A Menina dos Olhos Tristes (CONTINUAÇÃO)

 

 

(…)

Para terra sobe-se por um portaló inclinado, fixando os pés em réguas de madeira dispostas na horizontal, que se substituem aos degraus. As pessoas firmam-se nas guardas metálicas que, de ambos os lados, lhes servem de apoio. É gente simples. Eles vestem-se de cotins e gangas, camisolões de gola alta feitos de uma lã grossa, uns trazem bonés ou chapéus de feltro para conter a friagem da madrugada, e casacos desbotados pelos anos de uso, elas de saias estampadas ou lisas, casacos velhos, xailes e lenços. Os rostos são de peles rugosas, de barbas mal escanhoadas, feridas por lâminas velhas; é como se mesmo os jovens fossem velhos e resignados, e as mulheres desconhecessem que algures, em um dia perdido nos anos, tiveram juventude.

Quando pisam terra as pessoas não saem do gradeamento que limita o espaço de acesso ao embarcadouro. Estão perplexas. Dispersam-se, formam pequenos grupos junto do pré-fabricado onde fica o pequeno bar que serve pequenos-almoços, a hora tão nova ainda encerrado; os portugueses têm um velho ditado que diz: “quando a esmola é grande o pobre desconfia,” e é o caso. Os anos da Ditadura foram tantos e tão longos que, se cada uma daquelas pessoas dispusesse, por mão de uma estranha magia, de liberdade para delinear para si um destino, não saberia como fazer; mais se parecem com escravos libertos que não se afastam muito do seu antigo senhor, para que este continue a prover às suas necessidades.

– Então, gente? Saem ou voltam para trás? É que vamos suspender as carreiras, o último barco para a Outra Banda sai dentro de dez minutos!

A voz grossa do responsável pelo cais de embarque fez-se ouvir ao cimo do portaló. Todos percebem que é hora de tomar uma decisão. Haverá transportes? – Perguntam uns tantos. Penso que não! – Diz alguém mais atrás. Perguntem ao homem do cais. Mestre, haverá eléctricos? Isso não sei, – responde o responsável pelo cais. Só me deram ordens, mesmo agora, para suspender as carreiras. Do resto não sei nada. Estou como vocês, não faço ideia de como vou para casa! Eu volto para trás, mais vale jogar pelo seguro! – Dizem outros. – Eu não sei, talvez fique para ver a revolução? Ver o quê? Isto? Alguém inquiriu alto, lá do fundo.

Não fora uns quantos carros do exército parados frente ao Ministério do Interior e pelas suas proximidades, grupos de militares armados a tomarem posição junto às arcadas, e Lisboa, vista dali, daquele pedaço de chão que a liga ao rio, não seria mais do que uma cidade aquietada no sono dos seus habitantes. Nem um civil, um mirone desses que se pespegam a ver a tropa que passa, ou dos que passam o tempo a ver as obras por entre os tapumes, nem um cão que se distraiu no seu passeio matinal e se atrasou no regresso a casa, ou seguiu o dono rua abaixo a caminho do trabalho. Nada, nem vivalma. Lisboa dorme, ou finge dormir, com o coração em sobressalto por pressentir que o seu amanhã depende dos grupos de militares que deambulam pelos pontos estratégicos da cidade.

Os passageiros na sua maioria regressam ao barco. Descem o portaló inclinado por mor de uma maré que não se vê a subir. Apenas quatro ou cinco homens hesitam.

– Então e nós, amigo? – Inquire o companheiro de viagem. – Nós, eu que trago aqui na lancheira o almoço, portanto já venho prevenido, vamos a cumprir o nosso trato, não acha? – É isso mesmo amigo, é de homem! Vamos então. Ainda não me disse o seu nome… – Diz João. – Eu? Sou Miguel! E você? Eu sou João! – Será que a tropa nos deixa atravessar pelo Terreiro do Paço? Não vejo porque nos vão a por impedimento. Não vejo por aí gente que me pareça beligerante… – Responde Miguel. – Isto é tudo gente pacífica. As nossas revoluções são assim, a modos que já combinadas… Pois então, vamos! Vamos lá! À cautela também se pode meter à direita e passar ali pelo largo da casa dos bicos; o que lhe parece? Para mim, amigo João, tudo bem, talvez tenha razão. Assim como assim tirou o dia por sua conta!

