sublimação

Este surpreendente braço de água
Que no meu íntimo tem a nascente
É uma via pra fugir de mim: trago-a
Dentro, e nela me escapo e fico ausente.

Este poder de criar transcendência
Não sei se redime ou se é servidão:
Mas toca o pior da existência
E faz dele um modo de perfeição

A minha mão íntima cria Deus
Para me conduzir à beatitude:
A lava que jorra em mim é sagrada.

Esta poesia é um tecer de véus.
Não sei se me liberta, se me ilude:
Vale mais que tudo, e não vale nada.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Opiniões, testemunhos com as etiquetas . ligação permanente.

2 respostas a sublimação

  1. Orlando Nesperal diz:

    A poesia, será sempre aquilo que queremos ser, mas nunca chega onde se possam ver. O poeta torna-se um ser sublime, sente, vê e admira, raramente é visto ou se deixa ver.

    Gostar

    • gilduarte diz:

      Sim, a poesia pode ser isso. Mas por que não poderia o contrário disso ser poesia também? Se há alguma coisa em que a poesia não cabe é num certo modelo do que a poesia “deve” ser…

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s