50 tons de modismo. Ainda bem

cinquenta tons de sexo

Lembro-me de ter perdido o fôlego, o rumo e a direção ao ler a obra prima de J.D. Salinger no ano de 2007. Lembro-me, também, claramente que eu passei das primeiras dez páginas absolutamente cético, sem qualquer pretensão e depois disso seguir caminhando em uma praia e, enquanto não cheguei ao final, não parei de andar, o que me causou bolha nos pés e uma queimadura nas costas. Mas, posso confessar que foi uma experiência fantástica. Tem obras que fazem isso com a gente.

O livro a que faço referência é o Apanhador no Campo de Centeio (não sei dizer ao certo o nome em Portugal) e cuja obra tornou seu autor um cidadão rico e ao mesmo tempo solitário, tal é que morreu de causas naturais e sozinho, aos 91 anos na bucólica New Hampshire, nos EUA em julho de 2010.

Mas, o que chama a atenção no livro é a narrativa inconsequente de Holden, um jovem absolutamente rebelde e que não admitia nada do que acontecia em sua vida, sendo um cidadão às margens da sociedade sem que fosse criminoso. O final é surpreendente e desafia o psicólogo que existe em cada um de nós.

Pode ser que você não se estimule com este resumo que fiz do livro, até porque, é comum o relato de personagens rebeldes nos diversos livros e, pode ter certeza, existem mais de 50 milhoes deste tipo, embora – é bom que se diga – que tem mais gente que faz sexo, do que livro de maluco inconsequente neste mundo.

Mas, uma coisa chama bem atenção é que este livro se tornou campeão de vendagem quando em 1980, um episódio estrelar catapultou o então pouco conhecido Salinger. Aconteque que naquele ano,  John Lennon foi morto por um “fã”, Mark Chapman, que trazia numa mão um revolver e na outra o livro mencionado.

De lá pra cá, todos queriam saber o que o livro tinha de tão instigante, ao mesmo tempo em que muitas pessoas ficaram frustradas ao lerem. Imagina só, foi uma época em que ler Salinger era ser Cult, isto é, estar em alta, na crista da onda; tinha gente que carregava ele pra cima e pra baixo como se fosse uma bíblia. A história se repete sempre.

A história se repete agora com o hit 50 Tons de Cinza, que retrata a história de uma submissão feminina à Grey, personagem manipulador. A narrativa atormenta o imaginário de homens, alimentando um ciume virtual ao mesmo tempo em que instiga  a curiosidade de mulheres.

Excluindo o conteúdo do livro, que já foi fruto de diversas críticas literárias aqui no Brasil (deve estar empatado os que gostam e os que odeiam, afinal, crítico é pra isso!), o livro – ou melhor a onda – cumpre com um importante papel de trazer mais e mais leitoras e leitores para este mundo: o da leitura.

Como já disse lá atrás, pode ser que a gente não encontre louco em todo lugar mas, certamente, sexo todo mundo (ou quase todo mundo) faz.

Neste ponto eu tiro o meu chapéu para o modismo, pois ajuda a trazer mais leitores para este mundo, seja usando como artifício a narrativa, a pureza ou até mesmo o sexo.

E viva o modismo!

(Jacques Miranda é escritor brasileiro. Um dos seus livros foi recém lançado no http://www.sitiodolivro.pt: Ela Só Queira Ver o Mar. Para saber mais sobre o autor, acesse: http://www.jacquesmiranda.com.br)

 

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Sobre jacques miranda

Jacques Miranda é professor universitário, palestrante, empresário e escritor.
Esta entrada foi publicada em Novidades, lançamentos. ligação permanente.

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