Passado o limiar do portão metálico, (que o mestre do cais se apressa a fechar com o auxilio de um dos marinheiros de apoio (no pontão) à atracação dos barcos, viraram para a direita, na direcção do Jardim do Tabaco. Um pouco mais à frente atravessaram para o passeio da frente dos edifícios ministeriais. Ao fundo viraram de novo, à vista da antiga Feitoria das Índias, entreposto onde se armazenaram as especiarias vindas do Oriente, e de novo viraram, mas desta vez para a esquerda, no sentido do Terreiro do Paço, assim chamado por acordo do povo, ciente da sua História e das velhas tradições, e não essa Praça do Comércio, por imposição da modernidade de uns tantos. Passaram frente à porta Manuelina da Igreja, essa maravilha do Barroco Religioso Português, mais à frente no local onde entronca a rua da Madalena, e mais uma dúzia de passos adiante, de fronte do café Martinho da Arcada, desembocaram no Terreiro. Lá estava a tropa, nas suas posições.

 Quando olhou para o lado do rio, Miguel sentiu um baque no coração. Não me digam que esta gente se vai a pegar! Olhe para ali, companheiro. João olhou. No rio a presença de um navio de guerra. O cinzento da sua cor a misturar-se com a cor suja da água do rio, meio azulada e um tanto cinzenta. O navio estava de proa no sentido da nascente, a mostrar-se de lado, com as suas torres e os canhões ainda quedos, recortados na manhã que já vai alta para os lados da foz. No Terreiro do Paço o exército toma posições de resguardo no interior das arcadas, rente às fachadas dos ministérios.

– Vamos a ver a nossa gente a matarem-se uns aos outros? – Inquire João.

– Não sei o que lhe dizer, amigo! Talvez que não cheguem a tanto…

Miguel é homem de estatura média, atarracado, de braços musculados feitos nos trabalhos árduos da construção naval. Deixa transparecer uma energia que parece que contagia quem dele está próximo. Pela fala parece gente que teve “letras” por força de vontade, de saber mais da vida, do que um operário modesto dedicado à limpeza dos tanques dos petroleiros tem o direito de saber. É o género de gente que incomoda os doutores… – pensa João, a olhar o seu companheiro de ocasião. Miguel puxa-o pela manga do casaco. É melhor sairmos daqui, porque isto pode dar para o torto. Venha! Ambos se apressam a atravessar para o passeio do outro lado. Um pequeno grupo de militares protege-se atrás de um velho camião do exército, com uma metralhadora fixada por cima, junto à cabine. Está desprovida de atirador. A nossa gente é pacífica! – Diz João. – Nunca fiando, amigo, nunca fiando! E Miguel obriga-o a apressar o passo. Quando passam na frente dos soldados um graduado faz-lhes sinal com a mão para que se apressem, num gesto imperativo, de comando, e os dois homens esquivam-se, passando, acelerados, na frente da porta do Martinho da Arcada, e encaminham-se no sentido da Praça da Figueira, contigua ao Martim Moniz.

