção moralizadora. Implícita ou explicitamente, o campo da filosofia moral está sempre presente na sua reflexão, constituindo, por isso, o horizonte de referência do seu pensamento. Neste sentido, pode mesmo dizer-se que constitui o verdadeiro leitmotiv que, no plano meramente conceptual, anima, de fio a pavio, a estrutura retórico-discursiva do texto.

 

[3] Perdoe-se-me o uso deste galicismo, mas — como bem notou Joel Serrão num dos textos didácticos mais significativos sobre a natureza da “reflexão filosófica” — é ele que traduz, com maior rigor e propriedade, o sentido etimológico deste saber.

[4] Vem a talho de foice, lembrar, aqui, aquilo que um dos mestres do espiritualismo existencialista disse, urn dia: “O conhecimento filosófico — diz o filósofo russo Nicolai Berdiaeff (1874-1948) — depende da amplitude da experiência vivida, supõe a experiência essencialmente trágica de todas as contradições da existência humana.” E acrescenta: “Na origem da filosofia está a experiência da existência humana na plenitude.” É à luz desta definição que o livro de Macedo Teixeira também pode ser entendido corno uma obra de filosofia. Ou, para sermos mais claros nas nossas insinuações, diremos simplesmente que se trata de uma obra envolta num mundo revivescente de recordações, entremeada com alguns arremedos de filosofia… de filosofia moral… Um texto onde as fronteiras que separam os domínios do literário e do filosófico se esbatem e não são facilmente contornáveis.

[5] H. G. Gadamer (1900- ), filósofo alemão, fundador da “hermenêutica filosófica”, corrente filosófica do nosso tempo, muito em voga, que se situa na esteira da “filosofia existencial” desenvolvida por Heidegger (1889-1976), de quem, aliás, foi discípulo, porventura o mais ilustre. Para muitos, Gadamer é mesmo o maior pensador da segunda metade do século XX.

[6] Esta relação de “abertura” e “diálogo” de um Eu a um Tu que o transcende deu origem a um importante movimento especulativo, que perdurou ao longo do século XX — e que a história da filosofia registou sob a designação de “filosofia da alteridade” —, congregando no seu seio nomes de pensadores ilustres, tais como Martin Buber, Theodor Rosenzveig e Emmanuel Levinas. Em certa medida, o pensamento hermenêutico de H. G. Gadamer apresenta-se como herdeiro legítimo desta tradição especulativa.

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Sobre macedoteixeira

Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É professor do ensino secundário (aposentado), tendo leccionado em várias escolas ao nível do ensino secundário público e cooperativo. É autor das seguintes obras literárias e filosóficas: Sementes da Verdade, Entre o Sol e as Ocupações, Crescendo Constroem-se os Sonhos, Quando as Estrelas Acordam e Caminho de Luz e Sombra. É também autor da obra dramática: Uma Dança na Escuridão. Colabora com jornais, fóruns e revistas, e é autor do blogue: www.partilharsaberes.webnode.pt
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