Do livro “Histórias vividas em prosa”, de Marifelix Saldanha

– FAÇA HOJE, AMANHÃ SÓ EXISTIRÃO RASTOS –
Pouco se lhe adianta procurar, pois se não sabe sequer começar para onde ir-se. É preciso delimitar a sua própria distância e, em seguida, medir milimetricamente os lugares físicos e mentais para encontrar o delimitado, ou encontrar-se a si mesmo.
Experimente fechar os olhos numa visão fantasiosa, poderá sentir uma chuva de pedregulhos caindo às risadas, pressionando-o a decifrar cada partícula do filme que passa na sua mente. O início do caso, as paradas obrigatórias do ocaso, a proeminência fatigante das palavras secas, as indagações aos sentimentos rústicos e, por fim, a cansativa e onerosa descoberta das razões existentes dos fatos e acontecimentos
correntes ao longo do dia, ao longo da vida.
E tudo isto não passa de uma cena costumeira, porém, sempre partilhada por achados emocionantes e prontos para reinventar uma nova história.
E todo esse aparato é como se já soubéssemos que a mesma cena do dia estava para acontecer até aos olhos de quem, sentado à mesa de um luxuoso escritório ou mesmo
à sombra de uma mangueira, assistisse ao mesmo filme, porém, a cada vez com uma sensação diferente. Afinal, o sentimento de ontem, já me inspira apenas saudade e, quem
sabe amanhã, apenas desejos.

(Do livro “Histórias vividas em prosa”, de Marifelix Saldanha)

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