– A revolução ficou para trás! – Exclama João. As revoluções nunca ficam para trás; ou são decapitadas à nascença, ou se estendem até aos confins dos países que as fazem! Como sabe você isso? Ainda não há muito tempo me disse que nunca tinha visto nenhuma, tal como eu. E continuo a não ver, amigo. Então o que é aquilo ali para trás? Soldados, camarada, apenas soldados. Sim, vieram tomar o pequeno-almoço ao Terreiro do Passo. À falta da relva de jardim para se sentarem no chão para o piquenique, vão sentar-se nos bancos de pedra do Cais das Colunas! E é que não têm mau gosto, não senhor! Não brinque, amigo, não brinque! Você é que diz que isto não é uma revolução! E digo bem! Então o que lhe falta? O Povo, falta-lhe o Povo! Vê mais alguém na rua, a não sermos nós? Ainda é cedo, amigo. As pessoas das cidades não são todas como nós, os operários, levantam-se tarde e más horas! Então e os operários, não são Povo? Claro que sim! Então, se somos Povo, porque estamos apenas os dois nesta sua “revolução?” Porque poucos sabiam! Não sabiam como, se a rádio não tem feito outra coisa que não seja por no ar música marcial e o comunicado do comando das forças armadas? É que, sabe, as pessoas que se levantam cedo dormem à noite, e não ouvem rádio; temos de convir que é um bom e saudável hábito! Eu, para lhe dar um exemplo, só soube no barco quando você me disse. Mas, se não é uma revolução, o que acha que é, afinal? Um golpe de Estado. Uma saída para a guerra de África! A única saída possível, quanto a mim…

Os dois homens caminham uns metros adiante no sentido da Praça da Figueira, até que o Miguel propõe que virem para a esquerda, no sentido da rua Augusta, e que se encaminhem depois para a rua do Ouro. Porquê? – Questiona João. – Porque me parece que por aí se vê mais movimento. Porque pensa você isso? Não sei, chame-lhe palpite, se quiser, mas como é a rua que liga o Rossio ao Terreiro do Paço, e lá desemboca na esquina do ministério do Interior, as coisas, por essa banda, devem de estar mais movimentadas!

Na rua do Ouro já se avistam uns quantos grupos de civis, três ou quatro ou cinco pessoas por grupo. Alguns espreitam no sentido do rio, com os pés no limite dos lancis do passeio, pescoços esticados para a faixa de rodagem. Vocês vêm de onde? Nós? Do barco, dos cacilheiros! Os barcos estão a trabalhar? Fecharam há um bocado, ainda não fez meia hora!

Do lado do rio um blindado começa a avançar, subindo a rua. Da escotilha um militar de capacete, está atento à progressão. Então, outro blindado vem no sentido contrário. Visível, saindo meio corpo da escotilha, um militar envergando fardamento azul e com o bivaque posto na cabeça, também observa o caminho. Os carros de assalto estancam. As torres movimentam-se. Os que vêm do Rossio são da Guarda Republicana! – Grita alguém. – Mau, são capazes de abrir fogo! – Diz outro. – Se estão em lados opostos é muito possível que sim. No meio disto tudo ninguém sabe quem combate quem! – Diz um rapaz alto e magro. Tem razão, amigo! Vamos mas é encostar-nos aos prédios, ou metermo-nos numa escada, se descobrirmos uma porta aberta! E Miguel puxa o companheiro para a parede do prédio. As pessoas cozem-se com as fachadas dos edifícios e ficam em silêncio. Um ou outro desatam em correria para encontrarem uma protecção mais eficaz. Alguém deita-se no chão junto à parede e protege a cabeça com ambas as mãos. De ambos os lados da rua, a enfrentarem-se, os blindados estão imóveis. É como se o tempo parasse. Os tanques começam a avançar, com lentidão, um frente ao outro. É agora! Grita um homem. Calma, tenham calma! Os tipos não são doidos, a esta distância vão desfazerem-se, um ao outro! Se abrirem fogo atirem-se ao chão! Grita outro, falando para todos. Nisto o carro de combate que vem do sentido do Rossio vira à direita e começa a subir por uma rua perpendicular, e o carro que vem de baixo vira à esquerda noutra rua perpendicular. Os rostos dos poucos civis rasgam-se em sorrisos. Respira-se fundo, de alívio. Foi por pouco! Exclama alguém. Eu não lhes disse? Fala o rapaz alto, meio desengonçado, e contínua: Somos todos bons rapazes, somos portugueses, as coisas vão só com o olhar, os tiros não fazem falta para nada. É, nem mesmo nas nossas revoluções são necessários tiros, com jeitinho e boa vontade tudo se vai resolver, vão ver. Os rostos desanuviam-se, abrem-se em sorrisos, as palmadas nas costas que dão uns nos outros são expressão de contentamento. Desde que nos consigam livrar destes tipos sem mortos nem feridos, tudo bem. É isso, amigo, o nosso povo é sereno. Sereno é dizer pouco. Temos passado a vida a dormir! É verdade. – Dizem de mais adiante, e continuam. – Ou então têm-nos drogado com doses maciças de estupidez!

As pessoas dispersam-se pela rua; uns vão no sentido do Rossio, outros caminham para o Terreiro do Paço.

João e Miguel dirigem-se para o Rossio. Eu já bebia qualquer coisa quente, um cafezito com um chiripiti. E você, João? Eu também. É capaz de já haver para aí uma ou outra casa aberta. Que horas tem? João espreita o visor do relógio de pulso. Eu tenho quase sete! Como o tempo passa! É verdade, parece que ainda agora saímos do barco! É, perdemos muito tempo em hesitações, em especial para sair do cais. Tem razão. Afinal os tipos não se pegaram, senão ouvia-se daqui os disparos. Ainda bem. Pois claro, ainda bem, é gente nossa! Afinal, aonde vamos? Talvez que a tendinha do Rossio já esteja aberta, pelo menos é costume abrirem cedo. – Diz Miguel. – Se não for aí, ali para os lados da Praça da Figueira, ou naquela rua que liga a Praça à rua da Madalena. Aí? Aí não! Para essas bandas são as pastelarias das putas, e essas abrem tarde e más horas. É capaz de ter razão. Ali por trás da Tendinha, passando o arco, perto do cinema, há por aí umas tascas que abrem cedo! Vamos a ver… – Responde o Miguel.

No Rossio estava a Tendinha ainda encerrada. Pelos vidros via-se gente que se atarefava por detrás do balcão. Passaram o arco e desceram a rua; um pouco mais abaixo deram com um pequeno café já com as portas abertas. Pudemos? – Perguntaram ao homem que ainda retirava cadeiras de cima das mesas. – Podem, sim senhor. São os primeiros fregueses do dia. Façam favor? – Pediram dois cafés bem quentes, acompanhados com um cálice de aguardente velha para o Miguel. Você começa cedo, amigo. Não é hábito beber álcool assim tão cedo. Isto é da excitação, sabe… Pois, percebo; eu também ainda não caí bem em mim! Com que então isto não é uma revolução, diz você? E repito, sim senhor, isto não é uma revolução. Então e as pessoas que começam a aparecer por aí em correria, cada vez mais gente… São pessoas, olhe, são as tais pessoas das cidades, as que gostam de se levantar mais cedo nos dias das revoluções para não chegarem com atraso! Lá está você… É, amigo. A revolução tinha hora marcada. Era para começar só às nove e meia, com tolerância de meia hora por causa dos transportes e do trânsito, mas o raio da coisa começou antes. Algum parvo pensou que, só começando às dez, ia a acabar muito tarde, o que obrigaria todos a deitarem-se logo a seguir ao jantar, e então começou mais cedo com a coisa, sem dizer patavina a ninguém! Sabe, – continuou Miguel, – Quem manda é porque pode, lá dizem os que apoiam o que foi o grande mentor da Pátria. É, – responde João, – e obedece quem deve… Isso, quem não tem outro remédio…

Um rapaz bastante novo veio de dentro do estabelecimento com os cafés e o cálice e colocou o serviço sobre o tampo de mármore da mesa. Tomaram o café em silêncio. Depois do primeiro trago de aguardente, Miguel perguntou:

– Você tem plena consciência do que afinal quer dizer revolução? É que às vezes as pessoas não sabem bem o que certas e determinadas palavras querem dizer. Não se chatei comigo, amigo, por lhe fazer esta pergunta…

– Bom, não sendo muito letrado, de livros, tenho muito pouco, tenho mais experiência da vida, eu julgo que sei, mas talvez aprenda alguma coisa consigo…

– Revolução é assim a modos do que revolver, passar de baixo para cima, misturar; misturar não será bem o termo, o mais certo é revolver, passar o que está em cima para baixo e o de baixo passar para cima, não sei se me está a entender…

– É assim como o cão que tem muitas pulgas e se sacode para as atirar para os outros…

– É isso, boa comparação! Acertou, amigo João. Os parasitas estão em cima a sugar-lhe o sangue, e ele tem de os expulsar! Bem visto, sim senhor.

– Parece que não sou, de todo parvo…

Pois não. Nem eu disse isso. Mas sabe, com as pessoas é bem diferente do que com os cães. Nós, os humanos, não agimos por instinto, tomamos as decisões difíceis por razões de consciência. Foi por consciência e por sentirem na pele os efeitos da fome, que os franceses fizeram a sua revolução, sacudiram os seus parasitas, e impulsionaram o mundo para a frente. Foi também por passarem fome que, em mil novecentos e dezassete, os russos definitivamente conquistaram a liberdade, passados anos de luta. Em mil novecentos e cinco, na frota do Mar Negro, os que tripulavam o Potemkin, revoltaram-se porque passavam fome, e vai ser por passar fome que os portugueses, apesar de eternamente acomodados nas suas misérias, nas suas tristes fominhas, vão a acordar dos sonhos da grande Pátria espalhada pelos quatro cantos do mundo, da conquista para dilatar a Fé e o Império, e vão perceber que mais vale uma Pátria pequena mas próspera, onde todos tenham o que comer, onde exista trabalho para todos, antes e depois dos trinta e cinco anos de idade, esse limite que nos impõem para ter direito ao trabalho, e peguem na força das suas mãos para se livrarem em definitivo dos seus parasitas. O que, pelos vistos, ainda não vai acontecer desta vez! – Interrompeu-o João. – É evidente que não! – Respondeu o Miguel. – Nós estamos a assistir apenas a um golpe de Estado, como saída para uma guerra inglória provocada pelos mesmos de sempre. Quem faz o golpe? Espero que um grupo de militares conscientes e bem esclarecidos quanto ao empreendimento a que meteram os ombros. Da parte do Povo? Espero que saibam aproveitar a ocasião para seguirem a onda. Espero, mas não alimento grandes esperanças, apesar dos estropiados, dos mortos, da sangria dos braços válidos dos Homens mais novos, aplicados para matar outros seres humanos que apenas querem ser livres, iguais aos outros, os demais, brancos, pretos, mestiços, amarelos ou o que sejam; afinal, a grande família humana, passe as culturas diferentes, os deuses feitos à medida das sensibilidades dos povos, é toda uma só.

– Sim, concordo em parte consigo, – Disse João, – apesar de perceber que as culturas e as religiões fazem toda a diferença. É que eu já vi uma parte substancial do mundo. E, não sendo muito letrado, li algumas coisas e tive conversas como esta nossa, que por vezes foram de horas. As cores das pessoas são diferentes e não apenas. A natureza é complexa, amigo Miguel, o que parece nem sempre é. A comida de uns não agrada aos outros. O Mundo, afinal, é feito de complexidades e de diferenças. Somos alegremente desiguais, até mesmo no Amor. Uns gostam de mulheres brancas, outros gostam de pretas ou mestiças, ou outras quaisquer; uns amam e casam com uma só mulher de cada vez, outros não, casam com três ou quatro, ou com quantas posam sustentar. Mas quanto às necessidades básicas indispensáveis à vida, ai sim, temos pleno acordo. Somos iguais e temos direitos iguais, e isso pode implicar que as soluções políticas sejam semelhantes, o que conduz à Universalidade dos Ideais…

– Então estamos de pleno acordo, embora por caminhos diferentes chegamos a uma só conclusão, é que sendo desiguais, somos mais iguais do que diferentes… (…)

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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